Apito Final | Bolsas globais fecham em alta com alívio nos yields

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

• Bolsas externas fecham positivas em dia movimentado nos Estados Unidos;
• CPI apresenta aceleração em setembro, mas variação núcleo dentro do esperado contém maiores receios;
• Ata mostra convergência entre participantes do FOMC sobre tapering em meados de novembro ou dezembro;

Brasil

• Com alívio nos juros futuros e ambiente externo, Ibovespa fecha em valorização relevante;


FECHAMENTO

Ibovespa: 113.455,92 (+1,14%)
BRL/USD: 5,51 (-0,51%)
DI Jan/27: 10,43% (-8 bps)
S&P 500: 4.363,94 (+0,31%)

PRINCIPAIS ALTAS:

BPAN4: R$ 15,86 (+9,68%)
BIDI4: R$ 16,47 (+8,71%)
BIDI11: R$ 48,40 (+7,80%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

PRIO3: R$ 26,95 (-3,02%)
VALE3: R$ 79,20 (-2,96%)
CSNA3: R$ 27,47 (-2,31%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

Bolsas globais fecham em alta com alívio nos yields

Mercados… Bolsas em NY subiram hoje, com investidores acompanhando o início da temporada de balanços, a inflação ao consumidor nos EUA e a ata do FOMC de setembro. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) hoje veio levemente acima do esperado pelo mercado, mas o resultado mais ameno no núcleo ancorou a preocupação de que a aceleração poderia afetar a decisão do Fed, principalmente após a ata do FOMC confirmar o discurso de Powell e o comunicado de política monetária de setembro. A alta dos preços das commodities energéticas vinham pressionando os yields nos últimos dias, mas a baixa do petróleo hoje contribuiu para o fechamento da curva, com o Brent em movimento de correção após a OPEP divulgar documento mostrando uma perspectiva menos otimista com relação à demanda no médio prazo. Uma divulgação de resultados positiva para o JP Morgan também contribuiu para o ambiente positivo, enquanto os mercados aguardam os balanços de outros bancos grandes nos próximos dias. Por fim, o índice Dólar também caiu após a ata e os dados de inflação nos, permitindo valorização de moedas emergentes na sessão.

Inflação americana acelera novamente… O índice de inflação do consumidor americano, o CPI, acelerou para 0,4% no mês de setembro frente a alta de 0,3% em agosto, pouco acima do que o mercado esperava, acumulando 5,4% em 12 meses – maior valor desde 2008. Alimento e habitação continuam sendo os grupos de maior avanço, contribuindo para mais da metade da elevação mensal do índice. Preços de energia voltaram a ter a maior contribuição, enquanto bens semi e não duráveis, como veículos e vestimenta atuaram na ponta negativa. A pressão maior parece vir mesmo desses itens, uma vez que o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,2%, em linha com o esperado pelo mercado. O dado divulgado deve reforçar a intenção do Fed em iniciar o tapering, considerando que, embora o núcleo tenha permanecido relativamente estável nos últimos meses, ele ainda está em nível elevado em 12 meses. As pressões do lado da oferta não mostram sinais de arrefecimento de forma que a tese de uma inflação transitória começa a ser testada, mas o calendário do Fed deve se manter por hora enquanto mais dados são disponibilizados para melhor entendimento da evolução dos preços.

Ata do FOMC… A ata do FOMC saiu hoje, sem grandes surpresas para o mercado, que não apresentou muita reação à divulgação das minutas. Com balanço de riscos do cenário de inflação apontando para ambos os lados – apesar de ainda mais inclinado para cima –, o comitê permanece com a interpretação de que as pressões inflacionárias são em grande parte transitórias e resultantes de restrições no lado da oferta. Alguns participantes demonstraram preocupação de que, mesmo temporários, os desafios gerados pela escassez de insumos e trabalhadores tem se mostrado mais persistentes do que o antecipado e que a manutenção dos preços em patamar elevado em conta disso pode alimentar as expectativas da inflação de longo prazo, disseminando as altas para o restante da economia. Ainda assim, dado o cenário de incerteza, o Fed procura obter mais dados antes de tomar uma decisão definitiva sobre o início da redução dos estímulos. Nesse sentido, em linha com a fala de Powell de que o próximo payroll depois da reunião (que foi divulgado sexta-feira passada) seria definitivo para a definição do cronograma do tapering, que provavelmente deverá ser anunciado em novembro, na próxima reunião: “Os participantes apontaram que, se a decisão de iniciar o tapering ocorresse na próxima reunião, o Fed poderia iniciar com a redução do ritmo de compras a partir de meados de novembro ou dezembro”.

Ata do FOMC (2)… Como os dados de emprego evoluíram positivamente, parece que realmente poderemos esperar o anúncio na próxima reunião. Sobre o resultado ter sido bem abaixo do esperado, não parece que isso irá influenciar na visão do Fed, uma vez que, segundo a ata, os participantes sugeriram, que as restrições do mercado de trabalho seriam majoritariamente decorrentes do lado da oferta de trabalhadores, ao invés de falta de demanda e que “adicionar uma política monetária acomodatícia neste momento não atingiria essas restrições”. Nesse sentido, caso confirmado o tapering na reunião de novembro, o comitê avaliou que “um processo gradual de redução dos estímulos que finalize em meados do próximo ano seria provavelmente ser o mais apropriado”. Com preocupações de que as pressões inflacionárias se alastrassem, no entanto, parte dos participantes avaliaram que um processo mais rápido seria mais desejável. Destarte, ainda vemos que o cenário básico de conclusão do processo seja o mais provável.

No radar… Em rodada de dados de inflação nos EUA nesta semana, amanhã será a vez do PPI (inflação ao produtor), às 9h30, enquanto acompanhamos discursos de membros regionais do Fed (Bostic às 11h00, Logan às 13h00, Barkin às 14h00 e Harker às 19h00) e mais uma série de balanços de bancos nos EUA.


Brasil

Bolsa brasileira teve valorização após feriado, com exterior positivo

Mercados… O Ibovespa conseguiu registrara um novo dia de alta, com o alívio na curva de juros puxado pelos yields americanos e sem novidades no campo dos indicadores ou na política. O dólar fechou em baixa, revertendo alta inicial após oferta robusta de swaps pelo BC. O diretor de política monetária do Banco Central, Fabio Kanczuk disse hoje em evento que o ritmo de 1 pp “não é compromisso” levantando dúvidas no mercado, mas ainda assim, a reprodução do fechamento da curva de juros nos EUA reinou nos DIs aqui. Vale e mineradoras seguiram em baixa com baixa do minério de ferro em meio às preocupações de que a China volte a interferir no setor siderúrgico. Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, negou em entrevista os rumores de que havia conversas “nos bastidores” para mudar a diretoria ou a política de preços da Petrobras (Lira também suscitou a possibilidade da privatização da empresa, o que ajudou na valorização dela ao longo da sessão).

No radar… O destaque na agenda de indicadores locais de amanhã fica para o resultado da PMS, que traz o desempenho do setor de serviços em agosto, às 09h00.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Rafael Gabriel Pacheco
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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