Carteira Semanal de Ações | 04 de Outubro

Tempo de leitura: 10 minutos

Nesta semana, optamos por não realizar alterações na Carteira Semanal. No exterior, nos manteremos atentos aos desdobramentos da crise causada pela Evergrande e medidas adotadas pelo governo chinês. No Brasil, o Ibovespa terminou no terreno negativo, e fechou o mês de setembro com queda de -6,6%, em virtude de fatores domésticos como risco fiscal e ruídos políticos, além da crise energética pesaram sobre os papéis da bolsa.





Performance:

A Carteira Semanal teve positiva, ficando bem acima de seu índice de referência Ibovespa, que terminou com desempenho ligeiramente negativo. No cenário internacional manteremos no radar os impactos em relação a OPEP+, dados de atividade na Europa e payroll nos Estados Unidos, além do feriado prolongado na China, que deve diminuir ruídos no mercado. No cenário doméstico, estaremos atentos ao parecer que deve ser apresentado sobre a PEC dos Precatórios, além da PL que visa minimizar a alta dos preços de combustíveis, que pode entrar em pauta na semana e o Marco das Ferrovias previsto para ser votado nesta terça-feira.

Na Carteira, os papéis da 3R Petroleum foram os que mais se valorizaram na semana, enquanto os do Assaí os que menos se valorizaram.

Trocas

Assaí ON (ASAI3)

A companhia passou a ser listada em bolsa recentemente após a cisão do grupo Pão de Açúcar e continua tendo como principal acionista o Grupo Casino. A rede opera exclusivamente no segmento de atacarejo ou autosserviço (cash & carry) por meio de 187 lojas em 23 estados brasileiros e participação de mercado de 29%, o Assaí atende revendedores, transformadores, utilizadores e consumidores finais. O Assaí apresentou um ritmo de crescimento impressionante nos últimos anos, através de uma estratégia de abertura de novas lojas, mas também de crescimento nas vendas de mesmas lojas, em função do cenário difícil vivido pela economia brasileira, sendo o player do setor que mais cresce. A mudança no comportamento do consumidor que passou a adotar cada vez mais o formato atacarejo tem contribuído para esse crescimento orgânico.

No 2T21, a empresa entregou crescimento de receitas e margens, apesar da base de comparação mais difícil, impulsionado pela expansão geográfica e ótima execução da estratégia comercial.

Para 2S21, seguimos com a visão positiva para o Assaí, com expectativa de manutenção do ritmo de abertura de lojas e o cenário ainda desafiador nos deixa confortáveis com a estratégia de preços da companhia, que tende a se beneficiar em momentos de crise. Ainda, a reabertura de bares e restaurantes tende a contribuir com uma solidez ainda maior de seus resultados.

Destacamos nossa recomendação: (i) geração de caixa robusta; (ii) perspectiva de expansão no número de lojas; (iii) aumento das vendas por m²; (iv) management com ótimo histórico de execução; (v) posição confortável de liquidez; (vi) marca com reconhecimento nacional.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú Unibanco reportou um resultado em linha com consenso, com um forte aumento em relação ao ano passado, apesar da fraca base comparativa de 2020. Os principais motivos para a alta foram em virtude de sua maior participação na frente digital, além de um aumento na receita com tarifas, gestão de ativos e bom momento do mercado de capitais. O banco ainda revisou o seu guidance para cima, com aumento em sua carteira de crédito previsto para este ano.

Vemos um cenário positivo para a expansão de crédito no segundo semestre, com destaque para os segmentos de pessoas físicas e PMEs. Devemos ver ainda um avanço nas receitas de serviços, com destaque para cartões, apesar da maior competição no setor.

Ressaltamos que o setor passa por diversos desafios: (i) maior concorrência, com novos entrantes no setor, desde fintechs à bancos digitais; (ii) Open Banking, que forçaria os bancos a disponibilizarem informações, quando solicitada pelo cliente, o que pode afetar uma das principais barreiras de entrada; (iii) CSLL de bancos subindo de 20% para 25% aprovada em julho.

Olhando para frente, alguns triggers que sustentam nossa recomendação: (i) Banco Central aprovou cisão de participação na XP, destravando valor com a distribuição das ações da plataforma para os atuais acionistas; (ii) perspectiva de manutenção de dividendos em patamares atrativos: (iii) possíveis aquisições, visto que o banco possui um ótimo histórico de M&A.

JBS ON (JBSS3)

A JBS é uma das maiores empresas de alimentos do mundo, líder global em diversos segmentos em que atua, e possui em seu portfólio global as marcas Friboi, Seara, Swift, Primo, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Just Bare, entre outras.

A empresa possui unidades produtivas e escritórios comerciais em mais de 20 países, e operação verticalizada, que inclui o abate (bovinos, suínos, aves, entre outros), frigorificação, industrialização e comercialização de alimentos, além de atender a mais de 275 mil clientes em aproximadamente 190 países.

No 2T21, reportou receita líquida consolidada de R$85,6 bilhões, o que representa um aumento de 26,7% em relação ao 2T20, com destaque para o crescimento registrado nas unidades JBS Brasil, Pilgrim’s Pride e Seara, com crescimento de 46%, 27% e 40% respectivamente.

Estamos confiantes em relação a operação da empresa, que vem reportando robustos resultados operacionais e geração de caixa, além de boa alocação de capital excedente. Vemos a JBS sendo negociada a um valuation atrativo e esperamos possíveis novas aquisições ao longo dos próximos meses.

Ômega Energia ON (OMGE3)

A Omega Geração é uma das principais geradoras de energia do país, com foco da sua atuação no segmento de energia renovável (eólica, solar e hidrelétrica). O seu portfolio consiste principalmente em operações no segmento eólica, mas com diversos projetos com foco em crescimento nas outras frentes.

A companhia segue apresentando níveis operacionais na geração de energia acima dos principais pares, sendo considerado referência no setor de energia eólica.

A companhia ainda possui opção de compra de diversos projetos junto que podem mais do que dobrar a atual capacidade de geração da companhia.

No fim de setembro a Omega anunciou uma fusão com a Omega Desenvolvimento, o que pode destravar valor em virtude do valuation atraente da empresa-irmã, e gerar potenciais sinergias significativas para o modelo de negócio.

Por fim, o custo de capital da companhia segue em queda, principalmente após a última captação de Green Bonds, que são atrelados a metas sustentáveis e possuem um baixo custo de captação.

3R Petroleum ON (RRRP3)

A 3R Petroleum atua dentro do setor de óleo e gás e adota estratégia de crescimento similar a da PetroRio (PRIO3), focada especialmente na revitalização e redesenvolvimento de campos maduros localizados em terra e águas rasas. A companhia espera, ao longo dos próximos anos, se desenvolver através do crescimento orgânico dos seus ativos, somado a possíveis oportunidades de compra presentes no plano de desinvestimentos da Petrobras.

Acreditamos que o setor como um todo deva enfrentar um tendência positiva ao longo dos próximos meses, após períodos de alta oscilação do preço do barril de petróleo durante a pandemia. Ainda, a retomada do setor de transportes deve impulsionar o aumento da demanda pela commodity.

No 2T21, a petrolífera apresentou bom resultado, impulsionado pelo polo Macau, atingindo um recorde de produção. A receita atingiu R$ 152,8 milhões, uma alta de 15,1% no trimestre e um Ebitda de R$ 89,3 milhões, representando alta de 12,% e margem Ebitda estável. Vemos como principais triggers para os próximos meses, a operação do Polo Rio, que se tornou o segundo ativo operado pela companhia em julho, além da aquisição do polo de Papa-Terra, que ainda aguarda a certificação de reservas.

Destacamos ainda algumas oportunidades do ativo: (I) custos e despesas inferiores à média do mercado, devido ao fato de a 3R operar em terra ou plataformas automatizadas sem tripulação fixa; (II) primeiro IPO da B3 de uma empresa de óleo e gás com foco em campos maduros e sem viés exploratório; e (III) plano de negócios guiado por fatores ESG.

Metodologia

A Carteira Semanal da Guide Investimentos é composta por cinco ações, com peso de 20% da carteira para cada ativo, selecionadas para o período de uma semana. Enviamos o relatório da carteira ao longo do primeiro dia útil da semana (às segundas-feiras), para os clientes conseguirem montar as posições no fechamento dessa sessão. Importante: as cotações de fechamento dos papéis selecionados é que são utilizadas para a apuração dos resultados da Carteira. Sendo assim, o relatório é válido do fechamento do primeiro dia útil da semana de referência até o fechamento do primeiro dia útil da próxima semana. Vale mencionar que não levamos em consideração na performance o custo operacional (como corretagem e emolumentos).

A seleção das ações é baseada em um critério mais dinâmico, um pouco diferente das nossas demais carteiras recomendadas (que tem uma característica mais estática de posicionamento). Procuramos buscar mais oportunidades de mercado, inclusive as de curtíssimo prazo, observando tendências, movimentos técnicos, momentum dos ativos, eventos e fluxos, além dos fundamentos das empresas.

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