Mercados hoje | Big Bang Day definirá pauta econômica para o restante do governo Bolsonaro

Tempo de leitura: 12 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais abrem a semana em tom positivo;
• Desenvolvimentos positivos em torno da disponibilização mais abrangente de um tratamento contra a covid-19 nos EUA e um afrouxamento das medidas punitivas sobre empresas de software chinesas promovem melhora de sentimento;
• Investidor se prepara para semana agitada, com a Convenção Nacional do Partido Republicano, o simpósio anual de Jackson Hole e a ameaça de dois furacões no sul dos EUA;
• Índice de atividade econômica do Fed de Chicago é protagonista na agenda econômica desta 2ªfeira.

Brasil

• Pacote Big Bang definirá pauta econômica para o restante do governo Bolsonaro;
• Pacote econômico anunciado na terça-feira deve incluir medidas que expandem e contêm gastos;
• Renda Brasil, desoneração da folha de pagamentos e finalização de grandes obras devem ser financiadas por privatizações, novo imposto digital, as PECs do Pacto Federativo e reforma administrativa;
• Governo também deve definir futuro do auxílio emergencial.


CENÁRIO EXTERNO: TRUMP INICIA OFICIALMENTE SUA BUSCA PELA REELEIÇÃO

Mercados… Bolsas asiáticas iniciaram a semana no verde, com bolsas de Tóquio (+0,2%), Hong Kong (+1,7%) e Xangai (0,2%) fechando o pregão desta 2ªfeira com ganhos. Na zona do euro, os principais índices de mercado também amanheceram em alta, com o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos ao redor do continente europeu, subindo 1,7% até o momento. Em NY, índices futuros acompanham o bom humor verificado na Europa, com ganhos da ordem de 0,8%, enquanto o dólar (DXY) retoma trajetória de baixa contra seus principais pares. No mercado de commodities, ativos ilustram a dinâmica positiva dos mercados acionários. O preço do petróleo (Brent Crude) avança 0,7%, voltando a ficar próximo do limiar de US$ 45,00/barril.

Início positivo para uma semana agitada… Ativos de risco iniciaram a semana em alta, com investidores avaliando desenvolvimentos positivos em torno da disponibilização mais abrangente de um tratamento contra a covid-19 nos EUA e um afrouxamento das medidas punitivas sobre empresas de software chinesas. Ao longo da semana, o mercado ainda espera a Convenção Nacional do Partido Republicano, o simpósio de políticas econômicas do Fed de Kansas City e a ameaça de 2 furacões no sul dos EUA (tempestades Marco e Laura poderão atingir a costa americana do Golfo já nesta 2ªfeira).

Tratamento de fácil acesso… A administração do governo Trump tomou a decisão de liberar o uso de plasma sanguíneo no tratamento da covid-19, aumentando o acesso ao procedimento mesmo sem evidências suficientes de sua eficiência no combate ao vírus. O racional por traz do tratamento é a infusão de sangue de pacientes que já produziram anticorpos contra o coronavírus em pacientes que se encontram em estágio inicial da doença. Esta medida tem sido amplamente usada pela Mayo Clinic, que já realizou o procedimento em mais de 70 mil pessoas e cujos resultados apontaram para uma redução de 35% na taxa de mortalidade dos pacientes. Assim, o mercado recebe com otimismo este novo tratamento promissor contra a doença, mesmo que o falta de evidências concretas sobre o seu uso possa vir a trazer decepções nesta frente. Vamos acompanhar…

EUA libera uso de aplicativos chineses em solo chinês… Após o anúncio de que o governo americano estaria proibindo o uso de softwares provenientes de empresas chinesas ter causado tumulto no setor de tecnologia americano, o governo Trump reafirmou ao longo do final de semana que o uso de aplicativos como o WeChat, da Tencent, poderá ser usado por empresas americanas em solo chinês. Nos últimos dias, conselheiros da Casa Branca tem se comunicado com grandes empresas americanas do setor e descobriram os impactos nocivos que uma sanção generalizada teria sobre o desempenho do segmento nos EUA. Assim, apesar de parcial, a autorização trouxe alívio aos mercados, levando a Tencent a recuperar mais de US$ 37 bilhões em valor de mercado.

Trump inicia oficialmente sua busca pela reeleição… O presidente americano irá discursas hoje em sua nomeação oficial como candidato do Partido Republicano em convenção que acontece hoje em Charlotte, na Carolina do Norte. Neste evento, Donald Trump buscará passar os seus objetivos com o futuro, correndo atrás do prejuízo que a pandemia do coronavírus causou à sua imagem frente ao eleitor norte-americano. O próprio presidente já admitiu as dificuldades, de olho em sua derrota nas pesquisas eleitorais, lamentando que seria um “passeio” caso o coronavírus não tivesse chegado ao país.

Jackson Hole tem edição virtual… Como principal evento da semana, o simpósio anual de políticas econômicas do Fed de Kansas City, que normalmente ocorre em Jackson Hole (Wyoming), terá edição virtual, com início nesta 5ªfeira. Durante o evento, investidores buscarão novas pistas com relação a mudanças nas diretrizes do banco central americano com relação à sua atuação na política monetária, além da possível apresentação de novas ferramentas a serem usadas pelo FOMC a partir de setembro.

Agenda… Hoje, o Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago (CFNAI, na sigla em inglês) é destaque na agenda econômica americana. No restante da semana, o investidor ainda avaliará as encomendas de bens duráveis a indústria em julho (4ªfeira), o número de pedidos de auxílio desemprego (5ªfeira) e os dados de consumo pessoal, acompanhados pelo PCE, a medida de inflação preferida do Fed.


BRASIL: Big Bang Day definirá pauta econômica para o restante do governo Bolsonaro

Dia do Big Bang… O ministro Paulo Guedes (Economia) deve revelar amanhã (26), durante evento que o ministro tem chamado de “Big Bang Day”, um amplo pacote de medidas. O nome do pacote será Pró-Brasil, reciclando o título dado ao programa de obras concebido pela ala militar do governo.

6 em 1…  Entre os programas que devem ser revelados se encontram:

(i) O Renda Brasil, uma reformulação do Bolsa Família que deve expandir o número de famílias contempladas e aumentar o ticket médio do programa de R$190 para R$ 250/R$ 300;
(ii) A desoneração da folha de pagamento, que deve eliminar os encargos trabalhistas de funcionários que ganham até dois salários mínimos;
(iii) A PEC do Pacto Federativo, que engloba uma série de gatilhos que serão acionados caso os gastos do governo atinjam um certo patamar;
(iv) Uma nova leva de privatizações, que deve incluir o Porto de Santos, os Correios e a PPSA (empresa responsável pelos contratos do pré-sal);
(v) A finalização de grandes obras já em curso;
(vi) A Casa Verde e Amarela, uma reestruturação do Minha Casa Minha Vida, que agora disponibilizará financiamento para reformas e obras.

Imposto digital…  Uma incógnita sobre a apresentação do governo é a inclusão da revelação de um novo imposto digital, que vem sido chamada de “nova CPMF” pelos seus detratores. A preocupação do governo é que a divulgação do imposto, que ainda encontra muito resistência dentro e fora do Congresso, pode ofuscar a cobertura positiva das outras revelações. Mesmo que o imposto digital fique para uma data futura, a mídia, inevitavelmente, deve questionar Guedes sobre o retorno da CPMF explicitamente, forçando o ministro a abordar o assunto.

Impacto no mercado… Para o mercado, a revelação do pacote deve trazer dois impactos. Primeiro, qualquer dúvida remanescente em torno de uma possível saída do ministro Paulo Guedes deve ser extinguida, em vista do fato que o ministro estará em evidência como protagonista, revelando as medidas econômicas supramencionadas com o seu costumeiro entusiasmo que virou marca registrada da sua gestão da pasta econômica.

Anseios fiscais…  Por outro lado, a revelação dos programas pode inflamar os anseios em torno de uma falta de compromisso do governo com o teto de gastos e com a contenção do endividamento público em geral. Caso o governo não apresente uma explicação detalhada e convincente de como os programas que aumentarão os gastos serão compensados pelos programas de redução de gastos, uma retomada da pressão cambial, da alta do risco país (CDS) e do impacto negativo sobre as taxas do mercado de juros futuros, vistos na semana passada, pode voltar a ocorrer.

Pacto Federativo… Uma das possíveis medidas de contenção de gastos que pode ser anunciada é a PEC do Pacto Federativo, proposta incialmente revelada em novembro do ano passado que visa estabelecer uma série de gatilhos de contenção de gastos relacionados ao crescimento das despesas obrigatórias e a desvinculação do Orçamento para ampliar o espaço fiscal para as despesas discricionárias. Um dos principais gatilhos que devem ser propostos envolverá a contenção das despesas relacionadas à folha de pagamentos do governo federal (contratações, progresso de carreiras e redução de jornada). Também existe a possibilidade que a reforma administrativa, outra PEC engavetada desde novembro, seja apresentada junta ao pacote.

Definição do auxílio emergencial… O governo também deve revelar esta semana o cronograma e os valores para o auxílio emergencial durante o restante de 2020. O fim do programa deve coincidir com a estreia do Renda Brasil, garantindo que não haja uma interrupção abrupta das medidas assistencialistas do governo. O valor atual, que varia de R$ 600 a R$ 1.200, gera custo mensal proibitivo (R$ 50 bilhões) para governo. Ao mesmo tempo, Bolsonaro tem dito que parcelas de R$ 200 seriam muitas pequenas. Um valor intermediário, talvez de R$ 300, deve ser anunciado.

Na agenda… Como de costume, o Banco Central divulga o boletim Focus às 8h25, documento que traz revisões às projeções do mercado com relação às principais variáveis macroeconômicas do país. No restante da semana, o investidor ainda avalia o IPCA-15 de agosto (3ªfeira), o relatório mensal da dívida pública de julho (4ªfeira), o IGP-M de agosto e a PNAD-Contínua trimestral referente ao 2º trimestre de 2020 (ambos na 6ªfeira).

E os mercados hoje?… Bolsas globais iniciaram a semana em tom positivo, com investidores de olho em um novo tratamento promissor contra a covid-19 e na falta da troca de novas farpas entre China e Estados Unidos. Na agenda, investidores aguardam a fala de Trump durante a sua nomeação como candidato republicano, a versão virtual do simpósio anual de política econômica de Jackson Hole, além de uma série de indicadores econômicos nos EUA. No Brasil, o destaque da semana deverá ficar com a apresentação do pacote “Big Bang” pelo Ministério da Economia, previsto para acontecer na 3ªfeira. O projeto deve reunir uma gama de medidas, combinando o Renda Brasil com medidas de corte de gastos, obras públicas, estímulo ao emprego, atração dos investimentos e até mesmo algumas privatizações. Hoje, o dia tem agenda fraca e, na falta de grandes novidades no âmbito político, o mercado local deve voltar a ficar à mercê do humor externo. Assim, esperamos um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco locais.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 101.521 (+0,05%)
BR$/US$: 5,61 (+0,94%)
DI Jan/27: 6,78% (-4 bps)
S&P 500: 3.397 (+0,34%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Balanços surpreendem e JBS toma liderança da Petrobras
– Repasse do BC é um socorro para o Tesouro
– “Jair ‘paz e amor’ veio para ficar”
– Investidor individual aplica em ações de grandes bancos

O GLOBO
– Orçamento do próximo ano não terá bloqueio de recursos
– Bolsonaro ameaça jornalista ao ser questionado sobre Queiroz
– Defesa pagará R$ 145 milhões por satélite para Amazônia
– Republicanos dão início à corrida para reeleição de Trump

FOLHA DE S.PAULO
– Governo desmonta ação de combate a abuso infantil
– Corte de jornada freia demissões, mas acende alerta
– Presidente usa ações de Lula como base na área social
– Após 5 meses, Brasil tenta ampliar testes de covid-19

O ESTADO DE S.PAULO
– Hospitais esperam uma ‘avalanche’ de cirurgias sem urgência
– STF decide se estatais podem dispensar funcionários
– Questionado sobre Queiroz, Bolsonaro ameaça repórter
– Covid-19 causa problemas no coração de infectados

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