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Carteira Recomendada de Dividendos | Maio/2022

Tempo de leitura: 14 minutos

A carteira dividendos encerrou Abril com performance negativa, porém 1,5 p.p. acima do seu índice de referência, impulsionado pela boa performance de CPFE3.

O fluxo estrangeiro negativo pesou contra os ativos de risco localmente, saldo negativo de mais R$ 5 bilhões. Os papéis voltados à economia doméstica, influenciado por noticias, principalmente do exterior relacionadas a alta da inflação, sofreram mais que as empresas de commodities.

No mês de Abril, o destaque positivo ficou para CPFL. Já a Vale foi o papel que mais se depreciou no período.

Para Maio

Em abril, as sinalizações de um aperto monetário mais rápido feitas pelos principais banqueiros centrais no mundo, combinadas com dados de atividade econômica que surpreenderam negativamente para os EUA e China pressionaram ativos de risco a nível global, ofuscando a temporada de balanços por aqui, de maneira que o Ibovespa e o real não escaparam de uma forte desvalorização.

Por aqui, o dado de inflação do IPCA de março divulgado no começo do mês, registrou alta de 1,62% na margem, fato que começou a fazer o mercado duvidar se o Banco Central manteria sua sinalização de encerrar o ciclo de alta da Selic em maio a 12,75%. Porém, dados mais recentes, do IPCA-15 e IGP-M referentes a abril vieram bem mais fraco que o esperado, com este último, inclusive recuando na margem, favorecendo novamente a visão de uma última alta de 100 bps na reunião da semana que vem.

Além disso, nesse mês ainda tivemos a troca das lideranças na Petrobras, medida que foi vista pelo mercado a princípio como uma intervenção do governo sobre a estatal, dado o aumento dos preços de combustíveis decorrentes dos efeitos subjacentes à guerra na Ucrânia. Porém, o mercado recebeu bem a chegada do novo presidente – José Mauro Ferreira – que reiterou a importância de a empresa seguir a paridade com os preços internacionais.

Finalmente, no pano de fundo, a relação institucional do governo com o STF piorou depois que o presidente Jair Bolsonaro concedeu a graça presidencial ao Deputado Daniel Silveira. Enquanto isso, a pressão dos funcionários públicos para um reajuste maior que os 5% anunciados pelo governo também piorou a noção do risco fiscal. Dessa forma, o imbróglio das negociações com os servidores deve continuar no próximo mês.

Comentários e Recomendações

CPFL ON (CPFE3)

CPFL Energia consiste em uma holding que, por meio de suas subsidiárias, distribui, gera e comercializa energia elétrica no Brasil, assim como provê serviços relacionados ao setor elétrico. A companhia atua nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que são considerados importantes polos econômicos e industriais do País. A empresa continua de olho em oportunidades de crescimento em outras frentes, embora esteja bastante concentrada, no momento, na integração dos ativos da transmissora CEEE-T, adquirida em meados deste ano.

A CPFL continua focada em crescer organicamente e analisar ativos que podem vir ao mercado. Do lado de geração, a eólica foi geralmente melhor em 2021 em relação a 2020, o aumento dos níveis de chuva no 4T21 afeta os níveis de vento, e os contratos de geração são indexados à inflação, tanto com IPCA.

Sobre distribuição, os volumes foram semelhantes aos do ano passado, apesar de algumas mudanças no mix. Enquanto os segmentos industrial e comercial vêm crescendo, o residencial foi relativamente mais fraco por conta de temperaturas mais baixas;

Energias do Brasil ON (ENBR3)

A EDP Energias do Brasil, controlada pela EDP em Portugal, uma das principais operadoras europeias no setor energético, é uma holding que detém investimentos nos segmentos de Geração, Distribuição, Comercialização, Transmissão e Serviços de Energia Elétrica.

No segmento de Geração, controla as operações de empreendimentos de fonte convencional (Usinas Hidroelétricas e uma Usina Termelétrica) em 6 estados do país (Mato Grosso, Tocantins, Ceará, Pará, Amapá e Espírito Santo) e detém 2,9 GW de capacidade instalada. No segmento de Distribuição, atua com duas distribuidoras nos estados de São Paulo e Espírito Santo (EDP São Paulo e EDP Espírito Santo), além de possuir participação de 29,90% no capital social da Celesc, em Santa Catarina. No segmento de Comercialização, negocia contratos de compra e venda de energia com clientes distribuídos em todo território nacional. No segmento de Transmissão, a Companhia iniciou sua atuação em 2016 e possui 8 projetos, totalizando 1.924 km de extensão.

A empresa possui mais de 1.000km de linhas de transmissões em construção, somando mais de R$3 bilhões em investimentos. Além disso, possuem histórico de sucesso na conclusão antecipada de obras, com custo abaixo do esperado. Entre seus maiores clientes, estão as companhias integradas de energia, como Copel e Cemig, e possui uma alta taxa interna de retorno em seus projetos em comparação com seus concorrentes.

Engie ON (EGIE3)

A Engie Brasil é uma das maiores concessionárias de energia privada do país, atuando no segmento de geração e comercialização de energia elétrica, construindo e operando plantas de energia como hidrelétricas, termoelétricas, biomassas, PCH (pequenas centrais hidrelétricas), eólicas e fotovoltaicas. A companhia possui aproximadamente 10 GWh de capacidade de geração instalada, 4.500 km de gasodutos de alta pressão por meio da TAG (Transportadora Associada de Gás, onde possui 65% do capital social da empresa) e aproximadamente R$640 milhões de RAP nas suas linhas transmissoras.

No 4T21, a Engie teve seus resultados impactos pela diminuição dos custos de energia e volume de venda menor em relação ao ano anterior, alcançando R$2,8 bilhões de receita líquida, 6% abaixo das expectativas do mercado. A empresa teve seu lucro impactado pela reavaliação – impairment – da planta térmica de Pampa Sul, acarretando na perda de R$964 milhões, resultando no EBITDA de R$956 milhões no período. Apesar disso, a empresa anunciou a distribuição de R$1,2 bilhão em dividendos, totalizando aproximadamente R$2 bilhões em 2021, implicando em um dividend yield de 6%.

Em nossa visão, o histórico massivo de dividendos aliado a fatores como boa performance operacional e normalização dos níveis nas suas unidades hidrelétricas, colaboram para nossa visão positiva no papel.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú Unibanco é o maior banco do Brasil em termos de ativos totais. O banco, que consolidou sua liderança entre os bancos privados no Brasil após a fusão com o Unibanco em 2008, possui forte penetração e uma presença robusta em áreas-chave, como cartões de crédito, empréstimos para automóveis, gestão de ativos e seguros.

O Itaú reportou um bom resultado, com lucro líquido recorrente de R$7,2 bilhões no 4T21, 2% acima de nossas estimativas e 5,7% acima do consenso de mercado. O resultado melhor que a expectativa ocorreu apesar de um resultado de tesouraria mais pressionado no trimestre, reflexo de um crescimento da carteira de e da margem financeira com clientes acima do guidance de 2021.

Vimos também uma boa performance das receitas de serviços e seguros no 4T21 (+2,9% T/T), impulsionado pelas receitas advindas de cartões e resultado de seguros, fechando 2021 próximo ao topo do guidance; forte crescimento da carteira de crédito, em especial nas linhas de cartão de crédito, crédito pessoal, crédito imobiliário e crédito para micro, pequenas e médias empresas, o que contribui para o crescimento da margem financeira com clientes, já que estas linhas apresentam maiores taxas de juros, e menor patamar do índice de eficiência (despesas/receitas) desde 2016, resultado não só da expansão das receitas, mas também da digitalização da companhia e do bom controle de custos e despesas feito pelo banco.  O guidance positivo para 2022 nos agradou, com crescimento da carteira de crédito total entre 9% e 12%, sendo a carteira Brasil entre 11,5% e 14,5%, acima do crescimento projetado pela Febraban, e aumento da margem com clientes entre 20,5% e 23,5%.

Petrobras PN (PETR4)

A Petrobras é uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo. Em 2020 os campos operados pela companhia produziram 94,15% do petróleo e gás natural do Brasil, conforme dados da ANP. A companhia é líder na exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, tendo produção concentrada nas bacias de Campos e Santos. A companhia também atua nos mercados de refino, também sendo responsável pela maior parte da capacidade de refino no Brasil, sobretudo na região Sudeste.

A companhia segue apresentando bons volumes de produção e redução no seu lifting cost (custo de extração) com maior participação das operações do pré-sal no portfólio. Esperamos a entrada em operação de novos poços a médio prazo, contribuindo para o aumento na produção. No curto prazo, alguns triggers: (i) continuidade da venda de ativos não estratégicos; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias; (3) perspectiva de novos anúncios de dividendos.

A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal, que no 4T21 atingiu a marca de 1,1x Dívida líquida/Ebitda. Os resultados foram ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, com Ebitda de US$ 11,2 bilhões (-8% t/t e +72% a/a). A receita atingiu US$ 24,0 bilhões (+3% t/t e +73% a/a). Em derivados, o destaque ficou com o desempenho das vendas de gasolina em US$3,8 bilhões, com alta de 11% t/t devido a maiores volumes oriundos da sazonalidade do período e a ganho de participação de mercado sobre o etanol pela competitividade em preços. A geração de caixa livre no trimestre foi outro fator positivo, atingindo US$ 7,5 bilhões.

Taesa Units (TAEE11)

A Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. – TAESA – é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil em termos de Receita Anual Permitida.

A empresa permanece com sólida execução das novas concessões, além do atrativo dividend yield que as ações estão sendo negociadas. O baixo risco regulatório da Taesa, que possui contratos longos, com vencimento à partir de 2030, é outro ponto de destaque. A empresa historicamente reporta geração de caixa constante e robusta, com margens bastante elevadas (margem EBITDA em torno de 85% – 90%).

Entre os riscos, destacam-se: (i) desenvolvimento dos novos projetos, que podem ter atrasos e custos acima do esperado; e (ii) demora no processo de integração de novos ativos operacionais adquiridos.

Tim ON (TIMS3)

A companhia têm conseguido manter sob controle seus gastos com custos e despesas, o que tem se traduzido em uma expressiva melhora nas margens operacionais da empresa. Além disso, a companhia tem apresentado um crescimento sustentável da receita, focando no mix de produtos com maior valor agregado.

O plano estratégico da companhia é fortalecer os serviços core móvel, da ultra banda larga, desenvolvimento de novas frentes geradoras de valor para a companhia e investimentos voltados ao aumento de eficiência e controle sobre o opex. Gostamos da tese de investimento de Tim baseado em sua aceleração de sua transformação digital, que contribuiu para uma margem operacional mais robusta, seu portfólio completo de serviços para pessoas físicas e corporações, e maior cobertura 4G do país. 

Além disso, a empresa será a maior beneficiada pela venda dos ativos da Oi Móvel, junto com seus concorrentes Vivo (VIVT3) e Claro. A empresa ficará com 49% das estações base, 54% das rádios frequências e 40% dos 39 milhões de clientes da Oi.

No 4T21, a empresa reportou receita líquida de R$ 4,7 bilhões, impulsionada pela divisão mobile, com alta de 3,8% A/A, por conta do aumento de planos pos pagos. O Ebitda normalizado foi de R$ 2,4 bilhões, com margem de 51% no trimestre, com destaque ao controle de custos. A alavancagem da empresa caiu de -0,48x para -0,8x, patamar bastante saudável.

Vale ON (VALE3)

A Vale é uma das maiores empresas mineradoras do mundo. Produz e comercializa minério de ferro, níquel, pelotas, minério de manganês, ferroligas, carvão cobre e outros metais. A companhia está envolvida em projetos de exploração mineral greenfield em seis países e opera um sistema de logística no Brasil e no mundo integrados a suas operações de mineração, permitindo assim entrega de seus produtos em diversos países. A companhia também investe nos setores de siderurgia e energia diretamente ou através de suas joint ventures. A companhia, além de ser uma das maiores mineradoras do mundo, apresenta uma diversificação de operações de minério de ferro no Brasil em três sistemas (Norte, Sudeste e Sul) que possuem capacidade de transporte e remessa própria.

O resultado da Vale do 4T21 foi marcado por eventos não recorrentes como as despesas relacionadas a Brumadinho de US$ 2,1 bilhões que impactou o Ebitda de US$ 4,8 bilhões (-30% t/t), ou US$ 6,9 bilhões ( -2% t/t) sem os efeitos não recorrentes e provisão adicional de US$ 1,1 bilhão para a Fundação Renova, ligada aos programas de auxílio em Mariana, que impactou o lucro líquido da companhia. O lucro de US$ 5,4 bilhões foi 39% superior ao 3T21 mesmo com os efeitos não recorrentes registrados no trimestre devido ao maior resultado financeiro de US$ 3,5 bilhões vs. US$ -350 milhões no 3T21, principalmente devido a reclassificação da variação cambial acumulada no patrimônio líquido.

Como principais risco seriam: (i) desaceleração da demanda mundial de minério, principalmente com arrefecimento de planos de desenvolvimento, como dos EUA; (ii) variação da taxa de câmbio dólar/real; (iii) riscos ambientais; e (iv) risco de paralização causada por chuvas.

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