Carteira Semanal de Ações | 04 de Janeiro

Tempo de leitura: 10 minutos

Nesta semana, optamos por realizar três alterações em nossa carteira semanal.

Via Varejo ON (VVAR3)


ETF S&P 500 Index Unit (IVVB11)

Performance:

A Carteira Semanal encerrou a última semana em leve queda, abaixo do seu índice de referência (Ibovespa). As bolsas globais tiveram desempenhos neutros, com a semana mais curta devido aos feriados de fim de ano. O Ibovespa também obteve movimentos sutis, apresentando leve alta e encerrando o ano acima dos 119 mil pontos. No âmbito doméstico, a disputa entre os poderes executivo, legislativo e judiciário permaneceu estável. Dessa forma, acreditamos que a confiança do investidor segue demonstrando sinais de recuperação, porém, as incertezas nas frentes política, econômica e sanitária podem continuar fazendo preço.

Na Carteira, CVC foi a ação que mais se valorizou na semana, enquanto o ETF do S&P 500 (IVVB11) foi o que mais se desvalorizou.

Trocas

Nesta semana, optamos por realizar apenas uma alteração pontual em nossa carteira semanal. Escolhemos retirar o ETF do S&P 500 pela possibilidade de vitória dos democratas no Senado norte-americano, o que aumentaria as chances de aprovação de novos estímulos econômicos, pressionando ainda mais o dólar. Para o seu lugar, demos entrada em Via Varejo por acreditarmos que os atuais patamares de preços são atrativos para o posicionamento, enquanto a empresa segue demonstrando fortes resultados obtidos em seu e-commerce também nas festas de fim de ano. Permanecemos positivos com o processo de retomada econômica doméstico e internacional, porém, mantendo no radar o noticiário negativo relacionado a novas variantes do vírus e atrasos com relação ao distribuição das vacinas. Seguimos avaliando que a volatilidade deverá se manter elevada nos próximos dias, com o início das vacinações de diferentes farmacêuticas podendo manter o bom humor para com os ativos de risco.

Fonte: Bloomberg; BM&FBovespa. Elaboração: Guide Investimentos. Obs.: *fechamento nas datas citadas; ** início da elaboração da Carteira (03/08/15).

CVC ON (CVCB3)

A companhia de turismo foi bastante penalizada ao longo do ano com a chegada da pandemia de Covid-19, isto porque foram estabelecidas medidas de isolamento social, fazendo com que a população saísse de casa, além do fato de muitas fronteiras terem fechado, para assim impedir uma maior disseminação do vírus.

No entanto, com as recentes notícias relacionadas à eficácia das vacinas contra a Covid-19, o mercado passou a adotar um grande otimismo. Diante disso, acreditamos que a entrada no papel faça sentido nos níveis atuais, de modo que o mesmo deva apreciar ainda mais conforme a população comece a se vacinar.

Ainda, reforçamos nossa recomendação após a reestruturação da dívida da CVC de R$1,5 bilhão, o que diminui seus compromissos de curto prazo de R$600 milhões para R$433 milhões e ainda garante o não vencimento antecipado de suas outras séries de debêntures. Na nossa visão, isto deve remover uma grande pressão negativa que incidia sobre seu papel. Tendo em vista que esta questão relacionada a seu endividamento foi resolvida, reiteramos ainda o fato de seu management agora poder focar seus esforços no processo de turnaround da empresa

Petrobras PN (PETR4)

No curto prazo, alguns triggers que sustentam nossa recomendação: (1) continuidade da venda de ativos onshore; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias;. A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal. No curto prazo as ações da Petrobras devem permanecer com alta volatilidade acompanhando o cenário de reabertura comercial, além da possibilidade de liberação de uma vacina, o que desencadearia uma recuperação mais forte do petróleo.

Vale destacar o Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2021 – 2025, que tem como foco: (a) redução da alavancagem financeira; (b) maiores investimentos futuros (em exploração e produção – E&P- em especial) e significativo corte de custos operacionais; e (c) foco na gestão estratégica empresarial. Assim, a empresa deve continuar a se beneficiar: (i) do processo de vendas de ativos; (ii) da melhora operacional, com ganhos de eficiência e produtividade; e (iii) da contínua desalavancagem financeira. Fatores que nos deixam mais otimistas com o rumo da estatal. Entre os riscos: (i) queda mais acentuada do preço do barril de petróleo; e (ii) paralização do processo de venda de ativos são fatores que podem pressionar o papel.

Vale ON (VALE3)

Temos uma visão construtiva para a Vale. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento. Além disso, os preços de minério continuam em patamares elevados (fruto da menor oferta no mercado), enquanto a empresa negocia a múltiplos descontados.

No curto prazo, os papéis da mineradora devem continuar voláteis, reflexo do fluxo de notícias negativas em torno da empresa dados os danos de imagem à companhia e provisões para pagamento de multas e indenizações. Algo que poderá aumentar o passivo de contingentes da VALE3, além de atrasar também as concessões e licenças ambientais nas operações do Brasil.

Acreditamos que, (i) a forte valorização recente do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar os riscos de governança e ambientais da companhia. Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.9x EV/Ebitda, contra uma média de 6.1x do setor.

Via Varejo ON (VVAR3)

A consolidação da atuação omnichanel, com o turnaround operacional da companhia, foco na ampliação de suas vendas, redução de despesas e aprimoramento de seus sistemas operacionais tendem a trazer valor importante para Via Varejo no médio prazo. A aquisição do Banqi também auxilia o posicionamento da empresa no processo de digitalização, ampliando a capacidade em desenvolver também os serviços financeiros online, via carnês e, posteriormente, utilizando a ampla base de clientes das companhias da Via Varejo para integralização dos serviços financeiros.

Com o início da crise da COVID-19 e as medidas de isolamento social, a companhia intensificou suas ações relacionadas ao desenvolvimento da estrutura online. Seu canal digital passou a representar mais de 34% do GMV, com os aplicativos da Casas Bahia e Ponto Frio saindo de 1,5 milhões de downloads em junho/19 para mais de 15 milhões um ano depois.

O follow on realizado recentemente no valor de R$4,45 bilhões, a capitalização via debêntures de R$1,5 bilhão e o alongamento das dívidas de curto prazo com fornecedores devem trazer a solidez financeira necessária para que a Via Varejo amplie sua capacidade de atuação no setor, destravando valor importante para a companhia.

Destacamos ainda o valuation atrativo, VVAR3 é negociado a 1,3x EV/Receita , enquanto MGLU3 é negociado a 4.6x e BTOW3 a 7.0x.

Weg ON (WEGE3)

Sustentamos nossa recomendação em Weg, que possui como principais destaques: (i) a expansão contínua no cenário externo, através de acordos locais ou M&A; (ii) ganho contínuo de market share; (iii) retomada da economia brasileira; (iv) posicionamento de liderança como fornecedor no segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia).

A empresa tem mostrado boa performance dentro do setor industrial nos últimos anos. Sua receita tem sido beneficiada pela depreciação do real, que segue crescendo como reflexo do cenário externo frente ao coronavírus, pela recuperação da demanda industrial e pelo crescimento do mercado. Além disso, a companhia veem se beneficiando de uma expansão na sua margem Ebitda, em função dos ganhos de eficiência em função da adoção de práticas da Indústria 4.0. A companhia não reduziu seu ritmo de investimentos durante a recente crise, gerando nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos players locais.

A empresa tem um mix de produtos diversificado, e vem ganhando bastante reconhecimento da marca e possui um grande potencial no segmento de GTD. Além disso a companhia ainda vê potencial nos segmentos de petróleo e gás, mineração, saneamento.

Quando se trata de inovação e sustentabilidade, a Weg se destaca por seu modelo de negócio, que cresce através de soluções de fontes renováveis de energia, práticas de eficiência energética e produtos e soluções com menor impacto ambiental, como a linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica que a cia desenvolve. A empresa também é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica.

Metodologia

A Carteira Semanal da Guide Investimentos é composta por cinco ações, com peso de 20% da carteira para cada ativo, selecionadas para o período de uma semana. Enviamos o relatório da carteira ao longo do primeiro dia útil da semana (às segundas-feiras), para os clientes conseguirem montar as posições no fechamento dessa sessão. Importante: as cotações de fechamento dos papéis selecionados é que são utilizadas para a apuração dos resultados da Carteira. Sendo assim, o relatório é válido do fechamento do primeiro dia útil da semana de referência até o fechamento do primeiro dia útil da próxima semana. Vale mencionar que não levamos em consideração na performance o custo operacional (como corretagem e emolumentos).

A seleção das ações é baseada em um critério mais dinâmico, um pouco diferente das nossas demais carteiras recomendadas (que tem uma característica mais estática de posicionamento). Procuramos buscar mais oportunidades de mercado, inclusive as de curtíssimo prazo, observando tendências, movimentos técnicos, momentum dos ativos, eventos e fluxos, além dos fundamentos das empresas.

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