Apito Final | De olho na transitoriedade

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

  • Ativos de risco internacionais voltam a operar acerca das máximas, com decisão de política monetária do BCE e inflação nos EUA desacelerando;
  • IPC americano desacelera em maio, dando sustento ao discurso de transitoriedade do Federal Reserve;
  • BCE mantém estímulos intactos em mais uma reunião de política monetária;
  • Confiança do consumidor americano é destaque da agenda internacional de amanhã.

Brasil

  • Ativos domésticos têm um dia sem grandes destaques na falta de catalisadores concretos;
  • Volume no setor de serviços é destaque da agenda local de amanhã.

FECHAMENTO

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

Ibovespa: 130.076 (+0,13%) ­­
BR$/US$: 5,66 (+0,05%)
DI Jan/27: 8,42% (+9 bps)
S&P 500: 4.239 (+0,47%)

PRINCIPAIS ALTAS:

EMBR3: R$ 20,00 (+15,61%)
LWSA3: R$ 26,03 (+5,60%)
BRKM5: R$ 59,46 (+4,26%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

GOLL4: R$ 26,25 (-4,37%)
VVAR3: R$ 14,56 (-3,45%)
BRDT3: R$ 26,78 (-3,11%)


Cenário Externo

De olho na transitoriedade

Mercados… Ativos de risco internacionais voltaram a operar acerca das máximas, com o S&P 500 batendo um novo recorde no intraday. O sentimento positivo dos mercados veio na esteira de mais um dado de inflação que, embora tenha vindo acima da expectativa, apresentou desaceleração, dando sustento ao discurso do Fed e mantendo a expectativa de continuidade dos estímulos monetários e fiscais. Ao longo da sessão, a curva de juros americana voltou a fechar, enquanto o DXY, que mede a força global do dólar, ficou acerca da estabilidade.

Inflação ao consumidor americano desacelera em maio… O Índice de Preços Preços (IPC) ao consumidor americano apresentou os primeiros sinais de arrefecimento em maio. Subiu 0,60% no índice cheio após alta de 0,80% em abril. O núcleo, que exclui alimentação e energia, avançou 0,70%, também desacelerando com relação a abril, quando registrou alta de 0,90%. Com isto, o IPC cheio e o núcleo acumulam alta de 5,0% e 3,8%, respectivamente, nos últimos 12 meses. A decomposição do índice mostra que em maio, a inflação foi novamente puxada por itens relacionados à reabertura da economia e que estavam muito deprimidos no ano passado: carros e caminhões usados, passagens aéreas, serviços de transporte e aluguéis de veículos.

A inflação e o Federal Reserve… O dado de inflação divulgado hoje, na medida em que apresentou desinflação (reduziu o ritmo de alta), emitiu os primeiros sinais de transitoriedade, dando sustento à atual expectativa do Federal Reserve, BC americano. Itens que estavam fortemente pressionados no mês de abril de fato perderam tração, ainda que tenham apresentado altas substanciais. Passagens aéreas desinflacionaram de 10,2% para 7,0%, enquanto carros e caminhões usados passaram de uma alta de 16,2% em abril para 12,1% em maio. O segmento de alojamento fora do domicílio apresentou a desinflação mais forte: passou de uma alta de 7,6% em abril para 0,40% em maio. É natural que, em meio à reabertura, continue havendo pressão sobre os preços, mas com a recomposição da oferta ao longo do tempo, espera-se que esta pressão seja cada vez menor, como de fato evidenciou o IPC de hoje.

Olhando para frente… Dado que maio foi o último mês em que o IPC deflacionou no ano passado, é altamente provável que a economia americana já tenha atingido o pico de inflação em 12 meses. A partir de junho do ano passado, o IPC apresentou inflação, o que aumenta a base de comparação e retira os efeitos-base que têm pressionado bastante o índice de preços. Não obstante, é igualmente provável que a inflação fique sistematicamente acima de 2,0% ao longo do restante do ano; afinal, a recomposição da oferta é lenta e a demanda seguirá em contínua e rápida expansão devido à vacinação e aos estímulos econômicos.

Banco Central Europeu mantém o pé no acelerador… A autoridade monetária do continente europeu manteve as taxas de referência próximas de zero e deu continuidade ao seu programa de compra de ativos de EUR$ 1,8 tri. A instituição citou que os estímulos se manterão intactos até que se observe que “perspectivas de inflação estão a convergir de forma robusta no sentido de um nível suficientemente próximo, mas abaixo, de 2% no seu horizonte de projeção e que essa convergência se tenha refletido consistentemente na dinâmica da inflação subjacente.” Títulos públicos deram sequência ao rali que vem se formando desde meados de maio depois da decisão, levando seus rendimentos para baixo.

No radar… Em dia fraco de indicadores econômicos, o destaque do dia fica com a divulgação da confiança do consumidor americano para o mês de maio. Após queda em abril, deve retomar trajetória de alta, novamente refletindo o avanço da vacinação e os estímulos fiscais e monetários.


Brasil

Sem novidades

Mercados… Em dia sem catalisadores muito relevantes para os ativos domésticos, o Índice Bovespa deu sequência aos ganhos, puxado principalmente pelos setores de tecnologia, telecomunicações e industrial. O dólar operou em alta, novamente em movimento de ajuste. Faltam vetores de pressão baixistas mais intensos para levar o dólar para abaixo de R$ 5,00, com o principal deles sendo uma melhora concreta da política fiscal com reformas que induzam uma trajetória sustentável para a dívida pública. No mercado de juros futuros, a curva voltou a ganhar inclinação, reagindo novamente ao ambiente reflacionário interno e global. O CDS de cinco anos, entretanto, seguiu em queda, refletindo os mares calmos de Brasília.

No radar… Amanhã o IBGE divulga o volume no setor de serviços referente ao mês de abril. Devido à flexibilização das atividades durante o mês, além da reedição de importantes programas de sustento à renda e ao emprego como o auxílio emergencial e o BEm, o setor de serviços deve reduzir o ritmo de contração visto em março para 0,4%. O responsável pela queda deverá ser o setor industrial, que recuou em abril e reduziu sua demanda por serviços de transporte. 

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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