Apito Final | Dados de atividade animadores voltam a impulsionar os mercados

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional
• Bolsas globais encerram mais um dia no verde com dados animadores e ausência de tensões sino-americanas;
• PMI composto registra avanços relevantes em junho na Europa e nos EUA;

Brasil
 • Ibovespa opera em alta com menor aversão ao risco global;
• Ata do Copom movimenta mercado de juros;
• BCB delineia regras para o processo de compra de ativos público e privados no mercado secundário


FECHAMENTO:

Ibovespa:95.975 (+0,67%)
BR$/US$: 5,16 (-1,74%)
DI Jan/27: 6,82% (-8 bps)
S&P 500: 3.131 (+0,43%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

MAIORES ALTAS:

GOLL4: R$ 19,90 (+10,86%)
USIM5: R$ 7,68 (+10,34%)
AZUL4: R$ 22,50 (+9,06%)

MAIORES BAIXAS:

IRBR3: R$ 11,50 (-4,96%)
CPFE3: R$ 30,55 (-3,32%)
MRFG3: R$ 12,50 (-2,57%)


Cenário Externo:

Mercados… Investidores, amparados em mais uma leva de dados econômicos animadores, optaram por dar continuidade ao movimento de maior apetite pelo risco. Ao longo do pregão desta terça-feira, investidores receberam de bom grado os resultados dos Índices de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) para as economias americana e europeia. No pano de fundo, o tweet de Trump, chefe de estado americano, anunciando que o acordo comercial com a China estaria intacto também alavancou o bom humor dos mercados. Ao final do dia, tanto o S&P500, índice americano, como o STOXX 600, seu par na Europa, encerraram o dia confortavelmente no verde.

Economia americana… O PMI composto, que compreende a atividade econômica do setor industrial e de serviços, aumentou de 37,5 em maio para 47,6 na leitura preliminar de junho. Por mais que a economia ainda se encontre em estado de contração (leitura abaixo de 50), os resultados parecem indicar que a produção recuou a um ritmo reduzido. Adicionalmente, verificou-se pela primeira vez desde fevereiro a volta de pressões inflacionárias. O que justificaria este aumento seria a gradual retomada da demanda que, de acordo com uma gama de produtores, já não necessita de descontos nos preços dos produtos para ser estimulada.

Economia europeia… Do outro lado do continente, também se verificou uma melhora substancial do mesmo índice. Este foi de 31,9 em abril para 47,5 na leitura preliminar de junho. Assim como nos EUA, a perda de produção e de empregos também desacelerou, enquanto as expectativas já começam a adentrar o território notavelmente otimista. De acordo com o Instituto Markit, os otimistas excedem os pessimistas pela primeira vez em quatro meses. Na zona do euro, porém, a dinâmica de preços segue apresentando uma tendência deflacionária e uma gama de produtores seguem utilizando os descontos como forma de estimular a demanda. Tais resultados corroboram a visão de que a recessão econômica por lá será mais severa do que nos EUA.

Ressalva… Os resultados trazidos pela pesquisa de fato apontam para o início da retomada econômica, porém não devem ser levados ao pé da letra. A pesquisa funciona apenas como um termômetro de sentimento com relação às variáveis macroeconômicas, uma vez que não registra o avanço ou recuo de quantidades físicas. Desta forma, mesmo com a melhora de expectativas, é importante recordar que o elevado nível de desemprego e de alavancagem das empresas segue como fator relevante para a determinação da duração e impacto final da crise.


BRASIL:

Mercados… Em um dia de menor aversão ao risco, investidores locais voltaram a dar sequência aos movimentos de valorização, espelhando o desempenho dos ativos de risco internacionais. Tanto o real quanto as ações se beneficiaram do delineamento claro das regras que irão reger o QE brasileiro – política monetária não convencional que visa a compra de ativos públicos e privados no mercado secundário. No mercado de taxas, a curva de juros fechou ao longo de todos os vértices, repercutindo a mensagem na Ata do Copom, que deixou as portas abertas para futuros estímulos monetários, além da expectativa com a ação do Bacen nos vértices mais longos. O CDS de cinco anos, métrica de risco-país, operou em queda, mas segue cotado consistentemente acima dos 250 pontos base, evidenciando o ainda presente risco fiscal mencionado pelo Banco Central (BCB).

Ata do Copom… O BCB publicou hoje a Ata referente à reunião de junho, onde optou, por unanimidade, levar a taxa Selic para 2,25% ao ano. No documento, destacamos a volta da discussão em torno de um possível piso para a taxa Selic. Membros do Copom argumentaram que, devido à fragilidade fiscal, o mesmo não só existe como é dinâmico – isto é, varia ao longo do tempo de acordo com a percepção e sustentabilidade da trajetória das contas públicas. Desta forma, estaríamos perto dele, o que corrobora o anúncio de que um futuro estímulo não está dado e seria residual caso acontecesse. Para as próximas reuniões, membros do comitê fixarão suas atenções nos impactos correntes da pandemia sobre a atividade, mas principalmente sobre a inflação, além de ficarem atentos à trajetória fiscal e nos impactos expansionistas provenientes das medidas de estímulo ao crédito, que foram ressaltadas como geradoras de mais assimetria no balanço de riscos acompanhado pelo Copom. Assim sendo, para a reunião de agosto esperamos a manutenção da taxa em seu atual patamar, porém não descartamos a possibilidade de um último ajuste de 0,25 p.p. a depender da evolução dos indicadores de preço nos próximos meses.

QE brasileiro… O BCB publicou hoje a Circular número 4.028 que delineia as regras que irão reger o processo de compra de títulos públicos e privados nos mercados secundários. De acordo com a instituição, serão comprados somente ativos de empresas cuja nota de crédito seja igual ou maior a BB- e “depositadas em depositório central, não conversíveis em ações, e com prazo de vencimento igual ou superior a 12 meses.” A prática, assim como no exterior, visa a suave manutenção do fluxo de crédito e recursos para as empresas e para a sociedade, uma vez que a crise da covid-19 forçou uma alta no risco de inadimplência que tem o potencial de elevar o custo de crédito ao longo de toda a curva.

Usiminas… A companhia se configurou entre as principais altas do dia nessa terça-feira. O desempenho acompanhou os dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), onde as vendas da rede de distribuição em maio foram 10,8% maiores do que em abril, chegando a 198,5 mil toneladas. A alta não evitou a queda de 19,3% em relação a maio de 2019, mas ajudou a alimentar a percepção de que o pior da crise foi em abril.

Gol… A companhia aérea foi destaque no pregão de hoje, após falas do presidente, Paulo Kakinoff, a respeito do acordo de codeshare feito recentemente entre a Azul e a Latam. Para Kakinoff, o coronavírus está forçando as empresas do setor a passarem por adaptações, e dado isto, espera que haja uma quantidade significativa de fusões. Estas, em sua visão, seriam alternativas às aquisições, já que as companhias estão com baixa liquidez.

 

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

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