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Apito Final | Acordando depois da soneca

Tempo de leitura: 7 minutos

Internacional

•  Ainda de olho na temporada de resultados corporativos, ativos internacionais continuaram rondando as máximas históricas;
•  Pedidos de seguro-desemprego nos EUA caem novamente em direção ao patamar pré-crise;
•  Relatório de emprego nos EUA protagoniza agenda econômica de amanhã.

Brasil

•  Ibovespa, taxa de câmbio e juros futuros voltam a sentir em cheio o constante ressurgimento do risco fiscal;
•  Após imbróglio do precatório e incertezas com o Bolsa Famílias, programa do Refis pressiona os mercados;
•  Risco fiscal volta em cheio e entra novamente em destaque na narrativa dos mercados;
•  Vendas de veículos é destaque da agenda econômica local de amanhã.


FECHAMENTO

Ibovespa: 121.632 (-0,14%) ­­
BR$/US$: 5,22 (+1,16%)
DI Jan/27: 9,40% (+30 bps)
S&P 500: 4.429 (+0,60%)

PRINCIPAIS ALTAS:

PETR3: R$ 29,27 (+9,63%)
PETR4: R$ 28,35 (+7,88%)
MGLU3: R$ 20,46 (+2,51%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

BRAP4: R$ 72,45 (-5,11%)
BRKM5: R$ 55,41 (-4,17%)
CSNA3: R$ 46,63 (-3,96%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

À ESPERA DO PLENO EMPREGO

Mercados… Ao contrário do que ocorreu nos mercados domésticos, ativos internacionais voltaram a operar acerca das máximas históricas, com investidores novamente de olho em balanços corporativos positivos. Paralelamente, mais uma queda nos pedidos de seguro-desemprego expressou o bom desempenho do mercado de trabalho americano, ao passo que novos comentários de teor hawkish de mais um membro votante do BC americano voltaram a pressionar os juros de longo prazo nos EUA, novamente forçando mais uma sessão positiva para o dólar global, que mede a força da moeda americana perante uma cesta de moedas de países desenvolvidos.

Mercado de trabalho segue melhorando… Os pedidos de seguro-desemprego semanais registraram uma nova queda na semana finda no dia 31 de julho. Foram de 400 mil para 385 mil, ficando em linha com as expectativas do mercado, que previam uma queda para 383 mil. O dado vem na véspera do relatório de emprego americano, onde se espera uma nova rodada de criação de empregos que continue confirmando o progresso feito pela economia na direção do mandato do pleno emprego do Fed. Com este resultado, os pedidos de seguro-desemprego voltam a ficar cada vez mais próximos do patamar pré-crise, e tendem a dar sustento à tese de que, na verdade, o mercado de trabalho está mais aquecido do que a taxa de desemprego oficial de 5,9% acaba sugerindo.

No radar… Como de costume na primeira sexta-feira do mês, o destaque fica com a divulgação de mais um relatório de emprego nos EUA. Após registrar criação de 850 mil vagas de emprego em junho, o mercado espera um incremento de 865 mil vagas em julho, o que levaria a taxa de desemprego de 5,9% pata 5,7%, ainda distante do patamar pré-crise de 3,5%. Os salários, por sua vez, devem ter avanço de 0,30%, o mesmo ritmo registrado durante o mês de junho. Para os mercados, a combinação ideal seria um resultado acima da expectativa para o emprego, mas abaixo da expectativa para os salários, uma vez que evidenciaria uma recuperação robusta do emprego acompanhada de uma pressão de salários menos forte. Ou seja, mais crescimento com menos inflação. Um resultado aquém da expectativa para o emprego, no entanto, não seria ruim para os mercados, pois reforçaria a continuidade dos estímulos monetários.


Brasil

ACORDANDO DEPOIS DA SONECA

Mercados… Após um início de sessão positiva, ativos domésticos viraram a tendência a tarde e tiveram um dia de desempenho negativo generalizado. O novo ressurgimento do risco fiscal, agora relacionado a outro ponto, colocou em xeque qualquer benefício cambial trazido pela postura mais agressiva do Banco Central ontem em decisão de política monetária. Devidamente em resposta às incertezas ficais, a curva de juros voltou a ganhar inclinação, subindo mais de 25 pontos base ao longo de todos os vértices na medida em que operadores continuam inserido prêmio. Com a bolsa, não foi diferente. Ativos de renda variável sofreram com a maior aversão ao risco e a queda do índice só não foi maior por causa dos resultados promissores da Petrobras, que detém participação de aproximadamente 10% no total do índice. Pela mesma razão, o CDS de cinco anos, métrica de risco-país, também encerrou o dia em alta.

Risco fiscal vai voltando aos poucos… Após o imbróglio dos precatórios e as incertezas causadas pela ampliação no Bolsa Família, investidores se defrontaram hoje com mais uma incerteza da fronte fiscal. O Refis, um programa de negociação de dívidas tributárias, da forma que foi proposto pelo líder do governo, Fernando Bezerra, ameaça causar perda de arrecadação. De acordo com o Ministério da Economia, o programa proposta é generoso demais, e, na medida em que causa perda de arrecadação em potencial sem medida compensatória, tende a adicionar ao déficit, à dívida e, ao cabo, pressiona a inflação e as taxas de juros, como muito bem se observou ao longo da sessão de hoje.  

O risco fiscal e os mercados… Como comentamos em outra edição recente do Apito Final, após ficar dormente e escondido por alguns meses, o risco fiscal volta a mostrar suas caras. Ficou escondido esse relativamente longo período de tempo devido a uma leva de indicadores fiscais que pintaram um quadro mais animador sobre a dinâmica das contas públicas. Mas, como alertamos, tal pintura deveria ser mais interpretada como uma melhor de curto prazo causada, principalmente, pela aceleração da inflação. Ainda, na medida em que o Congresso não dá sequência a reformas que garantam superávit primário ou crescimento econômico adequado, a trajetória da dívida é uma só: insustentável. Os mercados voltam a internalizar estes riscos e a tendência é que se intensifiquem com o cada vez mais próximo ano eleitoral. Está na hora de apertar os cintos, pois este segundo semestre promete elevada volatilidade dos ativos.

No radar… Amanhã, o destaque do dia fica com a divulgação das vendas de veículos das Anfavea, que será divulgado pelo período da manhã.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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