Carteira BDRs | Junho/2021

Tempo de leitura: 14 minutos

A Carteira de BDRs encerrou o mês de Maio em baixa, ficando aquém de seu índice de referência. Em maio, ativos de risco americanos experimentaram mais um mês em terreno positivo. Ao longo do período, investidores continuaram ponderando os benefícios do crescimento econômico com os riscos de política monetária trazidos pela aceleração da inflação ao consumidor.

Por um lado, diversos dados de atividade apontaram para uma continuidade no processo de recuperação, embora a passos mais brandos do que esperado pelo mercado. Da indústria ao varejo e aos serviços, passando pelo mercado de trabalho, índices causaram ligeiras decepções, contribuindo para a expectativa de manutenção dos atuais estímulos fiscais e monetários.

Por outro, dados de inflação mais salgados contribuíram, em um primeiro momento, para fortalecer as preocupações com a reflação. Não obstante, na medida em que a inflação foi, de modo geral, puxada por itens relacionados à reabertura da economia em um ambiente de restrição de oferta, evidenciou o caráter transitório da dinâmica atual dos preços, dado sustento aos comentários proferidos, diversas vezes, por membros votantes do FOMC, Comitê de Política Monetária do Federal Reserve, ao longo do mês.

O destaque positivo da carteira foi a Boeing.

Para Junho

As perspectivas para o mês de junho devem ser entendidas à luz deste comentário. Dada a robusta e veloz trajetória de recuperação da economia americana, e levando em conta esta sinalização, compreendemos que a autoridade monetária começará a preparar – ainda que de forma extremamente gradual, cautelosa e condicional – o terreno para a redução no ritmo de compra de ativos; algo que deve ocorrer, efetivamente, somente no início do ano que vem. O próprio teor desta decisão, assim como as incertezas em torno da função de reação do Federal Reserve e dos dados de inflação, deve conferir aos mercados novos pingos de incerteza na relação inflação x política monetária durante o mês, ajudando a retirar fôlego dos índices.

De qualquer maneira, é importante notar que a perspectiva para ativos de risco americanos segue construtiva e positiva. Como salientado outrora, a economia americana está posicionada para um verdadeiro boom econômico nos próximos anos, enquanto a provável transitoriedade da inflação não deverá forçar o BC americano a apertar política monetária de forma precoce. É justamente esta combinação de fatores que continuará contribuindo para os elevados valuations atualmente praticados nos mercados.

Para a carteira, retiramos os ativos da Caterpillar, Exxon e Taiwan Semiconductor para a entrada dos ativos da Apple, Facebook e Google. Vemos os nomes bem posicionados para performarem acima do índice ao longo dos próximos meses após vislumbrar seus resultados no primeiro trimestre de 2021.

Comentários e Recomendações

Amazon (AMZO34)

A Amazon segue evoluindo na sua proposta de produtos e serviços, atuando na sua operação de tradicional e sendo maior e-commerce dos EUA, mas também ampliando o leque de soluções através de aparelhos eletrônicos como Alexa, Echo e FireTV, serviços de entrega e logística, plataforma na núvem (AWS) e por fim o segmento de entretenimento com Amazon Prime, Audible, Twitch, dentre outros.

A companhia tem em seu core o foco em preços baixos e satisfação constante ao cliente, cultura que norteado a companhia desde os seus primórdios. Destacamos também a visão e cultura implementada pelo seu fundador e principal acionista Jeff Bezos como importante alavanca de crescimento e diferencial competitivo em comparação com as outras Big Techs.

A Amazon segue como uma das mais diversificadas Big Techs americanas e com diversas vias de crescimento pela frente, principalmente nos segmentos AWS e de entretenimento. Avaliamos que a companhia deve continuar a expandir seus investimentos nessas duas frentes, ampliando o seu diferencial competitivo.

Apple (AAPL34)

A gigante varejista do segmento de produtos eletrônicos, softwares e computadores vem surpreendendo o mercado ao longo dos anos com sua incrível capacidade de inovação de seu portfólio e ganho de mercado. Dentre os seus produtos de maior destaque, os computadores Mac e os smartphones Iphone, mas a companhia também fabrica o Ipod, Ipad, Apple Watch, Apple TV e Icloud, além de comercializar uma extensa variedade de serviços, acessórios para os seus produtos, conteúdos e aplicativos.

A Apple atualiza os softwares de seus produtos com frequência e lança todo ano um novo modelo com uma série de novas facilidades e inovações, visando tornar o dia a dia de seus consumidores cada vez mais simples. Foi o que ocorreu recentemente, quando a companhia optou por tomar a ousada medida de sustentabilidade, passando a vender o carregador do seu smartphone a parte. A Apple conta com grande fidelidade por parte de seus clientes, que, em grande parte, tentam acompanhar a maioria de seus lançamentos. Ainda, a empresa adota uma estratégia na qual a experiencia do cliente melhora à medida que adquire mais produtos Apple.

A empresa ainda anunciou a construção de um novo campus na Carolina do Norte, que terá 3 mil funcionários. O projeto foi orçado em US$ 1 bilhão, criando milhares de novos empregos em aprendizado de máquina, inteligência artificial, engenharia de software e outros campos.

Booking (BKNG34)

O Booking é a empresa líder em viagens online, atuando em cerca de 220 países ao redor do mundo. A companhia possui 6 marcas: Booking.com, KAYAK, priceline, agoda.comm Rentacars.com e OpenTable. A companhia apresentou crescimento robusto desde 2014, com a receita crescendo 14,7% em média ao ano, em linha com o crescimento do resultado operacional (EBITDA). Contudo, em função das recentes medidas de redução da mobilidade social adotadas por diversos países, a receita da companhia acabou sendo bastante impactada este ano. Ainda assim,  uma queda de quase 50% na receita no 3T20 na comparação anual, a companhia ainda apresentou lucro no período, demonstrando sua elevada alavancagem operacional e diferencial competitivo no mercado. Com a recuperação da economia e perspectiva de reabertura comercial, esperamos que esses dois pontos devam trazer retorno interessantes para a companhia, voltando a apresentar crescimento em sua receita para 2021 em diante.

Boeing (BOEI34)

A Boeing é líder em tecnologia de aviação, aeroespacial e de defesa, apoiando companhias aéreas e clientes dos EUA e de mais 150 países. A tecnologia, produtos e serviços personalizados da Boeing incluem aeronaves comerciais e militares, satélites, sistemas de defesa, sistemas de lançamento, sistemas de informação, comunicação e logística.

Embora COVID-19 tem causado impactos sem precedentes a indústria de aviação e especialmente a Boeing, avaliamos que o cenário deve melhorar nos próximos meses, especialmente com o avanço expressivo da vacinação nos EUA, principal mercado consumidor da Boeing.

Outro ponto de destaque o aumento dos gastos e investimentos do governo americano devem impulsionar os resultados na divisão de Segurança & Defesa da cia.

Por fim, destacamos que a Boeing segue progredindo em direção ao retorno seguro das operações do 737 MAX, um dos principais aviões da companhia e grande aposta em termos de resultados para o futuro.

Disney (DISB34)

A Disney foi uma companhia extremamente impactada durante os últimos meses. Isto porque a maior parte de sua receita vem dos seus parques temáticos e hotéis (37%), que ficaram fechados durante um longo período do ano. Ainda, a companhia deixou de ganhar com lançamentos de novos filmes nos cinemas, parte de estúdio e entretenimento que equivale a 15% da receita. A empresa teve de enfrentar a pandemia através de suas outras fontes de recursos que são a de TV por assinatura (35%) e venda de produtos com a marca Disney (15%).

No entanto, a companhia vem apostando grande fichas no seu recente lançamento, o Disney+, que consiste em uma plataforma de streaming com mensalidade de US$7, vs. a de US$13 do Netflix. Do público alvo endereçável nos EUA, 30% já é assinante da plataforma com apenas um ano do seu lançamento no mercado.

Vale dizer ainda, que a empresa detém a ESPN e a Hulu, que conta com 37% do seu mercado alvo já sendo assinante.

O Disney+ atingiu 103,6 milhões de assinantes, abaixo dos 109 milhões esperados pelo mercado, em um possível sinal de arrefecimento do crescimento do mercado de streaming de vídeos e filmes, possivelmente por conta da reabertura. A Disney espera alcançar 250-260 milhões de usuários até o final de 2024.

Facebook (FBOK34)

O Facebook, Inc., é um conglomerado de tecnologia americano com sede em Menlo Park, Califórnia. Atualmente é uma das empresas mais valiosas do mundo e considerada uma das Cinco Grandes empresas de tecnologia da informação dos EUA, com Google, Apple, Microsoft e Amazon. 

O conglomerado ainda é dono de outras redes sociais como Instagram, WhatsApp e Messenger.  A principal fonte de receita são os anúncios que representam por volta de 98% do montante total, sendo que mais da metade vem de fora dos EUA.

O grupo ainda superou expectativas de receita para no 1T21, impulsionada por investimentos maiores em publicidade online como consequência do isolamento social. O Facebook reportou lucro líquido de US$ 9,5 bilhões, representando um lucro por ação (LPA) de US$ 3,3, ante US$ 4,9 bilhões, quando o LPA foi de US$ 1,71, no mesmo período em 2020.

Acreditamos que o Facebook seja uma das grandes empresas de tecnologia com maior potencial de crescimento com destaque para o crescente aumento do varejo social e meios de pagamentos.

Google (GOGL34)

A Google detém surpreendentes 86% de participação no mercado global de meios de pesquisa, além de ter uma forte influencia no segmento de compartilhamento de vídeos através do Youtube.

Destacada por sua vasta base de dados, a Google consegue mapear os diferentes usuários de seus serviços e então converter suas informações e preferências em anúncios eficientes que sejam interessantes a cada perfil específico. Estes “Ads” representam cerca de 85% de seu faturamento.

Existe também uma parcela extremamente significativa dos aparelhos de celular que operam através da instalação do Android, seu sistema operacional.

Por fim, a companhia também atua com o Google Play, Google Cloud e Moonshots, investimentos em projetos que estão em estágio inicial.

A empresa reportou receita do 1T21 de US$ 55,3 bilhões, 7% acima do esperado e 34% acima do mesmo período em 2020,  o maior crescimento anual desde 2017, além de caixa um caixa com US$ 135 bilhões e ainda anunciou um programa de recompra de ações de US$ 50 bilhões.

Rio Tinto (RIOT34)

A Rio Tinto é uma das principais companhia no segmento de mineração do mundo, com atuação na extração de minério de ferro, cobre e diamantes , além da produção de alumínio.

O grande destaque da companhia segue com a operação de minério de ferro, com produção estimada em 320 milhões de toneladas. As suas minas estão localizadas principalmente na Austrália, o que garante a companhia um fácil acesso aos mercados asiáticos, principalmente da China, principal importador da comodity.

As números da companhia seguem bastante robustos, com margem EBITDA acima de 65%, posição de caixa confortável e expectativa de pagamento de dividendos robusta.

Ainda, esperamos que o mercado de minério de ferro siga aquecido pelos próximos meses, em função da forte demanda global, com destaque para o plano de infraestrutura de Biden, e poucas perspectivas de aumento na oferta (inexistência de grandes projetos para o curto prazo).

Tesla (TSLA34)

A companhia automotiva e  de armazenamento de energia trabalha com uma tendência do futuro, produzindo e vendendo automóveis elétricos que possuem bom desempenho, componentes para motores e transmissões para carros elétricos e produtos à base de baterias.

A empresa publicou recentemente seus números referentes ao 1T21, mostrando continuidade no avanço das entregas de veículos. Ela superou as estimativas de receita com crescimento de 74%, impulsionada pela entrega de 184,8 mil veículos, um aumento de 109%, com a demanda do mercado chinês compensando as interrupções na cadeia produtiva e preocupações quanto à segurança dos carros. O lucro líquido 17% acima das estimativas foi um recorde de US$ 438 milhões, sendo impulsionado pelos ganhos de capital de Bitcoin e créditos regulatórios.

Destacamos as vantagens competitivas da companhia: (i) produto altamente inovador, com capacidade de superar os atuais veículos a combustão; (ii) menor desvalorização dos seus veículos em relação a concorrência, em função das constantes atualizações de software nos veículos mais antigos, mantendo os veículos atualizados, mesmo de versões anteriores; (iii) margens elevadas mesmo com a quantidade de veículos produzidos ainda bem abaixo das outras montadoras; (iv) status premium da marca pode continuar alavancar as vendas nos próximos trimestres, semelhante ao efeito da Apple no mercado de smartphones.

Visa (VISA34)

A Visa atua na solução de tecnologias para pagamentos digitais e é uma das maiores empresas de pagamento do mundo, sendo uma das principais dos EUA, junto com a Mastercard.

A companhia possui uma exposição a todo ecossistema financeiro global, mas principalmente nas economias desenvolvidas (EUA e Europa) onde se tem maior penetração e uso das suas tecnologias. A companhia está baseada em quatro pilares: Segurança, Tecnologia, Reconhecimento de Marca e Equipe que suportam a operação central.

A Visa segue ainda desenvolvendo outras vias de crescimento além do seu core business, como gerar a capacidade de movimentação de recursos de forma mais livre ao redor do mundo para os clientes e agregar serviços de segurança, soluções aos consumidores dados, analises e consultorias utilizando a base proprietária de informações financeira (data lake).

Com isso, avaliamos que a companhia segue em posição destacada para aproveitar a recuperação da demanda global em meio a recuperação das principais economias globais. Outro ponto de destaque a retomada das viagens deve impulsionar a utilização dos cartões, aumentando o volume transacionado pela Visa.

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