Carteira Valor | Novembro/2020

A Carteira Valor encerrou o mês de Outubro no campo positivo, acima do seu índice de referência (Ibovespa). O mês foi negativo para os mercados ao redor do globo, refletindo o aumento significativo de casos de coronavírus na Europa e aproximação das eleições presidenciais e a falta de acordo em torno de um novo pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos. No Brasil, o sentimento foi mais ameno, com a retomada das conversas sobre as reformas e expectativa de que o governo não faça o uso de precatórios para financiar o programa Renda Cidadã, o que reduziu o risco do rompimento do teto de gastos. Ainda assim, justificamos a alta volatilidade do índice coma: (i) instabilidade política, elevando o risco Brasil; (ii) crescentes dúvidas com relação a situação fiscal do país, em meio a possibilidade do aumento de gastos pelo governo Bolsonaro (iii) e temores à respeito dos efeitos da 2ª onda de coronavírus na Europa.

Destaque Positivo: CSN ON (CSNA3)

A CSN foi o destaque positivo da carteira no mês de outubro. A sólida performance do papel esteve ligada aos sólidos patamares de preço do minério de ferro, retomada da atividade industrial brasileira, expectativa quanto a privatização do segmento de mineração da empresa e elevação de preços-alvos de algumas casas de análise. Dessa forma, vimos os papéis da CSN se descolar do mercado doméstico, sendo uma das altas mais relevantes do Ibovespa.

Para Novembro

Para Novembro, ainda esperamos um cenário de elevada volatilidade, com as eleições presidenciais nos EUA e para prefeitura no Brasil sendo o principal foco para o mês. A retomada da atividade econômica e os desenvolvimentos das vacinas contra a COVID-19 seguem também no radar dos investidores.

Um grande ponto de atenção será a segunda onda de contaminação por coronavírus ao redor do globo, tendência que já vem sendo observada na Europa, onde, em alguns locais, voltaram a estabelecer medidas mais restritas de isolamento social..

Para a carteira, optamos por retirar os ativos da CSN e Natura, para dar entrada aos de Lojas Quero-Quero e Movida. Nossas trocas visam um posicionamento mais defensivo dentro de setores com potenciais interessantes, pois acreditamos que a volatilidade deverá ser bastante elevada durante o mês de novembro. Em um cenário de instabilidade política no Brasil e Estados Unidos, acreditamos que esse movimento tenderá a reduzir a volatilidade de nossa carteira.

Comentários e Recomendações

Lojas Quero-Quero ON (LJQQ3)

A varejista voltada para os segmentos casa e construção começou a ter suas ações negociadas em bolsa no início de agosto, através de uma oferta pública inicial de ações que levantou quase R$ 2 bilhões.

Hoje a companhia possui 326 lojas, que estão posicionadas em cidades pequenas e médias (de até 300 mil habitantes) na região Sul do país. Isto contribui para que sua concorrência não seja muito agressiva, visto que os grandes players do mercado, que possuem alta escalabilidade, posicionam-se majoritariamente em cidades grandes. Sendo assim, a Lojas Quero-Quero disputa participação de mercado com players locais, que possuem em geral uma atuação mais informal. Estes podem vir a ter um relacionamento de maior proximidade com os clientes que habitam as pequenas cidades, mas ao mesmo tempo, não possuem a escala e a capacidade de oferta de crédito da companhia, o que tornam as barreiras de entrada no segmento relevantes.

Entre as principais oportunidades de crescimento para o negócio, listamos: (i) cerca de 5.400 cidades do Brasil se enquadram nos padrões estabelecidos para abertura de lojas da empresa, que englobam aproximadamente 127 milhões de habitantes; (ii) crescimento acelerado do número de lojas desde 2018 apresentando altos retornos; (iii) 66 lojas que estão no radar para serem reformadas e assim se tornarem mais lucrativa, o que corresponde a 18% do total; (iv) poucos players relevantes em destaque.

Movida ON (MOVI3)

A empresa se destaca por ser a terceira maior companhia de locação de veículos no Brasil em tamanho de frota dentre as companhias abertas do setor, além de ser a segunda maior no segmento RAC (“Rent a Car”). Em 2013 foi comprada pelo grupo JSL, grupo com o mais amplo portfólio de serviços logísticos do país. Com a reestruturação da cia feita pelo grupo JSL, em dezembro de 2014, ela consolidou todas as atividades de rent a car e de gestão terceirizada de frotas (GTF) do Grupo JSL.

Com expansão acelerada no mercado, em 2017 fizeram um IPO e desde então a empresa vem apresentando bons resultados, com: (i) forte volume de vendas, (ii) redução da idade média da frota, (iii) aumento no preço das tarifas e volume de diárias, impulsionado pelo segmento GTF. Além disso, a alavancagem da empresa é a mais baixa do setor com dívida líquida/EBITDA em 2,3x.

O setor demonstrou rápida recuperação, após ser extremamente afetado pela crise do coronavírus em meio: (i) melhora de preços dos carros usados no segmento de Seminovos; (ii) maior utilização de transporte particular em detrimento ao transporte público; (iii) necessidade de caixa por parte das empresas e das famílias motivou a troca de ativos próprios por ativos alugados; (iv) recuperação econômica e de fluxo nos aeroportos. Com isso as principais companhias do setor tem demonstrado um crescimento expressivo, inclusive a Movida.

Ainda, com relação a fusão entre Unidas e Localiza, avaliamos um cenário que pode ser positivo para a Movida, com a redução de um player importante de atuação no setor, abrindo oportunidades para a companhia.

Magazine Luiza ON (MGLU3)

A empresa ainda deve crescer acima da média do setor de consumo. Destacamos a estratégia da Magalu que permanece na transformação de uma empresa de varejo tradicional com uma área digital para uma empresa digital com pontos físicos e capital humano, baseada nos pilares: (i) inclusão digital, (ii) cadeia de logística alinhada a multicanalidade, (iii) digitalização das lojas, (iv) plataforma digital de vendas e (v) cultura digital.

Com relação a concorrência: a rede logística e de distribuição no Brasil é uma forte barreira de entrada. O grande provedor de logísticas que temos hoje é o correio, o que torna mais difícil para as empresas estrangeiras implementarem seus modelos de negócios e estratégias em que atuam lá fora. A malha logística no Brasil é bem peculiar, e Magazine Luiza tem know how técnico para aproveitar a deficiência de seus concorrentes.

Vale ainda destacar o crescimento acelerado do e-commerce, reflexo: (i) do aumento das vendas pelo smartphone (ii) projetos de multicanalidade e captura dos benefícios do Retira na Loja, (iii) maior taxa de conversão e (iv) permanência do nível de serviço avaliado pelo Reclame Aqui.

Por fim, a companhia possui forte cultura de agir com propósito. Por isso, promoveu uma série de ações durante a pandemia, voltadas para saúde e segurança, preservação de caixa e empregos e aceleração da estratégia. A varejista também trata com frequência do fator ambiental, atuando através: (i) da construção de fortes parcerias éticas e transparentes; (ii) do incentivo a valorização do meio ambiente; (iii) da implementação um programa que atenda à Política Nacional de Resíduos Sólidos internamente; e (iv) do estabelecimento da metodologia que gerencie emissões de carbono para formulação de objetivos e metas. Ela também investe em projetos sociais e possui forte estrutura de governança corporativa.

Vale ON (VALE3)

Seguimos com uma visão construtiva para a VALE. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

O anúncio de que a companhia voltará a pagar proventos devem também trazer importante remuneração aos acionistas da companhia.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.5x EV/Ebitda, contra uma média de 5.8x do setor.

Weg ON (WEGE3)

Sustentamos nossa recomendação em Weg, que possui como principais destaques: (i) a expansão contínua no cenário externo, através de acordos locais ou M&A; (ii) ganho contínuo de market share; (iii) retomada da economia brasileira; (iv) posicionamento de liderança como fornecedor no segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia).

A empresa tem mostrado boa performance dentro do setor industrial nos últimos anos. Sua receita tem sido beneficiada pela depreciação do real, que segue crescendo como reflexo do cenário externo frente ao coronavírus, pela recuperação da demanda industrial e pelo crescimento do mercado. Além disso, a companhia veem se beneficiando de uma expansão na sua margem Ebitda, em função dos ganhos de eficiência em função da adoção de práticas da Indústria 4.0. A companhia não reduziu seu ritmo de investimentos durante a recente crise, gerando nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos players locais.

A empresa tem um mix de produtos diversificado, e vem ganhando bastante reconhecimento da marca e possui um grande potencial no segmento de GTD. Além disso a companhia ainda vê potencial nos segmentos de petróleo e gás, mineração, saneamento.

Quando se trata de inovação e sustentabilidade, a Weg se destaca por seu modelo de negócio, que cresce através de soluções de fontes renováveis de energia, práticas de eficiência energética e produtos e soluções com menor impacto ambiental, como a linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica que a cia desenvolve. A empresa também é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica.

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