Apito Final | Risk-off contagia mercados globais

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

• Mercados globais tem dia negativo, com investidores vendo risco de crise financeira;
• Governo chinês permanece firme e o risco de default da empresa Evergrande continua aumentando.

Brasil

• Risco financeiro na China leva Ibovespa a começar a semana com nova queda;
• Na espera do Copom, mercado projeta nova alta para o IPCA.


FECHAMENTO

Ibovespa: 108.843,74 (-2,33%)
BRL/USD: 5,33 (+0,93%)
DI Jan/27: 10,46% (-17,0 bps)
S&P 500: 4.357,73 (-1,70%)

PRINCIPAIS ALTAS:

CPLE6: R$ 6,94 (+4,68%) 
SBSB3: R$ 35,91 (+1,81%)
CVCB3: R$ 20,60 (+0,88%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

BRKM5: R$ 58,39 (-11,54%)
VIIA3: R$ 7,89 (-6,74%) 
CASH3: R$ 6,69 (-5,91%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

Desaceleração da economia e confiança em baixa

Mercados… Bolsas nos mercados globais caíram no fechamento do pregão de hoje em meio à angústia causada pela crise financeira do conglomerado imobiliário Evergrande, na China. A empresa terá o vencimento de juros de títulos na quinta-feira e possui alto risco de calote. O possível efeito domino que isso geraria na economia chinesa fez com que commodities hoje fechassem no vermelho, com destaque para o minério de ferro, que já vinha caindo nas últimas semanas. Nos Estados Unidos, esse cenário se soma ao impasse sobre o teto da dívida americana. Segundo a Secretária do Tesouro, Janet Yellen, caso o Congresso não chegasse a um acordo em relação ao aumento do teto, a economia americana estaria sob risco de “crise financeira histórica”, nas palavras dela. Diante disso, os líderes democratas no Congresso disseram que irão propor a suspensão do teto da dívida até o fim de 2022, e que pretendem votar a proposta ainda nesta semana. As expectativas com a decisão do Fed também repercutem no sentimento de aversão ao risco dos investidores, uma vez que é esperado que o banco central americano deva dar novas indicações sobre seu plano de voo para a política monetária, que deve iniciar o programa de redução de compras de títulos ainda neste ano. Ainda assim, o rendimento dos treasuries americanos caíram hoje, em linha com o movimento europeu, e o dólar índex teve leve valorização por conta do sentimento de risk-off no mercado com o desenrolar da crise da Evergrande.

Risco de default… O conglomerado Evergrande Group suscitou a memória dos investidores com o risco de calote da dívida, lembrando a situação que ocorreu em 2008 quando a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers gerou um “efeito dominó” sobre a economia levando a uma crise bancária que afetaria o mundo inteiro. A Evergrande é uma das maiores incorporadoras imobiliárias da China, e uma das maiores do mundo em receita. A empresa atuava com certa alavancagem já a algum tempo para financiar sua expansão acelerada e gerou passivos no valor de mais de US$ 300 bilhões. Na terça-feira passada, porém, a incorporadora anunciou que poderia entrar em default por problemas no fluxo de caixa da empresa. Desde então, esperava-se que o governo chinês fosse intervir para evitar uma possível crise encadeada pelo conglomerado, contudo, Pequim segue firme e já diz que não irá intervir para salvá-lo. Embora as operações da empresa sejam mais voltadas para o mercado interno – o que pode amenizar o impacto do calote no mercado internacional – o efeito sobre a economia chinesa ainda seria nefasto, afetando fornecedores, seguradoras e mesmo bancos. Os possíveis desdobramentos desse cenário certamente prejudicariam os preços das commodities, e especialmente os países exportadores, como o Brasil. Os custos de uma não intervenção são demasiados sombrios para a segunda maior economia do mundo para esperar que o governo não irá atuar, porém, a resiliência das autoridades políticas preocupa o mercado, e com razão, só nos resta acompanhar o desenrolar desta situação…

No radar… Amanhã nos Estados Unidos saem dados de novas construções residenciais e concessões de alvarás às 9h30, enquanto anoite o BC chinês anunciará a decisão de política monetária às 22h30.


Brasil

Risco de crise na China afeta papeis locais

Mercados… Os investidores locais mantiveram-se em apreensão por conta dos movimentos no mercado internacional, em especial na China (vide cenário externo). Para o Brasil, uma possível crise desencadeada pela quebra da incorporadora chinesa Evergrande, seria ainda mais relevante, visto a dependência da demanda chinesa entre a pauta exportadora brasileira. Reflexo disso está na desvalorização de papeis ligados ao minério de ferro, como a Vale, que segue com fortes perdas já a algum tempo por conta da redução da demanda chinesa por minério de ferro. Somado a isso, o cenário interno não melhorou, com a situação dos precatórios ainda resolvida, por exemplo. Tendo isso em vista, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira confirmou hoje reunião com Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, para discutir o tema. Lira afirmou também que a Reforma Administrativa poderia ver votada nesta quarta-feira após a realização de alguns ajustes no texto. Essas declarações foram bem-vistas, mas contribuíram pouco para o ânimo do mercado, que permanece atento às novidades na China, e às decisões de política monetária do Banco Central brasileiro e americano na quarta-feira. Ainda hoje, o último relatório Focus antes do Copom mostrou que o mercado novamente elevou sua estimativa de inflação, de 8% para 8,35% neste ano e de 4,03% para 4,10% em 2022, com uma Selic em 8,25% a.a. em 2021 e 8,50% a.a em 2022. Tendo isso em vista, e com uma agenda de indicadores morna nesta segunda-feira, o dólar teve forte aumento e o Ibovespa teve queda. Enquanto isso, a curva de juros mantém a precificação de alta na casa de 100 pontos após a reunião do Copom nesta quarta, depois de Campos Neto dizer, na semana passada, que BC não altera plano de voo baseado em indicadores de alta frequência, praticamente afirmando que o BC manteria o ritmo de elevação da Selic.

No radar… Em mais um dia de agenda de indicadores morno, acompanharemos apenas o Leilão tradicional de NTN-B do Tesouro às 11h30.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Rafael Gabriel Pacheco
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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