Apito Final | Dinâmica desfavorável

Tempo de leitura: 6 minutos

Internacional

  • Ativos internacionais encerram mais uma sessão no verde com a necessidade de mais estímulos à economia reforçada após dado de emprego fraco;
  • Mercado de trabalho dos EUA cria 267 mil empregos em abril, fortemente abaixo da expectativa de 1 milhão; taxa de desemprego aumenta ligeiramente para 6,1% ;
  • Possível escassez na oferta de trabalho pode estar explicando desempenho mais fraco do mercado laboral;
  • Desempenho mais ameno dos salários pode estar afetando negativamente a oferta de trabalho.

Brasil

  • Índice Bovespa encerra em alta, acompanhando o bom desempenho dos índices internacionais;
  • Emprego fraco nos EUA desvaloriza dólar, e dados do varejo brasileiro melhor do que o esperado contribui para alta da curva de juros futura;
  • Varejo cai apenas 0,6 no sentido restrito e 5% no sentido amplo.

FECHAMENTO

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

Ibovespa: 122.038 (+1,77%) ­­
BR$/US$: 5,22 (-0,95%)
DI Jan/27: 8,64% (-1 bps)
S&P 500: 4.232 (+0,74%)

PRINCIPAIS ALTAS:

CCRO3: R$ 113,39 (+9,75%)
IGTA3: R$ 42,30 (+5,99%)
EMBR3: R$ 16,74 (+5,82%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

LWSA3: R$ 24,81 (-2,63%)
USIM5: R$ 23,14 (-1,82%)
WEGE3: R$ 33,42 (-0,92%)


Cenário Externo

Dinâmica desfavorável

Mercados…. O desempenho positivo dos mercados ao longo da última sessão da semana se deu muito em função dos dados de emprego da economia americana. Vieram muito aquém da expectativa, dando sustentação à necessidade de mais estímulos fiscais e manutenção dos atuais estímulos monetários. O rendimento da treasury de 10 anos operou estável em torno dos 1,58%, caminhando para encerrar a semana com leve queda.

Mercado de trabalho decepciona em abril… Após criar 770 mil vagas em março, O mercado de trabalho americano criou apenas 267 mil vagas de emprego em abril; o valor veio muito aquém da expectativa mediana do mercado, que previa incremento de 927 mil. Com isso, a taxa de desemprego teve leve aumento para 6,1%, e o total de empregos ainda contínua muito abaixo do nível pré-crise. O movimento ocorreu mesmo na esteira de esteira de uma robusta campanha de vacinação – que já vacinou mais de 1/3 da população – e um recém-aprovado pacote de gastos monumental de US$ 1,9tri. Como pode o mercado de trabalho, em meio um cenário tão acomodatício, ter um resultado tão aquém do esperado? O desempenho fraco do mercado de trabalho está, em essência, associado a dinâmica desfavorável entre a oferta e demanda por trabalho.

Escassez de trabalhadores? (2)… Uma possível explicação para a criação de vagas muito aquém do esperado tem a ver com uma possível escassez na oferta de trabalho. Uma indicação que temos de que isto está acontecendo é o fato de que a média de horas trabalhadas por todos os empregados vem aumentando ao longo das últimas leituras. Ou seja, um empregador não deveria aumentar as horas trabalhadas de seus trabalhadores atuais se tivesse uma maior oferta de trabalho ao seu dispor. Não haveria necessidade. Se houvesse mais oferta de emprego, as horas necessárias de trabalho para atender a demanda – que está em expansão – poderiam ser distribuídas entre mais trabalhadores, levando a média para baixo.

Escassez de trabalhadores?… Este descompasso entre demanda e oferta por trabalho, onde a primeira parece superando a segunda, tem contribuído – junto com os estímulos fiscais – para manter os salários em trajetória de alta, ainda que tenham perdido tração recentemente. Enquanto a oferta de trabalho não passar por uma normalização maior – por exemplo por meio de uma alta mais intensa na taxa de participação –, tal tendência deve continuar se verificando para os salários.


Brasil

Varejo resiliente

Mercados… Ativos domésticos voltaram a operar em consonância com o exterior, apresentando desempenhos majoritariamente positivos. O Índice Bovespa, ainda beneficiado fortemente pelas commodities e sem ser incomodado por surpresas políticas, encerrou a sessão no verde. O real voltou a se valorizar contra o dólar, refletindo o resultado bastante fraco do emprego nos Estados Unidos, que retirou força do índice dólar no mercado global de câmbio. Já a curva de juros futura voltou a apresentar inclinação, encerrando a semana em alta. No mercado de juros, o principal catalisador foi o resultado muito melhor do que o esperado das vendas do varejo, que acabou fazendo jus, ao menos parcialmente, ao atual ciclo de redução do estímulo monetário.

Setor de varejo resiste a segunda onda de infecções… As vendas no varejo brasileiro voltaram a cair na leitura de março. No sentido restrito, que exclui veículos e materiais de construção, houve uma ligeira queda de 0,62% na margem, deixando a variação interanual do índice de volume restrito em 0,31%. Já para o índice de volume das vendas no varejo ampliado, que inclui tais componentes, observou-se uma queda de -5,25%, resultando em uma variação interanual de 9,07%. Assim como a indústria, o varejo demonstrou, em março, grande resiliência frente à manutenção de um quadro sanitário extremamente desafiador. Para ver nossa análise sobre o dado, verifique o Flash Macro sobre o assunto no site.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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