Carteira BDRs | Setembro/2021

Tempo de leitura: 14 minutos

A Carteira de BDRs encerrou o mês de agosto em alta, porém aquém de seu índice de referência. Durante o mês, diversos membros do FOMC emitiram sinais de teor hawkish (inclinado à retirada dos estímulos), exercendo pressão relevante, embora momentânea, sobre os juros.

A confirmação de uma postura de fato mais hawkish ocorreu com a divulgação da ata referente à reunião de julho, onde se confirmou que a maioria dos membros do comitê de política monetária do Fed concordavam em iniciar o processo de redução de estímulos ainda neste ano, salve surpresas causadas pelo impacto da variante delta sobre a atividade e, em especial, a recuperação do mercado de trabalho americano. De qualquer maneira, na medida em que o terreno para a redução de estímulos foi bem construído e o Forward Guidance em torno da trajetória do balanço do Fed foi bem e amplamente comunicado, o sell-off causado pela postura mais hawk foi limitado justamente porque teve pouca influência sobre os juros de longo prazo.

Os destaques positivos ficaram para Mercado Libre e NVIDIA. Na ponta negativa, as piores performances foram da Rio Tinto e Visa.

Para Setembro

No contexto internacional, ativo de risco apreciaram mais um mês de alta. O índice S&P500 encerrou o mês com uma alta de 2,48% acima dos 4.500 pontos, o índice Nasdaq avançou 3,30% cotado aos 15.250 e o Dow Jones Industrial Average aumentou 0,90%, encerrando o mês perto dos 35.400.

No mercado de renda fixa, o rendimento da treasury de 10 anos ficou estável em torno dos 1,27%, ao passo que o índice dólar (DXY) valorizou 0,89%, cotado a 92,67. O mês de agosto foi marcado por uma sucessão de índices mistos nos EUA, com, por um lado, índices de confiança do consumidor e atividade no varejo decepcionando e, por outro, dados de produção industrial e emprego surpreendendo positivamente. No que diz respeito à inflação, IPCs vieram em linha com o esperado, novamente dado sustentação à narrativa de inflação transitória traçada pelo Fed e amplamente aceita pelo mercado. Também durante o mês de agosto, investidores reagiram aos movimentos do Federal Reserve no que diz respeito à trajetória futura dos estímulos monetários.

Para setembro, as atenções se voltam para os dados de emprego divulgados no dia 3 e para a reunião do FOMC, que ocorrerá nos dias 22 e 23 de setembro. Esperamos uma forte criação de empregos que dê sustento para uma sinalização mais concreta na reunião de setembro. Ainda assim, entendemos que, na medida em que o Fed foi bem sucedido em ancorar as expectativas, não antevemos a ocorrência de um novo taper tantrum, o que é naturalmente benéfico para os ativos de risco.

Comentários e Recomendações

Amazon (AMZO34)

A Amazon segue evoluindo na sua proposta de produtos e serviços, atuando na sua operação de tradicional e sendo maior e-commerce dos EUA, mas também ampliando o leque de soluções através de aparelhos eletrônicos como Alexa, Echo e FireTV, serviços de entrega e logística, plataforma na núvem (AWS) e por fim o segmento de entretenimento com Amazon Prime, Audible, Twitch, dentre outros.

A companhia tem em seu core o foco em preços baixos e satisfação constante ao cliente, cultura que norteado a companhia desde os seus primórdios. Destacamos também a visão e cultura implementada pelo seu fundador e principal acionista Jeff Bezos como importante alavanca de crescimento e diferencial competitivo em comparação com as outras Big Techs.

A Amazon segue como uma das mais diversificadas Big Techs americanas e com diversas vias de crescimento pela frente, principalmente nos segmentos AWS e de entretenimento. Avaliamos que a companhia deve continuar a expandir seus investimentos nessas duas frentes, ampliando o seu diferencial competitivo.

Apple (AAPL34)

A gigante varejista do segmento de produtos eletrônicos, softwares e computadores vem surpreendendo o mercado ao longo dos anos com sua incrível capacidade de inovação de seu portfólio e ganho de mercado. Dentre os seus produtos de maior destaque, os computadores Mac e os smartphones Iphone, mas a companhia também fabrica o Ipod, Ipad, Apple Watch, Apple TV e Icloud, além de comercializar uma extensa variedade de serviços, acessórios para os seus produtos, conteúdos e aplicativos.

A Apple atualiza os softwares de seus produtos com frequência e lança todo ano um novo modelo com uma série de novas facilidades e inovações, visando tornar o dia a dia de seus consumidores cada vez mais simples. Foi o que ocorreu recentemente, quando a companhia optou por tomar a ousada medida de sustentabilidade, passando a vender o carregador do seu smartphone a parte. A Apple conta com grande fidelidade por parte de seus clientes, que, em grande parte, tentam acompanhar a maioria de seus lançamentos. Ainda, a empresa adota uma estratégia na qual a experiencia do cliente melhora à medida que adquire mais produtos Apple.

A empresa ainda anunciou a construção de um novo campus na Carolina do Norte, que terá 3 mil funcionários. O projeto foi orçado em US$ 1 bilhão, criando milhares de novos empregos em aprendizado de máquina, inteligência artificial, engenharia de software e outros campos.

Alibaba (BABA34)

A companhia chinesa de varejo eletrônico vem mostrando uma trajetória de crescimento e ganho de mercado extremamente acelerada. Atualmente, a Alibaba contém em sua plataforma um total de US$ 1 trilhão em produtos, além de uma base de 750 milhões de clientes.

Recentemente, tentaram realizar o IPO do seu braço financeiro, Ant Group, a maior plataforma de pagamentos da China, mas sofreu interferência do governo chines para o avanço da operação no mercado americano. Desde então, a companhia veem sofrendo com o aumento do risco de governança.

Ressaltamos que ultimamente temos visto medidas restritivas por parte do governo chines em alguns setores naquele país. O setor de tecnologia sofreu interferência por meio de uma nova onda de regulações contra as empresas do setor, o que causou forte volatilidade não só no gigante asiático, mas no mercado global.

Assim como no Brasil, o segmento de Varejo Eletrônico disparou durante os períodos mais restritos de circulação durante a pandemia, já que era o único canal disponível para que o público em geral conseguisse consumir os produtos de seu desejo. Desse modo, muitos acabaram testando o serviço pela primeira vez e gostando. Esta tendência de consumo via e-commerce deve ajudar impulsionar ainda mais a performance de vendas da companhia, que já vinha crescendo bastante, mesmo com a reabertura gradual dos comércios físicos. A companhia vem ainda aumentando seu sortimento de produtos na plataforma e deve reportar resultados com maiores volumes de venda.

Disney (DISB34)

A Disney foi uma companhia extremamente impactada durante os últimos meses. Isto porque a maior parte de sua receita vem dos seus parques temáticos e hotéis (37%), que ficaram fechados durante um longo período do ano. Ainda, a companhia deixou de ganhar com lançamentos de novos filmes nos cinemas, parte de estúdio e entretenimento que equivale a 15% da receita. A empresa teve de enfrentar a pandemia através de suas outras fontes de recursos que são a de TV por assinatura (35%) e venda de produtos com a marca Disney (15%).

No entanto, a companhia vem apostando grande fichas no seu recente lançamento, o Disney+, que consiste em uma plataforma de streaming com mensalidade de US$7, vs. a de US$13 do Netflix. Do público alvo endereçável nos EUA, 30% já é assinante da plataforma com apenas um ano do seu lançamento no mercado.

Vale dizer ainda, que a empresa detém a ESPN e a Hulu, que conta com 37% do seu mercado alvo já sendo assinante.

O Disney+ atingiu 103,6 milhões de assinantes, abaixo dos 109 milhões esperados pelo mercado, em um possível sinal de arrefecimento do crescimento do mercado de streaming de vídeos e filmes, possivelmente por conta da reabertura. A Disney espera alcançar 250-260 milhões de usuários até o final de 2024.

Facebook (FBOK34)

O Facebook, Inc., é um conglomerado de tecnologia americano com sede em Menlo Park, Califórnia. Atualmente é uma das empresas mais valiosas do mundo e considerada uma das Cinco Grandes empresas de tecnologia da informação dos EUA, com Google, Apple, Microsoft e Amazon. 

O conglomerado ainda é dono de outras redes sociais como Instagram, WhatsApp e Messenger.  A principal fonte de receita são os anúncios que representam por volta de 98% do montante total, sendo que mais da metade vem de fora dos EUA.

O grupo ainda superou expectativas de receita para no 1T21, impulsionada por investimentos maiores em publicidade online como consequência do isolamento social. O Facebook reportou lucro líquido de US$ 9,5 bilhões, representando um lucro por ação (LPA) de US$ 3,3, ante US$ 4,9 bilhões, quando o LPA foi de US$ 1,71, no mesmo período em 2020.

Acreditamos que o Facebook seja uma das grandes empresas de tecnologia com maior potencial de crescimento com destaque para o crescente aumento do varejo social e meios de pagamentos.

Google (GOGL34)

O Google detém surpreendentes 86% de participação no mercado global de meios de pesquisa, além de ter uma forte influencia no segmento de compartilhamento de vídeos através do Youtube.

Destacada por sua vasta base de dados, a Google consegue mapear os diferentes usuários de seus serviços e então converter suas informações e preferências em anúncios eficientes que sejam interessantes a cada perfil específico. Estes “Ads” representam cerca de 85% de seu faturamento.

Existe também uma parcela extremamente significativa dos aparelhos de celular que operam através da instalação do Android, seu sistema operacional.

Por fim, a companhia também atua com o Google Play, Google Cloud e Moonshots, investimentos em projetos que estão em estágio inicial.

A empresa reportou receita do 1T21 de US$ 55,3 bilhões, 7% acima do esperado e 34% acima do mesmo período em 2020,  o maior crescimento anual desde 2017, além de caixa um caixa com US$ 135 bilhões e ainda anunciou um programa de recompra de ações de US$ 50 bilhões.

Mercado Libre (MELI34)

A companhia argentina segue apresentando crescimento nos principais mercados em que atua – Argentina, Brasil e México – mesmo com a desvalorização expressiva das moedas desses países no último ano, fruto principalmente da sua eficiência operacional nas entregas (maioria das entregas em 1 dia), forte atuação na frente financeira com o Mercado Pago, relacionamento de longo prazo com os sellers e momento favorável para o crescimento no e-commerce.

Avaliamos a companhia como uma das melhores posicionadas para ganho de participação de mercado no e-commerce, em função de: (i) logística superior aos pares; (ii) escala internacional; (iii) parte financeira bem desenvolvida; (iv) atuação dedicada ao modelo 3P, o que garante maior aderência aos interesses dos sellers.

A companhia segue investindo fortemente em logística, com a aquisição recente de 5 aeronaves para a realização de entregas. Podemos esperar ainda uma participação do MercadoLivre na competição pelos ativos dos Correios.

NVIDIA (NVDC34)

O setor de tecnologia vem crescendo de forma exponencial ao longo dos últimos anos. A Nvidia faz parte deste, projetando unidades de processamentos gráficos para jogos e profissionais, além do sistema em unidades de chip para o mercado de computação móvel e autônomo.

A companhia criou a placa GPU em 1999, o que possibilitou o crescimento do mercado de jogos e redefiniu os gráficos modernos de computador. Esta mesma placa agora pode ainda vir a ser utilizadas em robôs e até carros autônomos, uma grande tendência para o futuro.

O mercado de jogos disparou durante a pandemia, já que muitas pessoas ficaram meses isoladas e portanto tiveram de optar por formas de lazer praticáveis dentro de suas casas. A alta no consumo de jogos eletrônicos deve chegar a 10%, comparada ao ano de 2019.

Acreditamos que a empresa deva se beneficiar diante da falta global de semicondutores.

Rio Tinto (RIOT34)

A Rio Tinto é uma das principais companhia no segmento de mineração do mundo, com atuação na extração de minério de ferro, cobre e diamantes , além da produção de alumínio.

O grande destaque da companhia segue com a operação de minério de ferro, com produção estimada em 320 milhões de toneladas. As suas minas estão localizadas principalmente na Austrália, o que garante a companhia um fácil acesso aos mercados asiáticos, principalmente da China, principal importador da comodity.

As números da companhia seguem bastante robustos, com margem EBITDA acima de 65%, posição de caixa confortável e expectativa de pagamento de dividendos robusta.

Ainda, esperamos que o mercado de minério de ferro siga aquecido pelos próximos meses, em função da forte demanda global, com destaque para o plano de infraestrutura de Biden, e poucas perspectivas de aumento na oferta (inexistência de grandes projetos para o curto prazo).

Visa (VISA34)

A Visa atua na solução de tecnologias para pagamentos digitais e é uma das maiores empresas de pagamento do mundo, sendo uma das principais dos EUA, junto com a Mastercard.

A companhia possui uma exposição a todo ecossistema financeiro global, mas principalmente nas economias desenvolvidas (EUA e Europa) onde se tem maior penetração e uso das suas tecnologias. A companhia está baseada em quatro pilares: Segurança, Tecnologia, Reconhecimento de Marca e Equipe que suportam a operação central.

A Visa segue ainda desenvolvendo outras vias de crescimento além do seu core business, como gerar a capacidade de movimentação de recursos de forma mais livre ao redor do mundo para os clientes e agregar serviços de segurança, soluções aos consumidores dados, analises e consultorias utilizando a base proprietária de informações financeira (data lake).

Com isso, avaliamos que a companhia segue em posição destacada para aproveitar a recuperação da demanda global em meio a recuperação das principais economias globais. Outro ponto de destaque a retomada das viagens deve impulsionar a utilização dos cartões, aumentando o volume transacionado pela Visa.

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