Apito Final | Luz no fim do túnel

Internacional

  • Bolsas internacionais iniciam a semana em tom otimista com novo resultado de vacina promissor;
  • Rotação setorial volta a ditar a dinâmica dos mercados;
  • Economia chinesa segue em forte expansão da atividade.

Brasil:

  • Ibovespa avança com cenário externo e fim do 1º turno das eleições municipais;
  • Expectativas de inflação para 2020 tem décima-quarta alta consecutiva;
  • Expectativas para o crescimento de 2020 tem nova revisão altista após avaliação das pesquisas setoriais na semana passada;
  • Vale e setor de aviação são destaques do dia.

FECHAMENTO

Ibovespa: 106.502 (+1,70%) ­­
BR$/US$: 5,43 (-0,59%)
DI Jan/27: 7,49% (+3 bps)
S&P 500: 3.627 (+1,17%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

AZUL4: R$ 32,20 (+11,03%)
GOLL4: R$ 21,35 (+9,15%)
EMBR3: R$ 8,03 (+7,79%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

BRKM5: R$ 24,09 (-2,47%)
TOTS3: R$ 27,67 (-1,88%)
MRFG3: R$ 14,67 (-1,74%)


Cenário Externo

Luz no fim do túnel

Mercados… Bolsas internacionais voltaram a operar no verde ao longo das negociações desta segunda-feira. O ambiente de menor aversão ao risco global foi novamente reforçado pela divulgação de resultados fortemente promissores relacionados à vacina para o coronavírus, desta vez com relação à inoculação desenvolvida pela Moderna Inc. No pano de fundo, um acordo de livre comércio entre 15 países da Ásia e Oceania também contribuiu para elevar os ânimos. Ao final do dia, tanto o S&P 500, assim como o Stoxx 600, seu par na Europa, encerram o dia com ganhos expressivos.

Vacina em vista… Após resultados extraordinários com a vacina da Pfizer/BioNTech, foi a vez da Moderna Inc., empresa de biotecnologia americana, apresentar seus resultados. A vacina, que também utiliza a tecnologia de RNA utilizada pela Pfizer, apresentou uma eficácia de 94,5%. O dado confirmou que, assim como a de seu concorrente, a vacina da Moderna Inc. inibiu a doença causada pelo coronavírus (covid-19) nos pacientes que a receberam. Os resultados são extremamente promissores e vem na esteira de uma piora relevante do quadro sanitário nos EUA, que registra novas máximas no que diz respeito às infecções diárias e hospitalizações, e na Europa, onde governos já praticam a reinstituição de medidas de isolamento social mais agudas. Ao que parece, o começo do fim finalmente chegou.

Rotação setorial em pauta… Assim como na semana passada, a notícia da vacina voltou a promover uma rotação setorial em prol dos ativos que têm sido mais penalizados pela pandemia. Assim, os ativos intimamente ligados ao ciclo econômico, tal qual o setor de aviação, bancos e óleo e gás, foram os principais beneficiados da notícia. Na contramão, os ativos ligados ao setor de tecnologia, cujo desempenho foi positivamente influenciado pelas medidas de isolamento social, tiveram desempenho inferior. De qualquer maneira, entendemos que este processo de rotação setorial somente se provará duradouro uma vez a vacina seja amplamente produzida e distribuída.

Economia chinesa… Em dia morno de indicadores econômicos, dados de atividade agregados na china marcaram o dia. Como mencionamos no Mercados Hoje desta manhã, o forte desempenho do setor industrial e do varejo pontuam a resiliência da economia chinesa, evidenciando como manter o vírus sob controle é, inicialmente, a condição primordial para garantir consistência no processo de recuperação econômica. Por lá, a produção industrial cresceu 6,9% com relação à outubro do ano passado, levando o resultado acumulado no ano para 1,8%. As vendas no varejo, após alta interanual de 4,3%, reduziram a contração acumulada no ano para -5,90%.


BRASIL:

Em consonância com os mercados globais

Mercados… Em dia de poucos indicadores locais e internacionais para dar norte às decisões de investimento, a notícia da vacina da Moderna Inc. voltou a permear os mercados brasileiros, forçando movimento similares ao verificado no exterior. A menor aversão ao risco, reforçada pelo fim do 1º turno das eleições municipais, beneficiou o real, que voltou a apreciar perante o dólar. No mercado de juros futuros, a voltou a apresentar movimentos em direção a uma maior inclinação. As taxas curtas caíram levemente, enquanto as longas subiram, também em movimento de ajuste diante das baixas verificadas na semana passada. O CDS de cinco anos, métrica de risco país, operou em baixa e segue situado abaixo dos 200 pontos base.

Expectativas de inflação… As expectativas de inflação, apuradas a partir da pesquisa Focus do Banco Central, voltaram a registrar altas. Pela décima-quarta vez, a expectativa para o IPCA de 2020 avançou, indo de 3,20% para 3,25%. Já as expectativas de inflação para 2021 ao ir de 3,17% para 3,22%, passaram pela quarta alta consecutiva. O avanço das expectativas de inflação está intimamente ligado à recente alta do IPCA, pressionado principalmente pelos alimentos e pela normalização dos preços de alguns bens e serviços. Diante da acentuada desvalorização cambial e continuidade no processo de recuperação econômica, é natural que os preços evidenciam uma pressão altista.

Expectativas e política monetária… Tendo em vista que as expectativas de inflação para anos supracitados continuam abaixo das metas (4,00% para 2020 e 3,75% para 2021), fica claro que o atual nível da taxa Selic deve ser mantido pelo menos até o final do ano. Temos, assim como BCB, recorrentemente enfatizado que o principal risco para a atual estratégia de juros historicamente baixos é fiscal. Na medida em que ameaça contaminar a formação das expectativas e, por consequência, a taxa de câmbio, tem potencial de elevar a inflação além da meta. De qualquer maneira, pressões desinflacionarias decorrentes de um mercado de trabalho deteriorado e de um setor de serviços que ainda opera com ampla capacidade ociosa ainda persistem, se contrapondo à pressão altista que o risco fiscal coloca. O mês de novembro será crucial para determinar até que ponto o receio com as contas públicas pode ou não ser atenuado, tendo em vista que, com o passar das eleições municipais que apontou para um forte enfraquecimento do bolsonarismo em âmbito nacional, espera-se que o presidente junto com sua equipe econômica apresente um plano de financiamento para o Renda Brasil.

Expectativas de crescimento… Já com relação ao PIB, projeções de mercado apontaram para uma melhora de expectativa com relação a 2020. Para este ano, passou-se a prever uma contração da ordem de -4,66% ante -4,80% na semana retrasada. Para 2021, a expectativa de crescimento ficou estável em 3,31%. O resultado positivo para o ano corrente vem na esteira dos dados promissores provenientes do setor de varejo e, em menor escala, do setor de serviços em setembro. Nas pesquisas setoriais da semana passada, ambos os setores continuaram em expansão, embora a uma taxa reduzida, confirmando a transitoriedade do efeito mecânico trazido pela reabertura, além do efeito reduzido induzido pela menor parcela de R$ 300 do Auxílio Emergencial.

Vale… Em dia de bom humor dos mercados, a mineradora foi a principal responsável pela alta do índice. O movimento ocorreu principalmente no período da tarde, quando o BNDES realizou uma venda através de um block trade no montante de R$2,5 bilhões. Ainda, dados de produção industrial chinesa, divulgados na noite de ontem, surpreenderam positivamente o mercado, impactando o preço do minério de ferro, o que, por sua vez, também auxiliou na performance favorável da Vale na sessão de hoje.

Setor de Companhias Aéreas… Após a notícia da Moderna, farmacêutica americana, de que sua vacina contra a Covid-19 possui 94,5% de eficácia, companhias do setor acabaram se beneficiando e encerraram o dia em forte alta. Os pesquisadores da Moderna disseram que o resultado surpreendeu suas expectativas.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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