Apito Final | Mais um dia em alta

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

•             Ativos globais encerram o dia em tom positivo após uma semana de ganhos estelares;
•             Taxa de desemprego da economia americana fica em 6,8%, registrando destruição de empregos pela primeira vez desde abril.

Brasil:

•             Ibovespa dá sequência aos movimentos positivos e registra mais uma máxima histórica;
•             Produção industrial avança em novembro, dando sequência ao processo de recuperação.


FECHAMENTO

Ibovespa: 124.942 (+2,09%) ­­
BR$/US$: 5,42 (+0,35%)
DI Jan/27: 7,01% (+5 bps)
S&P 500: 3.824 (+0,55%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

GNDI3: R$ 91,35 (+26,52%)
HAPV3: R$ 16,70 (+16,95%)
BTOW3: R$ 72,25 (+7,34%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

GOAU4: R$ 12,84 (-1,98%)
BBDC4: R$ 27,52 (-1,15%)
SANB11: R$ 45,89 (-1,06%)


Cenário Externo

EUA destrói empregos pela primeira vez desde reabertura dos negócios

Mercados… Índice globais iniciaram o dia em alta, ainda refletindo a já embutida expectativa por mais estímulos fiscais e monetários, mas a queda no emprego nos EUA no último mês do ano passado demonstrou a fragilidade da economia americana, fazendo com que o S&P500 perdesse tração. Ainda que a vitória democrata em ambas as casas abra espaço para mais estímulos fiscais, o anúncio de que o senador Republicano Joe Manchin trataria de obstruir futuros pacotes pesou um pouco sobre o sentimento.

Mercado de trabalho americano… Após meses de registros positivos, o último relatório de emprego do ano catalogou destruição líquida de 140 mil empregos, deixando a taxa de desemprego praticamente estacionada no valor de novembro, de 6,7%. O setor de lazer e hospitalidade cortou 498 mil empregos no período, exemplificando como o agressivo ressurgimento da covid-19 segue pressionando negativamente a recuperação do setor de serviços. O recém aprovado pacote de US$ 900 bilhões pode proteger a recuperação entrando em 2021, mas mais esforços serão necessários: a taxa ainda se encontra quase 100% acima do valor verificado antes da crise. Nesta frente, há razões para ser otimista: a materialização de uma onda certamente facilitará a ampliação do atual pacote.


BRASIL:

Mais um dia em alta

Mercados… O Ibovespa a encerrar o dia em alta, novamente registrando um marco histórico de 124 mil pontos. Como outrora, as notícias relacionadas à Coronavac, mais um dado de atividade positivo e a alta das commodities também impulsionaram o fluxo comprador. Após dias em baixa, o real apreciou levemente ante o dólar ao longo do dia, em linha com o enfraquecimento do índice dólar (DXY) no mercado internacional, mas a notícia de que o candidato à presidência da Câmara, Baleia Rossi, convocou uma reunião emergencial para discutir medidas adicionais de combate à covid-19 aumentou o risco fiscal, pressionando o dólar e as taxas no mercado de juros futuros. Antes, operavam em baixa, repercutindo o avanço menor do que o esperado na produção industrial. O CDS de cinco anos, métrica de risco-país, também operou em queda.

Atividade econômica… No penúltimo mês de 2020, a produção industrial apresentou crescimento de 1,2% frente a outubro, levando variação interanual para 2,8% e o resultado acumulado no ano para -5,50%. A produção industrial vem registrando alta por sete meses consecutivos, eliminando a perda de 27,1% criada durantes os momentos mais agudos da crise. Ainda assim, a indústria segue 13,9% abaixo de seu nível recorde, verificando em maio de 2011.

Sobre as categorias… A expansão do setor foi verificada dentro das cinco grandes categorias econômicas. Bens de capital cresceu 7,4%; Bem Intermediários, 0,10% e Bens de Consumo, 2,1%. Dentre os Bens de Consumo, o grupo de bens duráveis cresceu 6,2% e o de bens semiduráveis e não duráveis avançou 1,5%. No acumulado do ano, de janeiro a novembro, no entanto, as grandes categorias seguem em patamar negativo. Bens de capital apresenta retração de -12,6%; Bens Intermediários, -1,90% e Bens de Consumo -9,1%. Bens de consumo duráveis e semi e não duráveis apresentaram queda de, respectivamente, -20,50% e -5,90%. Para mais informações sobre o dado, veja nosso Flash Macro sobre o assunto no site e app O Guia Financeiro.

Nossa visão… A produção industrial deu sequência ao movimento de recuperação verificado desde o início do processo de reabertura da economia que ganhou maior tração no 3º trimestre de 2020. Ainda, vale lembrar que o processo de recuperação foi fortemente influenciado pela implementação de medidas fiscais e monetárias que criaram terreno fértil para uma robusta recuperação do setor.

Olhando para as grandes categorias, observam-se pontos interessantes. A forte recuperação de bens intermediários – que acumula queda de 1,9% no ano – é fruto direto do descompasso entre a oferta e a demanda por insumos verificado ao longo do ano. A aceleração da demanda, combinada à lentidão da oferta em função das incertezas econômicas, pressionou os preços ao longo da cadeia produtiva e tornou sua produção mais atrativa, efetivamente explicando por que esta categoria apresentou desempenho notadamente melhor do que as outras.

Bens de capital, apesar de apresentar algum grau de recuperação ao longo do ano, segue bastante deprimido (-12,6%). Ainda que as baixas taxas de juros praticadas pelo Banco Central criem terreno fértil para o início de uma recuperação contundente, entendemos que o risco fiscal tenderá a manter a categoria pressionada. Por um lado, mantém os juros de longo prazo em alta, reduzindo, ao menos parcialmente, o efeito positivo provido por taxas de juros mais curtas. Por outro, as incertezas quanto ao avanço das reformas – tributária e administrativa, por exemplo – tendem a manter o desejo pelo investimento suprimido. Isto é, tende a retardar o despertar dos “animal spirits” dos empresários na economia brasileira.

Na categoria de Bens de consumo, como exposto, bens não duráveis e semi-duráveis apresentaram uma recuperação (-5,90%) bem mais rápida do que a produção de bens duráveis (-20,5%). A razão é clara: em um ambiente pandêmico, consumidores optam por consumir mais bens essenciais como alimentos a detrimento de outros bem, como automóveis, por exemplo.

Olhando para frente, além dos riscos fiscais, também vemos o deteriorado mercado de trabalho, assim como a retirada de parte dos estímulos fiscais, como riscos adicionais ao processo de recuperação. Em um ambiente de elevado desemprego, reduzida taxa de participação e sem renda adicional provida pelo estado, a demanda, consumo e dispêndio das famílias tende a perder força. Claro, um elevado montante de recursos em poupança pode promover algum fôlego, mas está longe de exercer o mesmo efeito proporcionado pelo auxílio emergencial e outros programas de manutenção da renda e do emprego implementados no ano passado.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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