Carteira BDRs | Maio/2021

Tempo de leitura: 12 minutos

A Carteira de BDRs encerrou o mês de Abril em baixa, abaixo de seu índice de referência. Em abril, investidores deram sequência ao processo de valorização dos ativos ligados ao mercado de renda variável americano. Ao longo do mês a combinação de um fluxo de notícias positivo relacionado à política fiscal – apresentação de novos pacotes de gastos – e à campanha de vacinação reforçaram, junto com dados robustos de atividade, o otimismo com o processo de recuperação econômica.

O leve fechamento dos juros futuros ao longo do mês em decorrência de uma demanda aquecida por títulos públicos e uma comunicação extremamente dovish por parte do Fed também auxilio no processo de valorização dos ativos.

O destaque positivo da carteira no mês foram os BDRs da Johnson & Johnson e os do JP Morgan.

Para Maio

Para maio, esperamos que os mercados americanos apresentem, novamente, uma tendência positiva. Ocorrerá a divulgação de diversos dados de atividade – principalmente no que diz respeito ao mercado de trabalho – promissores que, junto da manutenção da postura extremamente dovish do Fed, devem continuar confirmando o boom econômico atualmente em curso, contribuindo para a manutenção do elevado nível de confiança dos agentes americanos.

Para a carteira, retiramos os ativos da Johnson & Johnson, JP Morgan e Mercado Libre para a entrada dos ativos da Amazon, Tesla e Visa. Vemos os nomes bem posicionados para performarem acima do índice ao longo dos próximos meses após vislumbrar seus resultados no primeiro trimestre de 2021.

Comentários e Recomendações

Amazon (AMZO34)

A Amazon segue evoluindo na sua proposta de produtos e serviços, atuando na sua operação de tradicional e sendo maior e-commerce dos EUA, mas também ampliando o leque de soluções através de aparelhos eletrônicos como Alexa, Echo e FireTV, serviços de entrega e logística, plataforma na núvem (AWS) e por fim o segmento de entretenimento com Amazon Prime, Audible, Twitch, dentre outros.

A companhia tem em seu core o foco em preços baixos e satisfação constante ao cliente, cultura que norteado a companhia desde os seus primórdios. Destacamos também a visão e cultura implementada pelo seu fundador e principal acionista Jeff Bezos como importante alavanca de crescimento e diferencial competitivo em comparação com as outras Big Techs.

A Amazon segue como uma das mais diversificadas Big Techs americanas e com diversas vias de crescimento pela frente, principalmente nos segmentos AWS e de entretenimento. Avaliamos que a companhia deve continuar a expandir seus investimentos nessas duas frentes, ampliando o seu diferencial competitivo.

Booking (BKNG34)

O Booking é a empresa líder em viagens online, atuando em cerca de 220 países ao redor do mundo. A companhia possui 6 marcas: Booking.com, KAYAK, priceline, agoda.comm Rentacars.com e OpenTable. A companhia apresentou crescimento robusto desde 2014, com a receita crescendo 14,7% em média ao ano, em linha com o crescimento do resultado operacional (EBITDA). Contudo, em função das recentes medidas de redução da mobilidade social adotadas por diversos países, a receita da companhia acabou sendo bastante impactada este ano. Ainda assim,  uma queda de quase 50% na receita no 3T20 na comparação anual, a companhia ainda apresentou lucro no período, demonstrando sua elevada alavancagem operacional e diferencial competitivo no mercado. Com a recuperação da economia e perspectiva de reabertura comercial, esperamos que esses dois pontos devam trazer retorno interessantes para a companhia, voltando a apresentar crescimento em sua receita para 2021 em diante.

Boeing (BOEI34)

A Boeing é líder em tecnologia de aviação, aeroespacial e de defesa, apoiando companhias aéreas e clientes dos EUA e de mais 150 países. A tecnologia, produtos e serviços personalizados da Boeing incluem aeronaves comerciais e militares, satélites, sistemas de defesa, sistemas de lançamento, sistemas de informação, comunicação e logística.

Embora COVID-19 tem causado impactos sem precedentes a indústria de aviação e especialmente a Boeing, avaliamos que o cenário deve melhorar nos próximos meses, especialmente com o avanço expressivo da vacinação nos EUA, principal mercado consumidor da Boeing.

Outro ponto de destaque o aumento dos gastos e investimentos do governo americano devem impulsionar os resultados na divisão de Segurança & Defesa da cia.

Por fim, destacamos que a Boeing segue progredindo em direção ao retorno seguro das operações do 737 MAX, um dos principais aviões da companhia e grande aposta em termos de resultados para o futuro.

Caterpillar (CATP34)

A Caterpillar apresentou receitas na casa de US$ 47 bilhões no ano de 2020, sendo líder no segmento de produção de máquinas para construção civil, mineração, motores a diesel e gás natural, turbinas e locomotivas.

A companhia possui mais de 20 marcas para complementar o seu portfolio de produtos. Outro ponto de destaque é a atuação global e forte reconhecimento da marca em relação aos seus mercados.

Destacamos que a capacidade de alavancagem operacional deve ser o grande impulsionador dos resultados da companhia nos próximos trimestres, capturando em meio ao avanço dos estímulos nas principais economias, com destaque para o plano de estímulos em infraestrutura de Joe Biden e também na China.

Os números do 2020 já demonstram o inicio desse bom desempenho que esperamos da companhia: pagamentos de dividendos e recompra de ações na casa de US$ 3,4 bilhões.

Disney (DISB34)

A Disney foi uma companhia extremamente impactada durante os últimos meses. Isto porque a maior parte de sua receita vem dos seus parques temáticos e hotéis (37%), que ficaram fechados durante um longo período do ano. Ainda, a companhia deixou de ganhar com lançamentos de novos filmes nos cinemas, parte de estúdio e entretenimento que equivale a 15% da receita. A empresa teve de enfrentar a pandemia através de suas outras fontes de recursos que são a de TV por assinatura (35%) e venda de produtos com a marca Disney (15%).

No entanto, a companhia vem apostando grande fichas no seu recente lançamento, o Disney+, que consiste em uma plataforma de streaming com mensalidade de US$7, vs. a de US$13 do Netflix. Do público alvo endereçável nos EUA, 30% já é assinante da plataforma com apenas um ano do seu lançamento no mercado.

Vale dizer ainda, que a empresa detém a ESPN e a Hulu, que conta com 37% do seu mercado alvo já sendo assinante.

Reiteramos os riscos para uma segunda onda de infecções por Covid-19, que novamente pode prejudicar as receitas com parques, hotéis e novos conteúdos de entretenimento, mas deve impulsionar as assinaturas do Disney+, que também será lançado em novas regiões nos próximos meses.

Exxon Mobil (EXXO34)

A Exxon-Mobil é uma das principais produtoras de petróleo, gás natural e derivados químicos do mundo. Sua atuação consiste tanto em produção nos EUA mas também com operações na Asia, Africa e Canadá, diversificando seu portfolio de atuação.  A companhia atua tanto nas operações upstream (extração de petróleo e gás natural) quanto downstream (refino), garantido uma maior eficiência e melhores margens na operação.

A companhia é historicamente uma boa pagadora de dividendos, e esperamos que coma  recuperação dos preços do petróleo, a companhia possa a voltar com pagamentos mais agressivos. Não descartamos dividendos ao redor de 8% nos níveis atuais de preço. Semelhante a Petrobras, a companhia segue reduzindo seu CAPEX de investimento para o próximos anos, focando em ativos com um retorno mais condizente com os preços do petróleo ao redor de US$ 40/bbl.

Rio Tinto (RIOT34)

A Rio Tinto é uma das principais companhia no segmento de mineração do mundo, com atuação na extração de minério de ferro, cobre e diamantes , além da produção de alumínio.

O grande destaque da companhia segue com a operação de minério de ferro, com produção estimada em 320 milhões de toneladas. As suas minas estão localizadas principalmente na Austrália, o que garante a companhia um fácil acesso aos mercados asiáticos, principalmente da China, principal importador da comodity.

As números da companhia seguem bastante robustos, com margem EBITDA acima de 65%, posição de caixa confortável e expectativa de pagamento de dividendos robusta.

Ainda, esperamos que o mercado de minério de ferro siga aquecido pelos próximos meses, em função da forte demanda global e poucas perspectivas de aumenta na oferta (inexistência de grandes projetos para o curto prazo).

Tesla (TSLA34)

A companhia automotiva e  de armazenamento de energia trabalha com uma tendência do futuro, produzindo e vendendo automóveis elétricos que possuem bom desempenho, componentes para motores e transmissões para carros elétricos e produtos à base de baterias.

Muito focada em  inovação, a Tesla busca produzir produtos resistentes, que possam ser constantemente atualizados.

A empresa publicou recentemente seus números referentes ao 1T21, mostrando continuidade no avanço das entregas de veículos.

Destacamos as vantagens competitivas da companhia: (i) produto altamente inovador, com capacidade de superar os atuais veículos a combustão; (ii) menor desvalorização dos seus veículos em relação a concorrência, em função das constantes atualizações de software nos veículos mais antigos, mantendo os veículos atualizados, mesmo de versões anteriores; (iii) margens elevadas mesmo com a quantidade de veículos produzidos ainda bem abaixo das outras montadoras; (iv) status premium da marca pode continuar alavancar as vendas nos próximos trimestres, semelhante ao efeito da Apple no mercado de smartphones.

Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC34)

A Taiwan Semiconductor Manufacturing é a maior companhia de Taiwan, além de ser a maior companhia produtora de semicondutores do mundo. O mercado de semicondutores segue crescendo a um ritmo acelerado, com destaque para: smartphones, computadores de alto desempenho, veículos, Internet of Things (IoT), dentre outros segmentos.

A empresa é pioneira nesse mercado e possui um histórico financeiro bem robusto de desempenho: (i) crescimento de receita média (CAGR) de 17,2% e do lucro de 16,7% desde 1994; (ii) perspectiva de crescimento de receita entre 10% a 15% para os próximos 5 anos; (iii) manutenção do ROE acima de 20% e da margem operacional acima de 39%.

Em suma, a companhia apresenta números sólidos, boas perspectivas de crescimento em um mercado em rápida expansão e posicionamento de liderança consolidado.

Visa (VISA34)

A Visa atua na solução de tecnologias para pagamentos digitais e é uma das maiores empresas de pagamento do mundo, sendo uma das principais dos EUA, junto com a Mastercard.

A companhia possui uma exposição a todo ecossistema financeiro global, mas principalmente nas economias desenvolvidas (EUA e Europa) onde se tem maior penetração e uso das suas tecnologias. A companhia está baseada em quatro pilares: Segurança, Tecnologia, Reconhecimento de Marca e Equipe que suportam a operação central.

A Visa segue ainda desenvolvendo outras vias de crescimento além do seu core business, como gerar a capacidade de movimentação de recursos de forma mais livre ao redor do mundo para os clientes e agregar serviços de segurança, soluções aos consumidores dados, analises e consultorias utilizando a base proprietária de informações financeira (data lake).

Com isso, avaliamos que a companhia segue em posição destacada para aproveitar a recuperação da demanda global em meio a recuperação das principais economias globais. Outro ponto de destaque a retomada das viagens deve impulsionar a utilização dos cartões, aumentando o volume transacionado pela Visa.

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