Apito Final | Pressões políticas ao vivo e direto

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

•             Ativos internacionais tem leve dia de correção após semana fortemente positiva;
•             Ainda que o cenário continue positivo, a velocidade da campanha de vacinação se apresenta como um risco potencial para os mercados;
•             Confiança do investidor europeu adentra terreno otimista após meses em baixa.

Brasil:

•             Ibovespa acompanha os mercados internacionais em dia de realização;
•             Risco fiscal volta à tona e pressiona os juros futuros e a taxa de câmbio;
•             Com última leitura do IPCA amanhã, saberemos tamanho da surpresa inflacionária para o ano de 2020;
•             Inflação do IPCA deve encerrar o ano de 2020 acima da meta de 4,00% estipulada pelo BCB.


FECHAMENTO

Ibovespa: 123.283 (-1,43%) ­­
BR$/US$: 5,50 (+1,56%)
DI Jan/27: 7,21% (+18 bps)
S&P 500: 3.799 (-0,66%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

GNDI3: R$ 101,50 (+11,05%)
HAPV3: R$ 18,15 (+8,16%)
PRIO3: R$ 77,48 (+4,07%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

CPLE6: R$ 69,35 (-5,41%)
YDUQ3: R$ 32,54 (-5,27%)
SANB11: R$ 47,07 (-4,77%)


Cenário Externo

Leve dia de correção

Mercados… Ativos financeiros internacionais operaram em leve baixa ao longo do dia, sujeitos a um movimento de realização de lucros por parte dos investidores. Após uma semana de rendimentos bastante positivos (o S&P 500 e o Stoxx 600 subiram 1,83% e 3,04%, respectivamente, na semana passada), investidor deram preferência à liquidez. Por mais que o cenário continue positivo, as campanhas de vacinação mundo afora ainda não ganharam muita tração, criando riscos à velocidade com a qual as economias conseguirão se recuperar das sequelas deixadas pela pandemia.

O otimismo deve se manter… Países ao redor do mundo, dos EUA até à Europa, passando pelos Emirados Árabes e pela Argentina, já dão andamento à maior campanha de vacinação na história recente. Não à toa, os mercados atingiram novas máximas históricas, e a rotação setorial em torno dos ativos sensíveis ao ciclo econômico segue em frente. De fato, há razões para ser otimista: a vacina existe e governos ao redor do mundo manterão políticas reflacionárias, promovendo terreno fértil para a valorização dos ativos. Isto é, na tentativa de evitar pressões deflacionárias, bancos centrais manterão o fluxo de liquidez ativo por meio de seus programas de compra de títulos (QE), enquanto formuladores de política fiscal buscarão preservar programas de manutenção da renda e do emprego, estimulando a demanda adicionalmente.

Mas existem riscos ainda não precificados… Ainda assim, existe o risco de as campanhas de vacinação tardarem mais do que o previsto. Ao observar o número de doses de vacinas anti-covid-19 administradas ao redor do mundo por 100 mil habitantes, há um pouco apreensão. Desde que começou em meados de dezembro, os EUA administraram 2,72 doses por 100 mil habitantes. O Reino Unido, 3,94; a Itália, 1,08 e a Espanha, 0,87. Caso a velocidade de materialização das campanhas decepcione, ou continue neste ritmo, ocorrerá uma reversão mais lenta dos efeitos recessivos proporcionados pela pandemia. Esta demora retardaria recuperação integral do setor de serviços, que depende do contato social completo para retornar confortavelmente ao pleno emprego.

Confiança do investidor europeu… Em consonância com a redução da aversão global ao risco, o sentimento do investidor europeu finalmente alcançou patamar positivo, indicando a presença de um otimismo generalizado. Nos momentos mais agudos da crise, o índice de confiança do investidor caiu para -42 e se recuperou desde então, chegando a 1,3. O avanço das vacinas, um Brexit ordenado e um relativo sucesso na contenção do vírus (com exceção do Reino Unido, as outras principais economias da Europa têm obtido maior sucesso em conter a curva de contagia, ainda que o nível de casos por milhão de habitantes seja elevado)  tem mantido a confiança em trajetória ascendente. Não obstante, o pacote fiscal pan-europeu acordado em julho ainda não foi implementado, sinalizando como a confiança do investidor pode aumentar, fomentando ainda mais demanda por ativos financeiros da região.

No radar… Não há indicadores de relevância a serem divulgados amanhã.


BRASIL:

Pressões políticas ao vivo e direto

Mercados… O índice Bovespa acompanhou o movimento de realização de lucros que ocorreu em âmbito internacional, mas sustentou o patamar de 123 mil pontos. O dólar seguiu em trajetória de apreciação, em linha com os movimentos políticos pela extensão do auxílio emergencial. A alta dos yields dos títulos americanos, na medida em que aumenta seus rendimentos, também seguiu colocando pressão adicional. No mercado de juros futuros, a curva a termo apresentou forte movimento de inclinação, com as taxas longas subindo cerca de 10 pontos base. O CDS de cinco anos, métrica de risco-país, continuou apresentando movimento de alta, em linha com a volta do risco fiscal.

De volta à questão do auxílio… Como mencionamos nos mercados hoje desta manhã, movimentos políticos em torno do auxílio emergencial voltaram a pressionar os ativos mais sensíveis à dinâmica das finanças públicas, como o câmbio e os juros futuros. É de interesse político do executivo encontrar uma equação que respeite as restrições fiscais e amplie a rende de proteção social, principalmente em vista da nova onda de contaminações em curso. Nesta frente, o candidato governista à presidência da Câmara dos Deputados, Artur Lira, deu a sinalização correta. Comunicou, em entrevista à mídia, que a rápida aprovação da PEC emergencial (regra fiscal que trava e execução de despesa, principalmente relacionadas ao funcionalismo público) criaria espaço fiscal e ampliaria o escopo e magnitude de um programa à lá Bolsa Família.

Efeitos secundários… Ao equacionar as questões em consideração, também tenderia a aliviar a pressão sobre importantes ativos financeiros. A aprovação da PEC emergencial apreciaria o real, pois demonstraria comprometimento efetivo com o ajuste fiscal, e reduziria os prêmios ao longo da curva de juros, contribuindo para a redução do custo de capital de longo prazo e, consequente, para o aumento investimento. A valorização do câmbio também contribuiria positivamente para anular o efeito altista da inflação proporcionado pela valorização das commodities em âmbito internacional.

Inflação e expectativas… Na leitura de hoje da Pesquisa Focus do Banco Central, as expectativas de mercado para a inflação do IPCA ficaram praticamente estáveis em 4,37% em relação à semana passada. Esta última leitura é significativa, pois como amanhã será divulgada a última leitura do IPCA de 2020, saberemos o tamanho da surpresa inflacionária para o ano. Isto, saberemos o tamanho da diferença entre a inflação efetiva acumulada em 12 meses ante as expectativas que o mercado tinha sobre ela. Ainda, conheceremos a distância entre seu valor verdadeiro e a meta de 4,00% preconizada pelo Banco Central para o ano de 2020. 

No radar… A agenda econômica local de amanhã destaca a última leitura do IPCA para 2020. Em dezembro, o principal índice de preços da economia deve apresentar alta de 1,30% na margem, levando a inflação acumulada a encerrar o ano 39 pontos percentuais acima da meta de 4,00%, em 4,39%. Nesta leitura, a pressão dos alimentos, embora menor, deve continuar pesando sobre o índice. A alta do petróleo, por meio da categoria de transportes, também deve influenciar a alta. Na categoria de habitação, a alta da tarifa de energia plea Aneel também deve influencia o índice. Por último, o ininterrupto processo de reabertura da economia deve continuar promovendo a normalização dos industriais e dos serviços, mantendo os núcleos de inflação compatíveis com a meta estabelecida pela autoridade monetária.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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