Cotações por TradingView

Carteira BDRs | Maio/2022

Tempo de leitura: 14 minutos

A Carteira de BDRs encerrou o mês abaixo do seu índice de referência S&P em Reais.

O período apresentou forte realização para os ativos de risco da Bolsa americana, principalmente os de tecnologia, que são mais sensíveis ao ambiente monetário contracionista. Por outro lado, empresas tradicionais demonstraram maior resiliência e tem recebido um fluxo maior de investidores.

O destaque positivo ficou para Coca-Cola. Na ponta negativa, NVIDIA foi a maior queda.

Para Maio

O cenário internacional do mês de abril mostrou deterioração para as bolsas na medida em que o mercado absorvia a perspectiva de um aperto monetário mais intenso nas economias desenvolvidas, enquanto os dados mostravam desaceleração da atividade. O S&P em dólar cai mais de 8% no mês, dado o risk-off assumido pelos investidores que acompanham a safra de resultados que tem mostrado uma desaceleração na geração de lucro, além do rotation de crescimento para valor, que afeta importante parte do principal índice norte-americano.

Nos EUA, no final do mês anterior a Ata do FOMC parecia sinalizar que o Fed anunciará a redução do seu balanço na reunião desta semana, em conjunto com uma aceleração do ritmo de alta dos juros, para 50 bps. Essa visão foi sacramentada na expectativa do mercado quando Jerome Powell, presidente da instituição, discursou em um evento do FMI, quando ele reiterou que a possibilidade dos 50 bps será uma opção na próxima reunião, e que boa parte dos membros concordavam com isso já na última reunião do comitê.

Paralelamente, dados de atividade econômica no país começaram a mostrar sinais de desaceleração, com o grande destaque sendo o PIB do 1T, que teve variação negativa de -1,4% t/t-1 (vs. est. +1,0%). Não obstante, a temporada de balanços no país mostrou números surpreendentemente positivos. A despeito dos sinais de que a economia possa estar desacelerando, ressaltamos que nos níveis atuais ela ainda esta bastante aquecida.

No lado da inflação, tanto o CPI quanto o deflator do PCE tiveram alta no headline, porém mostrou desaceleração no núcleo, o que acende uma luz no fim do túnel, com a possibilidade de que ela esteja atingindo seu pico e em breve recue.

Na China, sinais de desaceleração da economia também preocuparam o mercado, fato que foi reforçado com o aumento do número de casos de Covid-19 no país para o maior nível desde o começo do ano. Dada a política de zero casos do governo, novos lockdowns ameaçam tanto o ritmo de atividade quanto o prolongamento dos gargalos de oferta. De qualquer forma, o anúncio de novas medidas (fiscal e monetária) para estimular a economia ajudaram a amenizar o pessimismo com as perspectivas de demanda global.

Comentários e Recomendações

Amazon (AMZO34)

A Amazon segue evoluindo na sua proposta de produtos e serviços, atuando na sua operação de tradicional e sendo maior e-commerce dos EUA, mas também ampliando o leque de soluções através de aparelhos eletrônicos como Alexa, Echo e FireTV, serviços de entrega e logística, plataforma na núvem (AWS) e por fim o segmento de entretenimento com Amazon Prime, Audible, Twitch, dentre outros.

A companhia tem em seu core o foco em preços baixos e satisfação constante ao cliente, cultura que norteado a companhia desde os seus primórdios. Destacamos também a visão e cultura implementada pelo seu fundador e principal acionista Jeff Bezos como importante alavanca de crescimento e diferencial competitivo em comparação com as outras Big Techs.

A Amazon segue como uma das mais diversificadas Big Techs americanas e com diversas vias de crescimento pela frente, principalmente nos segmentos AWS e de entretenimento. Avaliamos que a companhia deve continuar a expandir seus investimentos nessas duas frentes, ampliando o seu diferencial competitivo.

Apple (AAPL34)

A gigante varejista do segmento de produtos eletrônicos, softwares e computadores vem surpreendendo o mercado ao longo dos anos com sua incrível capacidade de inovação de seu portfólio e ganho de mercado. Dentre os seus produtos de maior destaque, os computadores Mac e os smartphones Iphone, mas a companhia também fabrica o Ipod, Ipad, Apple Watch, Apple TV e Icloud, além de comercializar uma extensa variedade de serviços, acessórios para os seus produtos, conteúdos e aplicativos.

A Apple atualiza os softwares de seus produtos com frequência e lança todo ano um novo modelo com uma série de novas facilidades e inovações, visando tornar o dia a dia de seus consumidores cada vez mais simples. Foi o que ocorreu recentemente, quando a companhia optou por tomar a ousada medida de sustentabilidade, passando a vender o carregador do seu smartphone a parte. A Apple conta com grande fidelidade por parte de seus clientes, que, em grande parte, tentam acompanhar a maioria de seus lançamentos. Ainda, a empresa adota uma estratégia na qual a experiencia do cliente melhora à medida que adquire mais produtos Apple.

A empresa ainda anunciou a construção de um novo campus na Carolina do Norte, que terá 3 mil funcionários. O projeto foi orçado em US$ 1 bilhão, criando milhares de novos empregos em aprendizado de máquina, inteligência artificial, engenharia de software e outros campos.

Coca-Cola (COCA34)

A Coca-Cola Company é uma empresa com foco em bebidas, com penetração expressiva em mais de 200 territórios. As empresa possui diversas marcas em seu portfolio com destaque para Coca-Cola, Sprite, Fanta, Powerade, Del Valle, entre outras. Além disso, recentemente está entrando no mercado de bebidas alcoólicas, com destaque para a marca Topo-Chico, o que seria mais uma linha de receita da empresa e acreditamos que tem grande potencial, visto a confiança de seus consumidores.

Em nossa visão, a força da marca, aliada a sua diversificação geográfica e novas estratégias de mercado, são os principais fatores para a recomendação de COCA34. A empresa é líder no seu setor, com receitas consolidadas e, por esses motivos, esperamos que a Coca-Cola continue captando receitas robustas e paguem dividendos expressivos para seus acionistas.

ConocoPhillips (COPH34)

ConocoPhilips é uma multinacional norte-americana e trabalha com energia como: exploração de petróleo, Gás natural, produção e transporte químico e de plástico, cuja sede fica localizada em Houston, no Texas. É a maior empresa exploradora e produtora do mundo e também consta no ranking anual da Fortune Global 500. Sua criação data de 30 de agosto de 2002, a partir da fusão entre a Conoco Inc. e a Phillips Petroleum Company. Atualmente, ela está entre as maiores exploradoras e produtoras do mundo de petróleo, estando presente no ranking da revista Fortune Global 500.

Diferenciando-se de seus pares grandes e pequenos, a ConocoPhillips estabeleceu um plano de 10 anos para investimentos contidos, crescimento estável, retornos melhores e, mais importante, retorno de caixa aos acionistas. Seu portfólio de baixo custo oferece opções de investimento de alto retorno para crescer em um ambiente de preços crescentes, enquanto sua forte posição financeira mantém o dividendo seguro em um ciclo de baixa.

As operações da empresa são geograficamente separadas em seis divisões: Alaska (14,5% das receitas), Lower 48 (44,5%), Canadá (9%), Europa (18%), Ásia Pacifico e Oriente Médio (14%).

A crise do Covid-19 trouxe alguns prejuízos para as empresas de petróleo, dado que houve uma queda bastante considerável na demanda por diesel e gasolina.

Tendo adquirido recentemente a Concho Resources, a ConocoPhillips está se preparando para a próxima fase de crescimento. A aquisição expandiu substancialmente a base de ativos de produção de baixo custo da petrolífera, o que pode ajudar muito a empresa a superar anos voláteis. Enquanto a gigante do petróleo se concentra no pagamento de dívidas, a Concho e a redução dos gastos de capital agora que a aquisição está para trás devem ajudar a impulsionar seus fluxos de caixa. Acreditamos que à medida que esses fluxos aumentam, o retorno para os acionistas também deve crescer.

Disney (DISB34)

A Disney foi uma companhia extremamente impactada durante os últimos meses. Isto porque a maior parte de sua receita vem dos seus parques temáticos e hotéis (37%), que ficaram fechados durante um longo período do ano. Ainda, a companhia deixou de ganhar com lançamentos de novos filmes nos cinemas, parte de estúdio e entretenimento que equivale a 15% da receita. A empresa teve de enfrentar a pandemia através de suas outras fontes de recursos que são a de TV por assinatura (35%) e venda de produtos com a marca Disney (15%).

No entanto, a companhia vem apostando grande fichas no seu recente lançamento, o Disney+, que consiste em uma plataforma de streaming com mensalidade de US$7, vs. a de US$13 do Netflix. Do público alvo endereçável nos EUA, 30% já é assinante da plataforma com apenas um ano do seu lançamento no mercado.

Vale dizer ainda, que a empresa detém a ESPN e a Hulu, que conta com 37% do seu mercado alvo já sendo assinante.

O Disney+ atingiu 103,6 milhões de assinantes, abaixo dos 109 milhões esperados pelo mercado, em um possível sinal de arrefecimento do crescimento do mercado de streaming de vídeos e filmes, possivelmente por conta da reabertura. A Disney espera alcançar 250-260 milhões de usuários até o final de 2024.

Google (GOGL34)

O Google detém surpreendentes 86% de participação no mercado global de meios de pesquisa, além de ter uma forte influencia no segmento de compartilhamento de vídeos através do Youtube.

Destacada por sua vasta base de dados, a Google consegue mapear os diferentes usuários de seus serviços e então converter suas informações e preferências em anúncios eficientes que sejam interessantes a cada perfil específico. Estes “Ads” representam cerca de 85% de seu faturamento.

Existe também uma parcela extremamente significativa dos aparelhos de celular que operam através da instalação do Android, seu sistema operacional.

Por fim, a companhia também atua com o Google Play, Google Cloud e Moonshots, investimentos em projetos que estão em estágio inicial.

A empresa reportou receita do 1T21 de US$ 55,3 bilhões, 7% acima do esperado e 34% acima do mesmo período em 2020,  o maior crescimento anual desde 2017, além de caixa um caixa com US$ 135 bilhões e ainda anunciou um programa de recompra de ações de US$ 50 bilhões.

Johnson & Johnson (JNJB34)

A Johnson & Johnson é a maior companhia farmacêutica do mundo. Ela é uma empresa americana fundada em 1886, especializada na produção de farmacêuticos, utensílios médicos e produtos pessoais de higiene. Suas ações fazem parte da lista industrial de Dow Jones. A sede da empresa localiza-se em Nova Brunswick, Nova Jersey nos EUA. É um importante player do ponto de vista de Pesquisa e Desenvolvimento, e em fevereiro de 2021, ela foi uma das pioneiras a ter uma vacina contra a covid-19, desenvolvida por sua farmacêutica Janssen, liberada para uso emergencial nos Estados Unidos

A J&J possui operação de margens brutas elevadas, acima dos 60%, alto ROIC e forte geração de caixa livre (free cash flow). Dito isso, vemos a empresa bem posicionada para o cenário atual, possuindo uma relação risco e retorno atraente em nossa opinião.

Nike (NIKE34)

A mais reconhecida varejista de artigos esportivos do mundo atualmente conta com uma forte inovação em iniciativas digitais para ampliar seu escopo de penetração em diferentes mercados ao mesmo tempo em que utiliza de seu know-how para seguir buscando o fortalecimento de marca. As projeções de forte performance no longo prazo se dão através da sua capacidade em criação e investimentos de novos produtos, cadeia de suprimentos e logística, e diferenciação via penetração de seu e-commerce.

Além disso, a Nike vem buscando reduzir sua dependência de mercados específicos para produção de seus produtos, principalmente da China, visando menor impacto no longo prazo com a ampliação das tensões entre Estados Unidos e o país asiático. Dessa maneira, temos observado a varejista migrando parcialmente sua produção para o Vietnam. Atualmente, quase metade de sua produção já foi migrada.

Por fim, vemos a companhia também extremamente bem posicionada em termos de reconhecimento de marca. Acreditamos que há grande dificuldade para que concorrentes consigam ameaçar o posicionamento atual da Nike para com seus clientes. Por mais que já tenha passado por crises de credibilidade no passado, a empresa sempre conseguiu superar tais questões, saindo ainda mais forte.

NVIDIA (NVDC34)

O setor de tecnologia vem crescendo de forma exponencial ao longo dos últimos anos. A Nvidia faz parte deste, projetando unidades de processamentos gráficos para jogos e profissionais, além do sistema em unidades de chip para o mercado de computação móvel e autônomo.

A companhia criou a placa GPU em 1999, o que possibilitou o crescimento do mercado de jogos e redefiniu os gráficos modernos de computador. Esta mesma placa agora pode ainda vir a ser utilizadas em robôs e até carros autônomos, uma grande tendência para o futuro.

O mercado de jogos disparou durante a pandemia, já que muitas pessoas ficaram meses isoladas e portanto tiveram de optar por formas de lazer praticáveis dentro de suas casas. A alta no consumo de jogos eletrônicos deve chegar a 10%, comparada ao ano de 2019.

No terceiro trimestre, os ganhos da Nvidia saltaram 61% enquanto as vendas aumentaram 50%. A receita de chips para jogos aumentou 42%. As vendas de chips de data center cresceram 55%. Além disso, no 4T21 a Nvidia já gerou receitas mais altas na comparação trimestral.

Como principais triggers, (i) vemos a empresa entre as mais bem posicionadas para o Metaverso, um mercado com potencial bilionário, (ii) inteligência artificial, (iii) escassez global de semicondutores.

Rio Tinto (RIOT34)

A Rio Tinto é uma das principais companhia no segmento de mineração do mundo, com atuação na extração de minério de ferro, cobre e diamantes , além da produção de alumínio. O grande destaque da companhia segue com a operação de minério de ferro, com produção estimada em 320 milhões de toneladas.

As suas minas estão localizadas principalmente na Austrália, o que garante a companhia um fácil acesso aos mercados asiáticos, principalmente da China, principal importador da comodity. As números da companhia seguem bastante robustos, com margem EBITDA robusta e expectativa de pagamento de bons dividendos.

Ainda, esperamos que o mercado de minério de ferro siga aquecido pelos próximos meses, em função da forte demanda global, com destaque para o plano de infraestrutura de Biden, e poucas perspectivas de aumento na oferta (inexistência de grandes projetos para o curto prazo). Apesar disso, destacamos a possível diminuição da demanda por minério e problemas com a dinâmica de supplychain, como os principais riscos para o papel.

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