Carteira Valor | Dezembro/2020

Tempo de leitura: 9 minutos

A Carteira Valor encerrou o mês de Novembro no campo positivo, acima do seu índice de referência (Ibovespa). Durante o mês, grandes eventos ocorreram, nos fazendo mudar a visão para os mercados, estes foram o sucesso de Joe Biden nas eleições presenciais americanas, além do noticiário positivo relacionado à eficácia das vacinas contra a Covid-19. Começamos a perceber um grande otimismo do mercado para setor relacionados à reabertura, como o de transportes e óleo e gás, pautado por uma retomada do fluxo de investidores estrangeiros, com maior otimismo em relação a mercados emergentes. No Brasil, tivemos as eleições para prefeito e aumento relevante do número de casos de infecções por coronavírus. Justificamos a alta volatilidade do índice com a: (i) instabilidade política, elevando o risco Brasil; (ii) crescentes dúvidas com relação a situação fiscal do país, em meio a possibilidade do aumento de gastos pelo governo Bolsonaro (iii) e temores à respeito dos efeitos da 2ª onda de coronavírus ao redor do globo.

Destaque Positivo: CSN ON (CSNA3)

O destaque positivo na carteira no mês foi a Vale, dando seguimento a tendência positiva para o setor de mineração e siderurgia. O otimismo do mercado quanto ao papel tem como fundamento o aumento da demanda por aço por parte da China, limitação da oferta brasileira e reajuste de preços feitos ao longo dos últimos meses.

Para Dezembro

Para Dezembro, ainda esperamos um cenário de elevada volatilidade, devido ao aumento de casos de infecção por Covid-19 ao redor do mundo. No entanto, as notícias positivas relacionadas à eficácia das vacinas e a aproximação da chegada das mesmas deve seguir gerando um otimismo para setores relacionados à tese de reabertura, que ainda estavam pressionados.

Um grande ponto de atenção será a segunda onda de contaminação por coronavírus ao redor do globo, podendo levar a volta de medidas mais restritas de isolamento, e as festas de final de ano que devem movimentar o setor de varejo e transportes.

Para a carteira, optamos por retirar os ativos da Lojas Quero-Quero, Magazine Luiza, Movida e Weg, para dar entrada aos da BR Malls, CVC, Petrobras e Yduqs. Nossas trocas visam adequar a carteira ao cenário atual com setores de interessantes potenciais relacionados à tese de  reabertura, com aproximação de festas de final de ano e notícias mais otimistas relacionadas à chegada de uma vacina conta a Covid-19.

Comentários e Recomendações

BR Malls ON (BRML3)

O setor foi extremamente impactado com a chegada da pandemia de Covid-19, isto porque os shoppings tiveram de fechar temporariamente por quase quatro meses. Por outro lado, o cenário impulsionou o avanço das iniciativas digitais.

Acreditamos que as notícias mais animadoras relacionadas à  chegada de uma vacina eficaz, somada a aproximação das festas de final de ano, devem alavancar valor para o papel.

Baseamos nossa tese na recuperação mostrada pela companhia no seu último resultado, referente ao 3T20. destacamos: (I) o aumento no horário de funcionamento, que expandiu para 89,7% do tempo de operação de 2019; (II) aceleração da estratégia de “mal as a hub” que permitiu aumento de 830% das vendas no marketplace; (III) crescimento da Receita Líquida em R$ 22,2 milhões (+12,0%), refletindo a recuperação da performance com a progressiva flexibilização das operações ao longo dos meses, trazendo melhora de fluxo e vendas; e (IV) a taxa de ocupação média dos ativos diminuiu em apenas 1,5 p.p. em relação ao 3T19, atingindo 95,5%. O controle da taxa de ocupação, mesmo em um cenário desafiador, é reflexo da assertividade da estratégia que a brMalls vem implementando ao longo dos últimos anos, com a reciclagem do portfólio, o fortalecimento do mix e o desenvolvimento de soluções para potencializar a performance dos varejistas.

CVC ON (CVCB3)

A companhia de turismo foi bastante penalizada ao longo do ano com a chegada da pandemia de Covid-19, isto porque foram estabelecidas medidas de isolamento social, fazendo com que a população saísse de casa, além do fato de muitas fronteiras terem fechado, para assim impedir uma maior disseminação do vírus.

No entanto, com as recentes notícias relacionadas à eficácia das vacinas contra a Covid-19, o mercado passou a adotar um grande otimismo. Diante disso, acreditamos que a entrada no papel faça sentido nos níveis atuais, de modo que o mesmo deva apreciar ainda mais conforme a população comece a se vacinar.

Ainda, reforçamos nossa recomendação após a reestruturação da dívida da CVC de R$1,5 bilhão, o que diminui seus compromissos de curto prazo de R$600 milhões para R$433 milhões e ainda garante o não vencimento antecipado de suas outras séries de debêntures. Na nossa visão, isto deve remover uma grande pressão negativa que incidia sobre seu papel.

Tendo em vista que esta questão relacionada a seu endividamento foi resolvida, reiteramos ainda o fato de seu management agora poder focar seus esforços no processo de turnaround da empresa.

Petrobras PN (PETR4)

No curto prazo, alguns triggers que sustentam nossa recomendação: (1) continuidade da venda de ativos onshore; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias;. A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal. No curto prazo as ações da Petrobras devem permanecer com alta volatilidade acompanhando o cenário de reabertura comercial, além da expectativa pelas vacinas, o que já tem desencadeado numa recuperação mais relevante do petróleo.

Vale destacar o Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2021 – 2025, que tem como foco: (a) redução da alavancagem financeira; (b) maiores investimentos futuros (em exploração e produção – E&P- em especial) e significativo corte de custos operacionais; e (c) foco na gestão estratégica empresarial. Assim, a empresa deve continuar a se beneficiar: (i) do processo de vendas de ativos; (ii) da melhora operacional, com ganhos de eficiência e produtividade; e (iii) da contínua desalavancagem financeira. Fatores que nos deixam mais otimistas com o rumo da estatal. Entre os riscos: (i) queda mais acentuada do preço do barril de petróleo; e (ii) paralização do processo de venda de ativos são fatores que podem pressionar o papel.

Vale ON (VALE3)

Seguimos com uma visão construtiva para a VALE. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

O anúncio de que a companhia voltará a pagar proventos devem também trazer importante remuneração aos acionistas da companhia.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.1x EV/Ebitda, contra uma média de 4.9x do setor.

Yduqs ON (YDUQ3)

A Yduqs segue se posicionando com uma oferta de valor premium em relação ao principal concorrente (Kroton) com foco nos cursos de medicina principalmente. Além disso, no segmento digital a companhia segue crescendo sua base de alunos. A companhia divulgou seus resultados referentes ao 3T20 recentemente, com alta de quase 20% no Ebitda e queda de 26% no Lucro Líquido, já mostrando uma grande recuperação vs. seu desempenho nos últimos trimestres do ano. A companhia contou com um aumento em sua base de alunos total, que cresceu 36% A/A, atingindo a casa dos 750 mil. O ticket médio do segmento presencial subiu 7% no A/A, enquanto do EAD caiu 4%.

A publicação de seus balanços confirmou as tendências esperadas: aumento da inadimplência, das provisões e da alavancagem. A companhia, no entanto, reforçou seu caixa recentemente e está bem capitalizada para enfrentar o momento atual, ainda, o cenário já parece adotar um rumo de recuperação contando também com maior aderência ao segmento digital.

Por fim, a Yduqs segue com perspectiva de novos M&As, sendo a ultima aquisição no início de junho, do Grupo Athenas por R$120 milhões, reforçando sua presença no Norte e Centro-Oeste. O Athenas é líder ou vice-líder nas cinco cidades onde atua e possui o objetivo de oferecer cursos de medicina do segmento premium. A região complementará a presença da YDUQS, que já opera em Manaus, Belém, Macapá, Boa Vista e Cuiabá.

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