Apito Final | 04 de Março

Tempo de leitura: 9 minutos

Internacional
• Bolsas internacionais operam em alta e recuperam parte dos ganhos acumulados;
• PMI dos EUA adentra território contracionista;
• Fed publica o Livro Bege
• Europa, na contramão dos EUA, cataloga alta em seu PMI;
• PMI da china evidencia efeitos nefastos do Covid-2019.

Brasil 
• Ibovespa
• PIB brasileiro cresce 1,1% em 2019;
• Estímulos monetários não serão suficientes garantir crescimento acima de 2%.


FECHAMENTO:

Ibovespa:107.224 (+1,60%)
BR$/US$: 4,57 (+1,59%)
DI Jan/27:6,35% (-3 bps)
S&P 500: 3.130 (+4,22%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

SUZB3: R$ 43,54 (+9,01%)
USIM5: R$ 8,87 (+7,00%)
KLBN11: R$ 22,06 (+6,06%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

CVCB3: R$ 19,05 (-31,96%)
HAPV3: R$ 53,53 (-3,41%)
YDUQ3: R$ 50,02 (-2,08%)


CENÁRIO EXTERNO:

Mercados… Bolsas internacionais operaram em alta ao longo do pregão desta 4ªF. Tanto o STOXX 6000, índice pan-europeu, quanto o S&P500, índice americano, encerram o pregão em território verde. Investidores, mesmo com a aversão ao risco ainda decorrente do Covid-2019, receberam de bom grado as medidas de estímulos implementas pelos bancos centrais ao redor do mundo, além da vitória do candidato moderado, Joe Biden, nas primárias democratas.

Economia americana… Investidores avaliaram hoje o Índice de Gerentes de Compra composto (PMI, na sigla em inglês) para a economia americana. O índice cheio, que contempla o setor de serviços e manufatureiro, despencou de 53,3 para 49,6 em fevereiro. Pela primeira vez desde 2016, o índice caiu abaixo de 50, indicando que a economia está adentrando o território contracionista. Naturalmente, a queda deve-se ao corte de demanda decorrente da disseminação do coronavírus, com importantes setores como turismo e viagem sofrendo um abalo mais intenso. A queda de demanda, como era de se esperar, acaba intensificando o choque de oferta, advindo da escassez de insumos disponíveis para a produção. O resultado repercute o comunicado de Powell ontem, pós-corte preventivo e extraordinário na taxa de juro norte-americana, quando o presidente do Fed afirmou que o surto do Covid-2019 ameaça colocar em risco a continuidade do ciclo de expansão da economia americana.

Livro Bege… O Federal Reserve dos EUA divulgou hoje o Livro Bege, um compêndio de informações referentes ao estado da economia americana de acordo com diretores do Fed de cada um dos 12 distritos. De modo geral, o crescimento segue modesto, porém uma série de setores já reportam os impactos negativos do Covid-2019, com ênfase na interrupção de importantes insumos na cadeia produtiva. No mercado de trabalho, a criação de vagas segue robusta e os salários seguem crescendo a taxas moderadas. Na esfera monetária, observou-se leve aumento nos preços, porém os participantes da pesquisa afirmaram que a Fase Um do acordo comercial sino-americano tem o potencial reduzi-los.

Economia europeia… Ao contrário dos resultados observados na economia americana, o PMI composto para a zona do euro passou por um leve aumento em fevereiro. Foi de 51,3 para 51,6, puxado, principalmente, em função da demanda interna. Produtores europeus estão se demonstrando resilientes ao desenvolvimento do Covid-2019, porém reconhecem que uma intensificação do fenômeno pode seguir alimentando uma deterioração do setor externo. No setor de serviços, um número crescente de firmas reportou queda na produção, principalmente nos setores mais vulneráveis como hotelaria, viagem e transporte. Expectativas para o futuro, por sua vez, não se apresentam como benignas. Caso o cenário continue se deteriorando, a probabilidade de atuação por parte do BCE – seja por meio de uma ampliação no programa de compra de títulos públicos e privados ou por meio de mais uma redução na taxa de juros – aumenta.

Economia chinesa… Como já era de se esperar, a chinesa passou por uma violenta deterioração. O PMI composto caiu de 51,9 para 27,5, evidenciando de forma nítida os efeitos econômicos das medidas de contenção draconianas implementadas pelo governo chinês. A demanda por serviços, junto à elevada dificuldade de recrutar empregados, acabaram ocasionando uma drástica redução da confiança, a despeito de políticas econômicas como redução de impostos e financiamento anunciados pelo governo chinês. Por mais que o número de infectados na China esteja passando por um contínuo processo de estabilização, o número crescente de casos além das fronteiras do país ameaça criar uma pressão adicional sobre o setor externo chinês – importante componente do crescimento do país ao longo dos últimos anos.


BRASIL:

Mercados… O Ibovespa acompanhou o temperamento observado no exterior e operou em alta ao longo do pregão. No mercado cambial, o dólar deu sequência à dinâmica de valorização na medida em que as apostas em mais um corte na taxa Selic se consolidam. A aversão ao risco, no pano de fundo, segue sendo o principal driver do câmbio, pois dá continuidade ao flight to safety, isto é, corrida a ativos de segurança. As expectativas em torno de mais um corte na Selic também surtiram efeito sobre a curva de juros, ocasionando uma queda das taxas ao longo de todos os vértices. O CDS de cinco anos, medida de risco-país, repercutindo a aprovação da PEC dos fundos na CCJ do Senado, operou em forte queda ao longo do pregão, reascendendo expectativas otimistas sobre a reversão da dinâmica explosiva do endividamento público.

Atividade econômica… O destaque do dia foi o PIB de 2019, que fechou o ano com um crescimento de 1,1%, em linha com as estimativas de mercado. Como era de se esperar, a maior contribuição veio do consumo das famílias, que, ao crescer 1,8%, foram puxadas pelos juros e inflação baixos, conjugado à expansão do crédito. A liberação das contas do FGTS ao longo do último trimestre, no entanto, surtiu efeito menor do que o esperado. O investimento, por mais que tenha registrado crescimento anual de 2,24%, segue notadamente abaixo de seus níveis pré-crise. O ainda incerto e distorcido ambiente de negócios, junto a baixa rentabilidade do capital, segue, entre outros fatores, explicando a lentidão da Formação Bruta de Capital Fixo. O consumo do governo, determinado pelo atual ajuste fiscal em curso, declinou 0,44%, enquanto o setor externo (balança comercial), com um excesso de importações sobre exportações, catalogou variação negativa de 3,65%. A depreciação do real em 2019, decorrente dos cortes de juros, não foi suficiente para contrabalancear os efeitos contracionistas da consistente redução da demanda externa para impulsionar as exportações em 2019.

E agora?… O desempenho da economia brasileira ao longo do último ano deixa claro que a política monetária por si só não será suficiente para atingir o tão almejado crescimento de 2% explicito nas expectativas de mercado. O ciclo de afrouxamento monetário que se iniciou e encerrou em 2016 e 2018, respectivamente, e que foi retomado em 2019 derrubou a Selic em 1000 pontos base. Mesmo assim, a economia brasileira falhou em responder de forma vigorosa. Assim sendo, a importância de materializar reformas que atingem diretamente o ambiente microeconômico, como a tributária, fica cada vez mais latente. Isto porque melhoram diretamente a produtividade dos fatores de produção (capital e trabalho) e, como se sabe, a única coisa que eleva permanentemente a renda de um país no longo prazo é a elevação da produtividade. As reformas de cunho fiscal também carregam suprema importância, pois uma vez implementadas, consolidam a volta da confiança da economia e permitem a volta sustentável do investimento do setor público para auxiliar o setor privado no crescimento – algo que também ajuda a elevar a produtividade das firmas.

Suzano… A empresa foi um dos principais destaques do pregão de hoje. Em linha com a melhora dos ânimos nos mercados internacionais, as empresas exportadoras tiveram boa performance no pregão. Ainda, a depreciação do câmbio atingindo patamares recordes, auxiliaram para que a empresa tivesse ótima performance.

IRB… O mercado não perdoou as informações desencontradas a respeito da empresa e derrubou fortemente o preço da ação. O comunicado da Berkshire Hathaway dizendo que não aumentou a posição sobre o ativo, após a IRB afirmar que essa teria de fato executado tal ação, fez com o mercado desacreditasse no management da empresa e desvalorizasse muito o papel.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

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