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Cotações por TradingView

Carteira Semanal de Ações | 04 de Julho

4 de julho de 2022
Escrito por Rodrigo Crespi
Tempo de leitura: 13 min
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Tempo de leitura: 13 min

Na semana os papéis da Petrobras foram os que mais se apreciaram, enquanto os da Gerdau foram os que mais se depreciaram.

Minerva ON (BEEF3)

Weg ON (WEGE3)

Gerdau PN (GGBR4)

SLC Agrícola ON (SLCE3)

Performance

Na semana, a carteira teve performance positiva de 0,74%, acima do seu índice de referência. O S&P e outras bolsas internacionais fecharam a semana em baixa enquanto os investidores ainda absorviam o ambiente macro mais desafiador, com a perspectiva de aumento de juros e desaceleração da atividade econômica minando o sentimento do mercado. Os dados do PCE nos EUA mostraram uma desaceleração nos números de consumo maior do que o previsto pelo mercado, além de um PMI industrial calculado pela ISM mostrando recuo dos índices de novas ordens e emprego. No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 0,29% apoiado pela recuperação dos preços de algumas commodities e a despeito da elevação do risco fiscal (CDS atingiu o patamar de 300 pontos ao longo da semana). O texto da PEC dos combustíveis foi apresentado pelo Senador Fernando Bezerra e aprovado pelo Senado, aguardando agora a votação na Câmara dos Deputados. Na fronte da inflação, o IGP-M registrou alta de 0,59% em junho, abaixo do esperado pelo mercado (+0,69%), embora tenha acelerado um pouco contra o mês anterior.

Na semana os papéis da Petrobras foram os que mais se apreciaram, enquanto os da Gerdau foram os que mais se depreciaram.

Perspectiva

Para esta semana, realizamos duas trocas na carteira, com a retirada de Gerdau e SLC Agrícola, dando espaço para a entrada de Minerva e Weg. Nos EUA, a ata do FOMC na quarta-feira deve ser o ponto de maior atenção dos investidores em conjunto com os dados de emprego non-farm Payrolls na sexta-feira referentes ao mês de junho. Um mercado de trabalho mais apertado justificaria ao Fed prosseguir com um aperto monetário mais acentuado por mais tempo. Na Europa e China, a inflação ao produtor e ao consumidor respectivamente deverão ser os dados mais importantes. No Brasil, o mercado vai continuar acompanhando a tramitação da PEC dos combustíveis na Câmara, onde a votação deve ser mais demorada e passível de alterações. A Câmara quer votar até quinta-feira a proposta, tendo em vista que o recesso parlamentar (18/07) poderia atrasar a aprovação da medida. No campo dos indicadores, o destaque será a divulgação do índice oficial de inflação ao consumidor, o IPCA para o mês de junho. Segundo nossas estimativas, o dado deve registrar uma variação de 0,68% na comparação mensal ou 11,90% no acumulado de 12 meses. O avanço do IPCA na margem em junho deve decorrer da alta de preços administrados, em vista da dissipação do impacto baixista da mudança de bandeira nas contas de luz e reajuste dos planos de saúde. Já os preços livres devem ceder por conta de Bens industriais com os recuos de etanol e cuidados pessoais. Alimentação no domicílio e Serviços devem apresentar incrementos em relação a maio.

Minerva ON (BEEF3)

A Minerva é uma das líderes na América do Sul na produção e comercialização de carne in natura e seus derivados. Possui um portfólio diversificado de marcas e produtos, com opções que vão desde carnes in natura e congelados até produtos de maior valor agregado, prontos para o consumo, como os preparados e processados. A divisão Brasil responde por todas as vendas realizadas no mercado doméstico e exportações das plantas brasileiras. Já a divisão América do Sul contempla as vendas realizadas internamente na Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai e as exportações desses países para outros mercados.

A empresa possui plantas em cinco países na América do Sul e escritórios em mais 15 países. a Minerva foi capaz de entregar uma performance operacional recorde no 1T22, com uma receita líquida de R$7,2 bilhões (+24,6% a/a), e um EBITDA de R$646 milhões (+33,2% a/a), com uma margem de 8,9% (0,6 p.p. a/a). Vimos melhores performances da Argentina e Uruguai, conforme esperávamos, devido principalmente a preços de exportação mais fortes nesses mercados compensando a perda de volumes comercializados em ambos. O mesmo não pôde ser visto na Colômbia e no Paraguai, que foram impactados por suas maiores exposições ao mercado russo, e tiveram severas quedas de volumes de vendas.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú Unibanco é o maior banco do Brasil em termos de ativos totais. O banco, que consolidou sua liderança entre os bancos privados no Brasil após a fusão com o Unibanco em 2008, possui forte penetração e uma presença robusta em áreas-chave, como cartões de crédito, empréstimos para automóveis, gestão de ativos e seguros.

O Itaú reportou um bom resultado, com lucro líquido recorrente de R$7,2 bilhões no 4T21, 2% acima de nossas estimativas e 5,7% acima do consenso de mercado. O resultado melhor que a expectativa ocorreu apesar de um resultado de tesouraria mais pressionado no trimestre, reflexo de um crescimento da carteira de e da margem financeira com clientes acima do guidance de 2021.

Vimos também uma boa performance das receitas de serviços e seguros no 4T21 (+2,9% T/T), impulsionado pelas receitas advindas de cartões e resultado de seguros, fechando 2021 próximo ao topo do guidance; forte crescimento da carteira de crédito, em especial nas linhas de cartão de crédito, crédito pessoal, crédito imobiliário e crédito para micro, pequenas e médias empresas, o que contribui para o crescimento da margem financeira com clientes, já que estas linhas apresentam maiores taxas de juros, e menor patamar do índice de eficiência (despesas/receitas) desde 2016, resultado não só da expansão das receitas, mas também da digitalização da companhia e do bom controle de custos e despesas feito pelo banco. 

O guidance positivo para 2022 nos agradou, com crescimento da carteira de crédito total entre 9% e 12%, sendo a carteira Brasil entre 11,5% e 14,5%, acima do crescimento projetado pela Febraban, e aumento da margem com clientes entre 20,5% e 23,5%, reflexo do crescimento da carteira e de um mix mais voltado para linhas com maiores spreads. Por fim, destacamos o bom desempenho nos canais digitais, com destaque para o Iti, que já conta com 14,6 milhões de contas, sendo 86% não correntistas do Itaú.

Multiplan ON (MULT3)

A fundada como uma empresa full service, a Multiplan é uma das maiores empresas de shopping centers do Brasil, responsável pelo planejamento, desenvolvimento, propriedade e administração de seu portfólio de shopping centers. A companhia apresentou uma forte retomada em todas as suas frentes de operação em relação ao patamar antes da pandemia, com evolução na taxa de ocupação e uma taxa de inadimplência em queda, que resultou em um ótimo resultado financeiro por parte da Multiplan.

O período pandêmico ajudou a companhia a rever sua estratégia e acrescentar maior peso na vertente digital e omnicalidade, que acabam diversificando os canais de vendas e aumentando a fidelização do cliente, potencializando as vendo no longo prazo.

Multiplan iniciou a temporada de resultados para shoppings do 1T22 estabelecendo altas expectativas para o setor, que também não deve decepcionar. O destaque do trimestre foi o impressionante same-store-rent de 54%, representando um crescimento real de 0,6%, além de recordes nos números financeiros. O trimestre reforça nossa visão construtiva para o papel, havendo fortes sinais de que a recuperação operacional organicamente, através de principalmente de vendas e fluxo. Além disso, números prévios de abril apontam para continuidade na dinâmica de recuperação dos aluguéis. Dito isso, vemos Multiplan como um dos top picks setoriais, provando possuir um alto poder de barganha frente a seus lojistas e grande resiliência do portfólio durante a pandemia.

Do lado operacional, o destaque foi, como comentado antes, para a forte performance de same-store-rents de 54%, apresentando crescimento real, além de same-store-sales apresentar um crescimento de 12% em comparação ao mesmo período de 2019. Adicionalmente, os números prévios de abril indicam que a dinâmica deve continuar favorável para vendas apesar do fluxo ainda continuar 4% abaixo de níveis pré-pandêmicos – podendo indicar também que, ainda existe upside adicional para algumas métricas.

Petrobras PN (PETR4)

A Petrobras é uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo. Em 2020 os campos operados pela companhia produziram 94,15% do petróleo e gás natural do Brasil, conforme dados da ANP. A companhia é líder na exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, tendo produção concentrada nas bacias de Campos e Santos. A companhia também atua nos mercados de refino, também sendo responsável pela maior parte da capacidade de refino no Brasil, sobretudo na região Sudeste. O lucro da Petrobras no 1º trimestre de 2022, foi de R$ 44,5 bilhões, o maior já registrado por uma empresa de capital aberto brasileira para o período, e segue reduzindo a sua alavancagem financeira.

A companhia segue apresentando bons volumes de produção e redução no seu lifting cost (custo de extração) com maior participação das operações do pré-sal no portfólio. Esperamos a entrada em operação de novos poços a médio prazo, contribuindo para o aumento na produção. No curto prazo, alguns triggers: (i) continuidade da venda de ativos não estratégicos; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias; (3) perspectiva de novos anúncios de dividendos.

Em março a estatal anunciou uma nova descoberta de petróleo no pré-sal, em um bloco com a BP Energy do Brasil, encontrada na parte sul da Bacia de Campos, no bloco Alto de Cabo Frio Central, a 230 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro.

Em maio observamos mais uma troca de comando da direção da empresa, com a substituição de José Mauro Ferreira Coelho  por Caio Mario Paes de Andrade, dada a alta dos preços de combustíveis e lucro elevado no 1T22, que acabou chamando a atenção de políticos. Apesar do dano causado a governança, vemos alguns dispositivos  como a Lei da Estatais e o estatuto da companhia, sendo colocados a prova, e que em teoria impediriam mudanças drásticas na política de preços da Petrobras no curto prazo.

Weg ON (WEGE3)

Sustentamos nossa recomendação em Weg, dado seu perfil mais defensivo, e que ainda possui como principais destaques: (i) a expansão contínua no cenário externo, através de acordos locais ou M&A; (ii) ganho contínuo de market share; (iii) retomada da economia brasileira; (iv) posicionamento de liderança como fornecedor no segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia).

A empresa tem mostrado boa performance dentro do setor industrial nos últimos anos. Sua receita tem sido beneficiada pela depreciação do real, que segue crescendo como reflexo do cenário externo frente ao coronavírus, pela recuperação da demanda industrial e pelo crescimento do mercado. Além disso, a companhia veem se beneficiando de uma expansão na sua margem Ebitda, em função dos ganhos de eficiência em função da adoção de práticas da Indústria 4.0. A companhia não reduziu seu ritmo de investimentos durante a recente crise, gerando nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos players locais.

A WEG no 1T22 reportou receita (R$ 6,8 bilhões, alta de 34,5% a/a) e margem EBITDA acima do consenso, com o desempenho positivo de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD) no mercado interno e de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) no mercado externo compensando a retração da demanda por Motores Comerciais e Appliance no Brasil.

Atualmente o papel, apesar de ainda não ser considerado barato quando comparado com pares, em relação ao seu múltiplo histórico dos últimos 5 anos, vemos um patamar atrativo para WEG. A sua menor ciclicidade, exposição a uma variedade de segmentos e resiliência. Entretanto ressaltamos o risco de uma mais prolongada recessão global, como principal fator de atenção para o papel.

Metodologia

A Carteira Semanal da Guide Investimentos é composta por cinco ações, com peso de 20% da carteira para cada ativo, selecionadas para o período de uma semana. Enviamos o relatório da carteira ao longo do primeiro dia útil da semana (às segundas-feiras), para os clientes conseguirem montar as posições no fechamento dessa sessão. Importante: as cotações de fechamento dos papéis selecionados é que são utilizadas para a apuração dos resultados da Carteira. Sendo assim, o relatório é válido do fechamento do primeiro dia útil da semana de referência até o fechamento do primeiro dia útil da próxima semana. Vale mencionar que não levamos em consideração na performance o custo operacional (como corretagem e emolumentos).

A seleção das ações é baseada em um critério mais dinâmico, um pouco diferente das nossas demais carteiras recomendadas (que tem uma característica mais estática de posicionamento). Procuramos buscar mais oportunidades de mercado, inclusive as de curtíssimo prazo, observando tendências, movimentos técnicos, momentum dos ativos, eventos e fluxos, além dos fundamentos das empresas.

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“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores,  para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo.  Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações. Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução da CVM N° 20, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. “

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Formado pela ESPM-SP, com pós-graduação na FGV-SP e mestrado (MSc) em Management pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e Erasmus na EM Lyon. Antes de ingressar na Guide, trabalhou por quase dois anos no BNP Paribas na Europa, na área de Global Markets na equipe de Equity Derivatives. ''A minha missão é estar sempre atualizado, antecipando tendências de mercado, através de análises, e oferecer de forma simples e objetiva ao investidor, estratégias de alocação com sólidos fundamentos.'' CNPI – 2934

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