Carteira Recomendada de Dividendos | Setembro/2021

Tempo de leitura: 14 minutos

A Carteira Dividendos encerrou o mês de agosto bem acima do índice de referência (IDIV). Domesticamente, ativos de risco continuaram sendo penalizados, em boa parte, pelo ressurgimento do risco fiscal. O índice Bovespa acumulou queda de 4,72% durante o mês, as taxas de juros de longo prazo – com destaque para o DI 27 – abriram abruptamente, o dólar operou de forma extremamente volátil e o risco-país, medido pelo CDS de cinco anos, se manteve em patamar elevado.

Os papéis que mais subiram foram CPFL, Porto Seguro e Tim, enquanto que na ponta negativa, a Vale teve a maior queda no período.

Para Setembro

Pesaram sobre as expectativas as enormes incertezas relacionadas ao modelo de pagamento dos precatórios proposto pelo governo, que previa um parcelamento decenal aliado à criação de um fundo extra-teto para executar o pagamento desta despesa, fomentando o sentimento de que a principal âncora fiscal poderia estar sendo ameaçada. Paralelamente, anseios populistas em torno da expansão do bolsa família e de uma reforma do IR potencialmente deficitária adicionaram ao risco fiscal, potencializando as preocupações supracitadas. Por fim, porém não menos importante, o ambiente institucional continuou tensionado, com Bolsonaro emitindo um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes do STF. 

No que diz respeito à atividade, dados também expressaram sinais mistos. Indústria e varejo, impactados pela aceleração da inflação e pelos gargalos de oferta, decepcionaram nas leituras mais recentes. Na contramão, o setor de serviços, beneficiado pela reabertura da economia, seguiu em processo de recuperação, assim como o emprego formal, que também registrou ganhos notáveis. Na fronte da inflação, dados continuaram expressando um ambiente de preços deteriorado. A economia continua sentido com força os efeitos secundários dos sucessivos choques de oferta que tem se materializado, dado cada vez mais razão para o processo de normalização da taxa Selic, que ruma, em nossa opinião, para um patamar de 8% ao final do ano. 

Para setembro, entendemos que a saga dos precatórios continuará tomando conta dos holofotes. Até que não seja devidamente resolvida, tenderá a retrair, junto com a alta da taxa básica, o apetite pelo risco da renda variável. Não antevemos uma resolução tão rapidamente, de tal forma que os mercados continuarão sujeitos a baques de volatilidade ao longo do mês. Ainda assim, como vemos a reforma do IR sendo provavelmente abandonada, entendemos que este mês pode contar com, pelo menos, uma incerteza a menos.

Comentários e Recomendações

Banco do Brasil ON (BBAS3)

Com relação ao Banco do Brasil, os resultados operacionais mostraram uma recuperação da rentabilidade da companhia, mostrando melhor no ROE desde 2017, com qualidade da carteira de crédito, além do eficiente controle das despesas administrativas (implementação de programa de demissão voluntario) e crescimento da receita de serviços.

Assim como seus principais pares privados, o Banco apresentou uma redução nas provisões. Estamos confortáveis com os níveis de provisionamento do banco. Outro ponto importante, seguindo a tendência do setor, vemos uma pressão na receita de serviços, em meio a competição com novos entrantes (fintechs) e medidas realizadas pelo BC para aumentar a competição do setor. Ainda assim, esperamos resultados positivos para o banco, mantendo seu caráter de boa pagadora de dividendos.

O resultado do Banco do Brasil ficou ligeiramente acima do consenso de mercado no 2T21, e pode ser justificado pelo bom desempenho da carteira de crédito do banco, em especial a de agronegócio e varejo; aumento de receita de prestação de serviço, com destaque para a administração de fundos; e diminuição das despesas administrativas, justificadas pela eficiência em gestão e redução com despesa de pessoal. Por outro lado, a rentabilidade do banco manteve-se estável. Vemos a digitalização do banco como um importante fator para a continuidade da redução de despesas no médio-prazo. Entretanto, o banco pode sofrer volatilidade com a aproximação das eleições presidenciais de 2022.

CPFL ON (CPFE3)

CPFL Energia consiste em uma holding que, por meio de suas subsidiárias, distribui, gera e comercializa energia elétrica no Brasil, assim como provê serviços relacionados ao setor elétrico. A companhia atua nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que são considerados importantes polos econômicos e industriais do País. Visando seguir sue plano de negócios, a CPFL está sempre analisando novas oportunidades no mercado de M&A.

Avaliamos a companhia como uma das mais descontadas do setor. A CPFL Energia reportou no 1T21 alta no seu lucro de 6,3%, totalizando R$ 961 milhões, além de um EBITDA 15,9% maior em relação ao mesmo período de 2020, em virtude da divisão eólica e efeito da inflação sobre os contratos de geração. Por áreas, a empresa também reportou um aumento de 11% do seu EBITDA na área de distribuição e 19% de geração.  Ultimamente, entretanto, o papel da companhia tem sofrido por conta de temores que a crise hídrica tem causado, e deve retomar a patamares normais no médio-prazo.

Klabin Unit (KLBN11)

No cenário atual a empresa tem se beneficiado em todos os seus segmentos: embalagem para alimentos e bebidas, tissue (papel higiênico e lenços de papel), e caixas de papelão para transporte dos produtos no e-commerce. Os volumes crescentes nas vendas, tanto de papel quanto de celulose demonstram este cenário positivo.

O resultado de Klabin no 2T21 foi positivo para a companhia. Ela segue operando em sua capacidade máxima de produção e com isso novos avanços na receita dependem de uma melhora nos preços da celulose e do início do Projeto Puma II. Em todo caso, a boa disciplina de custos e despesas e alta geração da caixa da companhia nos deixa confortáveis com a trajetória do case. Avaliamos que a Klabin deve continuar a apresentar bons resultados, especialmente nos próximos trimestres com o Projeto Puma II, e a manutenção dos preços da celulose em níveis rentáveis.

Por fim, a Klabin adquiriu recentemente o negócio de papéis para embalagens e papelão ondulado da International Paper, o que reforça o compromisso da cia com o setor de embalagens e também com a geração de valor para seus acionistas. O outro foco para o ano de 2021 é o projeto Puma II, que iniciou sua operação na última semana de agosto, e que tornará a Klabin a terceira maior vendedora de Kraftliner no mundo.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú Unibanco reportou um resultado em linha com consenso, com um forte aumento em relação ao ano passado, apesar da fraca base comparativa de 2020. Os principais motivos para a alta foram em virtude de sua maior participação na frente digital, além de um aumento na receita com tarifas, gestão de ativos e bom momento do mercado de capitais. O banco ainda revisou o seu guidance para cima, com aumento em sua carteira de crédito previsto para este ano.

Vemos um cenário positivo para a expansão de crédito no segundo semestre, com destaque para os segmentos de pessoas físicas e PMEs. Devemos ver ainda um avanço nas receitas de serviços, com destaque para cartões, apesar da maior competição no setor.

Ressaltamos que o setor passa por diversos desafios: (i) maior concorrência, com novos entrantes no setor, desde fintechs à bancos digitais; (ii) Open Banking, que forçaria os bancos a disponibilizarem informações, quando solicitada pelo cliente, o que pode afetar uma das principais barreiras de entrada; (iii) CSLL de bancos subindo de 20% para 25% aprovada em julho.

Olhando para frente, alguns triggers que sustentam nossa recomendação: (i) Banco Central aprovou cisão de participação na XP, destravando valor com a distribuição das ações da plataforma para os atuais acionistas; (ii) perspectiva de manutenção de dividendos em patamares atrativos: (iii) possíveis aquisições, visto que o banco possui um ótimo histórico de M&A.

Petrobras PN (PETR4)

A Petrobras segue apresentando bons resultados em meio a retomada dos preços do petróleo e o dólar em patamares mais elevados. Apesar dos riscos de uma possível intervenção na política de preços da companhia, em meio a escala do preço do combustível, avaliamos que a governança da companhia evoluiu muito ao longo dos últimos anos e tem conseguido blindar possíveis intervenções, mesmo com a recente troca no comando.

A companhia segue apresentando bons volumes de produção e redução no seu lifting cost (custo de extração) com maior participação das operações do pré-sal no portfólio. Esperamos a entrada em operação de novos poços a médio prazo, contribuindo para o aumento na produção. No curto prazo, alguns triggers: (i) continuidade da venda de ativos não estratégicos; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias; (3) perspectiva de novos anúncios de dividendos.

A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal, que deve atingir o patamar abaixo de US$ 60 bilhões em dívida bruta ao final do ano, destravando a nova política de dividendos. Entre os riscos: (i) queda mais acentuada do preço do barril de petróleo; (ii) paralisação do processo de venda de ativos são fatores que podem pressionar o papel; (iii) eventual intervenção na política de preços da companhia.

Porto Seguro ON (PSSA3)

Porto Seguro Cia de Seguros Gerais é mais que uma seguradora, é um ecossistema de soluções de serviços de proteção com tecnologia embarcada, para melhorar e facilitar a experiência do cliente. Com mais de 70 anos de mercado, a atuação da companhia se concentra hoje em quatro pilares estratégicos de negócio: Seguros, Saúde, Produtos Financeiros e Serviços.

Ao todo 27 empresas fazem parte do universo Porto Seguro – entre elas: Azul Seguros, Itaú Seguros de Auto e Residência, Porto Seguro Saúde, Porto Seguro Serviços e Porto Seguro Uruguai.

A Porto Seguro foi capaz de apresentar crescimento em todas as suas verticais, com aumento de prêmio, o que se traduziu em forte aumento de receita no período. No segmento Auto, o seu principal, foi puxado pela Azul, que cresceu 34,1% no período. Além disso, o segmento demonstrou menor frequência de sinistralidade, em função da pandemia. O Índice combinado, que é a soma dos índices de sinistralidade e índice de despesas, atingiu 90,5%, em virtude da diminuição de despesa com sinistros. Para o futuro, seguimos positivos com a seguradora, que deve ter seu resultado financeiro beneficiado com a iminente alta da Selic, o que poderia compensar a provável alta de sinistralidade que deve ocorrer, conforme ocorre a reabertura da economia e menores restrições.

Por fim, a Porto Seguro anunciou no final de junho, a compra de 50% da ConectCar por R$ 165 milhões sujeito a ajuste até a liquidação final da transação. Vemos com bons olhos a operação que pode fazer com que os mais de 5 milhões de carros segurados pela cia utilizem a tag de pagamento automático.

Tim ON (TIMS3)

A companhia conseguiu manter sob controle seus gastos com custos e despesas, o que tem se traduzido em uma expressiva melhora nas margens operacionais da empresa. Além disso, a companhia tem apresentado um crescimento surpreendente da receita, focando no mix de produtos com maior valor agregado – o aumento da receita líquida do serviço móvel segue acelerado e impulsionando os números da Tim.

Em junho a Tim fez uma emissão que totalizou R$ 1,6 bilhão em debêntures vinculadas, do tipo Sustainable Linked Bond, sendo considerada a maior operação dessa natureza já realizada por uma companhia brasileira, além de ser a primeira emissão de caráter sustentável feito por uma empresa de telecomunicações no Brasil. A companhia vai também expandir a sua rede 4G, consolidando ainda mais a sua liderança.

A telecom reportou resultados acima do consenso de mercado no 2T21, com destaque para a sua aceleração de sua transformação digital, que contribuiu para uma margem operacional mais robusta, além de seu portfólio completo de serviços para pessoas físicas e corporações, além de possuir a maior cobertura 4G do país. Salienta-se também a recuperação da dinâmica comercial com incremento da ARPU móvel. Vemos como principal trigger para impulsionar os próximos resultados da empresa, a aprovação da aquisição da Oi Móvel pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)  e CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Vale ON (VALE3)

Temos uma visão construtiva para a Vale. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento. Além disso, os preços de minério continuam em patamares elevados (fruto da menor oferta no mercado), enquanto a empresa negocia a múltiplos descontados.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção; (iv) diversificação geográfica no Brasil bem verticalizada, contando com capacidade de transporte e remessa própria.

A Vale reportou em sua prévia um bom resultado para sua produção de minério de ferro, que totalizou 75,7 Mt (+11,3% t/t e 12,0% a/a), mantendo o guidance de 315-330MTon, o que deve garantir um segundo semestre forte para a companhia. Já no resultado do trimestre, destacamos os maiores volumes de minerais ferrosos, com a melhora sazonal normal do período, além de preços de venda realizados 7,9% superiores aos do 1T21. Além disso, As operações de metais básicos, em especial o cobre compensaram parte das paradas em Sudbury, no Canadá, com maiores volumes de vendas em Salobo, além dos embarques adiados do 1T21 para o 2T21.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada com desconta em relação aos pares australianos.

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