Carteira Recomendada de Dividendos | Novembro/2020

Em Outubro o a Carteira de Dividendos encerrou o mês com desempenho negativo, abaixo de seu índice de referência (IDIV). Na ponta positiva destaque para as ações da Itaúsa, em meio a recuperação dos bancos, com a melhora dos resultados do 3T20 e expectativa de redução nas provisões. Por outro lado, a Minerva novamente teve o pior desempenho do mês, influenciada por notícias envolvendo questões ambientais e uma possível redução da importação de carnes por parte da China.

No mês, a Carteira de Dividendos apresentou desvalorização de 3,1%, enquanto o IDIV teve valorização de 0,6%, representando uma diferença de cerca de 3,8%. No acumulado do ano, a carteira segue com desempenho negativo, abaxio do seu índice de referência (IDIV).

Para Novembro

Para o mês de novembro, optamos por retirar os ativos da Minerva, Itaúsa e AES Tietê, para dar entrada aos da MRV, Santander e SLC Agrícola, que na nossa visão, pode tornar a carteira mais segura em meio a alta volatilidade dos mercados, além de ter grande potencial de pagamento de dividendos.

A taxa de dividendo anual (dividend yield) estimada para a carteira para os próximos 12 meses está por volta de 4%.

As nossas premissas para a escolha de ativos seguem as mesmas. Continuamos procurando empresas: (i) sólidas e com ótima administração; (ii) geração de caixa expressiva; (iii) negócios mais resilientes e (iv) com alto poder de repasse de preços. 

Comentários e Recomendações

B3 ON (B3SA3)

A expectativa é que os números operacionais da B3 continuem com um volume mais forte neste 2020, especialmente de ações (segmento Bovespa) e futuros (segmento BM&F), diante do quadro de taxas de juros mais baixas e oportunidades dentro da renda variável. Apesar do cenário de ofertas públicas ter piorado em decorrência dos impactos do coronavírus nos mercados, esperamos ver IPOs e follow ons voltando em velocidade reduzida no segundo semestre de 2020.

Destacamos ainda o poder de diversificação da receita da B3, com fluxo bastante resiliente, com serviços completos de trading, clearing, liquidação, custódia e registro, e posicionamento dominante em derivativos, ações, câmbio, renda fixa e produtos de balcão. No longo prazo, acreditamos que a B3 continuará diversificando sua atuação no mercado brasileiro, por meio de novos produtos e serviços. Com relação a uma possível concorrência, avaliamos essa possibilidade como pequena no momento, visto que o mercado de capitais brasileiro ainda não possui capacidade para suportar a entrada de um novo player, inviabilizando qualquer tipo de investimento em uma nova bolsa ou casa de clearing que possa afetar o resultado da B3 no curto prazo.

MRV ON (MRVE3)

MRV é a maior incorporadora de baixa renda do Brasil, com ampla diversificação regional e sólido histórico de eficiência operacional. Seu modelo de negócio tem se destacado, especialmente durante períodos de crises, pela resiliência, registrando crescimento operacional robusto a cada resultado. Mesmo em meio a pandemia, a empresa registrou no terceiro trimestre do ano sua maior geração de Caixa da história, além de que, há 3 trimestres seguidos registra recorde histórico de vendas líquidas.

Com uma gestão focada em constante crescimento, nos últimos anos, a MRV também começou a mapear oportunidades em novos segmentos, majoritariamente focados em projetos de média renda e em plataformas de aluguel residencial como a Luggo e AHS, que opera na Flórida, EUA.

Seguimos com visão positiva para o setor de construção civil no segmento de baixa renda, que segue demonstrando crescimento mesmo em cenários mais adversos. A geração de caixa robusta também deve contribuir para pagamento e dividendos expressivos.

Sanepar Unit (SAPR11)

Gostamos do modelo de negócio da Sanepar e ainda vemos valor para ser destravado na empresa de saneamento. A expectativa é que a Sanepar se beneficie nesses próximos trimestres do crescimento do fluxo de caixa livre, em meio as contínuas medidas voltadas para eficiência de custos e maior volume relacionado ao tratamento de esgoto. Isto é algo que deve continuar a impulsionar os dividendos da empresa nos próximos anos.

Além disso, o risco político atual é menor, dado que a empresa realizou algumas mudanças em seu estatuto, afim de melhorar a governança corporativa, e proteger os aumentos tarifários autorizados. Os processos fornecem mais transparência aos aumentos tarifários ainda pendentes da Sanepar, reduzindo o risco de interferência na empresa. As discussões envolvendo o Projeto de Lei que reforma o setor de saneamento básico no país também deve destravar valor aos ativos da Sanepar. Entre os riscos: (i) a manutenção da estrutura tarifária; e (ii) disciplina de CAPEX.

Santander Unit (SANB11)

Com sede na Espanha, o banco Santander é o único internacional com escala no Brasil. Sua estratégia de atuação é muito forte no segmento de Varejo, mas também tem grande interação com o Atacado.

Nos últimos anos, adquiriram empresas que complementam seus negócios, como o Getnet, empresa de tecnologia especializada em soluções de pagamento eletrônico; uma joint venture nos setores de crédito consignado e de cartão de crédito consignado conhecida como Banco Olé Bonsucesso Consignado; a Conta Super, um sistema de cartões pré-pagos que permite aos usuários gerenciar suas atividades financeiras diárias totalmente on-line; entre outros.

O setor foi extremamente impactado durante a pandemia, já que as condições instauradas após a disseminação do vírus colaboraram para a criação de um cenário de crise, que consequentemente aumenta a demanda por crédito e pode incorrer no crescimento do número de inadimplentes. Tendo isto em vista, o banco adicionou ao seu balanço do 2T20 um valor significativo de despesas com provisões.

Já nos resultados do 3T20, o banco surpreendeu o mercado com seus números, e não realizou provisões adicionais, ficando com R$2,9 bilhões de despesas em PDD, queda de 55% vs. 2T20 e 28% vs. 3T19. O Santander ainda reportou um forte Lucro Líquido de R$3,9 bilhões, crescimento de 0,5% vs. 3T19 e 9,5% vs. 2T20. Negociado a 1.1x P/BV com ROE acima de 20%, avaliamos que o banco oferece potencial de alta interessante na comparação com os pares.

SLC Agrícola ON (SLCE3)

Dada a mudança de cenário global, a SLC é uma das empresas que deverá sofrer menos com as conjunturas negativas trazidas pelo coronavírus. A piora de perspectivas econômicas para países emergentes fizeram com que o dólar tivesse forte apreciação frente à essas moedas. Dada tal perspectiva, os produtos agrícolas brasileiros ficaram mais baratos no mercado internacional, o que impulsiona as exportações locais.

Ainda, o principal parceiro de negócios de commodities do Brasil, a China, já está com suas operações internas voltando à normalidade. Dessa forma, o escoamento de produtos para o país asiático deve permanecer forte nos próximos meses.

Como resultado, acreditamos que a SLC poderá vir a se sobressair quando comparado a outros ativos, por conta de suas vantagens competitivas frente às adversidades do mercado e possível beneficiamento dada a conjuntura econômica atual. Além disso, destacamos a perspectiva de elevado dividend yield para este ano.

Olhando para o médio prazo, a estratégia de venda de terras com foco no arrendamento deve elevar o ROIC da companhia, agregando maior valor aos acionistas.

Taesa UNIT (TAEE11)

A empresa permanece com boa perspectiva de crescimento, com sólida execução das novas concessões, além do atrativo dividend yield que as ações estão sendo negociadas. O baixo risco regulatório da Taesa, que possui contratos longos, com vencimento à partir de 2030, é outro ponto de destaque. A empresa historicamente reporta geração de caixa constante e robusta, com margens bastante elevadas (margem EBITDA em torno de 85% – 90%).

Adicionalmente, o histórico de disciplina de capital nos leilões e o alto rendimento de proventos (payout médio acima de 90% nos últimos 10 anos) que a empresa apresenta nos deixam confortáveis com o investimento. A empresa também tem reportado menores gastos financeiros, algo que impulsionou o lucro dos últimos períodos. Para os próximos 12 meses projeta-se um dividend yield próximo de 8%. Recentemente, também existe a possibilidade da companhia participar de eventuais aquisições do setor (as oportunidades mais evidentes no momento referem-se aos ativos operacionais da Abengoa e Isolux, assim como potenciais novos desinvestimentos da Eletrobras no segmento de transmissão). Seu nível de endividamento é relativamente baixo, algo que contribui para manter seus investimentos e realizar aquisição de outros ativos. Ainda, rumores de venda da participação da Cemig na empresa podem destravar valor para os papéis da TAEE11.

Entre os riscos, destacam-se: (i) desenvolvimento dos novos projetos, que podem ter atrasos e custos acima do esperado; e (ii) demora no processo de integração de novos ativos operacionais adquiridos.

Tim ON (TIMP3)

A companhia conseguiu manter sob controle seus gastos com custos e despesas, o que tem se traduzido em uma expressiva melhora nas margens operacionais da empresa. Além disso, a companhia tem apresentado um crescimento surpreendente da receita, focando no mix de produtos com maior valor agregado – o aumento da receita líquida do serviço móvel segue acelerado e impulsionando os números da Tim.

Em suma, a Tim tem se beneficiado do maior foco na eficiência operacional. Olhando para frente, seguimos otimistas com a companhia. Destacamos a continuação do processo de Turnaround operacional, com intuito de colocar a empresa em um novo posicionamento estratégico dentro do setor de telecom, com maior qualidade e poder de precificação.

Por fim, destacamos que a Tim pode atuar de forma relevante em uma possível consolidação do setor (aquisição de parte da telefonia móvel da Oi), além da reestruturação societária em andamento.

Vale ON (VALE3)

Temos uma visão construtiva para a Vale. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento. Além disso, os preços de minério continuam em patamares elevados (fruto da menor oferta no mercado), enquanto a empresa negocia a múltiplos descontados.

No curto prazo, os papéis da mineradora devem continuar voláteis, reflexo do fluxo de notícias negativas em torno da empresa dados os danos de imagem à companhia e provisões para pagamento de multas e indenizações. Algo que poderá aumentar o passivo de contingentes da VALE3, além de atrasar também as concessões e licenças ambientais nas operações do Brasil.

Acreditamos que, (i) a forte valorização recente do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar os riscos de governança e ambientais da companhia. Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.5x EV/Ebitda, contra uma média de 5.8x do setor.

A companhia anunciou recentemente a retomada da política de pagamento de dividendos, paralisada desde o desastre de Brumadinho.

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Luis Sales – CNPI
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