Apito Final | Varejo acelera nos EUA e gera preocupação com o Fed

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

• Bolsa americana cai com dados de varejo gerando especulações sobre decisão do Fed;
• Varejo cresce 0,7% em agosto, enquanto mercado previa queda.

Brasil

• Ibovespa mantém trajetória de baixa com cenário externo e política no radar;
• IGP-10 tem deflação menor que o esperado.


FECHAMENTO

Ibovespa: 113.794,28 (-1,10%)
BRL/USD: 5,26 (+0,53%)
DI Jan/27: 10,51% (-4 bps)
S&P 500: 4.473,90 (-0,15%)

PRINCIPAIS ALTAS:

CIEL3: R$ 2,52 (+5,44%)
HGTX3: R$ 38,52 (+4,90%)
ASAI3: R$ 19,16 (+3,07%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

VALE3: R$ 87,93 (-4,15%)
BRAP4: R$ 61,47 (-3,67%)
LAME4: R$ 5,62 (-3,44%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

Varejo acelera nos EUA e gera preocupação com o Fed 

Mercados… Nos Estados Unidos, as bolsas cederam após vendas do varejo inesperadamente subirem em agosto, e os pedidos de seguro-desemprego aumentarem mais do que o esperado, o que fomenta debate sobre os planos do Federal Reserve para reduzir o estímulo. Os dados de auxílio desemprego tiveram alta de 3% na semana, enquanto as vendas do varejo subiram 0,7%. Na medida em que o mercado espera a decisão de política monetária do Fed na semana que vem, os dados acelerados do varejo ajudaram a aumentar a precificação dos juros futuros, abrindo a curva dos treasuries e valorizando o dollar index. Os dados de seguro-desemprego por outro lado não conseguiram fazer se contrapor no balanço de riscos pois seu aumento reflete, principalmente os efeitos do furacão Ida que passou pela costa americana na última semana, sendo visto mais como um movimento pontual. No fronte das commodities, a possibilidade de calote da incorporadora chinesa Evergrande continua trazendo más perspectivas para a conjuntura chinesa, após dados fracos e continuidade do aperto das restrições de aço para controlar emissões. 

Vendas do varejo surpreende semana antes de decisão do Fed… Enquanto os agentes previam uma queda na faixa de -0,8% nas vendas do varejo nos Estados Unidos no mês de agosto, o resultado divulgado hoje surpreendeu e apresentou uma alta de 0,7%, no indicador com ajustes sazonais. O chamado núcleo do varejo, que exclui entre outros itens os automóveis (que vem sofrendo com falta de insumos), teve expansão de 1,8%, quando se projetava uma alta de apenas 0,1%. A alta parece ter ocorrido muito em função das voltas às aulas no país após as férias do verão americano, lembrando que o ano-letivo no país inicia no segundo semestre. A demanda reprimida no país também contribuiu para o aumento das compras.  Na medida em que a economia reabre e a renda é reestabelecida, era esperado que os consumidores passassem a consumir mais serviços do que bens, substituindo estes por aqueles. Por isso, e por conta da disseminação da variante Delta, o mercado esperava uma queda. Porém, os dados acrescentam à tese de que a economia norte-americana continua andando a passos largos, o que preocupa com a possibilidade de que o Federal Reserve possa ver nesse movimento uma maior necessidade de conter os estímulos monetários, na medida em que a economia se expande e os preços continuam altos. 

No radar… Os principais destaques da agenda de indicadores de amanhã fica para a inflação ao consumidor na zona do euro, que sai às 6h00 e a confiança do consumidor nos Estados Unidos às 11h00. 


Brasil

Cenário externo e questionamento da política de preços da Petrobras faz bolsa fechar no vermelho 

Mercados… Bolsa brasileira fecha novamente no negativo, com cenário externo e Petrobras no radar. A Vale continua pressionando o índice com o recuo do minério de ferro, mas desta vez, a Petrobras também contribui forte para a baixa após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, questionar as informações prestadas pelo presidente da estatal em reunião, e voltar a problematizar sua política de preços. Lira argumenta que esse é o principal motivo do aumento dos preços dos combustíveis e que a estatal deveria manter um preço “justo”. Além disso, mantem-se o cenário de indefinição sobre os precatórios, o que adiciona ao risco fiscal e contribuiu com que o dólar subisse frente ao real, em dia de valorização da moeda americana no mercado internacional (vide cenário externo). Nesse contexto, os DIs curtos também encerraram em alta, apesar de os médios e longos fecharem em estabilidade. 

IGP-10, resultado negativo, mas ainda acima do esperado… O IGP-10 divulgado nesta manhã teve uma queda na margem de -0,37%, contra o esperado de -0,52% pelo mercado. Em 12 meses o indicador tem alta de 26,84%. O resultado deflacionário na verdade reflete a pressão do minério de ferro no índice de preços ao produtor (IPA), uma vez que ele caiu 22,17% no mês, afetando o desempenho dos produtos industriais, enquanto os produtos agropecuários tiveram alta de 2,25%, impulsionado principalmente pelo subgrupo de alimentos processados, que teve uma alta de 2,61%, contra 0,59% no último resultado. Os outros indicadores e suas divisões, como o IPC-10 e o INCC-10, tiveram altas de 0,93% e 0,43%, respectivamente, com altas em todos os itens. Dentre as principais pressões altistas, o preço da energia e dos grãos continuam elevados por conta da estiagem. Nesse cenário, o café e o açúcar configuram as maiores altas, e devem continuar pressionando, na medida em que o período de entressafra se aproxima. Enquanto isso, a passagem aérea também apresentou alta relevante nesse resultado (11,50%) e deve continuar aumentando conforme nos aproximamos do final do ano. Dessa forma, o IGP-10 continua evidenciando os efeitos da crise hídrica e de demanda reprimida, e, portanto, deverá manter a trajetória de alta no próximo resultado. 

No radar… Em mais dia de agenda econômica vazia, o monitor do PIB da FGV deverá ser o principal ponto a acompanhar.   

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Rafael Gabriel Pacheco
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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