Apito Final | Não há como fugir do fiscal

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

  • Índices de mercado internacionais voltam a sofrer com pressão dos juros futuros nos mercados de renda fixa; 
  • Juros em alta continuam expressando ceticismo do mercado com tranquilidade do Fed quanto à inflação; 
  • Pedidos de seguro-desemprego voltam a subir nos EUA; 

Brasil:

  • Bolsa cai com cenário externo e baixa das commodities; 
  • Dólar aprecia e sente aumento do juro pelo COPOM; 
  • Uma apreciação sustentada só ocorrerá com uma política fiscal mais crível; 
  • Enorme diferencial de crescimento esperado entre Brasil e EUA também inibe apreciações mais acentuadas. 

  


FECHAMENTO

Ibovespa: 114.835 (-1,47%) ­­
BR$/US$: 5,56 (-0,38%)
DI Jan/27: 7,89% (-2 bps)
S&P 500: 3.915 (-1,48%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

SANB11: R$ 40,88 (+2,77%)
BBDC3: R$ 23,15 (+1,85%)
BBDC4: R$ 26,47 (+1,85%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

PRIO3: R$ 88,20 (-8,60%)
GOLL4: R$ 21,36 (-7,53%)
MGLU3: R$ 22,28 (-6,93%)


Cenário Externo

FED vs. MARKET

Mercados…. Em dia relativamente fraco de indicadores econômicos, ativos internacionais voltaram a sofrer com a pressão derivada do aumento dos juros futuros. O juro do título de 10 anos nos EUA e na Europa voltou a operar em forte alta ao longo do dia, batendo nos principais índices americanos, principalmente o Nasdaq, cuja reação aos juros tende a ser mais sensível por conta da grande participação de empresas de tecnologia contidas no índice. Como temos comentado, este tem sido – e continuará sendo – o principal ponto de pressão para os mercados internacionais. 
  

Juros novamente em alta… O mercado de juros americano voltou a expressar o profundo embate de narrativas que vem contaminando as decisões de investimento. Após uma comunicação extremamente dovish por parte do Banco Central americano, investidores não foram convencidos de que o atual grau de estímulo monetário, aliado à expansão fiscal promovida pelo pacote de Biden, não irá gerar uma aceleração rápida, excessiva e persistente da inflação. Pelo contrário, predomina no mercado de juros um elevado grau de preocupação com a inflação, e o sell-off de títulos públicos demonstra exatamente isso. Assim, entendemos que um alívio no mercado de juros somente será sentido quando dados de inflação demonstrem que, de fato, não há aumento preocupante e agressivo da inflação. Ocorre que isso tardará para ocorrer. Dados de inflação mais fortes serão somente conhecidos em meados do ano. Até lá, parece mais provável que o mercado continue batalhando com o Fed. 


Mercado de trabalho americano… Os pedidos de seguro-desemprego, divulgados hoje, voltaram a demonstrar o tumulto pelo qual ainda passa o mercado de trabalho americano. Após cair para 712 mil pedidos na semana passada, voltaram a subir para 770 mil nesta, frustrando as expectativas do mercado, que estimava ligeira queda para 700 mil. O ainda deteriorado estado do mercado reflete, em boa parte, o cenário de incerteza com a pressão exercida pelo vírus enquanto a vacinação não é levada ao cabo. Os pedidos de seguro-desemprego continuarão a cair somente com o aumento do emprego, que fluirá de acordo com a vacinação concomitantemente à implementação dos estímulos.


BRASIL:

Não há como fugir do fiscal 

Mercados… Em dia que não contou com grande novidade no cenário político, ativos de risco tiveram comportamentos divergentes ao longo da sessão desta 5afeira. Por um lado, o Índice Bovespa – negativamente influenciado pela desvalorização das commodities – caiu, sujeito a um movimento de realização de lucros por parte dos investidores. A taxa de câmbio, por outro lado, apreciou, refletindo a decisão do Copom de aumentar a taxa Selic em 75 bps ao invés de 50, como previam as expectativas do mercado. No mercado de juros futuros, a estrutura a termo da curva de juros perdeu inclinação, refletindo, também, o movimento do Copom, que forçou uma alta nas taxas curtas e uma baixa das longas. O CDS de cinco anos também operou em queda.


Sobre a taxa de câmbio… Como comentado, a taxa de câmbio passou por uma ligeira apreciação ao longo do dia devido a maior atratividade do real perante o aumento do diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil. O movimento era esperado, uma vez que o Copom surpreendeu o mercado com o tamanho da alta e a contratação de uma de igual magnitude na reunião que vem. Resta a pergunta: até que ponto a normalização parcial da taxa Selic pode induzir uma trajetória de valorização mais sustentada para o real frente ao dólar? É verdade que aumentos na taxa tenderão a valorizar a moeda local por conta do exposto acima, mas há de se relembrar que a taxa de câmbio, além de reagir à política monetária, também reage à política fiscal e ao crescimento econômico de ambos os países. 


Melhora do fiscal é proeminente… Se por um lado altas no juro apreciam o real frente ao dólar, é igualmente verdadeiro que as incertezas quanto ao rumo da política fiscal travam, em alguma medida, este movimento. O elevado risco fiscal – fruto do comportamento errático do presidente e de um Congresso que não está integralmente comprometido com o ajuste fiscal – aumenta as incertezas sobre a trajetória futura da dívida pública, diminuindo a demanda por reais. Com isto, entende-se que o impacto do juro sobre o dólar tanto maior será quanto menor for o risco fiscal, que depende da redução da inércia política por trás da tramitação das reformas e da ausência de movimentos bruscos e voláteis por parte do Executivo. Até que esta inércia não seja reduzida e o Congresso não dê celeridade às reformas, ou Bolsonaro não mude sua atitude perante a pandemia e as medidas de austeridade, os impactos sobre o juro tenderão a ser limitados, mantendo a taxa de câmbio sistematicamente depreciada justamente por causa da baixa credibilidade da política fiscal. 


Baixo crescimento também não ajuda… O fato de que os EUA terão um crescimento robusto ao longo deste ano enquanto o Brasil penará para se recuperar, também compromete a apreciação do real. O forte e esperado crescimento dos EUA mantém pressão altista sobre os juros nos mercados de renda fixa americanos, aumentando a atratividade dos ativos por lá e fomentando a demanda por dólares para adquiri-los. Tanto maior será a apreciação do real quanto menor for o diferencial de crescimento entre o Brasil e os EUA; neste caso, a redução deste diferencial somente ocorrerá caso a campanha de vacinação ganhe maior celeridade, criando melhores condições para o crescimento da economia brasileira. No final das contas, o tamanho do suporte fiscal brasileiro nem de perto se equipara ao o que será praticado no nos EUA com o pacote de Biden.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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