Carteira Recomendada de Ações | Top Picks | Março/2021

Tempo de leitura: 15 minutos

A Carteira Top Picks encerrou o mês de Fevereiro no campo negativo, mas acima do seu índice de referência (Ibovespa). O mês foi marcado pela grande perda de confiança do investidor após o presidente Jair Bolsonaro anunciar substituição no comando da Petrobras e citar que a empresa deve ter um apelo social, colaborando na implementação de um cenário de maior volatilidade e incertezas, com consequente fuga de investimentos estrangeiros. No cenário internacional, as preocupações quanto a aceleração da inflação nos Estados Unidos resultaram em elevações dos yields dos treasuries, penalizando ativos de risco. O setor de tecnologia foi o mais afetado, resultando em fortes perdas na Nasdaq.

O destaque positivo da carteira no mês foi a Cosan, em meio à aceleração do preço do petróleo no mercado internacional, beneficiando também o comércio de etanol no mercado doméstico pela paridade de preços.  O destaque negativo ficou com as ações da Petrobras, com a troca no comando da companhia  em decorrência das elevações nos preços dos combustíveis realizados por Castello Branco.

Para Março

Esperamos um cenário de elevada volatilidade, não apenas devido ao aumento de casos de infecção por Covid-19 ao redor do mundo, mas também a preocupação gerada com a troca do comando na Petrobras. Ainda, a aceleração dos preços no mercado doméstico e Estados Unidos deve seguir sendo um dos principais pontos de atenção à medida que investidores passam a avaliar a possibilidade de elevação nas taxas de juros antes do que inicialmente prevista.

Acreditamos, no entanto, que o andamento das campanhas de vacinação em diferentes países possam gerar um otimismo maior para setores relacionados à tese de reabertura comercial.

Para a carteira, realizamos quatro trocas, no sentido de buscar mais resiliência para o portfólio e reajustando ao cenário favorável para commodities e negativo para comércio interno. Desse modo, retiramos os ativos de CVC, Itaú Unibanco, Lojas Renner e Petrobras para dar entrada a BTG Pactual, Locaweb, PetroRio e Weg.

Comentários e Recomendações:

B3 ON (B3SA3)

A expectativa é que os números operacionais da B3 continuem com um volume mais forte neste 2021, especialmente de ações (segmento Bovespa) e futuros (segmento BM&F), diante do quadro de taxas de juros mais baixas e oportunidades dentro da renda variável. Esperamos ver IPOs e follow ons voltando em velocidade já no primeiro semestre de 2021.

Destacamos ainda o poder de diversificação da receita da B3, com fluxo bastante resiliente, com serviços completos de trading, clearing, liquidação, custódia e registro, e posicionamento dominante em derivativos, ações, câmbio, renda fixa e produtos de balcão. No longo prazo, acreditamos que a B3 continuará diversificando sua atuação no mercado brasileiro, por meio de novos produtos e serviços. Com relação a uma possível concorrência, avaliamos essa possibilidade como pequena no momento, visto que o mercado de capitais brasileiro ainda não possui capacidade para suportar a entrada de um novo player, inviabilizando qualquer tipo de investimento em uma nova bolsa ou casa de clearing que possa afetar o resultado da B3 no curto prazo.

Analisada através dos três pilares de ESG (Ambiental, Social e de Governança Corporativa), a B3 estabeleceu recentemente quatro pilares a serem cumpridos: (a) ser uma empresa alinhadas às melhores práticas de sustentabilidade; (b) induzir boas práticas ESG no mercado brasileira; (c) fortalecer o portfólio atual de produtos ESG; e (d) abrir e promover novas frentes de negócios de impacto. Por fim, vale destacar sua forte estrutura de governança.

BTG Pactual Units (BPAC11)

O BTG Pactual segue apresentando bons resultados, mesmo em meio a um cenário de impactos econômicos do COVID-19 em 2021. O banco reforçou o seu balanço no início da crise, realizou um novo follow-on em 2021, apresentando níveis confortáveis de liquidez, com espaço para crescimento inorgânico.

No segmento de crédito, a carteira do segmento corporate mantem a boa performance, com risco de crédito reduzido e melhora nos spreads bancários. O cenário de juros em patamares mais baixos, também beneficia as outras operações do banco, com crescimento nas captações no segmento de Wealth e Asset Management, impulsionados principalmente pela nova plataforma digital do banco e pelo varejo alta renda. Aliado a isto, a expansão do banco para o segmento digital deve continuar a gerar maior alavancagem operacional, com a expansão do portfólio de produtos, atingindo setores ainda pouco explorados.

Para o 2021, ainda esperamos nível elevado nas ofertas públicas, impulsionando o resultado do segmento de Investment Banking. Ainda, o segmento de Sales & Trading deve permanecer com bons números, dada a volatilidade do mercado.

Cosan ON (CSAN3)

Gostamos do perfil diversificado e integrado da Cosan, assim como a eficiência na alocação da capital do grupo.

No segmento de açúcar & etanol, o cenário é de recuperação, acompanhando principalmente a retomada de preços no setor de óleo e gás. Para o açúcar, o câmbio depreciado melhorará a rentabilidade do produto tal como a redução de oferta global, resultando em um mix mais açucareiro para a safra 20/21.

Para o ramo de distribuição de combustíveis, já passamos a observar importante retomada após a severa queda do segundo trimestre, em função das medidas de isolamento social. Somando-se a isso, a JV entre Raízen e Oxxo já iniciou suas operações e seguirá trazendo mais eficiência para suas lojas de ruas.

Ainda, a empresa poderá entrar no negócio de refino de petróleo, abrindo a oportunidade de integrar toda operação.

Quanto ao ramo de distribuição de gás, o cenário também segue positivo em termos de demanda e controle de custos. Apesar da abertura de capital da Compass não ter sido bem sucedida e a oferta pela Gaspetro ter sido recentemente desqualificada, os ganhos de escala e melhoria na eficiência da operação segue gerando frutos e acreditamos que a companhia possui um mar de oportunidades após a aprovação do novo marco regulatório.

Eneva ON (ENEV3)

O cenário atual para a Eneva é condizente com nossa avaliação positiva para o papel devido à alguns pontos: (i) a estiagem verificada em algumas partes do país deverá resultar em aumento do preço da energia, beneficiando os resultados da companhia; (ii) expectativa favorável de performance das operações de gás natural em meio a recuperação dos preços do petróleo; (iii) disputa por ativos da Petrobras; e (iv) desenvolvimento do mercado de gás, com o fortalecimento esperado nos próximos anos decorrente do novo marco. 

Dessa maneira, vemos a Eneva como um case interessante para surfar bons resultados a primeiro momento, mas também com grandes possibilidades de crescimento e ganho de eficiência ao longo dos próximos anos. Esperamos ainda que em Junho de 2021 a companhia deva iniciar novas operações, contribuindo para uma melhora no EBITDA.

Hapvida ON (HAPV3)

O setor de saúde passa por um momento de consolidação, com as companhias verticalizadas sendo os principais players desse movimento. A tendência positiva para o setor de saúde deve se manter para os próximos anos, em meio crescente conflito de interesse das operadoras de plano de saúde não verticalizadas. Em seus últimos resultados, a empresa mostrou um crescimento saudável, com crescimento no número de vidas e no segmento odontológico.

A companhia segue em seu processo de crescimento via aquisições e maior penetração nas regiões Sul e Sudeste do país, com destaque para o último movimento de fusão com a Notre Dame Intermédica. Sobre essa fusão, destacamos a complementariedade das regiões de atuação e  de perfis de clientes, garantindo potencial para sinergias e também uma aprovação no CADE.

Os resultados devem seguir fortes em função: (i) crescimento do mercado em função do envelhecimento da população; (ii) inflação médica crescendo a patamares mais elevados; (iii) controle da sinistralidade em função da verticalidade das operações; (iv) integração dos resultados da São Francisco – maior aquisição realizada pela companhia; (v) capacidade de adquirir operadores de planos de saúde com menor número de vidas, em meio a maior capilaridade das operações; e (vi) histórico de eficiência em suas aquisições, conseguindo gerar as sinergias previstas, impondo sua cultura operacional e melhorando as margens das companhias adquiridas.

Klabin Unit (KLBN11)

No cenário atual a empresa tem se beneficiado em todos os seus segmentos: embalagem para alimentos e bebidas, tissue (papel higiênico e lenços de papel), e caixas de papelão para transporte dos produtos no e-commerce. Os volumes crescentes nas vendas, tanto de papel quanto de celulose demonstram este cenário positivo, aliado aos recentes reajustes da celulose no mercado internacional.

Gostamos do modelo de negócio da companhia, que é integrado, flexível e diversificado, gerando uma grande vantagem competitiva. Além disso, cerca de 50% das vendas da companhia são voltadas ao mercado externo, enquanto apenas 7% de seus custos são em dólar, gerando ganhos significativos no cenário atual (dólar em patamar elevado).

Por fim, a Klabin adquiriu recentemente o negócio de papéis para embalagens e papelão ondulado da International Paper, o que reforça o compromisso da cia com o setor de embalagens e também com a geração de valor para seus acionistas. O  outro foco para o ano de 2021 é o projeto Puma II, que tornará a Klabin a terceira maior vendedora de Kraftliner no mundo.

Locaweb ON (LWSA3)

A companhia de serviços de tecnologia e hospedagem de sites, realizou sua oferta pública inicial de ações no início de 2020 e desde então seus ativos multiplicaram de valor algumas vezes.

Por fazer parte do setor de tecnologia, a companhia possui vantagem competitiva entre as demais na crise atual, devido ao distanciamento. A afirmação é válida também para comerciantes, que tiveram de migrar suas operações para o meio digital.

Após realizar diversas aquisições com os recursos levantados em sua oferta inicial de ações, a companhia voltou a se capitalizar em 2021, arrecadando R$2,75 bilhões. Dessa maneira, devemos esperar que o pipeline de aquisições não se reduza no decorrer do ano.

Devemos esperar que a Locaweb siga complementando seu portfólio de produtos e serviços, elevando as oportunidades de cross selling e ampliando sua penetração em diferentes segmentos digitais, com destaque principalmente para o e-commerce, mas não descartamos entrada em novos segmentos. A companhia de marketing digital e CRMs, RD Station, pode ser o próximo alvo relevante da Locaweb, o que aumentaria consideravelmente seu mercado endereçável (autuando em uma nova frente) e fortalecendo a sua estratégia de modelos de negócio recorrentes.

PetroRio ON (PRIO3)

Após quedas expressivas no preço do petróleo em 2020, o mercado já observa uma sólida recuperação ao longo deste ano. Acreditamos que a PetroRio é um dos nomes que devem se beneficiar desta ampla recuperação.

Ressaltamos, como destaques relacionados à companhia, a recente aquisição de 80% do campo de Tubarão Martelo, que registrou alto volume de produção. No 3T20, a PetroRio registrou uma melhora do seu lifting cost pela sétima vez, sendo menor em 44% vs. 3T19 e em 6% vs. 2T20; aumentou a produção no campo de Polvo, sem que seus custos aumentassem nas mesmas proporções; e ainda registrou um avanço com relação a aquisição dos 30% restantes do campo Frade, que deve impulsionar ainda mais a produção da empresa.

O follow on realizado recentemente, levantando pouco mais de R$2 bilhões, permite que a empresa utilize a totalidade dos recursos para antecipar seu cronograma de investimentos orgânicos (campanhas de desenvolvimento dos Campos de Frade, Wahoo, Polvo e Tubarão Martelo), bem como suporte para novas aquisições de ativos da Petrobras.

Baseamos nossa tese no aumento da produção, com a incorporação de novos campos e na eficiência de custos que a empresa vem construindo.

Vale ON (VALE3)

Temos uma visão construtiva para a Vale. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento. Além disso, os preços de minério continuam em patamares elevados (fruto da menor oferta no mercado), enquanto a empresa negocia a múltiplos descontados.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

Outro ponto importante foi o recente acordo para indenizar o estado de Minas Gerais na tragédia de Brumadinho em 2019, no valor de R$ 37 bilhões, com parcelas previstas para os próximos anos, suavizando o impacto no caixa da companhia e permitindo manter o pagamento de dividendos em níveis elevados.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.5x EV/Ebitda, contra uma média de 5.0x do setor.

Weg ON (WEGE3)

Sustentamos nossa recomendação em Weg, que possui como principais destaques: (i) a expansão contínua no cenário externo, através de acordos locais ou M&A; (ii) ganho contínuo de market share; (iii) retomada da economia brasileira; (iv) posicionamento de liderança como fornecedor no segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia).

A empresa tem mostrado boa performance dentro do setor industrial nos últimos anos. Sua receita tem sido beneficiada pela depreciação do real, que segue crescendo como reflexo do cenário externo frente ao coronavírus, pela recuperação da demanda industrial e pelo crescimento do mercado. Além disso, a companhia veem se beneficiando de uma expansão na sua margem Ebitda, em função dos ganhos de eficiência em função da adoção de práticas da Indústria 4.0. A companhia não reduziu seu ritmo de investimentos durante a recente crise, gerando nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos players locais.

A empresa tem um mix de produtos diversificado, e vem ganhando bastante reconhecimento da marca e possui um grande potencial no segmento de GTD. Além disso a companhia ainda vê potencial nos segmentos de petróleo e gás, mineração, saneamento.

Quando se trata de inovação e sustentabilidade, a Weg se destaca por seu modelo de negócio, que cresce através de soluções de fontes renováveis de energia, práticas de eficiência energética e produtos e soluções com menor impacto ambiental, como a linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica que a cia desenvolve. A empresa também é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica.

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