Apito Final | IPCA mais salgado fomenta expectativa de alta dos juros

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

•             Em dia sem grandes novidades, bolsas globais encerram o dia em tom levemente positivo;
•             Agenda econômica internacional destaca produção industrial na zona do euro e índice de preços ao consumidor americano nesta 4ªfeira.

Brasil:

•             Ibovespa acompanha cenário internacional e sustenta os 124 mil pontos;
•             Dólar cai com enfraquecimento e taxas têm dia volátil com IPCA e leilão do Tesouro;
•             IPCA encerra o ano com variação acumulada de 4,52% em 2020, majoritariamente influenciado pela alta dos preços de alimentos;
•             Agenda econômica local destaca divulgação da PMS.


FECHAMENTO

Ibovespa: 124.267 (+0,82%) ­­
BR$/US$: 5,32 (-3,34%)
DI Jan/27: 7,11% (-14 bps)
S&P 500: 3.801 (+0,04%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

EMBR3: R$ 9,30 (+8,01%)
RAIL3: R$ 20,73 (+5,50%)
CYRE3: R$ 29,07 (+5,33%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

GNDI3: R$ 98,13 (-3,27%)
CPLE6: R$ 67,34 (-2,84%)
GOAU4: R$ 27,54 (-2,69%)


Cenário Externo

E o otimismo segue

Mercados… Sem grandes novidades, índice acionários ao redor do globo caminharam para encerrar mais um dia no verde, enquanto investidores ponderam a piora corrente do quadro sanitário com as expectativas por mais estímulos fiscais nos EUA. Investidores continuam favorecendo os ativos sensíveis ao ciclo econômico, e que tem forte potencial de alta com a continuidade da expansão fiscal, tal qual os setores financeiro e de energia. No mercado de renda fixa americano, investidores continuaram promovendo o sell-off de títulos públicos, pressionando suas taxas, embora a correção dos yields esteja próxima do fim. O movimento é, também, indicativo da maior propensão ao risco causada pela concretização de uma onda azul.

No radar… A agenda econômica internacional destaca a produção industrial na zona do euro para o mês de novembro, divulgadas às 7h e o Índice de Preços ao Consumidor americano, às 10h30.


BRASIL:

Pressões políticas ao vivo e direto

Mercados… Sem grandes novidades, índice acionários ao redor do globo caminharam para encerrar mais um dia no verde, enquanto investidores ponderam a piora corrente do quadro sanitário com as expectativas por mais estímulos fiscais nos EUA. Investidores continuam favorecendo os ativos sensíveis ao ciclo econômico, e que tem forte potencial de alta com a continuidade da expansão fiscal, tal qual os setores financeiro e de energia. No mercado de renda fixa americano, investidores continuaram promovendo o sell-off de títulos públicos, pressionando suas taxas, embora a correção dos yields esteja próxima do fim. O movimento é, também, indicativo da maior propensão ao risco causada pela concretização de uma onda azul.

No radar… A agenda econômica internacional destaca a produção industrial na zona do euro para o mês de novembro, divulgadas às 7hr e o Índice de Preços ao Consumidor americano, às 10h30.

Nossa visão… O principal índice de preços da economia encerrou o ano de 2020 acima do centro da meta de 4,00% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional, mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 2,50% e 5,50%. Como antecipamos, a aceleração da inflação ficou fortemente concentrada nas categorias de habitação e transporte, mas principalmente alimentos, como tem sido ao longo dos últimos meses.

Sobre os alimentos… A categoria foi fortemente pressionada ao longo de 2020 por conta do duplo choque de oferta e demanda ocasionado tanto pelas políticas econômicas de enfrentamento à pandemia, quanto pela influência de fatores adicionais. Por um lado, a redução da taxa básica, somada ao risco fiscal e à alta das commodities, pressionou a taxa de câmbio e ampliou a oferta internacional em detrimento da oferta local. Por outro, o auxílio emergencial combinado à recomposição da cesta de consumo pressionou a demanda, criando pressão adicional. A categoria adicionou 0,36 pontos percentuais à alta do índice.

Fim do auxílio… Com a extinção do auxílio emergencial reduz-se a pressão no lado da demanda por alimentos, mas a manutenção de um câmbio historicamente elevado ainda forçará um prolongamento dos efeitos sentidos pelo lado da oferta.

Sobre Habitação… Na categoria de Habitação, vale salientar que a adição de 0,45 p.p ao índice refletiu majoritariamente o reajuste da bandeira tarifária. Ao longo de 2021, espera-se que a decisão seja, em algum ponto do ano, revertida, promovendo pressão na direção contrária à verificada na leitura de dezembro do ano passado.

Sobre os Transportes… Já os transportes – que adicionaram 0,27 p.p ao índice – devem continuar apresentando tendência altista. Com a continuidade do processo de reabertura e o início da campanha de vacinação em janeiro, a mobilidade deve continuar ganhando tração. Com isto, itens até então majoritariamente ignorados, como passagens aéreas, devem continuar em processo de normalização. O mesmo pode ser dito sobre a categoria de Educação que, com a volta das aulas presenciais, a partir deste ano e mesmo que parcialmente, pode reverta a baixa reação dos preços verificada ao longo de 2020.

Grandes categorias… Ao decompor o avanço dos preços em termos dos critérios definidos pelo BC – alimentação, serviços e produtos industriais – fica claro que a inflação de preços ao longo de 2020 não é um fenômeno estrutural ou crônico. Ficou fortemente concentrado, como mencionado, nos alimentos. Enquanto Alimentação acumulou alta de 18,16% nos últimos 12 meses, serviços e produtos industriais tiveram avanços de apenas 1,73% e 3,18%, respectivamente. Caso a atual dinâmica dos preços fosse de fato estrutural, seria necessário verificar um avanço intenso destas categorias. Como fica nítido, não foi o que ocorreu.

Núcleos de inflação… Esta tese tende a ganhar força quando observamos os núcleos – assim como sua a média – acompanhados pelo Banco Central. A média dos cinco núcleo acompanhados pelo BCB encerrou o ano com inflação acumulada de 2,80%, em nível distante da meta estabelecida pelo BCB para o ano. É importante lembrar que núcleos de inflação nada mais são do que diferentes formas de compreender o comportamento dos preços na economia. Por exemplo: o IPCA-EX0 exclui itens de Alimentação no Domicílio e Preços Administrados, mas inclui os demais itens do índice. À luz do que foi descrito, fica claro por que é a curva com menor nível no gráfico, encerrando o ano com inflação acumulada de 2,30%.  Já o IPCA-P55 (IPCA – Percentil 55) inclui todos os itens, mas recorta a distribuição de forma ao isolar a volatilidade. Este núcleo encerrou o ano com alta acumulada da 3,48%; mais próximo, porém abaixo do centro da meta para 2020.

Olhando para frente… Já a partir do início deste ano, muito por conta da retirada de alguns estímulos fiscais e monetários, a inflação já deve começar a ceder a partir de janeiro. O leve arrefecimento da taxa de câmbio deve contribuir, enquanto o início da campanha de vacinação deve continuar levando à normalização dos preços no setor serviços e na indústria. Para janeiro, esperamos uma alta de 0,10%; resultado que levaria a inflação acumulada para a casa dos 4,39%.

No radar… Para amanhã, a agenda econômica destaca a Pesquisa Mensal dos Serviços. O volume no setor de serviços seve continuar pressionado, registrando contração interanual próximo de 6,40%. Salientamos que uma recuperação integral do setor, isto, de volta ao pleno emprego, somente ocorrerá com a ampla distribuição de uma vacina contra a covid-19.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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