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Apito Final | Inflação e ata em destaque

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

• Ativos internacionais registram mais um dia de ganhos, com investidores de olho na aprovação definitiva do pacote de infraestrutura no Senado;
• Produtividade do trabalho avança no segundo trimestre, diminuindo os riscos trazidos pelo avanço dos salários;
• Pacote de infraestrutura é aprovado com margem confortável no Senado americano;
• IPC de julho nos EUA protagoniza agenda econômica de amanhã.

Brasil

• Sem força e de olho nos riscos do cenário, ativos domésticos encerram novamente no vermelho;
• De olho na Ata do Copom e no IPCA de julho, juros futuros e dólar encerram a sessão em queda;
• Vendas no varejo para o mês de junho são destaque da agenda de amanhã.


FECHAMENTO

Ibovespa: 122.202 (-0,66%) ­­
BR$/US$: 5,19 (-0,74%)
DI Jan/27: 9,40% (-11 bps)
S&P 500: 4.436 (+0,10%)

PRINCIPAIS ALTAS:

PRIO3: R$ 18,72 (+6,48%)
EMBR3: R$ 19,60 (+3,27%)
USIM5: R$ 22,10 (+2,70%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

IGTA3: R$ 38,36 (-3,74%)
ENAT3: R$ 16,72 (-3,35%)
CCOR3: R$ 12,43 (-2,89%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

De olho na produtividade

Mercados… Mercados americanos voltaram a registrar um dia positivo, com investidores novamente alimentando seu apetite pelo risco na esteira da aprovação definitiva do pacote de infraestrutura no Senado americano. Na mesma linha, o rendimento do título de 10 anos voltou a operar em alta, ultrapassando o limiar de 1,30% e puxando o dólar global para acima dos 93 pontos – patamar não atingido desde março deste ano. Em linha com o ambiente exterior positivo, commodities também sustentaram trajetória de alta.  Pelas mesmas razões, mercado europeus também encerraram mais um dia no positivo.

Produtividade do trabalho… A produtividade do trabalho, medido pela razão produção por hora trabalhada, nos EUA avançou 2,3% no segundo trimestre, após alta de 5,4% no primeiro. Conjuntamente com o resultado do primeiro trimestre, a produtividade do trabalho teve um avanço acumulado de cerca de 7%. Dados de produtividade do trabalho são especialmente importantes em vista do avanço constante dos salários, pois nos informam até que ponto a pressão salarial pode vir a se tornar uma fonte perigosa de pressão inflacionária mais generalizada. Dado que os salários avançaram meros 2% no acumulado do primeiro semestre, abaixo da produtividade, entendemos que, até o momento, a pressão salarial não é uma fonte de preocupação extremamente relevante.  

Pacote de infraestrutura finalmente aprovado… Após meses e meses em negociações, democratas e republicanos finalmente aprovaram o pacote de US$ 1 tri em infraestrutura para revitalizar pontes, aeroportos, ferrovias, rodovias e redes de banda larga do país. O pacote foi aprovado no Senado com margem confortável de 69 votos a favor e 30 contra, marcando um momento pouco usual de cooperação bipartidária em um ambiente altamente polarizado. Em termos econômicos, como comentamos em outros momentos, o pacote se configura como um fator positivo para a inflação, pois tende a intensificar pressões desinflacionarias na medida em que funciona como um indutor de produtividade maior no médio prazo.

No radar… Amanhã o IPC de julho nos EUA protagoniza a agenda econômica. Os mercados esperam uma desaceleração do indicador de 0,90% para 0,40% no núcleo. O índice cheio, no entanto, deve registrar novamente uma alta de 0,90%. Os preços devem continuar pressionados no curto prazo devido à dupla combinação de gargalos de oferta e forte expansão na demanda, principalmente sobre aqueles bens sensíveis à reabertura da economia. Caso confirmado, o índice cheio deve registrar alta interanual de 5,3%, enquanto o núcleo deve cair para 4,3%.


Brasil

Inflação e ata em destaque

Mercados… O índice local voltou a perder força, sem ímpeto claro enquanto permanecem as incertezas do cenário econômico. No mercado cambial, o dólar reagiu diretamente à manutenção de uma comunicação dura por parte do Banco Central na condução da política monetária, ao passo que as taxas de juros no mercado futuro operaram em baixa, também responde à ata e ao IPCA em linha como esperado pelo mercado. O CDS de cinco anos, entretanto, continuou operando em alta, respondendo ao ainda incerto cenário sendo traçado para a política fiscal, com o imbróglio dos precatórios ainda exercendo pressão no sentido de elevar o risco fiscal do país.

Inflação ao consumidor pesada… O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta de 0,53% em junho para 0,96% em julho, levando o avanço em 12 meses para 8,99%. Os preços administrados, influenciados pelos combustíveis e pela energia elétrica, aceleraram novamente de 0,81% para 1,68%, ao passo que os preços livres, em vista do avanço relevante na inflação de serviços, também aceleraram ao ir de 0,43% para 0,70%. No acumulando do ano, o IPCA registra alta de 8,99%, notavelmente acima do centro da meta de 3,75% para o corrente ano. Ademais, observou-se, novamente, uma pressão resiliente dos bens industriais, que seguem evidenciado os efeitos secundários dos choques de oferta. Para mais detalhes, veja no Flash Macro sobre o assunto no site e app O Guia Financeiro.

Ata do Copom vem em linha com o comunicado… A Ata do Copom referente à última reunião veio em linha com a expectativa. Nela, comitê reiterou suas preocupações com o cenário inflacionário e voltou a expressa a necessidade de levar a taxa de juro para além do patamar considerado neutro de 6,50%. O mais importante, entretanto, é que o Copom deixou claro que a Selic muito provavelmente desviará de seu cenário básico – que coloca a Selic a 7% ao final do ciclo – devido à manutenção de um risco fiscal elevado, que tende a colocar as projeções de inflação sistematicamente acima da meta para o horizonte relevante da política monetária. Como não esperamos uma melhora contundente na condução da política fiscal até o final do ano – e muito menos no ano que vem – vemos como mais provável uma Selic em torno de 7,50% ao final de 2021.

No radar… Se hoje foi dia de inflação, amanhã é dia da atividade. Pela manhã, o IBGE divulga a leitura de junho das vendas no varejo restrito e ampliado. Esperamos uma alta de 1,8% para o primeiro e queda de -2,3% para o segundo. A alta do restrito se dá em função da contínua elevação dos índices de confiança dos consumidores e produtores e do aumento contínuo da mobilidade, ao passo que a queda do conceito restrito ocorre devido à contração notável na produção de veículos durante o mês. Com isso, o varejo restrito deve te alta interanual de 12,4%, enquanto o ampliado deve avançar 11,3%.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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