Carteira Recomendada de Dividendos | Junho/2021

Tempo de leitura: 12 minutos

A Carteira Dividendos encerrou o mês de Maio ligeiramente abaixo do índice de referência (IDIV). A maior parte dos ativos teve boa performance por conta dos resultados reportados acima do consenso no trimestre. A aprovação da reforma administrativa na CCJ demonstrou que o governo federal ainda detém o poder de articulação para avançar as reformas estruturais – apesar do desgaste da CPI da pandemia – e aprovação da MP da Eletrobrás na Câmara, mostrou que a pauta de privatizações continua viva.

O destaque positivo no mês foram as ações da BR Distribuidora, impulsionadas pelo bom resultado trimestral reportado e perspectiva de reabertura da economia, além da Cemig, com a possível privatização no futuro.

Para Junho

Durante o mês de maio, ativos de risco domésticos expressaram a confluência de uma série de fatores positivos que alimentaram o apetite pelo risco. Ainda que os receios com a inflação continuem presentes por aqui – em especial no que diz respeito à pressão dos preços administrados – sucessivas revisões para o crescimento econômico decorrentes de dados que surpreenderam a expectativa no primeiro trimestre criaram perspectivas mais favoráveis para o índice e, em especial, para a rodada de IPOs que foram travados devido à enorme incerteza observada desde o início do ano.

Para junho, o mercado segue no aguardo de um posicionamento mais claro em relação à MP da Eletrobras por parte das lideranças do Senado, ainda avaliando com otimismo a probabilidade de a MP ser aprovada antes que ela expire. Na Câmara, a retomada da pauta das reformas demonstrou que o governo retém poder de articulação o suficiente para sustentar drivers positivos para o mercado, mesmo que a CPI do Covid continue desgastando o governo.

No pano de fundo, dados que alertam sobre uma possível crise hídrica que pode comprometer a capacidade de geração de energia elétrica no Sudeste e Centro-Oeste continuam materializando essa ameaça no horizonte. A recente aceleração de casos da covid-19 em meio à flexibilização continuada das atividades também acende uma alerta, principalmente porque coloca em evidência novas pressões políticas pela extensão do auxílio emergencial, que tende a elevar o risco fiscal e retirar força compradora do índice.

Em suma, o mercado continuará observando o comportamento do Congresso em torno das reformas, os números da pandemia e de geração de energia e os dados de atividade referentes ao segundo trimestre, que devem – como enunciado por diversos índices antecedentes – continuar em processo de recuperação.

A taxa de dividendo anual (dividend yield) estimada para a carteira para os próximos 12 meses está por volta de 6%.

As nossas premissas para a escolha de ativos seguem as mesmas. Continuamos procurando empresas: (i) sólidas e com ótima administração; (ii) geração de caixa expressiva; (iii) negócios mais resilientes e (iv) com alto poder de repasse de preços. 

Comentários e Recomendações

Alupar UNT (ALUP11)

Consideramos que Alupar é um dos melhores investimentos para aproveitar a oportunidade de crescimento no setor de transmissão. Sustentamos como recomendação: (i) forte geradora de caixa, e boa previsibilidade de fluxo; (ii) possibilidade de crescimento dentro do setor; (iii) exposição a projetos de transmissão com maior duração; e (iv) management com bom histórico de execução. Uma possível reorganização da estrutura de capital da companhia deve também destravar valor no médio prazo.

O Ebitda do 1T21 reportou uma alta de 58,6%, totalizando R$ 1,10 bilhão, enquanto que no mesmo período do ano passado, o resultado foi de  R$ 698,7 milhões.. O lucro líquido de R$ 660,9 milhões no 1T21, um salto de 50,9% em relação ao mesmo período de 2020 quando registrou lucro líquido de R$ 437,9 milhões.

A empresa tem aproveitado oportunidades atraentes para investimentos, e tem um modelo de negocio e gestão que tem demonstrado bons resultados. Ela ficará de olho em novas oportunidades de leilão, mas sempre com foco em diminuição de alavancagem e pagamento de dividendos.

Banco do Brasil ON (BBAS3)

Com relação ao Banco do Brasil, os resultados operacionais mostraram uma recuperação da rentabilidade da companhia, mostrando melhor no ROE desde 2017, com qualidade da carteira de crédito, além do eficiente controle das despesas administrativas (implementação de programa de demissão voluntario) e crescimento da receita de serviços.

Assim como seus principais pares privados, o Banco apresentou uma redução nas provisões. Estamos confortáveis com os níveis de provisionamento do banco. Outro ponto importante, seguindo a tendência do setor, vemos uma pressão na receita de serviços, em meio a competição com novos entrantes (fintechs) e medidas realizadas pelo BC para aumentar a competição do setor. Ainda assim, esperamos resultados positivos para o banco, mantendo seu caráter de boa pagadora de dividendos.

Outro ponto importante a JV do banco com o UBS para a atuação no segmento de banco de investimento e uma eminente parceria na gestão de recursos (asset management) devem contribuir para o banco ampliar sua atuação em segmentos que ainda não possui tanta expertise.

O Banco do Brasil, apesar do risco político, tem demonstrado resultados bastante sólidos, reportando números superiores ao esperado pelo mercado. BBAS3 é negociado a 0,7x Valor Patrimonial contra uma média histórica de 1,3x, e avaliamos que o momento de recuperação econômica local deve contribuir para uma melhora na expansão de crédito para o setor.

Minerva ON (BEEF3)

Mesmo em meio ao avanço do Coronavírus a demanda por proteínas segue elevada, principalmente em função do aumento da importação Chinesa por proteína bovina. Nesse cenário o preço da carne segue elevado e com perspectivas de se manter em valorização nos próximos meses. A escassez de oferta nos Estados Unidos poderá servir como suporte de preço para o setor nesses 2S20, mantendo as margens ainda em patamares elevados. O cambio desvalorizado também tendem a beneficiar a companhia nesse sentido.

Outro ponto importante, devemos esperar um pagamento de dividendos elevado pela Minerva em meio a recente redução do seu endividamento e forte geração de caixa.

Para o longo prazo, seguimos acreditando que a empresa poderá desempenhar positivamente devido à: (i) redução dos níveis de alavancagem pós follow-on; (ii) ganhos relacionados ao recorde de escassez de proteína chinesa; (iii) expansão do número de plantas permitidas para exportação à China; e (iv) câmbio depreciado nos seus mercados de atuação.

CPFL ON (CPFE3)

CPFL Energia consiste em uma holding que, por meio de suas subsidiárias, distribui, gera e comercializa energia elétrica no Brasil, assim como provê serviços relacionados ao setor elétrico. A companhia atua nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que são considerados importantes polos econômicos e industriais do País. Visando seguir sue plano de negócios, a CPFL está sempre analisando novas oportunidades no mercado de M&A.

Avaliamos a companhia com uma das mais descontadas do setor, com IRR na casa de 9%, gerando um grande potencial de retorno. Outro ponto importante, a exposição a mercados maduros como São Paulo, garantem maior resiliência e previsibilidade no pagamento de dividendos.

Klabin Unit (KLBN11)

No cenário atual a empresa tem se beneficiado em todos os seus segmentos: embalagem para alimentos e bebidas, tissue (papel higiênico e lenços de papel), e caixas de papelão para transporte dos produtos no e-commerce. Os volumes crescentes nas vendas, tanto de papel quanto de celulose demonstram este cenário positivo.

Gostamos do modelo de negócio da companhia, que é integrado, flexível e diversificado, gerando uma grande vantagem competitiva. Além disso, cerca de 50% das vendas da companhia são voltadas ao mercado externo, enquanto apenas 7% de seus custos são em dólar, gerando ganhos significativos no cenário atual (dólar em patamar elevado).

Por fim, a Klabin adquiriu recentemente o negócio de papéis para embalagens e papelão ondulado da International Paper, o que reforça o compromisso da cia com o setor de embalagens e também com a geração de valor para seus acionistas. O  outro foco para o ano de 2021 é o projeto Puma II, que tornará a Klabin a terceira maior vendedora de Kraftliner no mundo.

Tim ON (TIMS3)

A companhia conseguiu manter sob controle seus gastos com custos e despesas, o que tem se traduzido em uma expressiva melhora nas margens operacionais da empresa. Além disso, a companhia tem apresentado um crescimento surpreendente da receita, focando no mix de produtos com maior valor agregado – o aumento da receita líquida do serviço móvel segue acelerado e impulsionando os números da Tim.

Em suma, a Tim tem se beneficiado do maior foco na eficiência operacional. Olhando para frente, seguimos otimistas com a companhia. Destacamos a continuação do processo de Turnaround operacional, com intuito de colocar a empresa em um novo posicionamento estratégico dentro do setor de telecom, com maior qualidade e poder de precificação.

Por fim, destacamos que a Tim pode atuar de forma relevante em uma possível consolidação do setor (aquisição de parte da telefonia móvel da Oi).

Transmissão Paulista PN (TRPL4)

A Transmissão Paulista continua apresentando fortes resultados mesmo diante de uma atividade econômica local enfraquecida, com margem EBITDA acima de 60%. Olhando para frente, a empresa apresenta boas perspectivas de longo prazo, principalmente após os cinco lotes arrematados no último leilão de 2017 e dois lotes no leilão de 2019. Tais lotes devem proporcionar sinergias com operações existentes, principalmente, em São Paulo e Paraná.

Vale ressaltar também o baixo risco regulatório da empresa, que possui contratos longos. A empresa historicamente reporta geração de caixa constante e robusta, com margens bastante elevadas. Adicionalmente, a empesa conta com uma situação financeira saudável, além do alto rendimento de proventos que a empresa apresenta deixa nos confortável com o caso de investimento.

Seguimos com visão otimista para o setor e avaliamos que uma boa alternativa para ativos atrelados a inflação.

Vale ON (VALE3)

Temos uma visão construtiva para a Vale. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento. Além disso, os preços de minério continuam em patamares elevados (fruto da menor oferta no mercado), enquanto a empresa negocia a múltiplos descontados.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

Outro ponto importante foi o recente acordo para indenizar o estado de Minas Gerais na tragédia de Brumadinho em 2019, no valor de R$ 37 bilhões, com parcelas previstas para os próximos anos, suavizando o impacto no caixa da companhia e permitindo manter o pagamento de dividendos em níveis elevados.

O retorno no pagamento de proventos e o acordo com o governo de Minas Gerais também trazem um viés positivo aos papéis, com a possibilidade no pagamento de um dividend yield de duplos dígitos em 2021

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.1x EV/Ebitda, contra uma média de 5.5x do setor.

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Luis Sales – CNPI
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