Carteira BDRs | Outubro/2021

Tempo de leitura: 15 minutos

A Carteira de BDRs encerrou o mês de setembro em alta, ficando bem acima do seu índice de referencia S&P 500 Brazilian Real.

Após uma sequência quase que ininterrupta de ganhos mensais, o mês de setembro configurou um período de maior cautela para os mercados globais, com a manutenção de riscos para o crescimento econômico no radar dos investidores enquanto os principais bancos centrais do mundo reforçaram a proximidade do início de um movimento de redução de estímulos monetários nas economias desenvolvidas.   

Os destaques positivos ficaram para Mercado Libre e NVIDIA. Na ponta negativa, as piores performances foram da Rio Tinto e Visa.

Para Outubro

Após uma sequência quase que ininterrupta de ganhos mensais, o mês de setembro configurou um período de maior cautela para os mercados globais, com a manutenção de riscos para o crescimento econômico no radar dos investidores enquanto os principais bancos centrais do mundo reforçaram a proximidade do início de um movimento de redução de estímulos monetários nas economias desenvolvidas.   

Nos EUA, apesar dos dados de atividade em agosto seguirem apontando para um crescimento robusto da economia, não deixamos de verificar novos sinais de acomodação – o próprio Fed realizou uma revisão baixista da sua projeção para o PIB em 2021 (5,9% vs. 7,0% em julho). A    dificuldade que o governo americano tem encontrado em vacinar a população mantém a variante Delta como uma ameaça relevante, e algo que tem contribuído para atrasar a recuperação do mercado de trabalho – com destaque para os seus impactos no setor de serviços. Paralelamente, o comprometimento das cadeias de produção em escala global continua pressionando custos desde a compra da matéria prima até o frete de bens, fenômeno que também tem configurado um fator importante de moderação do crescimento. Por fim, o cenário de inflação mais elevada já contribui para a redução do poder de compra, atrapalhando a retomada do consumo e minando a confiança dos consumidores nos últimos meses.

Neste contexto, e levando em consideração o fato de que já poderemos ver o início do tapering após a reunião do FOMC em novembro (já verificamos uma abertura relevante dos juros desde o último encontro do FOMC), é normal que experienciemos novos espasmos de volatilidade, principalmente levando em consideração os níveis de preço que vem sendo praticados nos mercados acionários das economias desenvolvidas.

Do outro lado do mundo, as investidas de Pequim no que diz respeito a uma maior regulação da economia também têm contribuído para minar o sentimento dos investidores na China, movimento que foi intensificado após o gigante conglomerado imobiliário, Evergrande Group, anunciar que não iria conseguir pagar cupons de dívida com vencimento na penúltima semana do mês. Nesta fronte, a falta de uma sinalização definitiva de que o governo chinês irá impedir o contágio do setor imobiliário do país como um todo mantém o investidor receoso com relação às reverberações que o evento pode ter sobre a 2ª maior economia global como um todo – cerca de 30% da economia chines depende direta ou indiretamente do setor. Por último, mas não menos importante, a situação delicada do mercado energético já promove apagões e medidas de racionamento em algumas regiões da China, podendo configurar ainda um vento de proa relevante para o crescimento.

Comentários e Recomendações

Amazon (AMZO34)

A Amazon segue evoluindo na sua proposta de produtos e serviços, atuando na sua operação de tradicional e sendo maior e-commerce dos EUA, mas também ampliando o leque de soluções através de aparelhos eletrônicos como Alexa, Echo e FireTV, serviços de entrega e logística, plataforma na núvem (AWS) e por fim o segmento de entretenimento com Amazon Prime, Audible, Twitch, dentre outros.

A companhia tem em seu core o foco em preços baixos e satisfação constante ao cliente, cultura que norteado a companhia desde os seus primórdios. Destacamos também a visão e cultura implementada pelo seu fundador e principal acionista Jeff Bezos como importante alavanca de crescimento e diferencial competitivo em comparação com as outras Big Techs.

A Amazon segue como uma das mais diversificadas Big Techs americanas e com diversas vias de crescimento pela frente, principalmente nos segmentos AWS e de entretenimento. Avaliamos que a companhia deve continuar a expandir seus investimentos nessas duas frentes, ampliando o seu diferencial competitivo.

Apple (AAPL34)

A gigante varejista do segmento de produtos eletrônicos, softwares e computadores vem surpreendendo o mercado ao longo dos anos com sua incrível capacidade de inovação de seu portfólio e ganho de mercado. Dentre os seus produtos de maior destaque, os computadores Mac e os smartphones Iphone, mas a companhia também fabrica o Ipod, Ipad, Apple Watch, Apple TV e Icloud, além de comercializar uma extensa variedade de serviços, acessórios para os seus produtos, conteúdos e aplicativos.

A Apple atualiza os softwares de seus produtos com frequência e lança todo ano um novo modelo com uma série de novas facilidades e inovações, visando tornar o dia a dia de seus consumidores cada vez mais simples. Foi o que ocorreu recentemente, quando a companhia optou por tomar a ousada medida de sustentabilidade, passando a vender o carregador do seu smartphone a parte. A Apple conta com grande fidelidade por parte de seus clientes, que, em grande parte, tentam acompanhar a maioria de seus lançamentos. Ainda, a empresa adota uma estratégia na qual a experiencia do cliente melhora à medida que adquire mais produtos Apple.

A empresa ainda anunciou a construção de um novo campus na Carolina do Norte, que terá 3 mil funcionários. O projeto foi orçado em US$ 1 bilhão, criando milhares de novos empregos em aprendizado de máquina, inteligência artificial, engenharia de software e outros campos.

ConocoPhillips (COPH34)

ConocoPhilips é uma multinacional norte-americana e trabalha com energia como: exploração de petróleo, Gás natural, produção e transporte químico e de plástico, cuja sede fica localizada em Houston, no Texas. É a maior empresa exploradora e produtora do mundo e também consta no ranking anual da Fortune Global 500. Sua criação data de 30 de agosto de 2002, a partir da fusão entre a Conoco Inc. e a Phillips Petroleum Company. Atualmente, ela está entre as maiores exploradoras e produtoras do mundo de petróleo, estando presente no ranking da revista Fortune Global 500.

As operações da empresa são geograficamente separadas em seis divisões: Alaska (14,5% das receitas), Lower 48 (44,5%), Canadá (9%), Europa (18%), Ásia Pacifico e Oriente Médio (14%).

A crise do Covid-19 trouxe alguns prejuízos para as empresas de petróleo, dado que houve uma queda bastante considerável na demanda por diesel e gasolina. Tendo adquirido recentemente a Concho Resources, a ConocoPhillips está se preparando para a próxima fase de crescimento. A aquisição expandiu substancialmente a base de ativos de produção de baixo custo da petrolífera, o que pode ajudar muito a empresa a superar anos voláteis. Enquanto a gigante do petróleo se concentra no pagamento de dívidas, a Concho e a redução dos gastos de capital agora que a aquisição está para trás devem ajudar a impulsionar seus fluxos de caixa. Acreditamos que à medida que esses fluxos aumentam, o retorno para os acionistas também deve crescer.

Disney (DISB34)

A Disney foi uma companhia extremamente impactada durante os últimos meses. Isto porque a maior parte de sua receita vem dos seus parques temáticos e hotéis (37%), que ficaram fechados durante um longo período do ano. Ainda, a companhia deixou de ganhar com lançamentos de novos filmes nos cinemas, parte de estúdio e entretenimento que equivale a 15% da receita. A empresa teve de enfrentar a pandemia através de suas outras fontes de recursos que são a de TV por assinatura (35%) e venda de produtos com a marca Disney (15%).

No entanto, a companhia vem apostando grande fichas no seu recente lançamento, o Disney+, que consiste em uma plataforma de streaming com mensalidade de US$7, vs. a de US$13 do Netflix. Do público alvo endereçável nos EUA, 30% já é assinante da plataforma com apenas um ano do seu lançamento no mercado.

Vale dizer ainda, que a empresa detém a ESPN e a Hulu, que conta com 37% do seu mercado alvo já sendo assinante.

O Disney+ atingiu 103,6 milhões de assinantes, abaixo dos 109 milhões esperados pelo mercado, em um possível sinal de arrefecimento do crescimento do mercado de streaming de vídeos e filmes, possivelmente por conta da reabertura. A Disney espera alcançar 250-260 milhões de usuários até o final de 2024.

Facebook (FBOK34)

O Facebook, Inc., é um conglomerado de tecnologia americano com sede em Menlo Park, Califórnia. Atualmente é uma das empresas mais valiosas do mundo e considerada uma das Cinco Grandes empresas de tecnologia da informação dos EUA, com Google, Apple, Microsoft e Amazon. 

O conglomerado ainda é dono de outras redes sociais como Instagram, WhatsApp e Messenger.  A principal fonte de receita são os anúncios que representam por volta de 98% do montante total, sendo que mais da metade vem de fora dos EUA.

O grupo ainda superou expectativas de receita para no 1T21, impulsionada por investimentos maiores em publicidade online como consequência do isolamento social. O Facebook reportou lucro líquido de US$ 9,5 bilhões, representando um lucro por ação (LPA) de US$ 3,3, ante US$ 4,9 bilhões, quando o LPA foi de US$ 1,71, no mesmo período em 2020.

Acreditamos que o Facebook seja uma das grandes empresas de tecnologia com maior potencial de crescimento com destaque para o crescente aumento do varejo social e meios de pagamentos.

Google (GOGL34)

O Google detém surpreendentes 86% de participação no mercado global de meios de pesquisa, além de ter uma forte influencia no segmento de compartilhamento de vídeos através do Youtube.

Destacada por sua vasta base de dados, a Google consegue mapear os diferentes usuários de seus serviços e então converter suas informações e preferências em anúncios eficientes que sejam interessantes a cada perfil específico. Estes “Ads” representam cerca de 85% de seu faturamento.

Existe também uma parcela extremamente significativa dos aparelhos de celular que operam através da instalação do Android, seu sistema operacional.

Por fim, a companhia também atua com o Google Play, Google Cloud e Moonshots, investimentos em projetos que estão em estágio inicial.

A empresa reportou receita do 1T21 de US$ 55,3 bilhões, 7% acima do esperado e 34% acima do mesmo período em 2020,  o maior crescimento anual desde 2017, além de caixa um caixa com US$ 135 bilhões e ainda anunciou um programa de recompra de ações de US$ 50 bilhões.

Mercado Libre (MELI34)

A companhia argentina segue apresentando crescimento nos principais mercados em que atua – Argentina, Brasil e México – mesmo com a desvalorização expressiva das moedas desses países no último ano, fruto principalmente da sua eficiência operacional nas entregas (maioria das entregas em 1 dia), forte atuação na frente financeira com o Mercado Pago, relacionamento de longo prazo com os sellers e momento favorável para o crescimento no e-commerce.

Avaliamos a companhia como uma das melhores posicionadas para ganho de participação de mercado no e-commerce, em função de: (i) logística superior aos pares; (ii) escala internacional; (iii) parte financeira bem desenvolvida; (iv) atuação dedicada ao modelo 3P, o que garante maior aderência aos interesses dos sellers.

A companhia segue investindo fortemente em logística, com a aquisição recente de 5 aeronaves para a realização de entregas. Podemos esperar ainda uma participação do MercadoLivre na competição pelos ativos dos Correios.

Nike (NIKE34)

A mais reconhecida varejista de artigos esportivos do mundo atualmente conta com uma forte inovação em iniciativas digitais para ampliar seu escopo de penetração em diferentes mercados ao mesmo tempo em que utiliza de seu know-how para seguir buscando o fortalecimento de marca. As projeções de forte performance no longo prazo se dão através da sua capacidade em criação e investimentos de novos produtos, cadeia de suprimentos e logística, e diferenciação via penetração de seu e-commerce.

Além disso, a Nike vem buscando reduzir sua dependência de mercados específicos para produção de seus produtos, principalmente da China, visando menor impacto no longo prazo com a ampliação das tensões entre Estados Unidos e o país asiático. Dessa maneira, temos observado a varejista migrando parcialmente sua produção para o Vietnam. Atualmente, quase metade de sua produção já foi migrada.

Por fim, vemos a companhia também extremamente bem posicionada em termos de reconhecimento de marca. Acreditamos que há grande dificuldade para que concorrentes consigam ameaçar o posicionamento atual da Nike para com seus clientes. Por mais que já tenha passado por crises de credibilidade no passado, a empresa sempre conseguiu superar tais questões, saindo ainda mais forte.

NVIDIA (NVDC34)

O setor de tecnologia vem crescendo de forma exponencial ao longo dos últimos anos. A Nvidia faz parte deste, projetando unidades de processamentos gráficos para jogos e profissionais, além do sistema em unidades de chip para o mercado de computação móvel e autônomo.

A companhia criou a placa GPU em 1999, o que possibilitou o crescimento do mercado de jogos e redefiniu os gráficos modernos de computador. Esta mesma placa agora pode ainda vir a ser utilizadas em robôs e até carros autônomos, uma grande tendência para o futuro.

O mercado de jogos disparou durante a pandemia, já que muitas pessoas ficaram meses isoladas e portanto tiveram de optar por formas de lazer praticáveis dentro de suas casas. A alta no consumo de jogos eletrônicos deve chegar a 10%, comparada ao ano de 2019.

Acreditamos que a empresa deva se beneficiar diante da falta global de semicondutores.

Visa (VISA34)

A Visa atua na solução de tecnologias para pagamentos digitais e é uma das maiores empresas de pagamento do mundo, sendo uma das principais dos EUA, junto com a Mastercard.

A companhia possui uma exposição a todo ecossistema financeiro global, mas principalmente nas economias desenvolvidas (EUA e Europa) onde se tem maior penetração e uso das suas tecnologias. A companhia está baseada em quatro pilares: Segurança, Tecnologia, Reconhecimento de Marca e Equipe que suportam a operação central.

A Visa segue ainda desenvolvendo outras vias de crescimento além do seu core business, como gerar a capacidade de movimentação de recursos de forma mais livre ao redor do mundo para os clientes e agregar serviços de segurança, soluções aos consumidores dados, analises e consultorias utilizando a base proprietária de informações financeira (data lake).

Com isso, avaliamos que a companhia segue em posição destacada para aproveitar a recuperação da demanda global em meio a recuperação das principais economias globais. Outro ponto de destaque a retomada das viagens deve impulsionar a utilização dos cartões, aumentando o volume transacionado pela Visa.

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