Apito Final | Reforçando a ancoragem

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

•  De olho em dados e comentários feitos pelo vice-presidente do Fed, ativos internacionais passam por mais uma sessão de queda;
•  Clarida emites sinais hawkish quanto à condução da política monetária na maior economia do mundo;
•  ISM de serviços surpreende expectativas e reforça o bom desempenho do setor de serviços americano;
•  Emprego no setor privado dos EUA avança, mas vem aquém da expectativa mediana do mercado.

Brasil

•  Ibovespa acompanha derrocada dos índices internacionais, ainda afetado pelas incertezas da política fiscal;
•  Copom deve sancionar a expectativa do mercado, contratar mais uma alta de 1 p.p. e sinalizar abandono de ajuste neutro;
•  Índice de Commodities do BC acelera em julho, jogando contra o fator baixista do balanço de riscos;
•  PMI de serviços do Brasil indica novo aquecimento do setor com maior participação no PIB.


FECHAMENTO

Ibovespa: 121.801 (-1,44%) ­­
BR$/US$: 5,17 (-0,41%)
DI Jan/27: 9,11% (+0 bps)
S&P 500: 4.402 (-0,46%)

PRINCIPAIS ALTAS:

VALE3: R$ 112,64 (+3,41%)
BRAP4: R$ 76,13 (+2,98%)
GGBR4: R$ 31,55 (+2,67%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

AMER3: R$ 49,00 (-4,43%)
LAME4: R$ 7,03 (-3,30%)
SUAL11: R$ 29,80 (-2,65%)

Fonte: Bloomberg. Obs: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Cenário Externo

Sinais hawkish

Mercados… Mercados domésticos operaram em claro tom de risk-off ao longo da sessão, espelhando uma dupla de dados econômicos mistos, assim como comentários importantes feitos pelo vice-presidente do Fed, Richard Clarida, com relação à condução da política monetária nos EUA. Em função destes fatos, índices operaram em queda, o juro longo americano reverteu a tendência de baixa verificada no início da sessão e o índice dólar retomou a trajetória de alta.

Clarida comenta a política monetária nos EUA… O vice-presidente do Federal Reserve, Richard Clarida, comentou que o BC americano está a caminho de reduzir estímulos monetários. “As condições necessárias para aumentar a taxa de juro serão satisfeitas até o final de 2022, o que abriria o caminho para elevar o juro em 2023”, comentou o presidente. Caso o crescimento continue forte, como espera Clarida, defende que o Fed faça algum pronunciamento mais claro com relação ao programa de compras mais tarde durante este ano. Os comentários foram devidamente interpretados como hawkish (inclinado à retirada dos estímulos) por parte do mercado, levando operadores a vender títulos americanos, pressionando suas taxas, e acentuando a força do dólar no mundo, uma vez que tende a fortalecer a expectativas de retorno mais atrativo dos títulos de renda fixa por lá.

PMI de serviços americano volta a acelerar… O índice PMI do setor de serviços produzido pela ISM acelerou a alta em julho para 64,1 de 60,1 em junho, indicando notável expansão do emprego, da produção e dos novos pedidos. Como outrora, a reabertura da economia permitida pela vacinação, assim como a situação confortável dos consumidores em termos de renda, continua impulsionando a atividade do setor. Ainda assim, produtores do setor continuam sentindo as pressões de preços ligadas a restrições na oferta de matérias primas e trabalho. Sem grandes novidades, as pressões continuam sendo repassadas na forma de preços mais elevados para os consumidores. Esperamos que o setor de serviços continua registrando ganhos fortes nas próximas leituras, ainda que possa desacelerar um pouco: afinal, os fundamentos macroeconômicos e o sentimento nunca estiveram tão sólidos.

Emprego no setor privado decepciona… O emprego no setor privado americano registrou criação líquida de 330 mil empregos em julho, desacelerando consideravelmente com relação ao resultado de junho (692 mil) e decepcionando as expectativas (690 mil). Em função da reabertura, a criação de empregos ficou novamente concentrada no setor de serviços (318 mil), ao passo que o setor de bens – já bem aquecido e acima do nível pré-pandemia – adicionou apenas 12 mil empregos. É mais um dado que reforça a continuidade do processo de recuperação do mercado laboral, mas o diferencial com relação à expectativa mediana indica que a recuperação não continua sem empecilhos, ainda por conta da covid-19, dos benefícios fiscais e da reabertura ainda parcial das escolas.

No radar… Em dia mais fraco de indicadores econômicos, o destaque do dia fica com às encomendas à indústria na Alemanha (3h), a reunião de política monetária no Reino Unido (8h) e a balança comercial (9:30h) e os pedidos de auxílio-desemprego (9:30) nos EUA.


Brasil

Reforçando a ancoragem

Mercados… Em linha com o comportamento não benigno dos índices internacionais, o Índice Bovespa voltou a cair, ainda em impactado pelas incertezas fiscais causadas pela PEC dos Precatórios e os anseios populistas em torno do Bolsa Família. O dólar, em ambiente de risk-off, também operou em alta, ao passo que as taxas de juros no mercado futuro continuaram operando em alta à espera de mais uma reunião do Copom. Ao logo da tarde, no entanto, o dólar voltou a cair em resposta à divulgação do Índice de Commodities do BC, que acelerou e reforçou a expectativa de aperto monetário mais célere. O CDS de cinco anos, métrica de risco-país, continuou em alta, também espelhando a manutenção das mais novas incertezas ficais.

Dia de Copom… Como já comentado no Apito Final de ontem e hoje pela manhã no Mercados Hoje, o Comitê de Política Monetária do Banco Central deve aumentar a Selic em 1 ponto percentual para 5,25%. Além disto, o comitê deverá contratar mais uma alta de igual magnitude para a próxima reunião condicionada ao cenário para a inflação, expectativas e balanços de riscos. Por fim, mas não menos importante, vemos como provável o abandono da intenção de promover uma normalização neutra; para forçar uma ancoragem mais agressiva das expectativas, vemos o comitê dando alguma sinalização de que está disposto a levar a Selic para um patamar acima do neutro (6,50%) ao final do ciclo de ajuste monetário.

Índice de Commodities acelera em julho… O IC-Br do BCB, que traça a evolução dos preços das commodities em reais, teve alta de 5,17% em julho após queda de 3,5% em junho. A alta foi puxada principalmente pelas commodities de energia, que subiram 8,9%, seguido pelas commodities agropecuárias, que avançaram 4,5% e, por último, as metálicas, que aumentaram 3,90%. A alta das commodities em reais é mais um fator que joga contra o balanço de riscos do Banco Central, pois não confirma, pelo menos por ora, o fator baixista que pode, em tese, trazer a inflação abaixo do cenário básico traçado pelo Banco Central. Em essência, o dado reforça a expectativa de aceleração no ritmo de aperto monetário.

Setor de serviços local aquecendo ainda mais… O PMI do setor de serviços brasileiro, assim como nos EUA, acelerou a alta em julho para 54,4 ante 53,9 em junho. O crescimento da atividade no setor acelerou em meio à uma expansão na demanda e nos novos pedidos, levando consigo, novamente, a aumento na criação de empregos. Pressões inflacionárias decorrentes dos gargalos de oferta (falta de matérias primas) e da depreciação cambial continuaram presentes e elevadas, mas diminuíram o ritmo de avanço. De modo geral, a contínua redução das restrições à mobilidade devido à vacinação continuam criando terreno fértil para uma retomada robusta da demanda reprimida e do setor de serviços como um todo.

No radar… Por aqui, o destaque do dia fica com o Indicador Antecedente do Emprego da FGV, divulgado às 8h.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]
Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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