Apito Final | Bolsas operam entre altas e baixas em meio à receio com inflação de energia

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

• Mesmo sem negociações de títulos federais, receio com inflação afeta desempenho dos ativos de risco nos EUA;
• Sem sinais de desaceleração, commodities energéticas levantam a possibilidade de estagflação.

Brasil

• Ibovespa segue movimento de NY e fecha no negativo, mas papeis ligados às commodities se sustentam;


FECHAMENTO

Ibovespa: 112.180,18 (-0,58%)
BRL/USD: 5,54 (+0,38%)
DI Jan/27: 10,52% (+9 bps)
S&P 500: 4.361,05 (-0,69%)

PRINCIPAIS ALTAS:

PCA3: R$ 25,90 (+5,28%)
EMBR3: R$ 25,96 (+4,89%)
CMIG4: R$ 14,58 (+3,18%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

BIDI11: R$ 44,90 (-10,22%)
BIDI4: R$ 15,15 (-9,82%)
BPAN4: R$ 14,46 (-8,07%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

Bolsas operam entre altas e baixas em meio à receio com inflação de energia

Mercados… No dia do feriado do Columbus Day nos Estados Unidos, o mercado teve dia de liquidez reduzida, uma vez que, embora as bolsas estejam funcionando normalmente, não houve negociações de Treasuries. Os ativos de risco globais operaram entre altas e baixas durante o dia. As bolsas americanas iniciaram o dia em alta, mas logo reverteram-na, fechando no negativo. Os papeis de empresas do setor energético impulsionaram a alta inicial, porém os receios de que a inflação decorrente dessas valorizações das commodities energéticas poderiam gerar um cenário de estagflação, acentuando os efeitos da pressão nas cadeias produtivas, voltaram a pesar sobre os ativos. Os juros futuros nas economias desenvolvidas abriram levando em conta esse cenário. A China também acrescentou ao sentimento negativo nos mercados globais após surgirem notícias de que Pequim estaria avaliando aumentar as repressões sobre o setor financeiro. O dólar teve dia de valorização devido ao sentimento de aversão ao risco e à espera da divulgação dos resultados de bancos americanos nesta semana, o que, caso decepcionem estimativas, podem pesar sobre o apetite dos investidores.

Commodities… Além das valorizações do petróleo nos mercados internacionais, na Europa e China, somou-se também as altas dos preços do gás natural, que se encontram nas máximas históricas. Na China, a principal região produtora de carvão do país sofreu de enchentes nesse final de semana em meio a níveis recordes de demanda pela energia térmica no país. O minério de ferro seguiu a alta expressiva vista na sexta-feira passada após semana com negociações fechadas em Qingdao. A valorização contínua dos preços de commodities – com destaque para as energéticas – mantêm os investidores cautelosos na medida em que elas ameaçam dar uma maior longevidade ao ambiente inflacionário cujos bancos centrais atualmente enxergam como transitório. O risco de que seus preços contaminem o restante da economia é grande, e em vista disso muitos agentes já enxergam que as autoridades monetárias possam acelerar o passo do aperto monetário – evento que, naturalmente, teria repercussões negativas sobre o mercado acionário.

No radar… Amanhã, alguns dos eventos de destaque na agenda econômica serão as divulgações do índice de expectativas na economia da zona do euro (6h00), o relatório Jolts de criação de emprego (11h00) de agosto nos Estados Unidos e o relatório de mercado agrícola pela USDA, departamento de agricultura americano.


Brasil

Risco fiscal e piora de sentimento externo levam Ibovespa a fechar no vermelho

Mercados… No Brasil, a bolsa seguiu o movimento das bolsas americanas, se desvalorizando frente à preocupações com um cenário de estagflação em dia de menor liquidez na véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida (12/10). Por outro lado, a valorização do petróleo e minério de ferro, entre outras commodities, contribuiu para fechamento positivo de exportadoras. Como destaque na agenda, o boletim Focus do BC mostrou novo aumento nas expectativas da inflação, embora mais relacionados com o reajuste da gasolina e gás de cozinha (GLP) anunciados na sexta-feira pela Petrobrás do que pelo resultado do IPCA de setembro, que apesar de forte, veio abaixo do esperado. Na esteira do maior receio com a inflação a nível global, os DIs voltaram a abrir. Na parte curta e média o Focus e os preços de energia foram as principais causas, enquanto a crise hídrica permanece em observação. Já na parte longa, segue o risco fiscal e político elevado, com a oposição ainda pressionando para prejudicar o ministro Paulo Guedes (Economia) de alguma forma, por conta das contas offshore divulgadas em vazamento do Pandora Papers, e notícias de que o governo está cogitando decretar novo decreto de calamidade pública para renovar o auxílio emergencial, uma vez que está encontrando dificuldades em obter uma fonte de financiamento para o Auxílio Brasil. Seguindo este movimento de maior aversão ao risco, o dólar fechou em alta, apesar de atuação do BC no mercado de câmbio.

No radar… Amanhã será feriado nacional no Brasil, de forma que as negociações no mercado à vista não ocorreram, enquanto, na quarta-feira, o único indicador divulgado será o fluxo cambial semanal (14h30).

Corolários para a política monetária… Os riscos de uma maior persistência da pressão exercida pela alta dos preços das commodities e manutenção dos gargalos de oferta continuam promovendo um ambiente de incerteza com relação à inflação no curto-prazo, mas os sinais de uma economia em desaceleração se colocam como barreiras para um nível de preços mais elevado no médio-longo prazo.  Desta forma, acreditamos que o BC deverá manter o ritmo de alta da Selic em 100 bps para a reunião de outubro (e, muito provavelmente, em dezembro na falta de novas surpresas) – previsto para a semana que vem, o resultado do setor de serviços (PMS) deverá trazer mais claridade a esta questão.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Rafael Gabriel Pacheco
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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