Apito Final |Ibovespa fecha em alta de olho no fiscal, Copom e exterior

Internacional

•          Bolsas globais dão sequência ao movimento de alta iniciado na segunda-feira;

•          Dados de atividade voltam a auxiliar a valorização dos ativos de risco;

•          Produção industrial cresce 0,40% em agosto nos EUA;

•          Fed deve manter juro em 0,00% – 0,25% amanhã e reforçar tom dovish.

Brasil:

•          Ibovespa acompanha, de forma tímida, ativos internacionais;

•          Bolsonaro defende o fim da implementação do Renda Brasil;

•          A despeito dos comentários do presidente, acreditamos que seja cedo para sacramentar a extinção do programa;

•          Banco Central deve manter taxa Selic em 2,00% após reunião que termina amanhã;

•          Minerva e Eletrobras são destaques do dia.


FECHAMENTO:

Ibovespa: 100.297 (+0,02%)­­
BR$/US$: 5,28 (+0,23%)
DI Jan/27: 7,02% (+10 bps)
S&P 500: 3.401 (+0,52%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

SUZB3: R$ 48,89 (+6,01%)
GGBR4: R$ 21,45 (+5,77%)
GOAU4: R$ 9,62 (+5,25%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

ELET3: R$ 33,10 (-3,70%)
IRBR3: R$ 5,92 (-3,27%)
CIEL3: R$ 4,60 (-3,16%)


Cenário Externo:

Mercados… Bolsas internacionais, como mencionamos no Mercados Hoje desta manhã, deram sequência aos movimentos de valorização iniciados na segunda-feira. Vale recapitular que durante a semana passada ativos de risco registraram desempenhos predominantemente negativos decorrente da pressão vendedora de ações ligadas ao setor de tecnologia. Diante de um cenário que ainda conta com o forte suporte monetário por parte dos principais bancos centrais, conjugado à continuidade no processo de recuperação econômica (vide Mercados Hoje desta manhã), torna-se claro a razão pela qual ativos de risco sustentam uma trajetória de valorização no ano. Ao final do dia, tanto o S&P500, índice americano, assim como seu par europeu, o Stoxx 600, encerram o dia confortavelmente em terreno positivo.

Economia americana… Em agosto, a produção industrial americana registrou a quarta alta consecutiva. No mês, observou-se uma alta de 0,40%, apresentando uma desaceleração com relação ao mês de julho, quando havia avançado 3,0%. Expectativas de mercado previam um aumento de 1,0%. A alta do setor foi liderada pela produção de equipamentos empresariais (+1,9%) e construção (1,2%). Na ponta negativa, materiais puxaram o índice para baixo, catalogando uma queda de 0,20%. Com o resultado, o nível de utilização da capacidade instalada – uma medida para o grau de ociosidade do setor – avançou ligeiramente de 70,6% para 71,4% entre julho e agosto. A despeito do resultado positivo, o índice de produção industrial nos EUA segue 7,3% abaixo do pico verificado no pré-crise (fevereiro). Assim como temos comentando recorrentemente, o processo de recuperação está sinalizando perda de tração, justificando a necessidade de mais suporte fiscal. Nesta frente, democratas e republicanos ainda não fizeram progresso em direção a um acordo.

De olho no FOMC… Dirigentes do Fed, BC americano, se encontram hoje e amanhã para versar sobre o rumo da política monetária americana. Para a decisão de amanhã, não esperamos grandes novidades. O BC americano deve reiterar a manutenção da taxa de juro em seu atual patamar de 0,00% – 0,25% por tempo prolongando e, mais importantemente, reforçar e detalhar o novo rumo da política de juros, que agora persegue com maior intensidade o pleno emprego e busca atingir uma meta de inflação média ao invés de simétrica. Desta forma, entendemos que a instituição deve reforçar a postura altamente dovish (menos preocupada com inflação e, consequentemente, mais propensa a manter o juro baixo) que tem apresentando desde o início da crise. Assim, por via de uma política de juros que seguirá inflacionando o preço dos ativos ao manter as expectativas em território otimista, compreendemos que bolsas americanas ainda seguirão com tendência de valorização.


BRASIL:

Mercados… Acompanhando o bom humor dos mercados internacionais, o Ibovespa também deu sequência às altas verificadas ontem, embora de forma mais tímida, encerrando o dia próximo do zero a zero. Se por um lado o ambiente externo ajudou, ruídos provenientes, novamente, da esfera política, marcaram o dia. Ao longo do dia, o dólar operou com leve alta mas se manteve abaixo dos R$ 5,30, ao passo que as taxas no mercado de juros futuros tiveram movimento ligeiramente altista, com os vértices curtos refletindo a expectativa majoritária de manutenção da taxa Selic em em 2,00% após reunião do Copom que termina amanhã. O CDS de cinco anos, no entanto, operou em baixa, evidenciando os efeitos das notícias relacionadas ao quadro das contas públicas.

Ruídos políticos… Os ruídos políticos ocasionados por Bolsonaro tendem a causar preocupação por sinalizar uma maior incerteza quanto à evolução da dinâmica das contas públicas. Ao longo do dia, no entanto, a fala do presidente teve efeito contrário. Em vídeo publicado no twitter, o presidente sacramentou, por ora, o fim da implementação do Renda Brasil – programa assistencialista que de início tinha o objetivo de substituir e expandir o bolsa família. Desta forma, a incrivelmente difícil resolução – que até então era uma incógnita – de criar o programa e ao mesmo tempo encaixá-lo no orçamento de forma a respeitar o teto de gastos foi engavetada. Com isto, pelo menos a curto prazo, as incertezas quanto a uma deterioração adicional das contas públicas passam por um alívio, explicando o movimento benigno da classe de ativos mais sensíveis às variações no quadro político-fiscal. Após a notícia, o CDS de cinco anos, métrica de risco-país, passou a operar abaixo dos 200 pontos base; patamar não verificado desde o início da crise em março.

Ressalvas… De qualquer maneira, não acreditamos que este seja o fim definitivo do Renda Brasil ou de algum programa desta natureza. Como temos mencionado recorrentemente, as sequelas deixas pela pandemia na forma de um mercado de trabalho altamente deteriorado possivelmente implicarão na presença de algum programa por parte dos formuladores da política fiscal. Ainda, a existência de tal programa é politicamente saboroso (como visto nos efeitos que o auxílio emergencial teve sobre a popularidade do presidente) e funciona como um mecanismo que, se não integralmente, ao menos parcialmente pavimenta o caminho para a reeleição do presidente em 2022. Principalmente em função deste segundo fato, acreditamos que, hora ou outra, as discussões em torno de um novo programa social serão retomadas. Quando, no entanto, depende de uma maior previsibilidade com relação ao estado futuro do fiscal.

De olho no Copom… Formuladores de política monetária pertencentes ao Copom divulgam sua decisão de taxa de juro amanhã. Esperamos que o BCB mantenha a taxa Selic estacionada em 2,00%, sem trazer grandes novidades. No comunicado, os dirigentes do BCB devem reforçar o uso do Forward Guidance (diretrizes que permitem o mercado a avaliar os próximos passos a serem tomados pela autoridade monetária no futuro), novamente condicionando-o à manutenção do Novo Regime Fiscal, ou seja, o Teto de Gastos. Sobre a inflação, alguns comentários sobre a recente alta dos alimentos e preços no atacado devem ser feitos, porém nada que altere o quadro. Todos os núcleos de inflação acompanhados pelo BC – isto é, índices que excluem certos componentes da cesta de forma a avaliar o nível de preços por diversas óticas diferentes– assim como as expectativas de inflação, encontram-se em território confortavelmente abaixo das metas estabelecidas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) atualmente.

Minerva… A companhia recebeu uma proposta que avalia sua subsidiária em US$1,5 bilhão da sociedade de propósito específico de aquisição (SPAC). Suas ações reagiram à notícia de maneira positiva, de modo que os ativos encerraram o dia entre os principais destaques de alta. A SPAC ainda espera realizar uma oferta privada para obter US$100 milhões adicionais.

Eletrobras… Em dia mais negativo para empresas estatais, com as desavenças ao redor do debate do Renda Brasil, a companhia elétrica se destacou como uma das principais queda do Ibovespa. Ainda, a projeção de atraso na privatização, ficando apenas para 2021, também pressionou o papel.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução CVM nº.598/2018, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções
Bitnami