Flash Macro | Ata da 232a Reunião do Copom do Banco Central do Brasil

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O Comitê de Política Monetário (Copom) do Banco Central divulgou a ata referente à sua última reunião, onde, por unanimidade, optou por levar a Selic para 2,00% ao ano com um corte de 0,25 ponto percentual.

Membros do corpo decisório refletiram sobre a conjuntura econômica e, a despeito de alguns dados econômicos promissores e alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o veredicto foi de que o cenário econômico decorrente da pandemia segue altamente desafiador. Há uma enorme incerteza com relação ao processo de recuperação, principalmente tendo em vista o arrefecimento do suporte fiscal, cujo vencimento está previsto para o final do ano.

Diversas medidas de inflação seguem bem comportadas e abaixo das metas estabelecidas pelo CMN.

Sobre o balanço de risco, seguiram fatores que atuam em ambas as direções.

Por um lado, o ainda elevado nível de capacidade ociosa produz uma trajetória descendente para a inflação que pode se intensificar caso o ritmo de recuperação da economia brasileira apresente resultado aquém do esperado.

Por outro, as respostas fiscais e monetárias de estímulo ao crédito podem gerar uma queda na demanda agregada menor do que anteriormente estimando, formando uma assimetria no balanço de riscos. Adicionalmente, as políticas fiscais de combate à pandemia que pioram a trajetória fiscal de forma prolongada, se forem acompanhadas de uma frustração com relação ao andamento das reformas fiscais, podem elevar os prêmios de risco, as expectativas de inflação e gerar um aumento além do esperado na taxa de inflação.

No que se refere à atividade econômica interna, membros do colegiados argumentam que dados econômicos recentes sugerem uma recuperação parcial da economia, auxiliada pelo forte suporte fiscal e creditício que alavancou a demanda por bens duráveis e investimento. Os serviços, no entanto, por depender crucialmente do contato social, seguem deprimidos.

Ao versar sobre a ociosidade, o Copom informou que a pandemia deve seguir exercendo efeitos heterogêneos sobre os diferentes setores da economia, com o setor de serviços apresentando a maior ociosidade vis-à-vis os setores industrial e varejista. Devido à maior participação relativo do setor de serviços no PIB, o comitê concluiu que pressões desinflacionarias podem ser mais prolongadas do que em outras crises.

Ao avaliar o atual grau de estímulo monetário, o Copom conclui que, a despeito da assimetria verificada no balanço de riscos, as projeções de inflação situam-se abaixo das metas, justificando o aumento residual no grau de estímulo.

Adicionalmente, alertou que o patamar inédito de juros pode ocasionar algum tipo de desorganização no sistema financeiro, além de comprometer alguns setores. Diante de tal constatação, o comitê argumentou que novas reduções demandariam “maior clareza sobre atividade e inflação prospectivas e poderiam ser temporalmente espaçadas”.

Por último, fez menção ao uso do Forward Guidance (prescrição futura) como um instrumento de política monetária adicional. A despeito do maior desafio de se usar tal ferramenta em países emergentes – devido à maior vulnerabilidade externa e fundamentos mais frágeis destes –, o comitê concluiu que seus benefícios excedem seus custos. Quando o Banco Central desfruta de credibilidade (que certamente parece ser o caso do BCB), o Forward Guidance tem o papel de ajustar as expectativas contidas na parte intermediária da curva de juros.

Assim, o Comitê mostrou não antever reduções no grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022.

Nossa visão

O Copom reforçou a mensagem dovish (mais favorável a uma postura mais acomodatícia – juros mais baixos – e menos preocupado com a inflação) prevista no seu comunicado pós-reunião, colocando a forte deterioração fiscal como principal obstáculo para que a Selic possa encerrar o ano abaixo de 2,0% a.a. As contas públicas deverão continuar em direção de um déficit recorde no final do ano, que tem projeções se aproximando cada vez mais da marca de R$ 1 trilhão.

Mais recentemente, a pressão pela flexibilização do teto de gastos em Brasília também joga contra a perspectiva de novos cortes na taxa básica de juros da nossa economia. Tendo isso em vista, por não ver uma solução simples para o estado das contas públicas para os próximos anos, optamos por manter nossa projeção da Selic em 2,0% até o final do ano. Caso as investidas de Paulo Guedes pelo início de um período de corte de despesas em 2021 tragam algum resultado, poderemos revisar este cenário.

No entanto, isto não é algo que consideramos provável no momento, principalmente com o governo considerando estender o estado de calamidade pública entrando no ano de 2021.

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