Apito Final | Cenário externo desfavorável e ambiente político despenca o Ibovespa

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

• Mercados globais tem dia negativo com apreensão de que a atividade econômica está se desacelerando;
• Mercado de trabalho e escassez de insumos pressiona preços para cima e atividade para baixo.

Brasil

• Ibovespa tem novas mínimas com cenário externo e local desfavorável;
• Mercado fica em cautela após atos contra STF de ontem e conflito institucional permanecerem no radar;
• IGP-DI tem resultado negativo, mas as pressões inflacionárias permanecem.


FECHAMENTO

Ibovespa: 113.412 (-3,78%)
BRL/USD: 5,32 (+2,91%)
DI Jan/27: 10,51% (+24,0 bps)
S&P 500: 4.514 (-0,13%)

PRINCIPAIS ALTAS:

RENT3: R$ 59,88 (+8,03%)
LCAM3: R$ 26,70 (+7,23%)
SUZB3: R$ 62,59 (+1,81%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

CASH3: R$ 31,20 (-11,36%)
VIIA3: R$ 9,02 (-9,35%)
ELET6: R$ 34,29 (-9,29%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

Medo de desaceleração econômica e redução de estímulos promovem nova sessão de realização

Mercados… Os mercados globais hoje tiveram mais um dia de realização. Os investidores estão reavaliando os riscos econômicos, trabalhando com a possibilidade de os ativos de risco nos países ricos estarem sobrevalorizados. Os sinais de desaceleração das economias desenvolvidas também preocupam. O chamado Livro Bege, onde estão reunidas as avaliações dos Feds regionais para a economia norte-americana indicaram que o crescimento está desacelerando. Ainda assim, a alta dos salários e preços preocupam em termos de inflação, o que deverá dificultar a decisão do Fed na próxima reunião do FOMC. Membros do Banco Central americano voltaram a defender o início do tapering hoje, e amanhã na reunião do BCE, é esperado que o banco central europeu também considere reduzir seu programa de compra de títulos emergencial (PEPP). Nesse contexto de maior apreensão, as bolsas americanas fecharam em baixa, bem como os yields de 10 anos, e o dollar index se valorizou na busca por segurança.

Livro Bege sugere que escassez está desacelerando o crescimento… Avaliação dos distritos é que a economia continua avançando, mas em passo moderado. A desaceleração ocorreu por conta principalmente a setores que podem ser mais impactados pela disseminação da variante Delta, como restaurantes e turismo, mas também por setores afetados pela escassez de insumos. O relatório sugere também que esses setores não estão com uma deficiência de demanda. Pelo contrário, ela permanece aquecida. Contudo, a queda dos estoques e a falta de trabalhadores impediram que a produção conseguisse avançar. A maioria dos distritos registraram avanço na oferta de vagas de emprego, mas também a falta de trabalhadores, o que é citado como um impedimento na retomada das atividades econômicas em alguns casos. Diversos fatores conduziram à falta de trabalhadores, mas como pedidos de aposentadoria antecipada e aumento da rotatividade, mas de maneira geral, o que temos observado é uma mudança no mercado de trabalho americano, em que as pessoas exigem maiores benefícios (monetários ou não) para aceitar trabalhar. Como consequência, os distritos também registraram altas expressivas nos salários – em especial entre vagas de menor remuneração – na medida em que as empresas procuram atrair e reter os empregados.

Livro Bege (2)… No quesito inflação, todos os distritos registraram alta, com metade deles usando a palavra “acelerada” para descrevê-la. O livro cita a disseminação das altas dos preços dos insumos afetados pela escassez sobre o resto da economia, com destaque para preços dos metais, mas também para serviços de transporte. Em diversos dos distritos, as empresas têm repassado seus custos para o preço final, o que é possível graças à percepção de uma demanda ainda forte, por mais que a Delta esteja no radar dos empresários.

No radar… Amanhã haverá a reunião do BCE para definição da taxa de juros, prevista para às 8h45. Embora a autoridade monetária não deva mexer nos juros, ela deverá pautar a redução do estímulo emergencial da pandemia. Fora isso, as falas de diversos membros do Fed deverão ser acompanhadas ao longo do dia.


Brasil

Cenário externo desfavorável e ambiente político despenca o Ibovespa

Mercados… Com cenário externo desfavorável e ambiente político conturbado, o Ibovespa caiu mais de 3,0% hoje. Em reação às tensões institucionais após as manifestações contra o STF ontem, os investidores adotaram uma maior cautela ao longo do dia. Da mesma forma, o dólar teve sessão de forte alta. O mercado teve um momento de alívio depois de declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, evitando conflito com o presidente da República, mas uma fala mais dura do presidente do STF Luiz Fux contra Bolsonaro fez o índice voltar a opera em queda livre. Mesmo que uma ruptura institucional seja improvável, o cenário dificulta em muito a negociação dos precatórios com o Judiciário, mas também a aprovação das reformas no Legislativo. Com isso, a curva de juros abriu em quase todos os vértices, e o CDS teve alta. O movimento de hoje também foi muito impactado pelo cenário externo ruim, ainda que com o petróleo se valorizando, na medida em que investidores ponderam a possibilidade da retirada dos estímulos nos países desenvolvidos em meio ao arrefecimento do ritmo de retomada (vide seção internacional).

IGP-DI… O IGP-DI da FGV registrou queda mensal de 0,14% em agosto, acima do esperado (-0,2%). Com o resultado, o índice acumula alta de 28,21% em 12 meses. Na composição do indicador, o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) caiu 0,42%. Apesar de alta nos itens bens finais e intermediários, o índice foi fortemente influenciado pela queda de 21,39% do minério de ferro no mês, que resultou em uma variação negativa no item matérias-primas brutas que mais que compensou a alta dos outros itens. Dessa forma, segundo nota “se tal variação [do minério de ferro] fosse excluída do cálculo do IPA, o índice ao produtor registraria alta de 2,48%”. Nesse nível, o índice teria uma alta acumulada de 31,57% nos 12 meses. Do outro lado, os itens agrícolas do IPA e alimentação do IPC foram as maiores contribuições positivas dos índices, mesmo a despeito das baixas das carnes bovinas. Passagens aéreas continuam pressionando o item de Educação, Leitura e Recreação dos preços ao consumidor (IPC).

No radar… O destaque da agenda de indicadores locais amanhã será o IPCA de agosto (est. +0,70% m/m ou +9,50% a/a), previsto para sair às 9h00.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Rafael Gabriel Pacheco
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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