Apito Final | Governo volta a cometer o mesmo erro

Internacional

  • Apesar do alto grau de volatilidade, bolsas globais encerram a semana no verde enquanto investidores buscam pontos de entrada atrativos;
  • Produção industrial nos EUA cai ligeiramente e utilização da capacidade instalada fica estável em setembro;
  • Em movimento surpreendentemente altista, vendas no varejo e confiança do consumidor superam expectativas de mercado;

Brasil:

  • Espectro do risco fiscal volta à tona e pressiona ativos de risco domésticos;
  • Com elevação do risco, dólar e juros encerram o dia em alta;
  • O governo ainda parece não ter entendido a importância de gerenciar apropriadamente as expectativas;
  • Petrobras e Usiminas são destaques do dia.

FECHAMENTO

Ibovespa: 98.309 (-0,75%)­­
BR$/US$: 5,64 (+0,59%)
DI Jan/27: 7,54% (+1 bps)
S&P 500: 3.483 (+0,01%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

BRMK5: R$ 22,34 (+5,58%)
SUZB3: R$ 50,59 (+4,61%)
USIM5: R$ 11,32 (+4,33%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

COGN3: R$ 4,83 (-4,17%)
YDUQ3: R$ 25,81 (-3,30%)
SANB11: R$ 30,71 (-3,12%)


Cenário Externo

Dados do varejo marcam dia de recuperação para ativos

Mercados… Ativos de risco internacionais passaram por um dia de recuperação. Investidores, após as baixas de ontem, voltaram a ponderar os riscos do cenário com pontos de entradas atrativos para os diferentes ativos financeiros. Ao longo do dia, e na ausência de novas notícias negativas, o bom desempenho do setor varejista americano, assim como a relativa estabilidade do setor industrial (excluindo a produção de veículos e eletrônicos), também contribuiu para elevar os ânimos dos investidores ao redor do globo. De qualquer maneira, frisamos que os riscos, assim como a dinâmica preocupante do vírus, seguem presentes, explicitando a necessidade de manter a cautela. Ao final do dia, tanto o S&P500, índice americano, assim com o Stoxx 600, seu par na Europa, encerraram o dia no vermelho.

Produção industrial nos EUA… A produção industrial nos EUA somou-se ao grupo de indicadores que seguem apontando para o processo de acomodação no ritmo de recuperação. Em setembro, a produção catalogou queda de 0,6%. Esta é a primeira queda em cinco meses. A queda na atividade econômica do setor foi principalmente influenciada pela considerável desaceleração na produção de veículos e produtos eletrônicos. Excluindo estes itens, a produção do setor ficou inalterada no mês. Concomitantemente, a divulgação da produção industrial, o nível de utilização de capacidade instalada – um dado que mensura a ociosidade dentro do setor – ficou praticamente estável no mês ao aumentar de 71,4% em agosto para 71,5%. Voltamos a enfatizar que, na ausência de mais estímulos fiscais, o ritmo de recuperação seguirá em frente com este processo de desaceleração.

Vendas no Varejo no EUA… Ao contrária da produção no setor industrial, as vendas no varejo surpreenderam positivamente as expectativas ao registrar crescimento de robusto de 1,9% no mês passado, após crescimento de 0,6% no mês de agosto. A despeito da ausência de mais estímulos fiscais em massa, o avanço em setembro provavelmente refletiu o uso de recursos em poupança criados durante os momentos mais agudos e incertos da quarentena. Há de se lembrar, também, que o presidente americano, por meio de uma ordem executiva, promoveu a expansão de benefícios emergências no valor de US$ 300 após expiração do pacote trilionária em julho. Por último, a alta repentina e inesperada na confiança do consumidor (que foi de 80,4 para 81,2) – provavelmente em virtude do arrefecimento de novos casos ao longo das últimas semanas – também contribuiu de forma positiva para o bom desempenho do setor no mês. Ainda assim, o cenário segue incerto, e a presença do vírus deve manter a atividade da economia operando abaixo de seu potencial.


BRASIL:

Governo volta a cometer o mesmo erro

Mercados… O índice Bovespa descolou dos movimentos verificados no exterior, novamente influenciado pela dinâmica do âmbito político-fiscal. Ao longo do dia, investidores reagiram negativamente a comentários feitos pelo vice-presidente Mourão, que admitiu a possibilidade de romper o teto de gastos para executar a criação do Renda Cidadã. Como não podia deixar de ser, a intensificação dos riscos fiscais – os principais formadores de preços no mercado financeiro atualmente – ocasionou uma alta no dólar, que segue em patamar acima dos R$ 5,60. Na mesma linha, as taxas no mercado de juros futuros voltaram a embutir mais prêmio, principalmente ao longo dos vértices médios e longos. O CDS de cinco anos, métrica de risco país, em função das incertezas quanto ao rumo das contas públicas, segue acima dos 200 pontos base.

O governo ainda não entendeu… Como mencionamos em outra edição do Apito Final, o governo volta a cometer o mesmo erro quanto ao gerenciamento das expectativas. Já havíamos mencionado que o gerenciamento adequado das expectativas tem papel primordial no sentido de evitar um aperto das condições financeiros. Quando Mourão faz um comentário desta natureza, ele fere as expectativas, eleva as incertezas quanto à trajetória das finanças públicas e ocasiona a formação de maiores prêmios nos juros de longo prazo. Obviamente, esta elevação dos juros de longo prazo, causada pelo pobre gerenciamento das expectativas, tende – se persistente, como parece ser o caso atualmente – a deteriorar as perspectivas para o crescimento econômico. Quanto maiores os juros, maior o custo de capital e menor o estímulo ao investimento por parte das firmas. Este desestimulo ao investimento tem efeitos de segunda ordem sobre o mercado de trabalho, pois se as firmas investem menos em máquinas e equipamentos, tendem a demandar menos trabalho, acentuando as sequelas deixadas pela pandemia sobre o emprego.

Usiminas… Após mudança na recomendação do ativo de neutro para compra por uma casa de análise, a ação encerrou o dia entre os destaques de alta do índice. Os analistas elevaram o preço alvo de R$10,00 para R$14,00, levando em consideração a perspectiva positiva quanto aos preços do aço e aumento da demanda por automóveis no Brasil nos próximos meses.

Petrobras… A estatal brasileira obteve mais um dia negativo no pregão de hoje. A queda esteve relacionada a fraca performance internacional do petróleo e ao mau humor doméstico para com blue chips com exceção das exportadoras.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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