Apito Final | Entre altas e baixas

Tempo de leitura: 9 minutos

Internacional

• Ativos de risco têm sessão volátil de olho nas narrativas de bolhas de ativos após comentários de regulador chinês;
• Não é a primeira vez que um agente político importante soa o alerta nesta direção;
• Cenário não indica que uma possível bolha irá estourar no curto prazo;
• Federal Reserve é chave para compreender risco de colapso nos preços dos ativos;
• Agenda internacional destaca índices de confiança, ADP e Livro Bege do Fed.

Brasil:

• Ibovespa acompanha volatilidade do exterior reagindo à manutenção de risco político elevado;
• Bittar apresenta nova versão, desidratada, da PEC emergencial;
• Lira promete dar celeridade ao trâmite da proposta de emenda à constituição;
• Agenda de amanhã destaca divulgação da leitura final do PIB real da economia brasileira em 2020.


FECHAMENTO

Ibovespa: 111.647 (+1,19%)
BR$/US$: 5,66 (+0,53%)
DI Jan/27: 8,08% (+11 bps)
S&P 500: 3.870 (-0,81%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

BBAS3: R$ 29,18 (+4,74%)
ITUB4: R$ 25,85 (+4,36%)
B3SA3: R$ 56,12 (+3,26%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

BRKM5: R$ 30,55 (-3,87%)
PRIO3: R$ 85,39 (-3,22%)
KLBN11: R$ 29,78 (-3,19%)


Cenário Externo

Bolha de ativos

Mercados…. Em dia mais calmo nos mercados de renda fixa, índices internacionais operaram com elevada volatilidade ao longo do dia, espelhando o crescimento de narrativas em torno de uma possível bolha nos mercados globais de ativos. Como mencionamos no Mercados Hoje desta manhã, comentários proferidos por um importante regulador bancário Chinês ressuscitou a preocupação quanto ao tamanho do descolamento entre o comportamento dos ativos e o grau de recuperação das economias, essencialmente soando a alerta em torno de uma possível bolha. No pano de fundo, o que naturalmente sobressai da discussão é de que forma a atuação dos bancos centrais e dos governos tem dado sustento a este movimento.

A alerta já havia sido soado… Não é a primeira vez que um importante ator político profere comentários desta natureza. Semanas atrás um importante conselheiro do PBoC alertou os governadores do BC chinês de que estava preocupado com a formação de uma bolha especulativa, especialmente no setor imobiliário. O movimento levou as autoridades a restringir a oferta de crédito no setor. Ainda, foram inúmeras as vezes, de olho na formação de riscos financeiros, em que o PBoC restringiu a liquidez no sistema interbancário, forçando uma alta das taxas de juros que respingou negativamente sobre os mercados de renda variável. Diante de toda a exuberância envolvendo o processo de recuperação, vacinas e estímulos, a autoridade chinesa busca reduzir a tomada excessiva de risco.

O S&P 500 em uma bolha?… Na medida em que se define bolha de ativo como uma rápida e vigorosa expansão nos preços dos ativos, sim, estamos em uma bolha. A pergunta mais interessante, entretanto, não é se estamos em uma bolha e sim quando e como ela irá estourar. Entenda “estourar” aqui como uma correção forte e duradoura no preço dos ativos. Neste sentido, acreditamos que não faz sentido pensar num eventual estouro a curto prazo pelas seguintes razões:  (i) a relação preço/lucro das empresas do índice encerraram, na média, o ano de 2020 18% acima do consenso, indicando fortes resultados corporativos; (ii) a campanha de vacinação segue a ritmo robusto nos EUA, com provável imunidade de rebanho sendo atingida no 3T ou 4T2021; e (iii) continuidade da adoção de uma postura ultra estimulativa na fronte da política monetária, principalmente no que se refere ao programa de compra de ativos, e na fiscal, com a reintrodução de um pacote trilionário de gastos.

O S&P500 está em uma bolha? (2)…  Em outras palavras, observamos o cenário conjuntural descrito como justificativa clara para a manutenção de uma visão construtiva para ativos de risco americano. Compreendemos, ainda, que a atuação do Fed é peça central do quebra-cabeça. Como salientamos há algum tempo, a manutenção de um fluxo de liquidez sem precedentes (US$ 120 bi/mês em treasuries e títulos hipotecários) atua como um colchão que previne a formação de correções fortes e, mais importantemente, duradouras. Com isto, entendemos que as condições para uma correção forte e duradoura se darão de forma clara somente quando o Federal Reserve comece a reduzir o ritmo de compra dos ativos, enxugando a liquidez. Como isto está previsto apenas para o início do ano que vem, e, de acordo com o Fed será comunicado previamente, não vemos razões fortes para acreditar em um eventual estouro da bolha nos próximos meses.

No radar… Amanhã, índices de confiança (PMIs) do setor de serviços, assim como o composto, que compreende a manufatura e os serviços, serão divulgados na Europa e nos EUA. No mesmo dia, sai o emprego no setor privado americano e o Federal Reserve divulga seu Livro Bege.


BRASIL:

Entre altas e baixas

Mercados… Ativos de risco domésticos tiveram mais um dia tumultuoso, repercutindo os mais recentes desenvolvimentos da política fiscal. A decisão de desonerar os caminhoneiros à custa dos banqueiros com a redução do PIS/Cofins que índice sobre a gasolina e aumento da CSLL dos bancos intensificou a preocupação com uma guinada populista no jeito do governo reger a política econômica. Na ponta positiva, o desempenho das empresas relacionadas ao setor de papel e celulose conseguiu conferir ao índice ligeira valorização ao longo da sessão desta 3ªfeira. Por conta da manutenção do elevado risco político, o movimento da taxa de câmbio (mesmo em meio à atuação do BCB no mercado cambial) e dos juros futuros foi de alta. Ambos os ativos continuam as negociados com elevados prêmios, refletindo justamente a falta de desfechos claros em torno da agenda de reajuste macroeconômico. Não obstante, a apresentação da mais nova versão da PEC 186 (emergencial), assim como a promessa de Lira de dar trâmite rápido à proposta, deram um alívio ao índice, ao câmbio e aos juros futuros ao fim da sessão.

Bittar apresenta nova versão da PEC 186… A proposta de emenda à constituição 186, cunhada de PEC emergencial, sofreu desidratações, esperadas, por conta de resistências dentro do Congresso. Na mais nova versão, são mantidos os gatilhos de congelamento de gastos – para a união – associados ao funcionalismo público quando a despesa obrigatória atinge 95% da despesa total, assim como a redução linear e gradual dos benefícios tributários, mas foi retirada a desvinculação dos pisos mínimos para saúde e educação. Ficou de fora, também, a cláusula que extinguia os repasses do FAT ao BNDES, por meio das contribuições do PIS/Pasep.

Lira prometer acelerar trâmite… O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, prometeu dar celeridade à aprovação da PEC emergencial. Comentou que as principais lideranças do Congresso apoiam o rito acelerado, que pula a CCJ e a comissão especial, para votar a PEC direto em plenário. É bastante provável que Lira consiga efetivar este movimento, uma vez que está parcialmente compreendido dentro do Congresso que a extensão do auxílio emergencial está diretamente associada a implementação em definitivo dos gatilhos previstos pela PEC. Isto é, o risco de fatiamento da proposta parece ser baixo, contando com baixa adesão por parte dos membros do Legislativo. No radar… Amanhã, o IBGE divulga o PIB do 4T2020. Com isto, finalmente saberemos o tamanho do tombo proporcionado pela covid-19. Espera-se que a renda registre, em linha com o processo de recuperação nos últimos meses do ano, alta de 2,8% frente ao trimestre diretamente anterior, configurando uma variação interanual de -1,5% frente a igual semestre de 2019. O acumulado do ano, o PIB deve registrar retração de cerca de 4,0%, ainda muito distante do nível pré-pandemia.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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