Carteira BDRs | Dezembro/2020

Tempo de leitura: 12 minutos

No dia 22 de Outubro, grandes empresas internacionais de capital aberto tornaram-se mais acessíveis ao mercado. Até então, apenas investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão investido, poderiam investir em BDRs, mas devido a publicação de uma nova norma da CVM e nova deliberação da B3 esta restrição foi derrubada, permitindo o acesso de qualquer investidor da bolsa ao produto.

Brazilian Depositary Receipts são certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil que representam valores mobiliários de emissão de companhias abertas com sede no exterior. Através de certificados emitidos por instituições depositárias brasileiras, surgem os recibos de ação, que estão atrelados às ações originais sob custódia no país de origem e podem ser comercializados na bolsa brasileira (B3).

Isto permite com que o investidor adicione as principais empresas do mundo ao seu portfólio, sem precisar abrir conta fora do país. No entanto, ao realizar  este investimento, ele não fica apenas exposto ao papel comprado, mas também a variação cambial entre a moeda onde a empresa é listada e o real.

Com relação ao cenário, o mês de novembro foi positivo para os mercados, após a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas e as notícias otimistas quanto a chegada de uma vacina eficaz contra a Covid-19. o grande destaque de alta da carteira foi a Tesla, seguindo a tendência positiva dos setores relacionados à tese de reabertura.

Para Dezembro

Para compor nossa nova carteira, optamos por ativos de grande resiliência, que consigam performar de forma positiva, mesmo diante de um cenário conturbado e adverso.

Assim, para o mês de Dezembro, optamos por retirar os ativods da Alibaba (BABA34), Apple (AAPL34), Berkshire (BERK34) e Netflix (NFLX34) para dar entrada as do Booking (BKNG34), Exxon Mobil (EXXO34), JP Morgan (JPMC34) e Mercado Libre (MELI34), visando capturar maiores ganhos.

Comentários e Recomendações

Booking (BKNG34)

O Booking é a empresa líder em viagens online, atuando em cerca de 220 países ao redor do mundo. A companhia possui 6 marcas: Booking.com, KAYAK, priceline, agoda.comm Rentacars.com e OpenTable. A companhia apresentou crescimento robusto desde 2014, com a receita crescendo 14,7% em média ao ano, em linha com o crescimento do resultado operacional (EBITDA). Contudo, em função das recentes medidas de redução da mobilidade social adotadas por diversos países, a receita da companhia acabou sendo bastante impactada este ano. Ainda assim,  uma queda de quase 50% na receita no 3T20 na comparação anual, a companhia ainda apresentou lucro no período, demonstrando sua elevada alavancagem operacional e diferencial competitivo no mercado. Com a recuperação da economia e perspectiva de reabertura comercial, esperamos que esses dois pontos devam trazer retorno interessantes para a companhia, voltando a apresentar crescimento em sua receita para 2021 em diante.

Disney (DISB34)

A Disney foi uma companhia extremamente impactada durante os últimos meses. Isto porque a maior parte de sua receita vem dos seus parques temáticos e hotéis (37%), que ficaram fechados durante um longo período do ano. Ainda, a companhia deixou de ganhar com lançamentos de novos filmes nos cinemas, parte de estúdio e entretenimento que equivale a 15% da receita. A empresa teve de enfrentar a pandemia através de suas outras fontes de recursos que são a de TV por assinatura (35%) e venda de produtos com a marca Disney (15%).

No entanto, a companhia vem apostando grande fichas no seu recente lançamento, o Disney+, que consiste em uma plataforma de streaming com mensalidade de US$7, vs. a de US$13 do Netflix. Do público alvo endereçável nos EUA, 30% já é assinante da plataforma com apenas um ano do seu lançamento no mercado.

Vale dizer ainda, que a empresa detém a ESPN e a Hulu, que conta com 37% do seu mercado alvo já sendo assinante.

Reiteramos os riscos para uma segunda onda de infecções por Covid-19, que novamente pode prejudicar as receitas com parques, hotéis e novos conteúdos de entretenimento, mas deve impulsionar as assinaturas do Disney+, que também será lançado em novas regiões nos próximos meses.

Exxon Mobil (EXXO34)

A Exxon-Mobil é uma das principais produtoras de petróleo, gás natural e derivados químicos do mundo. Sua atuação consiste tanto em produção nos EUA mas também com operações na Asia, Africa e Canadá, diversificando seu portfolio de atuação.  A companhia atua tanto nas operações upstream (extração de petróleo e gás natural) quanto downstream (refino), garantido uma maior eficiência e melhores margens na operação.

A companhia é historicamente uma boa pagadora de dividendos, e esperamos que coma  recuperação dos preços do petróleo, a companhia possa a voltar com pagamentos mais agressivos. Não descartamos dividendos ao redor de 8% nos níveis atuais de preço. Semelhante a Petrobras, a companhia segue reduzindo seu CAPEX de investimento para o próximos anos, focando em ativos com um retorno mais condizente com os preços do petróleo ao redor de US$ 40/bbl.

Google (GOGL34)

A Google detém surpreendentes 86% de participação no mercado global de meios de pesquisa, além de ter uma forte influencia no segmento de compartilhamento de vídeos através do Youtube.

Destacada por sua vasta base de dados, a Google consegue mapear os diferentes usuários de seus serviços e então converter suas informações e preferências em anúncios eficientes que sejam interessantes a cada perfil específico. Estes “Ads” representam cerca de 85% de seu faturamento.

Existe também uma parcela extremamente significativa dos aparelhos de celular que operam através da instalação do Android, seu sistema operacional.

Por fim, a companhia também atua com o Google Play, Google Cloud e Moonshots, investimentos em projetos que estão em estágio inicial.

Johnson & Johnson (JNJB34)

A companhia atua em três grandes frentes: (I) Consumidor, com produtos direcionados a higiene bucal, cuidado com a pele etc.; (II) Farmacêutico, voltado para áreas terapêuticas; e (III) Médico, com produtos voltados para o uso dos próprios médicos no campo ortopédico, cirúrgico, cardiovascular, diabetes e visão.

A empresa é bastante sólida e resiliente e considerada um investimento mais seguro para compor a carteira.

Ressaltamos o fato de a companhia estar no processo de desenvolvimento de uma vacina para o Covid-19, o que pode gerar um grande otimismo no mercado nos próximos meses.

Seu último resultado operacional veio forte, impulsionado pela performance do segmento instrumentos médicos, que  mostrou grande recuperação. Ainda, contou com o crescimento na área de cuidados pessoais do consumidor e contínua expansão de medicamentos.

O grupo ainda revisou suas projeções de ganhos para o ano e aumentou em US$ 1 bilhão a previsão de receita, passando a ser de US$ 82 bilhões para 2020. A projeção para o lucro por ação foi aumentada em US$ 0,15, podendo ficar entre US$ 7,90 e US% 8,05.

J.P. Morgan (JPMC34)

O JP Morgan & Chase Co possui suas origens de 1779 e após uma série de fusões e aquisições ao longo dos anos – com destaque para a fusão com o Manhattan Chase em 2000 –  é atualmente o maior banco dos Estados Unidos. Com atuação diversificada tanto na oferta de crédito Consumer Banking (crédito residencial e para automóveis) e Commercial Banking (empresas) quanto também na atuação robusta nas áreas de Investment Banking e Asset Management, garantem uma diversificação importante para o banco em termos de receita.

Com relação ao cenário atual, os números do 3T20 demonstram uma recuperação importante para o banco e o setor nos EUA. Com recuperação em todas as áreas de negócio e uma redução importante das parcelas em atraso dos clientes na área de crédito, permitiram que o ROE retomasse  patamares históricos (15%).

A retomada da economia americana em 2021, e a perspectiva de liberação para o pagamento de dividendos e recompra de ações por parte do FED podem contribuir para a valorização do ativo no médio prazo.

Mercado Libre (MELI34)

A companhia argentina segue apresentando crescimento nos principais mercados em que atua – Argentina, Brasil e Mexico – mesmo com a desvalorização expressiva das moedas desses países no último ano, fruto principalmente da sua eficiência operacional nas entregas (maioria das entregas em 1 dia), forte atuação na frente financeira com o Mercado Pago, relacionamento de longo prazo com os sellers e momento favorável para o crescimento no e-commerce.

A companhia segue investindo fortemente em logística, com a aquisição recente de 5 aeronaves para a realização de entregas. Podemos esperar ainda uma participação do MercadoLivre na competição pelos ativos dos Correios.

Nike (NIKE34)

A mais reconhecida varejista de artigos esportivos do mundo atualmente conta com uma forte inovação em iniciativas digitais para ampliar seu escopo de penetração em diferentes mercados ao mesmo tempo em que utiliza de seu know-how para seguir buscando o fortalecimento de marca. As projeções de forte performance no longo prazo se dão através da sua capacidade em criação e investimentos de novos produtos, cadeia de suprimentos e logística, e diferenciação via penetração de seu e-commerce.

Além disso, a Nike vem buscando reduzir sua dependência de mercados específicos para produção de seus produtos, principalmente da China, visando menor impacto no longo prazo com a ampliação das tensões entre Estados Unidos e o país asiático. Dessa maneira, temos observado a varejista migrando parcialmente sua produção para o Vietnam. Atualmente, quase metade de sua produção já foi migrada. Por fim, vemos a companhia também extremamente bem posicionada em termos de reconhecimento de marca. Acreditamos que há grande dificuldade para que concorrentes consigam ameaçar o posicionamento atual da Nike para com seus clientes. Por mais que já tenha passado por crises

Nvidia (NVDC34)

O setor de tecnologia vem crescendo de forma exponencial ao longo dos últimos anos. A Nvidia faz parte deste, projetando unidades de processamentos gráficos para jogos e profissionais, além do sistema em unidades de chip para o mercado de computação móvel e autônomo.

A companhia criou a placa GPU em 1999, o que possibilitou o crescimento do mercado de jogos e redefiniu os gráficos modernos de computador. Esta mesma placa agora pode ainda vir a ser utilizadas em robôs e até carros autônomos, uma grande tendência para o futuro.

O mercado de jogos disparou durante a pandemia, já que muitas pessoas ficaram meses isoladas e portanto tiveram de optar por formas de lazer praticáveis dentro de suas casas. A alta no consumo de jogos eletrônicos deve chegar a 10%, comparada ao ano de 2019.

Tesla (TSLA34)

A companhia automotiva e  de armazenamento de energia trabalha com uma tendência do futuro, produzindo e vendendo automóveis elétricos que possuem bom desempenho, componentes para motores e transmissões para carros elétricos e produtos à base de baterias.

Muito focada em  inovação, a Tesla busca produzir produtos resistentes, que possam ser constantemente atualizados.

A empresa publicou recentemente seus números referentes ao 3T20, que surpreenderam o mercado de forma positiva. No release, a empresa anunciou um investimento de cerca de US$4 bilhões até 2022 impulsionar o crescimento da empresa e se manter na posição de liderança no setor de carros elétricos.

Destacamos as vantagens competitivas da companhia: (i) produto altamente inovador, com capacidade de superar os atuais veículos a combustão; (ii) menor desvalorização dos seus veículos em relação a concorrência, em função das constantes atualizações de software nos veículos mais antigos, mantendo os veículos atualizados, mesmo de versões anteriores; (iii) margens elevadas mesmo com a quantidade de veículos produzidos ainda bem abaixo das outras montadoras; (iv) status premium da marca pode continuar alavancar as vendas nos próximos trimestres, semelhante ao efeito da Apple no mercado de smartphones.

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