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Cotações por TradingView

Carteira Semanal de Ações | 06 de Junho

6 de junho de 2022
Escrito por Rodrigo Crespi
Tempo de leitura: 14 min
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Na semana os papéis da Vale foram os que mais se apreciaram, enquanto os de Itaú Unibanco foram os que mais se depreciaram.

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Performance

Na semana a carteira teve performance acima de seu. O S&P 500 fechou em queda de -1,20% no período. O maior destaque foram os dados de mercado de trabalho com a divulgação do Payroll, que mostraram uma criação de 390 mil postos de trabalho em maio, resultado superior ao apontado pela mediana das expectativas de mercado. Na Europa, a OPEP+ surpreendeu em sua decisão, declarando um aumento de produção acima do esperado pelo mercado e acima do praticado nos últimos meses. A entidade passou a prever um aumento de produção em 648 mil barris por dia em julho e agosto. No Brasil, o Ibovespa encerrou em queda de -0,75% em semana marcada por importantes dados econômicos do país. O IGP-M registrou alta de 0,52% em maio, acima do esperado pelo mercado, mas continuando a desacelerar consideravelmente contra o mês anterior. Na segunda-feira, Bruno Serra, diretor de política monetária do Banco Central reiterou que uma Selic próxima de 13% deve ser suficiente para controlar a inflação e que a tendência de médio prazo para o juro é retornar gradualmente para o patamar neutro. Roberto Campos Neto também deu declarações mais dovish, dizendo que o BC está buscando controlar a inflação ao mesmo tempo em que minimiza os efeitos sobre a economia. A taxa de desemprego do Brasil recuou para 10,5% em abril bem abaixo dos 11,0% esperados pelo mercado. O grande destaque do lado da atividade foi o PIB do 1T22, que mostrou crescimento abaixo do esperado, a 1,0% com relação ao trimestre diretamente anterior, com pior desempenho da agricultura e dos investimentos privados.

Na semana os papéis da Vale foram os que mais se apreciaram, enquanto os de Itaú Unibanco foram os que mais se depreciaram.

Perspectiva

Para esta semana, optamos por manter a composição de nossa carteira. Nos EUA, a inflação ao consumidor (CPI) sai na sexta-feira. A taxa já acumula alta de mais de 8,0% em 12 meses e supera os recordes das últimas décadas. A previsão atual dos analistas é que ela atinja o valor de 8,3%, ao passo que o núcleo deve atingir 5,9% nos últimos 12 meses. Na China, a mesma série de dados de inflação saem na noite de quinta-feira, junto com a inflação ao produtor (PPI). Na Europa, o BCE realizará sua reunião para decidir os próximos passos para a política monetária na quinta-feira. Também saem números do mercado de trabalho e o PIB para a zona do euro. No Brasil, a inflação é destaque, visto que o IPCA do mês de maio fechado sai na quinta-feira. Esperamos uma variação de 0,60% na comparação mensal e 11,87% em 12 meses. Na fronte da atividade, a pesquisa mensal do comércio (PMC) para o mês de abril sai na sexta-feira, e deve registrar variação negativa na leitura restrita. Finalmente, o IGP-DI também será divulgado e se soma à bateria de dados de inflação que receberemos nesta semana.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú Unibanco é o maior banco do Brasil em termos de ativos totais. O banco, que consolidou sua liderança entre os bancos privados no Brasil após a fusão com o Unibanco em 2008, possui forte penetração e uma presença robusta em áreas-chave, como cartões de crédito, empréstimos para automóveis, gestão de ativos e seguros.

O Itaú reportou um bom resultado, com lucro líquido recorrente de R$7,2 bilhões no 4T21, 2% acima de nossas estimativas e 5,7% acima do consenso de mercado. O resultado melhor que a expectativa ocorreu apesar de um resultado de tesouraria mais pressionado no trimestre, reflexo de um crescimento da carteira de e da margem financeira com clientes acima do guidance de 2021.

Vimos também uma boa performance das receitas de serviços e seguros no 4T21 (+2,9% T/T), impulsionado pelas receitas advindas de cartões e resultado de seguros, fechando 2021 próximo ao topo do guidance; forte crescimento da carteira de crédito, em especial nas linhas de cartão de crédito, crédito pessoal, crédito imobiliário e crédito para micro, pequenas e médias empresas, o que contribui para o crescimento da margem financeira com clientes, já que estas linhas apresentam maiores taxas de juros, e menor patamar do índice de eficiência (despesas/receitas) desde 2016, resultado não só da expansão das receitas, mas também da digitalização da companhia e do bom controle de custos e despesas feito pelo banco. 

O guidance positivo para 2022 nos agradou, com crescimento da carteira de crédito total entre 9% e 12%, sendo a carteira Brasil entre 11,5% e 14,5%, acima do crescimento projetado pela Febraban, e aumento da margem com clientes entre 20,5% e 23,5%, reflexo do crescimento da carteira e de um mix mais voltado para linhas com maiores spreads. Por fim, destacamos o bom desempenho nos canais digitais, com destaque para o Iti, que já conta com 14,6 milhões de contas, sendo 86% não correntistas do Itaú.

Multiplan ON (MULT3)

A fundada como uma empresa full service, a Multiplan é uma das maiores empresas de shopping centers do Brasil, responsável pelo planejamento, desenvolvimento, propriedade e administração de seu portfólio de shopping centers. A companhia apresentou uma forte retomada em todas as suas frentes de operação em relação ao patamar antes da pandemia, com evolução na taxa de ocupação e uma taxa de inadimplência em queda, que resultou em um ótimo resultado financeiro por parte da Multiplan.

O período pandêmico ajudou a companhia a rever sua estratégia e acrescentar maior peso na vertente digital e omnicalidade, que acabam diversificando os canais de vendas e aumentando a fidelização do cliente, potencializando as vendo no longo prazo.

Multiplan iniciou a temporada de resultados para shoppings do 1T22 estabelecendo altas expectativas para o setor, que também não deve decepcionar. O destaque do trimestre foi o impressionante same-store-rent de 54%, representando um crescimento real de 0,6%, além de recordes nos números financeiros. O trimestre reforça nossa visão construtiva para o papel, havendo fortes sinais de que a recuperação operacional organicamente, através de principalmente de vendas e fluxo. Além disso, números prévios de abril apontam para continuidade na dinâmica de recuperação dos aluguéis. Dito isso, vemos Multiplan como um dos top picks setoriais, provando possuir um alto poder de barganha frente a seus lojistas e grande resiliência do portfólio durante a pandemia.

Do lado operacional, o destaque foi, como comentado antes, para a forte performance de same-store-rents de 54%, apresentando crescimento real, além de same-store-sales apresentar um crescimento de 12% em comparação ao mesmo período de 2019. Adicionalmente, os números prévios de abril indicam que a dinâmica deve continuar favorável para vendas apesar do fluxo ainda continuar 4% abaixo de níveis pré-pandêmicos – podendo indicar também que, ainda existe upside adicional para algumas métricas.

Petrobras PN (PETR4)

A Petrobras é uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo. Em 2020 os campos operados pela companhia produziram 94,15% do petróleo e gás natural do Brasil, conforme dados da ANP. A companhia é líder na exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, tendo produção concentrada nas bacias de Campos e Santos. A companhia também atua nos mercados de refino, também sendo responsável pela maior parte da capacidade de refino no Brasil, sobretudo na região Sudeste. A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal, que no 4T21 atingiu a marca de 1,1x Dívida líquida/Ebitda.

A companhia segue apresentando bons volumes de produção e redução no seu lifting cost (custo de extração) com maior participação das operações do pré-sal no portfólio. Esperamos a entrada em operação de novos poços a médio prazo, contribuindo para o aumento na produção. No curto prazo, alguns triggers: (i) continuidade da venda de ativos não estratégicos; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias; (3) perspectiva de novos anúncios de dividendos.

Em março a estatal anunciou uma nova descoberta de petróleo no pré-sal, em um bloco com a BP Energy do Brasil, encontrada na parte sul da Bacia de Campos, no bloco Alto de Cabo Frio Central, a 230 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro.

Em maio observamos mais uma troca de comando da direção da empresa, com a substituição de José Mauro Ferreira Coelho  por Caio Mario Paes de Andrade, dada a alta dos preços de combustíveis e lucro elevado no 1T22, que acabou chamando a atenção de políticos. Apesar do dano causado a governança, vemos alguns dispositivos  como a Lei da Estatais e o estatuto da companhia, sendo colocados a prova, e que em teoria impediriam mudanças drásticas na política de preços da Petrobras no curto prazo.

SLC Agrícola ON (SLCE3)

A SLC é uma das maiores empresas de produção agrícola no Brasil com mais de 40 anos de história, sendo uma referência mundial do setor, com um modelo de negócios baseado na eficiência operacional e na alta escala de produção. A empresa introduziu no setor agrícola brasileiro técnicas de gestão modernas, oriundas do setor industrial.

A empresa optou por um modelo de negócio híbrido, que pode ser subdividido em três abordagens básicas: (i) operação agrícola em terras próprias; (ii) operação agrícola em terras arrendadas; e (iii) aquisição de terras brutas para transformação e venda. A companhia tem um portfólio de propriedades diversificadas e com localização estratégica, são 22 unidades produtivas em sete estados brasileiros, com predominância nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, com cerca de 660 mil hectares plantados na última safra e capacidade de armazenamento de mais de 612 mil toneladas de grãos e 115 mil toneladas de algodão.

Entre as vantagens, vemos a tecnologia utilizada em sua colheita e plantio, domínio da técnica do plantio direto, sistema de plantio sem revolvimento do solo que reduz a níveis insignificantes as perdas de solo, água e nutrientes e proporciona redução no custo de produção, devido à menor utilização de máquinas na lavoura.

Vale ON (VALE3)

A Vale é uma das maiores empresas mineradoras do mundo. Produz e comercializa minério de ferro, níquel, pelotas, minério de manganês, ferroligas, carvão cobre e outros metais. A companhia está envolvida em projetos de exploração mineral greenfield em seis países e opera um sistema de logística no Brasil e no mundo integrados a suas operações de mineração, permitindo assim entrega de seus produtos em diversos países. A companhia também investe nos setores de siderurgia e energia diretamente ou através de suas joint ventures. A companhia, além de ser uma das maiores mineradoras do mundo, apresenta uma diversificação de operações de minério de ferro no Brasil em três sistemas (Norte, Sudeste e Sul) que possuem capacidade de transporte e remessa própria.

Em nossa visão, a Vale é uma das principais beneficiadas pelo aumento do preço do minério internacional e da alta do dólar em relação ao real, visto que é uma das principais empresas exportadoras do país e está entre as empresas mineradoras mais relevantes do mundo. Além disso, seus produtos possuem um desconto em relação ao minério internacional e na hipótese de paridade entre esses valores, a empresa conseguiria capitalizar ganhos relativamente maiores que seus concorrentes estrangeiros.

O resultado da Vale do 4T21 foi marcado por eventos não recorrentes como as despesas relacionadas a Brumadinho de US$ 2,1 bilhões que impactou o Ebitda de US$ 4,8 bilhões (-30% t/t), ou US$ 6,9 bilhões ( -2% t/t) sem os efeitos não recorrentes e provisão adicional de US$ 1,1 bilhão para a Fundação Renova, ligada aos programas de auxílio em Mariana, que impactou o lucro líquido da companhia. O lucro de US$ 5,4 bilhões foi 39% superior ao 3T21 mesmo com os efeitos não recorrentes registrados no trimestre devido ao maior resultado financeiro de US$ 3,5 bilhões vs. US$ -350 milhões no 3T21, principalmente devido a reclassificação da variação cambial acumulada no patrimônio líquido.

Como principais risco seriam: (i) desaceleração da demanda mundial de minério, principalmente com arrefecimento de planos de desenvolvimento, como dos EUA; (ii) variação da taxa de câmbio dólar/real; (iii) riscos ambientais, como rompimento de barragens e poluição ambiental; e (iv) risco de paralização causada por chuvas.

Metodologia

A Carteira Semanal da Guide Investimentos é composta por cinco ações, com peso de 20% da carteira para cada ativo, selecionadas para o período de uma semana. Enviamos o relatório da carteira ao longo do primeiro dia útil da semana (às segundas-feiras), para os clientes conseguirem montar as posições no fechamento dessa sessão. Importante: as cotações de fechamento dos papéis selecionados é que são utilizadas para a apuração dos resultados da Carteira. Sendo assim, o relatório é válido do fechamento do primeiro dia útil da semana de referência até o fechamento do primeiro dia útil da próxima semana. Vale mencionar que não levamos em consideração na performance o custo operacional (como corretagem e emolumentos).

A seleção das ações é baseada em um critério mais dinâmico, um pouco diferente das nossas demais carteiras recomendadas (que tem uma característica mais estática de posicionamento). Procuramos buscar mais oportunidades de mercado, inclusive as de curtíssimo prazo, observando tendências, movimentos técnicos, momentum dos ativos, eventos e fluxos, além dos fundamentos das empresas.

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“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores,  para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo.  Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações. Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução da CVM N° 20, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. “

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Formado pela ESPM-SP, com pós-graduação na FGV-SP e mestrado (MSc) em Management pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e Erasmus na EM Lyon. Antes de ingressar na Guide, trabalhou por quase dois anos no BNP Paribas na Europa, na área de Global Markets na equipe de Equity Derivatives. ''A minha missão é estar sempre atualizado, antecipando tendências de mercado, através de análises, e oferecer de forma simples e objetiva ao investidor, estratégias de alocação com sólidos fundamentos.'' CNPI – 2934

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