Apito Final | Não esperemos mudanças

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

  • Índices globais têm mais um dia de desempenho negativo de olho no movimento dos juros futuros americanos;
  • Índice de atividade nacional do Federal Reserve de Chicago reitera o robusto processo de recuperação econômica dos EUA;
  • Agenda internacional desta 3ªfeira conta com IPC na zona do Euro e confiança do consumidor nos EUA.

Brasil:

  • Ibovespa, juros e dólar registram forte desvalorização com aumento do risco político;
  • Risco político em ascensão influencia expectativas de mercado para as principais variáveis macroeconômicas;
  • A atitude de Bolsonaro não deve passar por alterações drásticas no curto prazo;
  • Agenda local de amanhã destaca IPC-S e expectativa de inflação dos consumidores, ambos da FVG.


FECHAMENTO

Ibovespa: 112.787 (-4,76 %) ­­
BR$/US$: 5,46 (+1,33%)
DI Jan/27: 7,57% (+20 bps)
S&P 500: 3.876 (-0,77%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

LAME4: R$ 29,00 (+20,08%)
EMBR3: R$ 12,52 (+7,75%)
CIEL3: R$ 3,73 (+4,48%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

PETR4: R$ 21,55 (-21,15%)
PETR3: R$ 21,69 (-19,96%)
BBAS3: R$ 29,02 (-11,06%)


Cenário Externo

EUA segue forte

Mercados…. Ativos americanos passaram por mais um dia de perdas, todavia influenciados pela manutenção de expectativas de inflação em alta induzidas pelo progresso na aprovação de mais estímulos ficais nos EUA. O sell-off dos títulos públicos vem promovendo um movimento de alta em suas taxas, causando um pouco de temor em torno da elevação dos custos de financiamento da economia e reforçado uma possível intensificação do movimento clássico de migração entre classe de ativos. No pano de fundo, segue pesando nos mercados europeus os empecilhos encontrados com a campanha de vacinação, assim como a presença de uma política fiscal mais agressiva; diversos países ainda não captaram os fundos do pacote pan-europeu acordado entre governantes do bloco em julho do ano passado.

Atividade nos EUA… O índice de atividade nacional do Federal Reserve de Chicago foi para 0,66 em janeiro ante 0,52 em dezembro, superando as expectativas de mercado que apontavam para uma ligeira queda para 0,50. O índice, composto de 85 subíndices relacionados ao emprego, preços, consumo, receitas e produção, registra o movimento global da atividade nos EUA. Como está acima de 0, indica que a economia tenderá a crescer acima de sua taxa de tendência histórica de crescimento. Assim como outros índices de atividade nos EUA, este indica o robusto e gradual processo de recuperação, refletindo a consonância de fatores que influenciam positivamente sobre a atividade: manutenção de políticas monetárias e fiscais ultraexpansionistas e, mais importantemente, uma contínua e agressiva campanha de vacinação, que segue a um ritmo firme e registra, na média, um pouco mais de milhão de doses de vacinas anti-covid-19 administradas por dia.


BRASIL:

Não esperemos mudanças

Mercados… Ativos financeiros das mais diversas classes sentiram fortemente o aumento do risco político ocorrido na semana passada. O índice Bovespa, puxada pela derrocada da Petrobras – que também contaminou outras estatais, como Banco do Brasil e Eletrobras – levou o índice para o menor patamar em dois meses. O dólar disparou e, não surpreendentemente, as taxas no mercado de juros futuros aumentaram fortemente ao longo de todos os vértices da estrutura a termo da curva de juros. Ao longo da tarde, o dólar arrefeceu a alta com mais uma intervenção acertada do BCB no mercado cambial com leilão de swaps. No final das contas, o movimento de Bolsonaro não altera a condução da política fiscal no que diz respeito à Câmara dos Deputados. O risco-país, medido pelo CDS de cinco anos, também aumentou consideravelmente, e voltou a rondar em torno dos 180 pontos.

Expectativas de mercado refletem risco político… As expectativas para as principais variáveis macroeconômicas sentiram em cheio a pressão derivada do aumento do risco político ocorrido nos últimos dias. A decisão de Bolsonaro de exonerar Castello Branco do comando da Petrobras reforçou o risco fiscal, pois induziu uma intensificação da incerteza em torno de como Bolsonaro pode (ou não) influenciar a política de preços da empresa. Sinais de intervencionismo como tal, acoplados à falta de clareza quanto às pretensões de reduzir o PIS/Cofins que incide sobre o óleo e diesel, criam a fórmula perfeita para pressionar e manter a taxa cambial em nível excessivamente desmoderado, principalmente quando se leve em conta o comportamento das contas externas e o movimento dos termos de troca.

Expectativas de mercado refletem risco político (2)… É justamente por causa deste descaso político que na divulgação da pesquisa Focus do BCB a expectativa para o câmbio de final de ano foi para R$ 5,01 para R$ 5,02, com possível tendência de contínua elevação.  Já o IPCA aumentou 20 pontos base para 3,82%, ultrapassando o centro da meta de 3,75% para o ano. Diante do avanço das expectativas inflacionárias, a aposta mediana do mercado para a Selic também sofreu aumento: passou de 3,75% para 4,00%. Em essência, o que se observa é que a atuação do executivo é em boa parte responsável pela aumenta em potencial e prematuro da taxa Selic – afinal, as condições objetivas da economia, como o desemprego recorde e a considerável perda de tração em alguns setores da economia, continuam a prescrever elevados graus de estímulo monetário.

Olhando para frente… Entretanto, o movimento, felizmente, não foi suficientemente forte para contaminar as expectativas de inflação de 2022. Na leitura do Focus de hoje, a expectativa de inflação do IPCA (3,48%) está grudada na meta (3,50%), ainda que a expectativa para taxa de câmbio no ano (R$ 5,00) continue bastante próximo de sua atual expectativa de R$ 5,05. Isto faz sentindo, pois 2022 é ano de eleição e provavelmente não contará com um avanço relevante e contundente das reformas. Salientamos em outros relatórios que a partir de novembro, os holofotes de Brasília se viram para os redutos eleitorais brasileiros em formação de campanha.

Olhando para a frente (2)… Quiçá por conta disto, é de se esperar que o presidente continue apresentando comportamentos erráticos, imprevisíveis e que, muitas vezes, indicam seu descompromisso com a agenda de ajustes macroeconômicos em prol de apelos mais populistas. O movimento de cunho intervencionista ocorrido na semana passada certamente não será o último – afinal, Bolsonaro enunciou meter o dedo na energia elétrica –, e é importante compreender que esperar uma mudança de postura por parte do presidente não parece ser factível. No final das contas, como enunciou Pérsio Arida – um dos pais do plano real e renomado investidor – em entrevista ao Infomoney em 2018: “Bolsonaro é estatizante”. Felizmente, o Congresso, de caráter relativamente reformista e comprometido com agenda de ajustes, pode promover um alívio na presença de ruídos políticos como o ocorrido recentemente.

No radar… Localmente, o investidor acompanha a divulgação da leitura da 3a quadrissemana IPC-, assim como o indicador de expectativa de inflação do consumidor. Ambos os índices serão divulgados pela FGV.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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