Apito Final | Fundamentos de agora em diante

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

  • De olhos nos ativos cíclicos e na queda dos juros futuros, índices acionários têm dia de valorização;
  • Com o andar da vacinação, fundamentos macroeconômicos tendem a ganhar maior relevância;
  • Dados macroeconômicos serão fundamentais para ditar o movimento dos juros futuros;
  • Para os valuations, expectativa de forte aumento nos lucros corporativos irá se contrapor à pressão altista nos juros;
  • BLS divulga amanhã o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de fevereiro nos EUA.

Brasil:

  • Ativos de risco domésticos têm mais uma sessão marcada pela alta volatilidade, com investidores de olho na tramitação da PEC emergencial;
  • Bolsonaro se movimenta para desidratar PEC, contribuindo para cenário desafiador;
  • Lideranças do Congresso acalmam os ânimos;
  • Setor de serviços registra ligeiro crescimento em janeiro, mas segue fortemente pressionado.

  


FECHAMENTO

Ibovespa: 111.127 (+0,47%) ­­
BR$/US$: 5,80 (-0,20%)
DI Jan/27: 7,99% (+13 bps)
S&P 500: 3.875 (+1,42%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

BEEF3: R$ 10,20 (+6,14%)
BRFS3: R$ 24,65 (+5,98%)
SUZB3: R$ 79,18 (+5,06%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

LAME4: R$ 21,00 (-5,70%)
BTOW3: R$ 62,14 (-5,25%)
VVAR3: R$ 10,98 (-4,85%)


Cenário Externo

Fundamentos de agora em diante

Mercados…. Em consonância com a queda nos juros futuros ao redor do globo, ativos de risco ligados ao mercado de renda variável apreciaram novo impulso ao longo do dia. Em paralelo, segue viva a expectativa com a forte retomada da economia global, impulsionada pelo pacote de gasto de US$ 1,9 tri do presidente Joe Biden, e que continua alimentando uma intensa rotação setorial, onde investidores continuam preferindo ativos ligados ao ciclo econômico como financials e industrials.

Fundamentos voltam à cena… O principal driver dos ativos no ano passado foi a gama de narrativas envolvendo o suporte monetário sem precedentes dos bancos centrais, assim como a implementação de massivos estímulos fiscais por parte dos governos. Ainda que estes pontos continuem dando sustento às decisões de investimento em 2021, compreendemos que, com o avanço da vacinação, os fundamentos macroeconômicos podem voltar a ser os principais drivers dos ativos. Afinal, toda a tese de reflation trade se embasa em um processo de recuperação, ainda não consolidado, e cria margem para que indicadores macroeconômicos como desemprego, produção industrial, vendas no varejo, IPCs, entre outros, influenciem as expectativas dos lucros cada vez mais.

Fundamentos e juros… Tais dados serão importantes para, não somente justificar uma maior expectativa de lucro futuro das empresas, mas também para ditar os movimentos dos juros futuros. Recuperações sólidas, aliadas ao forte avanço da vacinação, devem continuar colocando pressão vendedora sobre os títulos públicos americanos, que são importantes ativos de segurança. Isto é, na medida em que progredi a recuperação e vacinação, menor é a incerteza quanto ao futuro da economia e menor é a necessidade de manter em carteira um ativo de segurança. A expectativa de maior inflação — que naturalmente acompanha a maior expectativa de crescimento —, na medida em que corrói o valor dos cupons pagos por estes títulos, também tende a reforçar o movimento.

Precificação, lucro e juros… Em outras edições do Apito Final, temos recorrentemente comentando como o movimento altista dos juros futuros ameaça os valuations das empresas, pois induz uma alta na taxa que desconta os fluxos de caixa futuros. Ocorre que esta pressão pode ser anulada, parcial o integralmente, a depender da movimentação das expectativas sobre os fluxos de caixa futuros. Um robusto processo de recuperação que recorrentemente surpreende as expectativas tenderia a dar maior justificativa para projetar fluxos de caixa futuros maiores, aumentando os valuations e se contrapondo à pressão sentida pela alta dos juros. Ao que tudo indica, a recuperação americana será robusta, mas é nítido que o grau de surpresa somente será conhecido com a divulgação de dados de atividade.

No radar… Amanhã o BLS divulga a leitura do IPC de fevereiro. A expectativa mediana do mercado aponta para leve aceleração dos preços de 0,30% para 0,40%, levando a variação interanual do índice para a casa dos 1,70%, que lentamente se aproxima da meta média de 2,00% preconizado pelo Fed. O dado será de suprema importância para reajustar as expectativas inflacionárias em alta, potencialmente produzindo uma correção no mercado de juros futuros. Tudo depende, claro, da magnitude da surpresa inflacionária.


BRASIL:

Foco no Legislativo

Mercados… Em mais um dia conturbado de negociações, ativos de risco domésticos voltaram a operar de forma volátil, ainda que tenham registrado, durante a sessão, movimentos ligeiramente mais positivos. Como não podia deixar de ser, incertezas fiscais relacionadas ao trâmite da PEC emergencial, agora na Câmara dos Deputados, pesaram sobre o índice. Diante da manutenção destas incertezas, o dólar voltou a demonstrar forte resistência à queda, enquanto os jurus futuros continuaram refletindo maiores prêmios de risco ao longo da estrutura a termo. O CDS de cinco anos, ainda que tenha registrado queda, segue situado em torno dos 200 pontos base; patamar ainda muito elevado quando comparado aos níveis pré-crise.

E tome mais risco fiscal… Como mencionamos no Mercados Hoje desta manhã, o desejo de Bolsonaro de desidratar ainda mais a PEC emergencial, excluindo servidores da segurança pública dos congelamentos para atender as demandas da bancada da bala, chacoalhou os mercados. Na medida em que o movimento ameaça abalar o impacto fiscal da proposta, já bastante reduzido em comparação à proposta de 2019, voltou a colocar em xeque o grau de comprometimento de Bolsonaro com a agenda de ajuste fiscal. Reforçou, como em outros momentos, o baixo grau de compromisso do presidente da república com as diretrizes defendidas pelo seu próprio ministério da economia.

O Legislativo como um contraponto… Mesmo que Bolsonaro tenda a travar o suave fluxo da tramitação da matéria, lideranças do Congresso se colocam como contraponto chave. O relator da PEC emergencial na Câmara, o deputado Daniel Freitas (PSL-SC), acalmou os ânimos ao dizer que a matéria será enviada ao plenário exatamente da mesma forma que foi aprovada pelo Senado na semana passada, o que significa que não deve sofrer alterações quanto à manutenção do BF no teto de gastos e ao valor limite do novo auxílio emergencial. Lira, por sua vez, reiterou que a medida será votada em dois turnos amanhã, e enfatizou que a tendência é que o texto seja aprovado da mesma forma que foi no Senado. Quantos aos destaques, como a medida proposta por Bolsonaro, serão “democraticamente discutidos”, disse o presidente da Câmara.

Atividade no setor de serviços… No primeiro mês de 2021, o volume de serviços registrou avanço de 0,6% m/m na série com ajuste sazonal, voltando a avançar após registrar estabilidade em dezembro do ano passado (valor revisado). Não obstante, na comparação interanual (série sem ajuste sazonal) o setor apresentou recuo de 4,7% – a 10ª taxa negativa consecutiva. No acumulado em 12 meses, o setor mais prejudicado pela pandemia acumula queda de 8,3%; o maior resultado negativo da série histórica iniciada em dezembro de 2012. Com relação ao período pré-pandemia (fevereiro/20) o volume de serviços reduziu a queda, mas segue 3,0% abaixo dos níveis verificados na época. Verifique nos Flash Macro sobre o assunto no site ou app O Guia Financeiro.

No radar… Não serão divulgados indicadores de relevância nesta 4ªfeira.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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