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Cotações por TradingView

Carteira Semanal de Ações | 20 de Junho

20 de junho de 2022
Escrito por Rodrigo Crespi
Tempo de leitura: 13 min
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Na semana os papéis da Multiplan foram os que mais se apreciaram, enquanto os da Petrobras foram os que mais se depreciaram.

Energias do Brasil ON (ENBR3)

Vale ON (VALE3)

Performance

Na semana, a carteira teve performance negativa, porém acima do seu índice de referência. O S&P 500 fechou em queda de -5,35% na última semana, após as decisões de alguns dos principais bancos centrais do mundo em relação ao passo do aperto monetário. Na sua reunião de junho, o FOMC decidiu elevar em 75 bps o intervalo da taxa básica de juros americana (FFR) de 0,75% – 1,00% para 1,50% – 1,75%, conforme o mercado já vinha precificando desde segunda-feira. Adicionalmente, Powell em sua coletiva disse que para a próxima reunião ele vê como provável um ajuste de 50 ou 75 bps. Além disso, outros bancos centrais também subiram os juros no período, com destaque para o Banco da Inglaterra (BoE), que elevou sua taxa de juros básica em 25 bps, para 1,25% ao ano, em decisão já esperada. No Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 5,36%, abaixo do suporte de 100 mil pontos. Recebemos a decisão de política monetária do Banco Central do Brasil, que decidiu, de maneira unânime, elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual, para o patamar de 13,25% a.a. antevendo ajuste de igual ou menor magnitude para a próxima reunião. A tensão política também voltou a aumentar a aversão ao risco dos investidores e pesar sobre o dólar, depois que o anúncio de reajuste dos preços de gasolina e diesel pela Petrobras gerou repercussão entre o governo e Congresso. Lira (Câmara dos Deputados) disse que irá discutir o monopólio da Petrobras e estudar aumentar em até 100% a taxação do lucro da estatal, enquanto no governo Bolsonaro sugeriu a criação de uma CPI para investigar a política de preços praticada pela Petrobras.

Na semana os papéis da Multiplan foram os que mais se apreciaram, enquanto os da Petrobras foram os que mais se depreciaram.

Perspectiva

Para esta semana, realizamos uma troca na carteira. No período, Powell, presidente do Fed, irá participar de duas audiências no Congresso americano, devendo ressaltar o “agudo” compromisso do BC americano em baixar a inflação de volta para níveis aceitáveis. Além disso, o tópico recessão também deve ser levantado pelos congressistas. Na Europa, na segunda-feira o Parlamento Europeu recebe Lagarde (BCE). Na Alemanha, a inflação ao produtor para o mês de maio também ganha destaque. Além disso, as prévias dos índices de gerentes de compras – os PMIs -, saem ao longo da semana para as principais economias globais. Por aqui, a prévia do principal índice de inflação ao consumidor brasileiro, o IPCA-15 sai na sexta-feira. Na terça-feira, a Ata do Copom deve dar maior visibilidade sobre o futuro da política monetária, depois que o comunicado da semana anterior indicou que poderemos ter um ajuste adicional de 50 ou 25 bps em agosto. Além disso, com a renuncia de  José Mauro Coelho de hoje, acompanharemos ao longo da semana, noticias relacionadas ao destino do comando e políticas da estatal, conforme o governo ventila uma CPI para investigar a política de preços da estatal e outras medidas de retaliação ao reajuste praticado na sexta-feira.

Energias do Brasil ON (ENBR3)

A EDP Energias do Brasil, controlada pela EDP em Portugal, uma das principais operadoras europeias no setor energético, é uma holding que detém investimentos nos segmentos de Geração, Distribuição, Comercialização, Transmissão e Serviços de Energia Elétrica.

No segmento de Geração, controla as operações de empreendimentos de fonte convencional (Usinas Hidroelétricas e uma Usina Termelétrica) em 6 estados do país (Mato Grosso, Tocantins, Ceará, Pará, Amapá e Espírito Santo) e detém 2,9 GW de capacidade instalada. No segmento de Distribuição, atua com duas distribuidoras nos estados de São Paulo e Espírito Santo (EDP São Paulo e EDP Espírito Santo), além de possuir participação de 29,90% no capital social da Celesc, em Santa Catarina.

No 1T22 a empresa teve forte crescimento de 7,6% a.a. na sua receita liquida consolidada, impulsionado pela melhora de 11% a.a. da sua receita líquida de distribuição, que mesmo com o aumento de 59% com os custos com construção, ainda fechou o trimestre com uma margem bruta de R$947 milhões ou 37%, impactado positivamente pelos reajustes tarifários nos estados de SP e ES, maior conhecimento do valor de reposição (+R$46 milhões), crescimento de 1,3% no mercado de energia distribuída e outras receitas.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú Unibanco é o maior banco do Brasil em termos de ativos totais. O banco, que consolidou sua liderança entre os bancos privados no Brasil após a fusão com o Unibanco em 2008, possui forte penetração e uma presença robusta em áreas-chave, como cartões de crédito, empréstimos para automóveis, gestão de ativos e seguros.

O Itaú reportou um bom resultado, com lucro líquido recorrente de R$7,2 bilhões no 4T21, 2% acima de nossas estimativas e 5,7% acima do consenso de mercado. O resultado melhor que a expectativa ocorreu apesar de um resultado de tesouraria mais pressionado no trimestre, reflexo de um crescimento da carteira de e da margem financeira com clientes acima do guidance de 2021.

Vimos também uma boa performance das receitas de serviços e seguros no 4T21 (+2,9% T/T), impulsionado pelas receitas advindas de cartões e resultado de seguros, fechando 2021 próximo ao topo do guidance; forte crescimento da carteira de crédito, em especial nas linhas de cartão de crédito, crédito pessoal, crédito imobiliário e crédito para micro, pequenas e médias empresas, o que contribui para o crescimento da margem financeira com clientes, já que estas linhas apresentam maiores taxas de juros, e menor patamar do índice de eficiência (despesas/receitas) desde 2016, resultado não só da expansão das receitas, mas também da digitalização da companhia e do bom controle de custos e despesas feito pelo banco. 

O guidance positivo para 2022 nos agradou, com crescimento da carteira de crédito total entre 9% e 12%, sendo a carteira Brasil entre 11,5% e 14,5%, acima do crescimento projetado pela Febraban, e aumento da margem com clientes entre 20,5% e 23,5%, reflexo do crescimento da carteira e de um mix mais voltado para linhas com maiores spreads. Por fim, destacamos o bom desempenho nos canais digitais, com destaque para o Iti, que já conta com 14,6 milhões de contas, sendo 86% não correntistas do Itaú.

Multiplan ON (MULT3)

A fundada como uma empresa full service, a Multiplan é uma das maiores empresas de shopping centers do Brasil, responsável pelo planejamento, desenvolvimento, propriedade e administração de seu portfólio de shopping centers. A companhia apresentou uma forte retomada em todas as suas frentes de operação em relação ao patamar antes da pandemia, com evolução na taxa de ocupação e uma taxa de inadimplência em queda, que resultou em um ótimo resultado financeiro por parte da Multiplan.

O período pandêmico ajudou a companhia a rever sua estratégia e acrescentar maior peso na vertente digital e omnicalidade, que acabam diversificando os canais de vendas e aumentando a fidelização do cliente, potencializando as vendo no longo prazo.

Multiplan iniciou a temporada de resultados para shoppings do 1T22 estabelecendo altas expectativas para o setor, que também não deve decepcionar. O destaque do trimestre foi o impressionante same-store-rent de 54%, representando um crescimento real de 0,6%, além de recordes nos números financeiros. O trimestre reforça nossa visão construtiva para o papel, havendo fortes sinais de que a recuperação operacional organicamente, através de principalmente de vendas e fluxo. Além disso, números prévios de abril apontam para continuidade na dinâmica de recuperação dos aluguéis. Dito isso, vemos Multiplan como um dos top picks setoriais, provando possuir um alto poder de barganha frente a seus lojistas e grande resiliência do portfólio durante a pandemia.

Do lado operacional, o destaque foi, como comentado antes, para a forte performance de same-store-rents de 54%, apresentando crescimento real, além de same-store-sales apresentar um crescimento de 12% em comparação ao mesmo período de 2019. Adicionalmente, os números prévios de abril indicam que a dinâmica deve continuar favorável para vendas apesar do fluxo ainda continuar 4% abaixo de níveis pré-pandêmicos – podendo indicar também que, ainda existe upside adicional para algumas métricas.

Petrobras PN (PETR4)

A Petrobras é uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo. Em 2020 os campos operados pela companhia produziram 94,15% do petróleo e gás natural do Brasil, conforme dados da ANP. A companhia é líder na exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, tendo produção concentrada nas bacias de Campos e Santos. A companhia também atua nos mercados de refino, também sendo responsável pela maior parte da capacidade de refino no Brasil, sobretudo na região Sudeste. O lucro da Petrobras no 1º trimestre de 2022, foi de R$ 44,5 bilhões, o maior já registrado por uma empresa de capital aberto brasileira para o período, e segue reduzindo a sua alavancagem financeira.

A companhia segue apresentando bons volumes de produção e redução no seu lifting cost (custo de extração) com maior participação das operações do pré-sal no portfólio. Esperamos a entrada em operação de novos poços a médio prazo, contribuindo para o aumento na produção. No curto prazo, alguns triggers: (i) continuidade da venda de ativos não estratégicos; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias; (3) perspectiva de novos anúncios de dividendos.

Em março a estatal anunciou uma nova descoberta de petróleo no pré-sal, em um bloco com a BP Energy do Brasil, encontrada na parte sul da Bacia de Campos, no bloco Alto de Cabo Frio Central, a 230 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro.

Em maio observamos mais uma troca de comando da direção da empresa, com a substituição de José Mauro Ferreira Coelho  por Caio Mario Paes de Andrade, dada a alta dos preços de combustíveis e lucro elevado no 1T22, que acabou chamando a atenção de políticos. Apesar do dano causado a governança, vemos alguns dispositivos  como a Lei da Estatais e o estatuto da companhia, sendo colocados a prova, e que em teoria impediriam mudanças drásticas na política de preços da Petrobras no curto prazo.

SLC Agrícola ON (SLCE3)

A SLC é uma das maiores empresas de produção agrícola no Brasil com mais de 40 anos de história, sendo uma referência mundial do setor, com um modelo de negócios baseado na eficiência operacional e na alta escala de produção. A empresa introduziu no setor agrícola brasileiro técnicas de gestão modernas, oriundas do setor industrial.

A empresa optou por um modelo de negócio híbrido, que pode ser subdividido em três abordagens básicas: (i) operação agrícola em terras próprias; (ii) operação agrícola em terras arrendadas; e (iii) aquisição de terras brutas para transformação e venda. A companhia tem um portfólio de propriedades diversificadas e com localização estratégica, são 22 unidades produtivas em sete estados brasileiros, com predominância nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, com cerca de 660 mil hectares plantados na última safra e capacidade de armazenamento de mais de 612 mil toneladas de grãos e 115 mil toneladas de algodão.

Entre as vantagens, vemos a tecnologia utilizada em sua colheita e plantio, domínio da técnica do plantio direto, sistema de plantio sem revolvimento do solo que reduz a níveis insignificantes as perdas de solo, água e nutrientes e proporciona redução no custo de produção, devido à menor utilização de máquinas na lavoura.

Metodologia

A Carteira Semanal da Guide Investimentos é composta por cinco ações, com peso de 20% da carteira para cada ativo, selecionadas para o período de uma semana. Enviamos o relatório da carteira ao longo do primeiro dia útil da semana (às segundas-feiras), para os clientes conseguirem montar as posições no fechamento dessa sessão. Importante: as cotações de fechamento dos papéis selecionados é que são utilizadas para a apuração dos resultados da Carteira. Sendo assim, o relatório é válido do fechamento do primeiro dia útil da semana de referência até o fechamento do primeiro dia útil da próxima semana. Vale mencionar que não levamos em consideração na performance o custo operacional (como corretagem e emolumentos).

A seleção das ações é baseada em um critério mais dinâmico, um pouco diferente das nossas demais carteiras recomendadas (que tem uma característica mais estática de posicionamento). Procuramos buscar mais oportunidades de mercado, inclusive as de curtíssimo prazo, observando tendências, movimentos técnicos, momentum dos ativos, eventos e fluxos, além dos fundamentos das empresas.

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“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores,  para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo.  Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações. Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução da CVM N° 20, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. “

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Formado pela ESPM-SP, com pós-graduação na FGV-SP e mestrado (MSc) em Management pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e Erasmus na EM Lyon. Antes de ingressar na Guide, trabalhou por quase dois anos no BNP Paribas na Europa, na área de Global Markets na equipe de Equity Derivatives. ''A minha missão é estar sempre atualizado, antecipando tendências de mercado, através de análises, e oferecer de forma simples e objetiva ao investidor, estratégias de alocação com sólidos fundamentos.'' CNPI – 2934

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