Apito Final | Casa Branca se afasta das negociações por mais estímulo

Tempo de leitura: 10 minutos

Internacional

  • Bolsas globais tem dia de ajuste diante das altas recentes e do receio derivado do ressurgimento do vírus e da ausência de estímulos nos EUA;
  • Casa Branca escolhe se afastar das negociações por mais estímulos;
  • Negociação entre congressistas republicanos e democratas torna ainda mais improvável aprovação de pacote até o final do ano;
  • Mercado de trabalho nos EUA volta a mostrar sinais de recuperação, mas segue pressionado;
  • Inflação ao consumidor americano fica em 0,0% em outubro, evidenciando perda de força na recuperação e necessidade de mais estímulos.

Brasil:

  • Ibovespa acompanha ativos internacionais e passa por dia de realização de lucros;
  • Dólar segue em processo de reajuste na ausência de sinalizações positivas no âmbito das contas públicas;
  • Setor de serviços avança em setembro, mas segue sob considerável pressão;
  • Resultado do setor de serviços reforça postura acomodatícia do BCB e necessidade de ação na política fiscal;
  • Rumo e Taesa são destaques do dia

FECHAMENTO

Ibovespa: 104.804 (-0,25%) ­­
BR$/US$: 5,40 (-0,22%)
DI Jan/27: 7,46% (+22 bps)
S&P 500: 3.572 (+0,77%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

TAEE11: R$ 31,71 (+3,56%)
BTOW3: R$ 75,81 (+1,45%)
HAPV3: R$ 69,30 (+1,17%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

AZUL4: R$ 27,91 (-6,34%)
GOLL4: R$ 19,06 (-5,92%)
CCRO3: R$ 11,70 (-5,72%)


Cenário Externo

Casa Branca se afasta das negociações por mais estímulo

Mercados… Ativos financeiros ao redor do globo tiveram um dia de correção. É normal que, após a forte valorização dos mercados, investidores realizem lucros, principalmente tendo em vista a presença de diversos riscos no cenário atual. As perspectivas para o crescimento econômico frente ao ressurgimento da covid-19 e à ausência de estímulos nos EUA e na Europa seguem pressionadas, fato que levou as bolsas de NY e da Europa a encerrarem o dia com variações negativas, evidenciando o reajuste de posições mencionado acima.

Estímulos nos EUA… Passada as eleições americanas, as conversas em torno da aprovação de mais estímulos voltaram à tona. No mais recente desenvolvimento, a Casa Branca, de acordo com a Bloomberg, de agora em diante deixará as negociações nas mãos dos congressistas republicanos e democratas. Parte da razão parece residir no fato de que, desde que perdeu a eleição, Donald Trump tem iniciado uma série de investidas em cortes estatais para forçar uma recontagem dos votos e, no limite, tratar de invalidar alguns com base nas afirmações de que houve ampla fraude eleitoral. Até o momento, não existem evidências que suportem tais afirmações do presidente americano.

Só no ano que vem?… Diante da abstenção da Casa Branca para negociar mais estímulos fica cada vez mais nítido que a probabilidade de aprovação de um pacote de estímulos até o final do ano é improvável. Vale relembrar que a Casa Branca estava disposta a negociar um pacote de US$ 1,8 trilhão, ainda em dissonância com a cifra preferida pelos democratas de US$ 2,2 trilhões. Republicanos do Senado, liderados por Mitch McConnell, tem sinalizado um suporte bem menor de US$ 500 bilhões, tornando claro que o descompasso de objetivos entre republicanos e democratas, na ausência da Casa Branca, tende a aumentar.

Democratas e republicanos… Tendo em vista que os democratas ainda concorrem duas cadeiras no Senado em uma eleição que ocorrerá em janeiro do ano que vem – e que pode lhes dar a maioria na Casa Alta –, é possível que prorroguem as negociações até lá. Por mais distantes que sejam as probabilidades de angariar essas duas cadeiras – onde os republicanos têm o favoritismo – democratas podem estar esperando até o último segundo, por que, caso tenham sucesso, conseguirão aprovar com facilidade o tão desejado pacote de US 2,2 trilhões. Para os mercados, este resultado, pelo menos a curto prazo, seria bastante benéfico.

Mercado de trabalho nos EUA… Diante da inquietação política que caracteriza a sociedade pós-eleições, investidores voltaram a observar os pedidos de seguro-desemprego. Os pedidos voltaram a cair com relação à semana retrasada, mas seguem em elevado patamar: 709 mil. Os pedidos continuados, isto é, aqueles indivíduos que fizeram o pedido, experimentaram uma semana de desemprego, e voltaram a pedi-lo na semana seguinte, caíram para 6,7 milhões. Os resultados naturalmente refletem a queda recente na taxa de desemprego que, na última leitura, foi de 7,9% para 6,9%. Ainda assim, vale relembrar que a taxa de desemprego de longo prazo – ou seja, aqueles indivíduos que estão desempregados por 27 semanas ou mais – segue bastante elevada. Mais um dado que corrobora a visão que um suporte fiscal adicional é necessário.

Inflação americana… Como mencionamos em outra edição no Apito Final, a dinâmica dos preços na economia americana segue apresentando um comportamento desinflacionário. Em outubro, o índice de preços ao consumidor ficou estável no índice cheio assim como no núcleo, que exclui itens voláteis como alimentos e bebidas. Com isto, o índice cheio e o núcleo têm variação interanual de, respectivamente, 1,2% e 1,6%. Reforçamos que, na ausência de mais estímulos fiscais, as pressões desinflacionarias verificadas até o momento devem continuar caracterizando a dinâmica dos preços, dificultando o trabalho da política monetária em empurrar a inflação em direção à meta. Não é à toa que o presidente do Fed, Jerome Powell, pede ajuda do Congresso, constantemente reforçando a necessidade de um novo pacote de gastos.


BRASIL:

Setor de serviços avança, mas realização toma conta dos mercados

Mercados… O índice Bovespa acompanhou o teor dos mercados globais e encerrou o dia em queda, também sujeito à onda de realização de lucros após elevadas altas nos dias anteriores. No mercado cambial, o dólar seguiu em reajuste altista. Voltamos a enfatizar que manutenção de um dólar em torno de R$ 5,35 não é sustentável tendo em vista a ausência de sinalizações positivas advindas da esfera fiscal. No mercado de juros, as taxas operaram em alta, novamente em movimento de reajuste, mas também devido a ampliação de títulos públicos ofertados em leilão por parte do Tesouro Nacional. O CDS de cinco anos, métrica de risco-país, voltou a operar em queda.

Atividade econômica… Em setembro, o índice de volume do setor de serviços cresceu 1,8%, desacelerando com relação a agosto e julho, quando havia apresentado alta de, respectivamente, 2,90% e 2,70%. A despeito do avanço, que configurou a 4ª alta consecutiva para o setor, o movimento ainda não foi suficiente para reverter a queda acumulada de 19,80% de fevereiro a maio. Com o resultado, a taxa interanual de retração passou de -10,0% para -7,2%. No acumulado do ano, a taxa de crescimento passou de -8,8% para -6,0%.

Sobre as categorias do setor de serviços… Quatro das cinco categorias contidas na pesquisa apreciaram avanços na margem. Serviços prestados às famílias cresceu 9,0%; serviços de informação e comunicação, 2,0%; Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios, 1,1%; e outros serviços, 4,8%. Somente serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram queda de -0,60%. Em doze meses e no acumulado do ano, somente a categoria de outros serviços, muito por conta das atividades relacionadas aos serviços prestados na Bolsa de Valores, encontram-se em território confortavelmente positivo.

Corolários para a política monetária… Em termos de política monetária voltamos a enfatizar, sem mudanças, que o resultado setorial dos serviços não afeta a trajetória do Banco Central. Apesar da normalização dos preços de alguns serviços decorrente da continuidade ininterrupta no processo de reabertura, os índices de inflação seguem apontando para um IPCA efetivo abaixo da meta para 2020 e 2021. Ainda, a inflação de serviços está, naturalmente, demasiadamente reprimida.  Portanto, a promessa de juros baixos por tempo prolongado (Forward Guidance) deve seguir em pauta, uma vez que as condições para a sua aplicação continuam válidas.

Corolários para a política fiscal… Já no que tange à atuação da política fiscal, entendemos que há uma maior importância quando vista em relação à política de juros. Caso o Congresso e o governo insistam em adiar o andamento das reformas estruturantes e continuem sinalizando uma indiferença preocupante com relação ao ajuste das contas públicas, o BCB terá de mudar rumo, elevando juros e deprimindo a atividade de um setor severamente impactado pela pandemia. Isto, junto com as pressões inflacionárias que derivariam de uma depreciação adicional da taxa de câmbio, seria não só preocupante para o futuro do setor como da economia como um todo.

Rumo… A companhia de logística encerrou o dia entre as principais baixas após ter divulgado resultados inferiores à expectativa do mercado. A Rumo apresentou lucro líquido de R$ 171 milhões, ante 369 milhões no 3T19, em função do menor EBITDA e das maiores despesas financeiras decorrentes da renovação da Malha Paulista e de menores ganhos de marcação a mercado (MTM).

Taesa… Em dia de maior aversão ao risco, a companhia se destacou positivamente após a forte divulgação de resultados e anúncio de pagamento de proventos. Com um cenário mais cauteloso, players do mercado também preferiram o posicionamento em empresas mais defensivas e, nesse sentido, nomes do setor de transmissão de energia costumam representar tais escolhas.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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