Apito Final | Yellen no comando

Tempo de leitura: 10 minutos

Internacional

  • Ativos financeiro mundo afora apreciam mais um dia de valorização;
  • Aceitação de derrota por Trump e nomeação de Yellen agregam ao movimento de redução da aversão ao risco global;
  • Confiança do consumidor americano volta a deteriorar em novembro;
  • Destaques de amanhã contam com Ata do Fed, confiança do consumidor da Universidade de Michigan, pedidos de seguro-desemprego e medida de inflação acompanhada pelo Fed.

Brasil:

  • Ibovespa surfa onda de valorizações no exterior e encerra em alta;
  • Arrecadação federal tem crescimento robusto em outubro com pagamento de tributos diferidos e retomada econômica;
  • IPCA-15 apresenta alta de 0,81% em novembro, desacelerando em relação a outubro;
  • Resultado da prévia do IPCA não deve alterar atual estratégia do Banco Central;
  • Setor de shoppings é destaque do dia.

FECHAMENTO

Ibovespa: 109.954 (+2,40%) ­­
BR$/US$: 5,37 (-1,09%)
DI Jan/27: 7,74% (-9 bps)
S&P 500: 3.635 (+1,62%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

BRML3: R$ 10,01 (+7,29%)
MULT3: R$ 23,37 (+6,57%)
IGTA3: R$ 36,41 (+6,31%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

PRIO3: R$ 45,27 (-2,67%)
TOTS3: R$ 26,20 (-2,28%)
RADL3: R$ 25,80 (-1,98%)


Cenário Externo

Yellen no comando

Mercados… Em dia caracterizado pela menor aversão ao risco, ativos financeiros nos EUA voltaram a testar altas recordes. Como mencionamos no Mercados Hoje desta manhã, aceitação implícita de perda por parte de Trump – evidenciado pelo seu aval para liberar recursos de forma a iniciar a transição e poder – sacramentou o fim do risco eleitoral americano. Como driver adicional, os mercados receberam de bom grado a nomeação de Janet Yellen para secretaria do Tesouro Nacional. Na Europa, o movimento de alta também se fez presente. Além do respingo positivo trazido por NY, ativos na Europa também pode estar se beneficiando da efetividade das medidas de isolamento social, que já demonstram considerável desaceleração dos ritmos de contágio na Alemanha, França, Reino Unido e Itália – as quatro maiores economias do bloco.

Yellen no comando do Tesouro… O presidente eleito, Joe Biden, anunciou hoje que Janet Yellen, ex-presidente do Fed entre 2014 – 2018 e formidável intelectual na área de economia do trabalho, presidirá sobre o comando do Tesouro Nacional. Sua nomeação é de vital importância, pois ecoa o teor moderado e previsível da nova administração. Além de ser uma escolha tecnicamente positiva – afinal, Yellen, tendo sido presidente do Fed, compreende afundo a importância e funcionamento da autoridade monetária e sua relação com a política fiscal –, configura-se como uma decisão politicamente assertiva. Yellen é conhecida de longa data na política americana, pois também atuou como conselheira econômica durante a administração de Bill Clinton nos anos 1990. Ainda, seu perfil moderado e comedido agrada desde as alas mais progressistas do partido Democrata até os cantos mais conservadores do partido Republicano. Na prática, isto significa que a negociação por um novo pacote de gastos já a partir do começo do ano que vem deve ser menos tumultuosa.

Economia americana… Em meio aos ânimos induzidos pela aceitação – ao menos parcial – da derrota nas eleições por parte de Trump e nomeação de Yellen para o Tesouro, investidores observaram a confiança do consumidor americano. Em novembro, a confiança voltou a deteriorar, com o número índice passando de uma versão revisada de 101,4 para 96,0. No mês, tanto avaliação com relação à situação presente quanto as expectativas futuras trouxeram pioras. O subíndice da situação atual teve ligeira queda de 106,2 para 105,6, enquanto o de expectativas futuras teve queda mais acentuada ao ir de 98,2 para 89,5. Invariavelmente, a dificuldade de manter a confiança em alta encontra-se na inércia dentro do Congresso americano para aprovar mais um pacote de estímulos, além da dinâmica de infecções agressiva do vírus em território nacional. No radar… Amanhã, o investidor deverá se atentar à divulgação da Ata referente à reunião de novembro do Fed. Como destaque, espera-se algum comentário referente à intenção de ajuste no programa de compra de títulos públicos e privados (QE). Adicionalmente, os pedidos de auxílio-desemprego, a confiança do consumidor produzido pela Universidade de Michigan e o PCE – medida de inflação preferencial do Fed – também devem ficar no radar dos investidores


BRASIL:

IPCA-15 Desacelera em setembro e não altera plano de voo do BCB

Mercados… Assim como em outras situações, o Ibovespa voltou a registrar novas altas, beneficiando-se da instalação contínua de um ambiente de menor aversão ao risco ao redor do globo. No mercado cambial, o real também acompanhou o movimento, movendo-se em linha com a desvalorização do dólar em âmbito internacional. No mercado de juros, as taxas tiveram desempenho volátil, alternando entre altas e baixas. Por um lado, a inflação além das expectativas do IPCA-15 fomentou pressão altista e expectativa de alta nas taxas de juro futuras. Na contramão, outro bem sucedido leilão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional, que contou com demanda aquecida – inclusiva em papéis mais longos – colocou pressão baixista. O CDS de cinco anos, métrica de risco-país, continuou operando em baixa, quiçá refletindo a expectativa de retomada das reformas após o término das eleições municipais.

Arrecadação federal cresce em outubro… De acordo com dados divulgados pela Secretária da Receita Federal (SRF), a arrecadação federal, ao apresentar crescimento real interanual de 9,6%, foi para R$ 153,9 bilhões no mês. Pelo lado positivo, ouve forte arrecadação (R$ 16,2 bilhões) com o pagamento de tributos diferidos em maio, enquanto a renúncia com o IOF sobre o crédito (R$ 2,3 bilhões) e as compensações tributárias (R$ 12,5 bilhões) atuaram no sentido contrário. O bom desempenho das contribuições em geral evidencia a continuidade no processo de recuperação econômica, observado de forma clara, embora com caráter heterogêneo, no desempenho da indústria, varejo e do setor de serviços. 

Dinâmica da inflação… A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo teve inflação de 0,81% em novembro, desacelerando consideravelmente em relação a outubro, quando havia apresentando uma alta de 0,94% na margem. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,22% ante os 3,52% registrados no mês passado, superando o centro da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No acumulado do ano, a alta acumulada é de 3,13%.

Avanço das categorias… O avanço foi generalizado, com todos os grupos apresentando variação positiva no mês. Alimentação e Bebidas aumentaram 2,16%; Habitação, 0,34%; Artigos de residência, 1,40%; Vestuário, 0,96%; Transportes, 1,00%; Saúde e cuidados pessoais, 0,04%; Despesas pessoais, 0,14%; Educação 0,01%; e Comunicação, 0,06%. Como se pôde notar, o grupo de Alimento e Bebidas voltou a ser o contribuinte mais contundente para o avanço dos preços, ao passo que os Transportes também tiveram impacto relevantes sobre o resultado.

No acumulado do ano, no entanto, o avanço das categorias ainda segue caracterizado por algum grau de heterogeneidade. Por um lado, Alimentos e Bebidas (12,12%), Habitação (1,58%), Artigos de Residência (3,88%), Saúde e cuidados pessoais (1,08%), Despesas pessoais (0,57%), Educação (0,89%) e Comunicação (2,75%) apresentam variação positiva. Na ponta oposta, Vestuário (-1,31%) e Transportes (-0,07%) situam-se em território negativo.

Nossa visão… De modo geral, os resultados trazidos pela divulgação do IPCA-15 seguiram apresentando o processo de normalização dos preços devido à continuidade do processe de reabertura da economia.

Assim como mencionamos em outras edições do Flash Macro, a categoria de alimentos ainda segue sujeita ao duplo choque de oferta e demanda induzido, respectivamente, pela desvalorização do câmbio e pelas medidas de transferência de renda (auxílio emergencial). Notamos em outras oportunidades que o choque seria de natureza transitória, o que significa que, com o tempo, tenderia a arrefecer. Como resultado de novembro, já notamos tal movimento: após acelerar em agosto (0,34%), setembro (1,48%) e outubro (2,24%), o grupo registrou a primeira desaceleração em novembro (2,16%).

Além do arrefecimento da pressão na categoria de alimentos, esperamos avanços menores das passagens aéreas – já em processo de normalização. Na contramão, seguimos esperando uma maior normalização dos preços no grupo de educação até dezembro, derivada principalmente da redução dos descontos dados em função da suspenção de aulas presenciais.

Corolários para a política monetária… Em termos de política monetária, os resultados fazem jus aos comentários feitos pela Copom em suas últimas reuniões. De fato, a inflação se elevou a curto prazo, mas já dá sinais de acomodação. Ainda, o processo de reabertura e os estímulos fiscais promoveram a normalização de alguns serviços e bens que estavam, até o momento, bastante deprimidos. Devido à elevada taxa de desemprego, ao ainda estado inercial da atividade no setor de serviços e à transitoriedade dos choques supracitados, compreendemos que a autoridade monetária deve continuar apresentando uma postura altamente estimulativa nos próximos encontros.

Setor de Shoppings… Após uma casa de análise com forte nome no mercado ter atualizado suas estimativas para o mercado brasileiro do setor, BR Malls, Multiplan e Iguatemi se consolidaram entre as maiores altas do pregão de hoje. Após a divulgação dos resultados referentes ao 3T20, os analistas observaram uma recuperação mais forte do que era antes esperado. Suas Top Picks do setor são Multiplan e Iguatemi.

No radar… Para amanhã, a agenda econômica constata a divulgação de uma série de notas divulgadas pelo Banco Central relacionadas às operações de mercado aberto e transações em conta corrente. Além disso, o relatório mensal da dívida pública para o mês de outubro também ficará nos holofotes, pois trará novas informações sobre o gerenciamento e a dinâmica da dívida pública brasileira.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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