Carteira Valor | Outubro/2020

Tempo de leitura: 8 minutos

A Carteira Valor encerrou o mês de Setembro no campo negativo, abaixo do seu índice de referência (Ibovespa). O mês foi negativo para os mercados norte-americanos, com a elevação das incertezas quanto as eleições de novembro, derrocada das empresas de tecnologia e elevação do número de contaminação na Europa. Na esteira do mau humor internacional, o Ibovespa também apresentou queda, com o crescente temor quanto ao déficit fiscal brasileiro, expectativa por anúncios dos programas sociais e dúvidas quanto ao cumprimento do teto de gastos.

Destaque Positivo: CSN ON (CSNA3)

A CSN foi o destaque positivo da carteira no mês de setembro. A sólida performance do papel esteve ligada aos sólidos patamares de preço do minério de ferro, retomada da atividade industrial brasileira, expectativa quanto a privatização do segmento de mineração da empresa e elevação de preços-alvos de algumas casas de análise. Dessa forma, vimos os papéis da CSN se descolar do mercado doméstico, sendo uma das altas mais relevantes do Ibovespa.

Para Outubro

Para Outubro, esperamos mais um mês de elevada volatilidade, com os desdobramentos da propagação do coronavírus, segunda onda de contaminação na Europa e eleição nos Estados Unidos sendo os principais focos dos investidores globais.

Outro ponto de atenção ficará com relação a cena política local, em meio a continuidade da tramitação da reforma tributária. Ainda, questões relacionadas ao controle fiscal, programas sociais e preocupação com o teto dos gastos deverão seguir fazendo preço.

Para a carteira, optamos por retirar os ativos do BTG Pactual, Cogna, Minerva e Via Varejo, para dar entrada aos de Magazine Luiza, Natura, Vale e Weg. Nossas trocas visam um posicionamento mais defensivo dentro de setores com potenciais interessantes, pois acreditamos que a volatilidade deverá ser bastante elevada durante o mês de outubro. Em um cenário de instabilidade política no Brasil e Estados Unidos, acreditamos que esse movimento tenderá a reduzir a volatilidade de nossa carteira.

Comentários e Recomendações

CSN ON (CSNA3)

Gostamos do papel e acreditamos que existem grandes chances de apreciação nas próximas semanas, seguindo a tendência favorável de apreciação como observado no preço do minério de ferro.

O segmento de mineração segue sendo o principal negócio para a CSN desde o desastre de Brumadinho, que reduziu a oferta de minério e elevou os preços da commodity. Ainda assim, a companhia tem conseguido entregar boa geração de caixa e busca reduzir seu endividamento, principalmente em função da retomada do  segmento de siderurgia.

Com isso, temos observado uma melhora de tendência para a companhia que ainda possui níveis de alavancagem financeira que seguem acima de 5x dívida líquida /Ebitda. Baseado no objetivo de melhorar sua estrutura de capital, a CSN deverá realizar em breve os IPOs das suas unidades de mineração e cimentos. Tal movimento, somado aos patamares de preço do minério de ferro no mercado internacional e retomada da atividade siderúrgica doméstica, deverá servir para redução expressiva das dívidas da empresa e, por consequência, de suas despesas financeiras, melhorando então sua geração de caixa.

Magazine Luiza ON (MGLU3)

A empresa ainda deve crescer acima da média do setor de consumo. Destacamos a estratégia da Magalu que permanece na transformação de uma empresa de varejo tradicional com uma área digital para uma empresa digital com pontos físicos e capital humano, baseada nos pilares: (i) inclusão digital, (ii) cadeia de logística alinhada a multicanalidade, (iii) digitalização das lojas, (iv) plataforma digital de vendas e (v) cultura digital.

Com relação a concorrência: a rede logística e de distribuição no Brasil é uma forte barreira de entrada. O grande provedor de logísticas que temos hoje é o correio, o que torna mais difícil para as empresas estrangeiras implementarem seus modelos de negócios e estratégias em que atuam lá fora. A malha logística no Brasil é bem peculiar, e Magazine Luiza tem know how técnico para aproveitar a deficiência de seus concorrentes.

Vale ainda destacar o crescimento acelerado do e-commerce, reflexo: (i) do aumento das vendas pelo smartphone (ii) projetos de multicanalidade e captura dos benefícios do Retira na Loja, (iii) maior taxa de conversão e (iv) permanência do nível de serviço avaliado pelo Reclame Aqui.

Por fim, a companhia possui forte cultura de agir com propósito. Por isso, promoveu uma série de ações durante a pandemia, voltadas para saúde e segurança, preservação de caixa e empregos e aceleração da estratégia. A varejista também trata com frequência do fator ambiental, atuando através: (i) da construção de fortes parcerias éticas e transparentes; (ii) do incentivo a valorização do meio ambiente; (iii) da implementação um programa que atenda à Política Nacional de Resíduos Sólidos internamente; e (iv) do estabelecimento da metodologia que gerencie emissões de carbono para formulação de objetivos e metas. Ela também investe em projetos sociais e possui forte estrutura de governança corporativa.

Natura ON (NTCO3)

A companhia apresentou resultados ainda modestos no 1S20, altamente impactado por fatores não recorrentes, relacionados ao seu acordo com a Avon e o fechamento das lojas. Entretanto a empresa deverá seguir com um ritmo de crescimento acelerado tanto em receita com expansão das vendas na Europa e Ásia (sendo ainda favorecido pelo cambio desvalorizado) quanto em ganhos de margens decorrente das sinergias das aquisições recentes (expectativa de aumento das vendas por consultora).

Mesmo em meio a pandemia, a empresa aumentou o guidance de sinergias que espera para a integração de suas operações com as da Avon em mais de US$100 milhões, atingindo um valor entre US$ 300 e US$ 400 milhões. O deal deve oferecer uma série de sinergias, que deverão ser adiadas por conta da pandemia, mas ainda assim permitirão com que grande valor seja destravado para a Natura através do fortalecimento do canal de vendas diretas e aumento do mix de categorias de produtos que serão oferecidos aos clientes.

Ainda, a empresa conseguiu apresentar significativo crescimento em seu lucro operacional após a aquisição da The Body Shop (TBS) em 2017. Esta operação, permitiu um grande avanço na estratégia de multicanalidade do grupo, através de maiores investimentos nos meios digitais, além de um grande aumento de receita, apoiado em ganhos de eficiência.

A Natura possui uma relação de dívida líquida/ Ebitda elevada, em 4,9x, no entanto, parte significativa de seu endividamento vem do financiamento adquirido para a aquisição da Avon. A companhia possui 45% de sua dívida referenciada em dólar, porém,  apenas a menor parte (R$1,5 bilhão) possui vencimento em 2020.

Vale ON (VALE3)

Seguimos com uma visão construtiva para a VALE. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

O anúncio de que a companhia voltará a pagar proventos devem também trazer importante remuneração aos acionistas da companhia.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.5x EV/Ebitda, contra uma média de 5.8x do setor.

Weg ON (WEGE3)

Sustentamos nossa recomendação em Weg, que possui como principais destaques: (i) a expansão contínua no cenário externo, através de acordos locais ou M&A; (ii) ganho contínuo de market share; (iii) retomada da economia brasileira; (iv) posicionamento de liderança como fornecedor no segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia).

A empresa tem mostrado boa performance dentro do setor industrial nos últimos anos. Sua receita tem sido beneficiada pela depreciação do real, que segue crescendo como reflexo do cenário externo frente ao coronavírus, pela recuperação da demanda industrial e pelo crescimento do mercado. Além disso, a companhia veem se beneficiando de uma expansão na sua margem Ebitda, em função dos ganhos de eficiência em função da adoção de práticas da Indústria 4.0. A companhia não reduziu seu ritmo de investimentos durante a recente crise, gerando nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos players locais.

A empresa tem um mix de produtos diversificado, e vem ganhando bastante reconhecimento da marca e possui um grande potencial no segmento de GTD. Além disso a companhia ainda vê potencial nos segmentos de petróleo e gás, mineração, saneamento.

Quando se trata de inovação e sustentabilidade, a Weg se destaca por seu modelo de negócio, que cresce através de soluções de fontes renováveis de energia, práticas de eficiência energética e produtos e soluções com menor impacto ambiental, como a linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica que a cia desenvolve. A empresa também é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica.

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