Carteira Recomendada de Ações | Top Picks | Janeiro/2021

Tempo de leitura: 15 minutos

A Carteira Top Picks encerrou o mês de Dezembro no campo positivo, porém abaixo do seu índice de referência (Ibovespa). Durante o mês, os grandes estímulos para o movimento dos mercados foram: (I) início da vacinação contra a Covid-19 em alguns países da Europa; (II) esperança em torno de um pacote de estímulos nos Estados Unidos; e (III) aproximação das festas de final de ano, que costumam movimentar os setores de shoppings e varejo. Seguimos observando uma maior confiança por parte dos investidores apostando em setores relacionados à reabertura, como o de transportes e óleo e gás, fruto da expectativa de vacinação no curto prazo e visão positivo dos investidores estrangeiros com relação a mercados emergentes.

O destaque positivo na carteira no mês foi a Petrobras, dando seguimento a tendência positiva para o setor de óleo e gás após as notícias mais positivas relacionadas às vacinas contra a Covid-19, que sugerem uma forte aproximação da retomada das atividades e logo, recuperação da demanda da commodity. A companhia já realizou uma série de reajustes no peço do petróleo e do diesel ao longo do ano, visando alcançar seus antigos patamares de lucratividade.

Para Janeiro

Para Janeiro, ainda esperamos um cenário de elevada volatilidade, devido ao aumento de casos de infecção por Covid-19 ao redor do mundo. No entanto, as notícias o início das campanhas de vacinação em diferentes países e o início dos leilões de infraestrutura no Brasil devem gerar um otimismo maior para setores relacionados à tese de reabertura, que ainda estavam pressionados.

Um grande ponto de atenção será uma possível segunda onda de contaminação por coronavírus, após as festas de final de ano, podendo levar a volta de medidas mais restritas de isolamento. Ainda, destacamos o setor de transportes que deve ser impactado nesse período de férias escolares.

Para a carteira, realizamos apenas uma troca, no sentido de buscar mais resiliência para a carteira e adaptá-la ao novo cenário. Desse modo, retiramos os ativos do Magazine Luiza para dar entrada aos da Eneva, buscando exposição em empresas resilientes, que devem estar em maior destaque no mês.

Comentários e Recomendações:

B3 ON (B3SA3)

A expectativa é que os números operacionais da B3 continuem com um volume mais forte neste 2021, especialmente de ações (segmento Bovespa) e futuros (segmento BM&F), diante do quadro de taxas de juros mais baixas e oportunidades dentro da renda variável. Esperamos ver IPOs e follow ons voltando em velocidade já no primeiro semestre de 2021.

Destacamos ainda o poder de diversificação da receita da B3, com fluxo bastante resiliente, com serviços completos de trading, clearing, liquidação, custódia e registro, e posicionamento dominante em derivativos, ações, câmbio, renda fixa e produtos de balcão. No longo prazo, acreditamos que a B3 continuará diversificando sua atuação no mercado brasileiro, por meio de novos produtos e serviços. Com relação a uma possível concorrência, avaliamos essa possibilidade como pequena no momento, visto que o mercado de capitais brasileiro ainda não possui capacidade para suportar a entrada de um novo player, inviabilizando qualquer tipo de investimento em uma nova bolsa ou casa de clearing que possa afetar o resultado da B3 no curto prazo.

Analisada através dos três pilares de ESG (Ambiental, Social e de Governança Corporativa), a B3 estabeleceu recentemente quatro pilares a serem cumpridos: (a) ser uma empresa alinhadas às melhores práticas de sustentabilidade; (b) induzir boas práticas ESG no mercado brasileira; (c) fortalecer o portfólio atual de produtos ESG; e (d) abrir e promover novas frentes de negócios de impacto. Por fim, vale destacar sua forte estrutura de governança.

Cosan ON (CSAN3)

Gostamos do perfil diversificado e integrado da Cosan, assim como a eficiência na alocação da capital do grupo.

No segmento de açúcar & etanol, o cenário é de recuperação, acompanhando principalmente a retomada de preços no setor de óleo e gás. Para o açúcar, o câmbio depreciado melhorará a rentabilidade do produto tal como a redução de oferta global, resultando em um mix mais açucareiro para a safra 20/21.

Para o ramo de distribuição de combustíveis, já passamos a observar importante retomada após a severa queda do segundo trimestre, em função das medidas de isolamento social. Somando-se a isso, a JV entre Raízen e Oxxo já iniciou suas operações e seguirá trazendo mais eficiência para suas lojas de ruas.

Ainda, a empresa poderá entrar no negócio de refino de petróleo, abrindo a oportunidade de integrar toda operação.

Quanto ao ramo de distribuição de gás, o cenário também segue positivo em termos de demanda e controle de custos. Apesar da abertura de capital da Compass não ter sido bem sucedida e a oferta pela Gaspetro ter sido recentemente desqualificada, os ganhos de escala e melhoria na eficiência da operação segue gerando frutos e acreditamos que a companhia possui um mar de oportunidades após a aprovação do novo marco regulatório.

Eneva ON (ENEV3)

O cenário atual para a Eneva é condizente com nossa avaliação positiva para o papel devido à alguns pontos: (i) a estiagem verificada em algumas partes do país deverá resultar em aumento do preço da energia, beneficiando os resultados da companhia; (ii) expectativa favorável de performance das operações de gás natural em meio a recuperação dos preços do petróleo; (iii) disputa por ativos da Petrobras; e (iv) desenvolvimento do mercado de gás, com o fortalecimento esperado nos próximos anos decorrente do novo marco. 

Dessa maneira, vemos a Eneva como um case interessante para surfar bons resultados a primeiro momento, mas também com grandes possibilidades de crescimento e ganho de eficiência ao longo dos próximos anos. Esperamos ainda que em Junho de 2021 a companhia deva iniciar novas operações, contribuindo para uma melhora no EBITDA.

Hapvida ON (HAPV3)

O setor de saúde passa por um momento de consolidação, com as companhias verticalizadas (Hapvida e Notre Dame) sendo os principais players desse movimento. A tendência positiva para o setor de saúde deve se manter para os próximos anos, em meio crescente conflito de interesse das operadoras de plano de saúde não verticalizadas. Em seus últimos resultados, a empresa mostrou um crescimento saudável, com aumento da aderência dos convênios de saúde e também dos convênios odontológicos.

Seguimos com uma visão positiva para Hapvida. A companhia segue seu processo de crescimento via aquisições e maior penetração nas regiões Sul e Sudeste do país. Acreditamos que os resultados de 2020, possam continuar com uma boa performance, em função (i) crescimento do mercado em função do envelhecimento da população; (ii) inflação médica crescendo a patamares mais elevados; (iii) controle da sinistralidade em função da verticalidade das operações; (iv) integração dos resultados da São Francisco – maior aquisição realizada pela companhia; (v) capacidade de adquirir operadores de planos de saúde com menor número de vidas, em meio a maior capilaridade das operações; e (vi) histórico de eficiência em suas aquisições, conseguindo gerar as sinergias previstas, impondo sua cultura operacional e melhorando as margens das companhias adquiridas.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

A crise do COVID-19 provocou um aumento na inadimplência dos principais bancos brasileiros principalmente com os impactos sendo mensurados em relação ao 1S20. De fato, os segmentos de pessoas físicas e micro e pequenas empresas devem gerar perdas significativas. Contudo avaliamos que o balanço dos principais bancos permanece robusto, com baixa alavancagem e grande pulverização do risco de crédito. Além disso, vemos um cenário onde a reversão de perdas do semestre passado pode ocorrer. Por fim, as medidas de injeção de liquidez por parte do Banco Central brasileiro ajudaram a garantir o bom funcionamento do sistema financeiro nesse momento de maior aversão a risco.

Seguimos com uma visão construtiva para o Itaú. Destacamos também a criação da NewCo, podendo destravar importante valor aos acionistas da companhia através de sua participação na XP.

Olhando para frente, alguns fatores que nos levam a estar positivo quanto a possível performance da holding são: (i) setor financeiro sendo negociado a patamares de preços descontados frente ao seu ROE histórico;  (ii) dividend yield elevado (4,5% projetado para 12 meses); (iii) alto volume de provisões no Itaú deverá ocorrer apenas no 1S20 com expectativa de recuperação no restante do ano e possível reversão de perda para 2021.

Lojas Renner ON (LREN3)

Os resultados de 2020 seguem bastante impactos pela pandemia do coronavírus, com atuação ainda focada no varejo físico, principalmente em shoppings, a queda na receita foi significativo. No entanto, a Lojas Renner aproveitou o período no qual teve de operar apenas com o canal digital, para acelerar suas estratégias de omnicanalidade, ampliando o número de lojas cadastradas no “ship from store”, realizando vendas por whatsapp e drive-thru. Este movimento já impactou bastante os números da companhia, que no 3T20 apresentou crescimento de 200% nas vendas digitais, com evolução do fluxo, número de clientes ativos e novos clientes.

Entre outros destaques do seu último resultado, destacamos: (i) uma queda de 17% das vendas nas mesmas lojas, ainda impactado pelas lojas fechadas no início de agosto (31% do total), item que já deve apresentar recuperação no 4T20; (ii) EBITDA reduzindo 94,9%, com Margem de 0,8%, consequência da menor alavancagem operacional, reflexo dos volumes vendidos, e da menor Margem Bruta; e (iii) 33,3 milhões de cartões emitidos, que representaram 40,8% das vendas de mercadorias, 3,5 p.p. inferior ao mesmo período do ano anterior, explicada pelo comportamento do consumidor, mais suscetível, no contexto atual, ao pagamento à vista e, também, por questões operacionais, relativas ao fechamento das lojas e à maior restrição de crédito. Acreditamos que os três itens acima devem apresentar rápidas recuperações ao longo do 4T20, impulsionados tanto pela reabertura das lojas, quanto pelos grandes eventos que estão por vir (Black Friday e Festas de final de ano).

Por fim, destacamos o fato de a companhia se enquadrar nos parâmetros ESG, através de um forte trabalho interno de engajamento com causas sustentáveis, o que a permite ter grande impacto em suas ações. Quando se trata de fornecimento, a companhia busca sempre uma relação de parceria que supera a parceria comercial, por conta disso, estas são de longo prazo, tendo duração de, em média, 20 anos. Todos os fornecedores de revenda nacionais de confecção, acessórios e calçados são certificados pela ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Téxtil), que avalia a adesão às boas práticas corporativas de responsabilidade social e meio ambiente.

Multiplan ON (MULT3)

Mantendo sua postura, a Multiplan tomou medidas bastante conservadoras ao longo da pandemia, que a ajudaram a preservar sua posição segura para enfrentar o período. Agora, a companhia já está operando com seus shoppings abertos, e seus resultados mostram que os fluxos dentro dos mesmos vêm evoluindo de maneira positiva, o que está contribuindo para uma recuperação mais rápida do que era antes esperado para a Multiplan.

Seus empreendimentos são bem localizados, e o mix de lojas em seus shoppings é bastante atrativo, o que sustenta a tese de um rápido retorno do movimento. Ainda por isso, destacamos que a Black Friday e as festas de final de ano são grandes datas para o varejo, e devem contribuir ainda mais para esse aumento dos fluxos.

O índice de inadimplência da companhia foi pouco impactado durante a pandemia de coronavírus, devido a alta qualidade de seus lojistas. A Multiplan avançou em termos de digitalização, o que a permitiu inserir as lojas de seus shoppings dentro da plataforma Multi, contribuindo para uma maior alavancagem de vendas online.

Apesar da situação conturbada para o setor, a companhia conseguiu apresentar bons resultados do 3T20, com inadimplência controlada e uma queda menor na receita.

Petrobras PN (PETR4)

No curto prazo, alguns triggers que sustentam nossa recomendação: (1) continuidade da venda de ativos onshore; (2) avanço do projeto de desinvestimento das refinarias;. A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal. No curto prazo as ações da Petrobras devem permanecer com alta volatilidade acompanhando o cenário de reabertura comercial, além da expectativa pelas vacinas, o que já tem desencadeado numa recuperação mais relevante do petróleo.

Vale destacar o Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2021 – 2025, que tem como foco: (a) redução da alavancagem financeira; (b) maiores investimentos futuros (em exploração e produção – E&P- em especial) e significativo corte de custos operacionais; e (c) foco na gestão estratégica empresarial. Assim, a empresa deve continuar a se beneficiar: (i) do processo de vendas de ativos; (ii) da melhora operacional, com ganhos de eficiência e produtividade; e (iii) da contínua desalavancagem financeira. Fatores que nos deixam mais otimistas com o rumo da estatal. Entre os riscos: (i) queda mais acentuada do preço do barril de petróleo; e (ii) paralização do processo de venda de ativos são fatores que podem pressionar o papel.

Vale ON (VALE3)

Seguimos com uma visão construtiva para a VALE. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

O anúncio de que a companhia voltará a pagar proventos devem também trazer importante remuneração aos acionistas da companhia.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 4.1x EV/Ebitda, contra uma média de 5.8x do setor.

Yduqs ON (YDUQ3)

A Yduqs segue se posicionando com uma oferta de valor premium em relação ao principal concorrente (Kroton) com foco nos cursos de medicina principalmente. Além disso, no segmento digital a companhia segue crescendo sua base de alunos. A companhia divulgou seus resultados referentes ao 3T20 recentemente, com alta de quase 20% no Ebitda e queda de 26% no Lucro Líquido, já mostrando uma grande recuperação vs. seu desempenho nos últimos trimestres do ano. A companhia contou com um aumento em sua base de alunos total, que cresceu 36% A/A, atingindo a casa dos 750 mil. O ticket médio do segmento presencial subiu 7% no A/A, enquanto do EAD caiu 4%.

A publicação de seus balanços confirmou as tendências esperadas: aumento da inadimplência, das provisões e da alavancagem. A companhia, no entanto, reforçou seu caixa recentemente e está bem capitalizada para enfrentar o momento atual, ainda, o cenário já parece adotar um rumo de recuperação contando também com maior aderência ao segmento digital.

Por fim, a Yduqs segue com perspectiva de novos M&As, sendo a ultima aquisição no início de junho, do Grupo Athenas por R$120 milhões, reforçando sua presença no Norte e Centro-Oeste. O Athenas é líder ou vice-líder nas cinco cidades onde atua e possui o objetivo de oferecer cursos de medicina do segmento premium. A região complementará a presença da YDUQS, que já opera em Manaus, Belém, Macapá, Boa Vista e Cuiabá.

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