Apito Final | Banco Central está atuando corretamente no Mercado Cambial

Internacional

  • Bolsas globais tem leve dia de baixa em movimento de correção após fortes altas;
  • Dados mistos nos EUA apontam para enfraquecimento do varejo e fortalecimento da indústria;
  • Indicadores seguem reforçando a necessidade de aprovação de uma um pacote de gastos.

Brasil:

  • Ibovespa destoa do exterior e encerra o dia em tom positivo;
  • Expectativa de atuação do BCB no mercado cambial e fluxo estrangeiro promovem alívio para o real;
  • Entendemos a intervenção do Banco Central como apropriada, pois não visa evitar a manifestação de riscos fiscais, e sim uma disfuncionalidade causadas por mudanças tributárias realizadas no início do ano;
  • Setor de Papel e Celulose e Bradespar são destaques do dia.

FECHAMENTO

Ibovespa: 107.224 (+0,75%) ­­
BR$/US$: 5,32 (-1,95%)
DI Jan/27: 7,43% (-4 bps)
S&P 500: 3.609 (-0,48%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

CVCB3: R$ 16,04 (+9,41%)
HYPE3: R$ 31,66 (+7,14%)
EGIE3: R$ 45,67 (+4,72%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

TAEE11: R$ 32,21 (-4,17%)
SUZB3: R$ 51,30 (-3,37%)
MRVE3: R$ 20,25 (-3,06%)


Cenário Externo

Leve dia de correção

Mercados…  Ativos internacionais tiveram um leve dia de correção após uma sequência de altas pautadas no otimismo com o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19. Sem grandes destaques no noticiário do dia, investidores ponderaram suas decisões de investimento enquanto a situação delicada dos quadros sanitários nos EUA e na Europa se fortalece. Se na Europa já se reintroduziu medidas de isolamento social mais agudas, nos EUA, governados já começam a sinalizar que algumas medidas podem chegar a ser tomadas. As techs, que ontem foram marginalizadas, voltaram aos holofotes, com o índice Nasdaq encerrando o dia na ponta verde e o S&P 500 na ponta vermelha. Na Europa, o Stoxx 600 também acompanhou o movimento do S&P500, encerrando o dia com leve variação negativa.

Economia americana… As vendas no varejo voltaram a pontuar a desaceleração no processo de recuperação, que já esgota o efeito mecânico da reabertura e continua refletindo a ausência da renovação de medidas de suporte fiscal em massa. Em outubro, as vendas no varejo reportaram aumento de apenas 0,30%, após alta revisada de 1,6% em setembro. O movimento de desaceleração naturalmente repercute as leituras mais recentes dos índices de confiança do consumidor, que seguem deprimidos quando comparados ao níveis pré-crise e, nas leituras mais recentes, têm demonstrado uma piora das expectativas futuras. Diante das incertezas relacionadas ao mercado de trabalho, além da inércia do Congresso americano em aprovar mais estímulos, consumidores reduzem seu dispêndio hoje, esperando a materialização de um cenário menos nebuloso para retomar as altas no nível de consumo. Vale ressaltar: apesar de o dado apontar para uma desaceleração da atividade no último trimestre do ano, quando avaliado em conjunto com outros dados de atividade se mantém longe de significar uma contração, como já ocorre na Europa.

Mais sobre a economia americana… Além das vendas do varejo, investidores avaliaram a produção industrial para o mesmo mês. Após contração da ordem de 0,40% em setembro, houve uma robusta expansão de 1,1% em outubro. O estado resiliente da demanda segue, junto com sua menor sensibilidade à taxa de propagação do vírus, induzindo condições de produção mais estáveis para o setor. Ainda, a utilização da capacidade instalada – dado que permite avaliar o nível de ociosidade do setor – passou por uma alta ao ir de 71,5% para 72,8% nos meses analisados. Vale salientar que a utilização da capacidade, no entanto, continua abaixo dos níveis pré-crise (77,0%), deixando claro que o fechamento do hiato irá, em meio ao ressurgimento do vírus e perda de força da demanda, requerer mais apoio fiscal. Nesta frente, frisamos que o suporte deverá ocorrer somente no ano que vem, pois republicanos e democratas ainda seguem bilhões de dólares à distância de resolver as suas diferenças.


BRASIL:

Banco Central está atuando corretamente no Mercado Cambial

Mercados… O Índice Bovespa descolou do movimento das bolsas internacionais e voltou a operar em terreno positivo ao longo das negociações. A reduzida aversão ao risco decorrente das notícias relacionadas à vacina se somou à alta das commodities, beneficiando ativos locais. No mercado cambial, o dólar continuou em baixa, cotado próximo dos R$ 5,32 em movimento que refletiu mais uma sessão de fluxo estrangeiro positivo na bolsa e o anúncio do BCB de que estaria disposto, por meio de operações com swap cambiais, a ajudar o mercado a absorver a demanda por dólares criada pelo desmonte de posições de overhedge por parte dos grandes bancos. O movimento do câmbio surtiu leve efeito sobre a estrutura a termo da curva de juros, induzindo uma baixa dos vértices, principalmente os longos. O risco-país, medido pela cotação do CDS de cinco anos, operou em alta, ainda espelhando a presença dos riscos fiscais.

O Banco Central e a política cambial…. O desmonte das posições de overhedge implica em uma demanda maior por dólares, tendo em vista que a posição é inicialmente montada na parte vendida, onde os bancos visam proteger seu patrimônio de uma eventual depreciação do dólar frente ao real. Ou seja, para desmontar a posição, os bancos elevam sua demanda por dólares, possivelmente forçando uma pressão considerável sobre a taxa de câmbio. Ocorre que o desmonte das posições vem na esteira de uma mudança tributária que entrará em vigor a partir do ano que vem. Atualmente, a variação cambial dos ativos no exterior não é tributada da mesma forma que os instrumentos utilizados para fazer o hedge por aqui o são. Este descompasso entre a incidência de tributação força os bancos a implementar uma proteção adicional, chamada de overhedge, de forma a proteger eventuais perdas com a apreciação do real. Como as mudanças introduzidas este ano mitigam este descompasso, torna-se desnecessário fazer o overhedge, explicando porque as posições serão desmontadas.

O Banco Central está certo em agir… A sinalização de que o BC está disposto a suprir a demanda por dólares decorrente do desmonte das posições de overhedge é, em nossa opinião, correta. A pressão em potencial deste desmonte de posições pode ocasionar uma alta no câmbio que ocorre, como mencionado, em virtude de uma mudança de regulamentação, e não em função de alterações no quadro estrutural do país. Já mencionamos em outra edição do Apito Final que as intervenções no mercado cambial se justificam na medida em que não inibem que os riscos fiscais sejam corretamente manifestados em direção aos agentes – principalmente políticos – responsáveis pela reordenação das contas públicas. A intervenção neste caso evita uma depreciação acentuada decorrente de uma mudança tributária, que por sua vez não tem relação concreta e direta com os riscos fiscais, e pode ser atenuada via intervenção para evitar uma pressão adicional e desnecessária sobre a economia real.  Caso esta pressão em potencial estivesse, de alguma forma ou outra, relacionado aos riscos fiscais, não faria sentido promover tal intervenção (não seria uma ação efetiva e nem sustentável).

Setor de Papel e Celulose… Em mais um dia positivo para ativos de risco, as empresas do setor tiveram performances bastante fracas. Como grande parte das receitas das companhias é dolarizada, a depreciação do dólar impactou negativamente a performance do setor na sessão desta terça-feira.

Bradespar… Ações da companhia disparam influenciadas pelo fato de o BNDES ter vendido um novo lote de ações da Vale pelo valor de R$2,5 bilhões, além do dia novamente positivo para o minério de ferro. Em agosto, o banco estatal já havia vendido R$8,1 bilhões em ações. Com as duas operações juntas, o BNDES vendeu um total de 175 milhões de ações da Vale. A empresa detém uma participação considerável na Vale.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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