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Cotações por TradingView

Carteira Recomendada de Dividendos | Julho/2022

1 de julho de 2022
Escrito por Rodrigo Crespi
Tempo de leitura: 14 min
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Tempo de leitura: 14 min

A carteira dividendos encerrou Junho com performance negativa, porém acima do seu índice de referência (IDIV).

O período apresentou forte realização de ativos voltados a commodities, em virtude da maior probabilidade de uma recessão nos próximos trimestres, com realização do petróleo no período após altas robustas em maio. Acompanhamos as restrições impostas na China relacionada ao Covid, o que também pesou contra principalmente o minério de ferro e derivados.

No mês de Junho, o destaque positivo ficou para Engie, sendo Vale o destaque negativo da carteira.

Para Julho

O ambiente macroeconômico global mais desfavorável, com o aperto das condições financeiras resultante do aumento ou sinalização de aumento das taxas de juros nas economias desenvolvidas fez com que o Ibovespa registrasse perdas ao longo do mês de junho. Além disso, em âmbito local, a decisão do Copom e o risco político-fiscal retornou ao radar dos investidores o também contribuiu com um aumento do dólar e abertura da curva de juros.

Como já sinalizado no comunicado anterior e amplamente previsto pelo mercado, o Copom decidiu, de maneira unânime, elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual, para o patamar de 13,25% a.a. durante sua reunião de junho. Além disso, eles sinalizaram para um aumento incremental de igual ou menor magnitude na próxima reunião. A decisão foi próxima do que o mercado precificava, de que teríamos uma alta adicional de mais 50 bps em agosto. Dada a clara sinalização de um ajuste adicional da taxa de juros, revisamos nossa projeção de Selic terminal para 13,75% neste ano, que acreditamos ser na próxima reunião.

Com relação à política, antes de sair do cargo, o ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho aprovou um reajuste de 5,2% no valor da gasolina e de 14,3% no valor do diesel, fato que gerou repercussão entre o governo e Congresso, que começaram a ameaçar a empresa de um aumento na taxação de lucro e até mesmo uma alteração na Lei das estatais. Ambas as medidas não foram para frente, principalmente depois que o governo em conjunto com o Senado apresentou propostas de aliviar a alta dos preços de combustíveis via auxílio. A chamada PEC dos combustíveis, que tem como principais medidas o aumento temporário do vale-gás, a criação de um voucher para caminhoneiros, subsidiando o diesel, o aumento do valor do Auxílio Brasil para R$ 600,0 e a zeragem da fia de espera para este auxílio foi apresentada pelo Senador Fernando Bezerra nesta quarta-feira e deve ser votada no Senado nos próximos dias ao custo de R$ 38,7 bilhões. A medida é valida até o final do ano, e será financiada por gastos extra-teto permitidos por conta do decreto de emergência que foi incluído dentro do texto da PEC. A proposta que limita o ICMS em até 18% para combustíveis, energia elétrica, gás de cozinha, transporte público e comunicações também passou no Congresso e alguns Estados, (SP incluso) já acataram a medida.

Apesar de diminuir a inflação para este ano, como a medida é vigente até o final de 2022 a expectativa é que ela deve elevar a inflação no próximo. E finalmente, sobre a inflação, o IPCA-15 registrou alta de 0,69% em junho, acelerando contra os 0,59% em maio, e acumulando alta de 12,04% em 12 meses. O resultado veio levemente acima do consenso do mercado (0,68%), e das nossas projeções (0,65%). No geral, ele mostrou alguns sinais positivos, como os núcleos e a disseminação diminuindo. Boa parte do avanço deste mês veio dos preços administrados, com destaque para planos de saúde, ao passo que, nos preços de serviços, a alta de mais de 11% nos preços de passagens aéreas também influenciou o resultado.

Comentários e Recomendações

Banco do Brasil ON (BBAS3)

O Banco do Brasil foi a primeira instituição bancária a operar no país, sendo sua principal força a atuação no segmento de varejo bancário. Adicionalmente, a instituição é a maior no país em termos de gestão de recursos, contando com mais de 20% do mercado, crédito ao agronegócio, com cerca de 55% de representatividade e no crédito consignado, com mais de 21% de participação no mercado. A companhia possui uma forte capacidade de distribuição, com cerca de 3900 agências, 1800 postos de atendimento e 800 agências digitais e especializadas, estando presente em 96,6% dos municípios do País, além de estar presente nos canais digitais, com cerca de 21,9 milhões de clientes ativos. Outra vantagem é a forte presença no mercado de agronegócio, com uma carteira de R$ 225 bilhões, totalizando um market share de 53,7% no segmento.

No 1T22, o banco teve uma queda de 6 bps a.a. na sua inadimplência, enquanto viu sua carteira de crédito subir 16% a.a., atingindo o volume total de R$886 milhões, impulsionado principalmente pelo seu forte posicionamento no setor de crédito agro, que cresceu 2,6% t.t., com destaque para linha de crédito de investimentos (+11% t.t.) e CPR – Cédula do Produto Rural e Garantias (+6,4% t.t.).

Para 2022, estimamos que o banco mantenha suas margens de rentabilidade estáveis, com uma taxa de inadimplência abaixo da média e expansão marginal de sua carteira de crédito. Além disso, esperamos que o banco continue ampliando outras fontes de receita, como previdência e consórcio.

CPFL ON (CPFE3)

CPFL Energia consiste em uma holding que, por meio de suas subsidiárias, distribui, gera e comercializa energia elétrica no Brasil, assim como provê serviços relacionados ao setor elétrico. A companhia atua nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que são considerados importantes polos econômicos e industriais do País. A empresa continua de olho em oportunidades de crescimento em outras frentes, embora esteja bastante concentrada, no momento, na integração dos ativos da transmissora CEEE-T, adquirida em meados deste ano.

Na comparação ano contra ano, no 1º tri de 2022, a empresa teve diminuição 32 bps nas suas perdas acumuladas nos últimos 12 meses, ainda acima dos 8,24% estabelecidos pela ANEEL.

Quanto a performance relativa a interrupções, a empresa mostrou melhora expressiva nos indicadores, registrando duração equivalente de interrupções (DEC) de 7,38 (-6,7%) e frequência equivalente de interrupções (FEC) de 4,27 (-7,6%). As despesas com PDD tiveram piora, alcançando 0,94% (vs. 0,67% a/a e 0,78% t/t), causada pela escassez hídrica, com reajuste tarifário e maior ticket médio. A receita líquida da empresa teve crescimento de 7,6% a/a, EBITDA +34,4% a/a e lucro líquido em R$1,2 bilhão (+21% a/a).

Energias do Brasil ON (ENBR3)

A EDP Energias do Brasil, controlada pela EDP em Portugal, uma das principais operadoras europeias no setor energético, é uma holding que detém investimentos nos segmentos de Geração, Distribuição, Comercialização, Transmissão e Serviços de Energia Elétrica.

No segmento de Geração, controla as operações de empreendimentos de fonte convencional (Usinas Hidroelétricas e uma Usina Termelétrica) em 6 estados do país (Mato Grosso, Tocantins, Ceará, Pará, Amapá e Espírito Santo) e detém 2,9 GW de capacidade instalada. No segmento de Distribuição, atua com duas distribuidoras nos estados de São Paulo e Espírito Santo (EDP São Paulo e EDP Espírito Santo), além de possuir participação de 29,90% no capital social da Celesc, em Santa Catarina.

No 1T22 a empresa teve forte crescimento de 7,6% a.a. na sua receita liquida consolidada, impulsionado pela melhora de 11% a.a. da sua receita líquida de distribuição, que mesmo com o aumento de 59% com os custos com construção, ainda fechou o trimestre com uma margem bruta de R$947 milhões ou 37%, impactado positivamente pelos reajustes tarifários nos estados de SP e ES, maior conhecimento do valor de reposição (+R$46 milhões), crescimento de 1,3% no mercado de energia distribuída e outras receitas.

Engie ON (EGIE3)

A Engie Brasil é uma das maiores concessionárias de energia privada do país, atuando no segmento de geração e comercialização de energia elétrica, construindo e operando plantas de energia como hidrelétricas, termoelétricas, biomassas, PCH (pequenas centrais hidrelétricas), eólicas e fotovoltaicas. A companhia possui mais de 10 GWh de capacidade de geração instalada, 4.500 km de gasodutos de alta pressão por meio da TAG (Transportadora Associada de Gás, onde possui 65% do capital social da empresa) e aproximadamente R$640 milhões de RAP nas suas linhas transmissoras.

No 1T22, a empresa apresentou um crescimento de 9% a/a em seu EBITDA, atingindo R$1,9 bilhão, reflexo dos R$78 milhões adicionais oriundos do segmento de transmissão de energia, R$1,5 bilhão de geração e impactado negativamente pelo resultado menor na TAG, no segmento de transporte de gás.

Em nossa visão, o histórico massivo de dividendos aliado a fatores como boa performance operacional e diversificação da sua matriz energética, com novos investimentos em energias alternativas, colaboram para nossa visão positiva no papel.

Petrobras PN (PETR4)

A Petrobras é uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo. Em 2020 os campos operados pela companhia produziram 94,15% do petróleo e gás natural do Brasil, conforme dados da ANP. A companhia é líder na exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, tendo produção concentrada nas bacias de Campos e Santos. A companhia também atua nos mercados de refino, também sendo responsável pela maior parte da capacidade de refino no Brasil, sobretudo na região Sudeste.

A companhia segue apresentando bons volumes de produção e redução no seu lifting cost (custo de extração) com maior participação das operações do pré-sal no portfólio. Esperamos a entrada em operação de novos poços a médio prazo, contribuindo para o aumento na produção. No curto prazo, alguns triggers: (i) continuidade da venda de ativos não estratégicos; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias; (3) perspectiva de novos anúncios de dividendos.

No 1T22, a receita líquida totalizou R$ 141,6 bilhões, crescimento de 5,6% T/T e 64,4% A/A. A empresa justifica o crescimento pela alta de 27% do Brent, ao maior volume de vendas de petróleo no mercado em razão da venda da Refinaria de Mataripe (RLAM) e ao maior volume de exportação de petróleo.

Taesa Units (TAEE11)

A Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. – TAESA – é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil em termos de Receita Anual Permitida.

A empresa permanece com sólida execução das novas concessões, além do atrativo dividend yield que as ações estão sendo negociadas. O baixo risco regulatório da Taesa, que possui contratos longos, com vencimento à partir de 2030, é outro ponto de destaque. A empresa historicamente reporta geração de caixa constante e robusta, com margens bastante elevadas (margem EBITDA em torno de 85% – 90%).

Entre os riscos, destacam-se: (i) desenvolvimento dos novos projetos, que podem ter atrasos e custos acima do esperado; e (ii) demora no processo de integração de novos ativos operacionais adquiridos.

Tim ON (TIMS3)

A companhia têm conseguido manter sob controle seus gastos com custos e despesas, o que tem se traduzido em uma expressiva melhora nas margens operacionais da empresa. Além disso, a companhia tem apresentado um crescimento sustentável da receita, focando no mix de produtos com maior valor agregado.

O plano estratégico da companhia é fortalecer os serviços core móvel, da ultra banda larga, desenvolvimento de novas frentes geradoras de valor para a companhia e investimentos voltados ao aumento de eficiência e controle sobre o opex. Gostamos da tese de investimento de Tim baseado em sua aceleração de sua transformação digital, que contribuiu para uma margem operacional mais robusta, seu portfólio completo de serviços para pessoas físicas e corporações, e maior cobertura 4G do país. 

No 1T22, a empresa viu forte crescimento operacional, alinhado com as estimativas do mercado. A empresa teve crescimento de 9% a.a. na receita líquida, impulsionado por (i) crescimento de 8,2% a.a. nas receitas de pós-pagos, reflexo do aumento de 3% a.a. no ARPU, resultando em R$46,80 ao mês por cliente pré-pago, fechando o trimestre com mais de 19 milhões de usuários, (ii) +3,2% a.a. na receita do pré-pago, mesmo com queda de 1,4% a.a. na sua base de clientes, alcançando R$13,20 ao mês por usuário e (iii) crescimento de 29% a.a. na receita de produtos, pelo sucesso das ofertas do iPhone 12 em março.

Vale ON (VALE3)

A Vale é uma das maiores empresas mineradoras do mundo. Produz e comercializa minério de ferro, níquel, pelotas, minério de manganês, ferroligas, carvão cobre e outros metais. A companhia está envolvida em projetos de exploração mineral greenfield em seis países e opera um sistema de logística no Brasil e no mundo integrados a suas operações de mineração, permitindo assim entrega de seus produtos em diversos países. A companhia também investe nos setores de siderurgia e energia diretamente ou através de suas joint ventures. A companhia, além de ser uma das maiores mineradoras do mundo, apresenta uma diversificação de operações de minério de ferro no Brasil em três sistemas (Norte, Sudeste e Sul) que possuem capacidade de transporte e remessa própria.

No 1T22, a Vale reportou EBITDA ajustado proforma das operações continuadas de US$6.374 bilhões, US$483 milhões abaixo do 4T21, impactados por  um menor volume de vendas de minério de ferro e pelotas, principalmente devido à intensa estação chuvosa no 1T22 e o desempenho mais fraco do Sistema Norte (US$ 2,192 bilhões), e os maiores preços realizados para minério de ferro e pelotas (US$ 1,812 bilhão), seguindo o aumento de US$ 32/t no preço de referência 62% Fe e o maior prêmio de qualidade, compensando parcialmente os volumes mais fracos de minério de ferro.

Como principais risco seriam: (i) desaceleração da demanda mundial de minério, principalmente com arrefecimento de planos de desenvolvimento, como dos EUA; (ii) variação da taxa de câmbio dólar/real; (iii) riscos ambientais; e (iv) risco de paralização causada por chuvas.

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“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores,  para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo.  Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações. Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Resolução CVM nº 20, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.”

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Formado pela ESPM-SP, com pós-graduação na FGV-SP e mestrado (MSc) em Management pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e Erasmus na EM Lyon. Antes de ingressar na Guide, trabalhou por quase dois anos no BNP Paribas na Europa, na área de Global Markets na equipe de Equity Derivatives. ''A minha missão é estar sempre atualizado, antecipando tendências de mercado, através de análises, e oferecer de forma simples e objetiva ao investidor, estratégias de alocação com sólidos fundamentos.'' CNPI – 2934

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