Apito Final | A inflação voltará?

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

  • De olho nos juros dos títulos públicos e na inflação, investidores promovem mais uma sessão de baixa para ativos de risco internacionais;
  • Uma volta agressiva da inflação parece ser um fenômeno improvável;
  • Confiança do consumidor americano registra melhora na leitura preliminar de fevereiro;
  • PIB alemão e discurso de governadores do Fed são destaques da agenda de amanhã.

Brasil:

  • De forma cautelosa, ativos de risco domésticos tem dia de recuperação;
  • Movimento reflete teor técnico, pois conjuntura político-econômica segue inalterada;
  • IPCA-15 marca agenda econômica de amanhã, junto com dados referentes ao setor externo brasileiro.


FECHAMENTO

Ibovespa: 115.225 (+2,27%) ­­
BR$/US$: 5,44 (-0,33%)
DI Jan/27: 7,49% (-8 bps)
S&P 500: 3.881 (+0,12%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

PETR4: R$ 24,06 (+12,17%)
ELET3: R$ 32,42 (+12,14%)
ELET6: R$ 33,55 (+11,32%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

LAME4: R$ 27,32 (-5,63%)
BTOW3: R$ 85,91 (-4,19%)
GNDI3: R$ 90,10 (-4,19%)


Cenário Externo

A inflação voltará?

Mercados…. Ativos internacionais deram sequência aos movimentos de correção no início do dia, mas encerraram o dia próximos à estabilidade nos EUA. Sem grandes novidades, investidores continuam monitorando as taxas de juros futuras ao redor do mundo, ponderando até que ponto seus movimentos de alta podem impactar o valuation das empresas, principalmente daquelas ligadas ao setor de tecnologia. Como mencionado outrora, o movimento de alta das taxas está intimamente ligado ao retorno das expectativas de inflação induzidas pela própria expectativa de forte retomada global da economia com a manutenção de políticas monetárias e fiscais ultraexpansionistas.

A inflação vai voltar com força nos EUA?… A dinâmica dos processos inflacionários depende, em essência, de dois fatores: expectativas e pressão de demanda sobre oferte e vice-versa. As preocupações quanto à volta da inflação se baseiam na tese de que o ambicioso pacote fiscal de Joe Biden, aliado ao rápido avanço da vacinação, pressionaria excessivamente a capacidade instalada (oferta), causando uma aceleração preocupante da inflação. Ocorre que este resultado não aparenta ser o mais provável. Por quê?

A inflação vai voltar com força nos EUA? (2)… Em primeiro lugar, por que a economia segue operando com elevada capacidade ociosa – o mercado laboral continua com cerca de 4 milhões de empregos a menos em relação ao período pré-pandemia –, o que significa que a demanda ainda pode pressionar a oferta sem necessariamente gerar inflação. Em segundo lugar, a relação entre atividade e inflação já não é a mesma nos dias de hoje. Isto é, por conta de fatores estruturais de longo prazo como o avanço da tecnologia, o envelhecimento da população e a globalização, a inflação é menos reativa a variações no nível de atividade. Este fenômeno, conhecido como achatamento da curva de philipps, é empírico e foi, de fato, um dos fatores que motivou a reformulação do framework que orienta a política monetária do Federal Reserve desde agosto do ano passado.

Confiança do consumidor americano… A confiança do consumidor americano melhorou em fevereiro, registrando alta de 88,9 em janeiro para 91,3 na leitura preliminar de fevereiro. As expectativas quanto à situação atual, durante o mesmo período, passaram de 84,4 para 92 e o sentimento quanto ao futuro teve leve queda de 91,2 para 90,8. O avanço da confiança está umbilicalmente ligado, obviamente, ao robusto processo de vacinação, que já atinge a marca de um milhão de vacinados por dia, assim como à expectativa de implementação de mais estímulos fiscais. Espera-se que quando o novo pacote de gastos seja reiterado, a confiança e o consumo voltem a ganhar tração com maior vigor.

No radar… Amanhã, a Alemanha divulga a leitura final de seu PIB real para o 4T2020 e diversos governadores do Federal Reserve discursam ao longo do dia.


BRASIL:

Dia de recuperação

Mercados… Ativos de risco domésticos passaram por um processo de recuperação após um tombo histórico induzido pela renovação do clássico risco político brasileiro. Ao longo do dia, a própria Petrobras – que compõem aproximadamente 10% do índice – puxou a alta, junto com outras empresas ligadas ao setor de óleo e gás. Em linha com o movimento de melhora, o dólar depreciou, influenciado pela expecativa de alta na taxa Selic induzida pelo próprio risco político, assim como pela apresentação do substitutivo da PEC emergencial. No mercado de juros futuros, o movimento das taxas não foi muito diferente. Após uma abetura execessiva, os juros devolveram parte dos prêmios, enquanto o CDS de cinco anos, métrica de risco-país, também.

Mais mercados… O processo de recuperação dos ativos que se observou hoje aparenta representar mais um movimento de teor técnico do que qualquer outra coisa. Investidores seguem cautelosos, pois ainda não se sabe até que ponto a interferência de Bolsonaro na Petrobras por meio da demissão de Castello Branco pode efetivamente afetar a política de preços da petroleira. Diante desta incerteza e de inúmeras outras relacionadas ao comportamento futuro do presidente Jair Bolsonaro, é proeminente manter a cautela e, acima de tudo, garantir dispositivos de proteção à carteira. Afinal, Bolsonaro certamente reiterará sua postura recente; é apenas uma questão de tempo.

No radar… Como destaque de amanhã, o investidor recebe a leitura de fevereiro do IPCA-15. A prévia do IPCA deve desacelerar na margem para alta de 0,52%, principalmente influenciado pelo arrefecimento dos alimentos, da energia elétrica, e dos vestuários. Na ponta oposta, os Transportes devem avançar, embora a um menor ritmo, por conta da baixa nas passagens aéreas, e mesmo em meio ao encarecimento dos combustíveis ocorrido por conta dos reajustes promovidos pela Petrobras. O índice será mais uma leitura que aponta para a perda de tração no ritmo de recuperação, que carece do apoio fiscal em massa observado ao longo do ano passado.

No radar (2)… Além do IPCA-15, o investidor também acompanha uma série de estatísticas relacionadas ao setor externo brasileiro.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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