Apito Final | (Ainda) entre a cruz e a espada

Tempo de leitura: 6 minutos

Internacional

  • Sem novidades no radar, ativos internacionais dão continuidade a perdas após testar máximas consecutivamente nas últimas semanas;
  • Em dia fraco de indicadores, DoE divulga, amanhã, mais um dado de estoques de petróleo bruto.

Brasil

  • Ativos de risco domésticos das mais variadas classes reagem negativamente ao acordo político realizado em torno do orçamento;
  • Desfecho do orçamento é preocupante;
  • Mesmo com acordo, cumprimento do teto de gastos não está garantido e Bolsonaro continua entre a cruz e a espada. 

FECHAMENTO

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

Ibovespa: 120.062 (-0,72%) ­­
BR$/US$: 5,55 (+0,16%)
DI Jan/27: 8,65% (+16 bps)
S&P 500: 4.134 (-0,68%)

PRINCIPAIS ALTAS:

PCAR3: R$ 39,30 (+8,92%)
MRFG3: R$ 20,71 (+4,60%)
CMIG4: R$ 13,50 (+3,85%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

YDUQ3: R$ 29,55 (-5,29%)
LREN3: R$ 43,40 (-4,05%)
GOLL4: R$ 22,22 (-3,93%)


Cenário Externo

Em queda mais uma vez

Mercados…. Em dia praticamente esvaziado de indicadores econômicos, investidores voltaram a colocar pressão vendedora sobre os principais índices acionários ao redor do globo. É natural que, após semanas em alta, ativos percam força, principalmente quando faltam catalisadores para justificar o fluxo comprador. Enquanto isso, investidores ficam à espera de dados de atividade que confirmem cada vez mais a expectativa de forte crescimento nas economias centrais. Aguardam, também, fatos relacionados à condução da política fiscal nos EUA, onde se espera que avanços quanto ao pacote de infraestrutura de Joe Biden sejam feitos.

No radar… Embora o mercado local esteja fechado, bolsas internacionais operam normalmente. Com isto, é importante lembrar que amanhã o DoE divulga mais um dado sobre os estoques de petróleo bruto nos EUA.


BRASIL:

(Ainda) entre a cruz e a espada

Mercados… Após uma série de sessões positivas para ativos de risco domésticos, investidores promoveram um movimento de realização nas esferas da bolsa, juros e câmbio. Mesmo sob uma alta das commodities ao longo do dia, o índice não conseguiu manter o ritmo de alta, em parte por conta da pressão vendedora que também se instalou nos mercados internacionais. No mercado de juros e de câmbio pesou a suposta “resolução” em torno do impasse do orçamento. Investidores voltaram a embutir elevados prêmios de risco ao longo da estrutura a termo e no câmbio, em essência expressando sua insatisfação com a atual prática da política fiscal, que não parece muito inclinada à responsabilidade de forma geral.

Orçamento tem “desfecho” … O desfecho em torno da peça orçamentária de 2021 é preocupante por algumas razões. Primeiro, remover as despesas com a pandemia da meta fiscal é, como ressaltou Felipe Salto, diretor-executivo da IFI, “pouco transparente”. Ao invés de adequar a meta às despesas, efetivamente esclarecendo de que forma a dívida pública será impactada pelo resultado primário, escolhe “alterar” a regra, funcionando como uma espécie de puxadinho. Existe outro problema, no entanto, de maior gravidade: o que foi supostamente acordado – o veto de R$ 10 bilhões às emendas parlamentares adicionadas pelo relator – não é suficiente para equacionar o cumprimento do teto de gastos.

Acordo é insuficiente para cumprir teto… De acordo com cálculos feitos pelo próprio IFI, o orçamento aprovado estoura o teto de gastos em um valor de R$ 31,9 bilhões. O acordo proposto visa reduzir despesas com emendas em até R$ 10 bilhões, deixando um buraco de R$ 21,9 bilhões. O executivo poderia cortar R$ 10 bilhões adicionais das despesas discricionárias, além de outros R$ 2 bilhões de emendas de bancada, sem comprometer o funcionamento da máquina pública, mas, mesmo assim, o teto de gastos ainda estaria sendo rompido em aproximadamente R$ 9 bilhões. Ocorre que, um corte adicional desta magnitude nas despesas discricionárias do executivo de fato coloca em risco o funcionamento da máquina pública.

As opções do Executivo… De acordo com Salto, o governo teria três opções. Primeiro, promover um corte de tal magnitude, levando ao cumprimento do teto e ao shutdown da máquina pública em plena segunda onda. Segundo, cortar emendas do relator além do que foi acordado, cumprindo o teto e evitando o shutdown da máquina pública. Terceiro, deixar de fazer algo e romper o teto. Dada as possibilidades, o mais prudente é que o governo opte pela segunda opção.

Ainda entre a cruz e a espada… Isto, no entanto, se apresenta como uma opção politicamente custosa para Bolsonaro. Cortar emendas do relator além do que foi acordado arrisca promover um desgaste maior na relação entre Executivo e Legislativo, tendo como principal consequência uma paralização no trâmite das pautas reformistas propostas pelo próprio Ministério da Economia. Aliás, representantes do centrão já sinalizaram em outros momentos que este poderia ser o caso. Enfim, um acordo político foi divulgado, porém seu conteúdo é bastante ineficaz em termos de reajustar adequadamente as expectativas e retomar a credibilidade – que aos poucos vai se perdendo – da política fiscal. E, Bolsonaro, sob imensa pressão por conta da CPI da covid-19, se encontra, ainda, entre a cruz e a espada.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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